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terça-feira, 12 de junho de 2018

Lisboa e as Festas Populares - Marchas de Santo António, Animaram hoje a Avenida da Liberdade – Poeta Mário Cesariny e as criancinhas de mãos mordidas por ratazanas

 Jorge Trabulo Marques - Memórias de um Repórter de Rádio

Jorge Trabulo Marques - Mário Cesariny - Com catálogo de uma minha expos.

Hoje não saí de casa mas recordo-lhe um episódio de há 27 anos, que ainda continua atual, num diálogo mais real de que surrealista, em 12 de Junho 1991,  do autor da  "A  Pena Capital", "Primavera Autónoma das Estradas", "Manual de Prestidigitação", "Titânia e a Cidade Queimada" entre muitas outras obras poéticas  - Mário Cesariny de Vasconcelos  Lisboa, 9 de Agosto de 1923 — Lisboa, 26 de Novembro de 2006 foi poeta e pintor, considerado o principal representante do surrealismo português. É de destacar também o seu trabalho de antologista, compilador e historiador (polémico) das actividades surrealistas em Portugal.


Casamentos de Santo António e o desfile de 27 marchas populares,  constituíram os principais motivos da   agenda das  Festas de Lisboa -  Não fui ver as marchas desfilar mas trago-lhe  um episódio que vale a pena recordar  - Amanhã poderá assistir à tradicional procissão de Santo António e também poderá visitar exposições na Perve Galeria, em Alfama,  com quadros  de Cruzeiro Seixas e Valter Hugo Mãe, Mário Cesariny,  que vão ser prolongadas até ao dia 30 de Junho.

RECORDANDO O POETA E PINTOR - MÁRIO CESARINY - E TAMBÉM UM BOM AMIGO -

Mário Cesariny de Vasconcelos  Lisboa, 9 de Agosto de 1923 — Lisboa, 26 de Novembro de 2006 foi poeta e pintor, considerado o principal representante do surrealismo português. É de destacar também o seu trabalho de antologista, compilador e historiador (polémico) das actividades surrealistas em Portugal.

Tive oportunidade e o prazer de ser amigo de Mário Cesariny de Vasconcelos, de ter partilhado com ele variadíssimos e inesquecíveis momentos de agradável convívio, com um dos mais singulares poetas pintores e do surrealismo português

Não foi surrealismo mas crua verdade
"Passados 11 anos, sobre a sua morte - "é uma voz que ainda ecoa" e o seu surrealismo uma revolta que ainda não perdeu o sentido”  - Entre os amigos mais chegados, a sua presença continua tão forte quanto antes. Como naqueles tempos passados em redor de uma mesa de café a falar de literatura, de política, de arte, de tudo. Sempre certeiro, Cesariny chegava e com uma palavra era capaz de mudar a temperatura de uma sala, sobretudo de pensar fora da caixa porque ele nunca soube o que era estar dentro dela.

Há cinco anos - Surrealismo?

Isso — essa ânsia de liberdade noutro Portugal — trouxe-lhe muitos problemas, mas também fez com que se tornasse autor de uma das obras mais importantes do modernismo português. E não só literário, mas também pictórico. Porque a poesia e a pintura andaram sempre de mãos dadas com Cesariny — faziam parte dele. E assim diz quem o conheceu” - .Diz num interessante artigo, 
Rita Cipriano, publicado no  Observador


CESARINY ADMIRAVA O ESPÍRITO AVENTUREIRO DAS MINHAS ARRISCADAS TRAVESSIAS EM FRÁGEIS PIROGAS E EU ADMIRAVA-O POR SER UM POETA DE CORPO E ESPÍRITO INTEIRO - http://canoasdomar.blogspot.com/2019/11/perdido-no-golfo-da-guine-33-dia.html


E também apreciava os meus apontamentos insólitos de reportagens e entrevistas na extinta Rádio Comercial RDP - Um dia haveria de ser ele a substituir o repórter com a empregada de Natália Correia, deslindando segredos, de almoços e jantares, no lendário Botequim e em sua casa e outras revelações  - Quem haveria de imaginar tão inesperado acaso!



Mário Cesariny – Diálogo mais real do que surrealista, 1991  - com a criada cabo-verdiana, da poetiza Natália Correia, em noite das marchas de Santo António, sobre ratos e ratazanas que comem a mãozinha e as orelhas de criancinhas e outras surpreendes revelações  - Em memórias de um repórter -  Ao lado do poeta e pintor, e na mira do apontamento espontâneo de reportagens para Rádio Comercial, quando questionava algumas das pessoas que assistiam ao desfile, eis que surge o diálogo mais inesperado e insólito, que ali poderia esperar.

Tenho no meu vasto arquivo de repórter da rádio, muitos registos da sua voz: quer de algumas tertúlias poéticas onde participou, quer   de quando nos cruzávamos nalgumas das ruas ou espaços que ele mais frequentava: - pois, além das entrevistas às mais diferentes personalidades, uma parte dos meus trabalhos  eram baseados em registos de rua e casuais, de coisas do arco da velha, em direto ou gravados, de todo o tipo; desde assassinos, a prostituíras, rufias, drogados, marginais, gente conhecida ou anónima, dava-me gosto ir ao encontro do palpitar do coração da cidade, fosse de dia ou de noite. Hoje,  a rádio,  dispersa-se em mil frequentes, já não dispõe dos grandes auditórios dos anos de oiro da rádio, os seus realizadores imitam-se e repetem-se, como gira-discos e só servem para enfastiar o ouvinte com carradas de anúncios, música barulhenta e enfadonhas conversas da treta.


Mário Cesariny, conhecendo bem as minhas andanças,   sabendo que, no saco do repórter, havia sempre um gravador pronto a  premir a tecla para acionar o movimento da cassete de gravação,  por vezes, era ele mesmo, que  quando nos cruzávamos,  se o apanhasse em  pleno desvario poético, me perguntava: “Olá Jorge!... Trazes aí contigo a maquineta?”... – Claro que, mal descobria o seu perfil, à distância, era o gesto de que imediatamente me preparava para tomar: – E, sem mais delongas,  ali estava o poema, acabado de criar, vertido como se naquele momento lhe estivesse a jorrar da mais  cristalina fonte e da encosta  do mais sublime ou auspicioso  monte.

Ele concedia-me esse privilégio, não porque estivesse a pensar na forma de promover os seus versos, visto essa questão há muito estar ultrapassada, pois, a bem dizer,  Cesariny, quando nasceu, já devia vir  com o rótulo dos predestinados, além de que também não precisava de correr atrás da imprensa, nem o desejava nem era esse o seu gosto.  Fazia-o, por um lado,  porque me considerava seu amigo, e, por outro, porque, sendo também uma pessoa afável, simpática e dialogante - que gostava de dizer os seus poemas, como se cada verso lhe saísse do mais fundo das suas emoções ou cogitações, e não mercê de meras construções imaginativas de quem é muito letrado e até sabe fazer umas versalhadazecas  umas rimas ou coisas parecidas,  engraçadas ou intelectuais, que, mais das vezes ninguém entende – mas sobretudo, porque esse gesto também era surrealista, uma insólita forma de expressão artística.

Nesse aspeto, ele não fazia concessões – Sim, o gosto  de  surpreender e ser-se surpreendido, um ato poético,  artístico e espontâneo,  por aquilo que fazia e criava – Cesariny era avesso às entrevistas combinadas mas adepto e apaixonado do diálogo informal e espontâneo. E até sucedia, por vezes, que, ao cruzar-me com ele na rua, ao perguntar-lhe se  me podia dizer alguns versos para o meu gravador, me respondia: “desculpa, Jorge; mas neste momento não ando com versos na cabeça, não posso perder tempo contigo:

- Não vês, além aquele magala, tão jeitoso! …Vou ver se o engato!”…Agora não posso falar contigo…  E lá ia à sua vida…De cabeça erguida, de quem não deve, não teme; enfiado na sua gabardine… Qual andorinha apeada, mais parecendo levitar de que andar.

Conheci-o, casualmente, pela primeira vez, nos finais dos anos 70, numa discoteca Gay, no Príncipe Real, denominada Rokambole, próximo da  Faculdade de Ciências– Tinha ali ido fazer uma reportagem para a Rádio Comercial sobre a estreia de um espetáculo de travesti, e, enquanto assistia às hilariantes pantominas  dos atores, quis um feliz caso que estivesse sentado no mesmo sofá ao seu lado: às tantas, e,  como nestes ambientes informais e descontraídos, quando as pessoas estão sentadas lado a lado, o diálogo geralmente acontece, sou eu que, lhe lanço esta pergunta:

  Por caso, o Sr. não é poeta? -  Ele sorri e responde que sim, mas não disse mais nada nem eu insisti – Isto pelo facto de ter observado,   na sua maneira de falar, simples, espontânea, no relacionamento  com outra pessoa, da sua idade, sentada do seu lado direito (mais tarde vim a saber que era o pintor Francisco Relógio)  com a qual de vez em quando iam trocando umas palavras, porém,  sem qualquer tipo de afetação na voz ou nos gestos, ao contrário  de outras pessoas, que por ali conviviam e se divertiam, Porém, como é sabido, no rosto dos espíritos iluminados, o silêncio também fala. E eu quando andava em reportagem, olhava as pessoas, com olhos de ver, procurava eventuais motivos de curiosidade para apresentar no programa em que participava – Pois, tal como me confessara, mais tarde, o pintor, Carlos Botelho, em sua casa: vocês,  repórteres, devem ter muito que trabalhar para alimentar uma bocarra, tão grande, como é a da rádio – Sim, no tempo em que fazer rádio, não era só no estúdio mas ir ao encontro das pessoas e dos acontecimentos.

 A mesma dificuldade  me reconheceria também, António Ramos Rosa, outro grande poeta, que, depois de o ter visitado numa enfermaria de um hospital, pela primeira vez,  me receberia muitas vezes em sua casa, tendo, a partir de certa altura, não apenas tido o  prazer de conviver com ele e com a sua esposa, Agripina Costa Marques,  mas também para lhe registar algum poema, acabado de criar ou mesmo de levar o  original para minha casa para lho depois lho entregar em letra de forma: pois, houve uma altura, na sua vida, em que, devido a problemas de saúde, escrevia com alguma dificuldade, com gatafunhos, quase indecifráveis e, mesmo o que batia à máquina de escrever, necessitava de melhor apresentação: os versos saiam-lhe espontaneamente, até de uma simples palavra, que eu próprio pronunciasse,,  a sua poesia era de emoções, que faziam pensar mas dir-se-ia que não era pensada mas sim vertida de uma mente, fermentada e fecundada de múltiplos e profundos pensamentos,  talvez mesmo em permanente estado de ebulição ou delírio . Bom, mas neste momento, eu estou agora a lembrar a memória de Mário Cesariny

 Referindo-me aquele silêncio de Cesriny quando lhe perguntara se não era poeta,  àquela ausência de resposta à sua identificação, na verdade, tal episódio, deixou-me, de algum modo intrigado, pelo que fiquei sempre com aquela curiosidade em saber quem era  aquela figura franzina, graciosa e fantasiosa, mas ao mesmo tempo com expressão muito concentrada e  enigmática, com um rosto ascético de intelectual e de sonhador, que de vez em quando apertava os dedos alongados entre umas mãos finas de mulher ou de artista  mas que correspondia com afabilidade e simpatia  a quem se lhe dirigisse ou com quem falasse.  Sorrindo com frequência, mesmo quando depois se refugiava num ar mais ´serio.  Expressão esta que só depois lhe reconheceria, claramente. 

Jorge Trabulo Marques - Mário Cesariny
 Sim, só mais tarde, é, que, ao  ver a sua fotografia estampada num jornal, a propósito da sua poesia, pude associar  aquela figura franzina e misteriosa à do poeta Mário Cesariny – 

Naquela altura, eu conhecia mal os poetas e escritores portugueses de vista, uma vez ter passado 12 anos fora de Portugal. Por isso, quando,  um dia, ao fim da tarde,  ao  cruzar-me com ele à saída do metro nos Restauradores  -  donde pretendia caminhar  até lá cima ao Marquês de Pombal e dali dirigir-me à Rádio Comercial-RDP, na mira de registar alguns apontamentos de reportagem  (naquele tempo ainda trabalhava a recibo verde), é que não resisti a cumprimenta-lo, dizendo-lhe: “Já sei que é o poeta Mário Cesariny!- Ele corresponde-me com um amável sorriso, com uma pergunta: então e onde vai?... Vou para a Rádio Comercial!” – Falámos uns breves momentos, dizendo-lhe que um dia gostaria de lhe gravar alguns poemas e de conversar consigo. E, na verdade, muitas haveriam de ser as vezes que nos encontramos; em cafés ou numa das esplanadas dos restauradores, onde também gostava de se sentar, sim, em variadíssimas circunstâncias, tendo mesmo chegado a convidar-me a visitar a sua oficina e a conhecer as suas irmãs, em sua casa.

Naturalmente que não o posso esquecer: aquele rosto que   infundia uma natural empatia, porque, na sua maneira de ser, que lhe era genuína e inata,  naquela sua expressão de vagabundo sorridente e incorrigível  - misto de fina sensibilidade, ironia, cultura e afabilidade, não morava a hipocrisia  - -

 Em Cesariny,  tanto no poeta como no pintor,  não havia fingimento ou artificialismos imaginativos  mas espontaneidade, uma constante ânsia de revelação, um profundo sentimento de liberdade, de espírito de descoberta de fantasia ou do insólito,  de transgressão à vulgaridade, tal como as crianças olham as estrelas, estendendo a mão para lhe tocar, também em Cesariny havia como que o desejo de as poder alcançar, buscando e amando os aspetos mais sedutores, contrastantes  e misteriosos da vida, tanto nas criaturas humanas como no ambiente que o rodeava.











       
Esta é também a minha singela homenagem - Com a publicação de uma foto inédita de um protesto insólito de Mário Cesariny e a recordação de um poema escrito na  madrugada seguinte à noite  da sua partida - Editado em 2008 noutro site, na qualidade de Luis de Raziel  -  Ou só Pessoa podia ter os seus heterónimos? 



"A NECROFILIA DO PODER VEM APLAUDIR A PRÓXIMA DESTRUIÇÃO DO MAIOR  E MELHOR APETRECHADO TEATRO QUE SE CONSTRUIU EM PORTUGAL  - Protesta Mário Cesariny


1989 - Nesse dia, decorria o lançamento do livro  as Ilhas, Sophia de Mello Breyner Andresen– Mas, Mário Cesariny quis aproveitar o concorrido evento para se insurgir contra a "necrofilia do poder"  - Sim, que se preparava para o entregar ao Grupo Amorim e ali  fazer um hotel.  - Era de tal modo o aperto, no 1º piso, que, não podendo fazer o apontamento para a Rádio Comercial (mas sobretudo pelo facto da autora do “Nome das Coisas”, não dar mostras de  grande disposição  para entrevistas), resolvi descer – Nisto, ao chegar ao fundo das escadas, deparo com o poeta e meu grande amigo Cesariny, ostentando um cartaz por entre as  duas mãos, sem contudo esboçar  uma palavra, o qual  ao ver-me, sorri e  pergunta-me: “tens aí a maquineta?”...Sim, porque já não era a primeira vez que,  encontrando-me às desoras da noite pelos Restauradores, ao vir da minha estação de rádio, me fazia a mesma pergunta para me debitar o poema que lhe vinha cabeça, acabado de brotar e não se perder - Ainda possuo uma cassete com um desses maravilhosos versos, como que arrancados do fundo de uma avenida imersa por uma neblina fria e densa de Inverno.  A que eu prontamente respondo: “Tenho duas! O gravador e a máquina fotográfica”   -

Porém, antes de me aproximar para lhe ouvir de viva voz a as razões pelas quais ali se plantara com aquele cartaz, faço-lhe uma fotografia, passando a máquina fotográfica a um amigo, que viera comigo para assistir ao  referido lançamento e me fotografa de microfone empunhado.

 Entretanto, o poeta deu-se por satisfeito – Até porque, um zeloso funcionário, barafustando e tomando-o como louco, se apressara a correr para a rua a chamar um polícia. – E o agente, só não lhe pegou pelo braço, por me ver com o microfone apontado para ele. Claro, não voltei a subir as escadas – Tinha o dia ganho – Havia repórteres que entretanto continuavam a subir e a descer as escadas mas nenhum lhe prestou  atenção – Tal como outras pessoas que ali se encontravam.  tanto mais que era um protesto, vistoso mas ao mesmo tempo silencioso. Ele não ia às televisões, procurava passar despercebido nos seus “engates”, na intimidade da sua vida pessoal de poeta  e não desejava que fosse incomodado. Naquela altura, ainda não era reconhecido pelo grande público e, nomeadamente,  por aquela  gente (dos media) que só ia atrás de quem aparecia frequentemente na RTP 

DE FACTO, AQUELE FOI O DIA DO FUNERAL DA MAIS EMBLEMÁTICA SALA DE TEATRO LISBOETA
"A origem do Cine-Teatro Eden, situado na zona nobre dos Restauradores, remonta a 1902 quando Albert Beauvelet, um comerciante de automóveis, alugou as antigas cocheiras do Palácio Foz. (..) No entanto, o Éden iria decair com o passar do tempo para no último dia de 1989 transmitir o derradeiro filme: "Os Deuses devem estar loucos II".

Após ter sido adquirido pelo Grupo Amorim, este edifício transformou-se no Hotel Éden, albergando a Virgin Megastore (quem não se lembra da inauguração com a presença das Spice Girls?) que iria encerrar as portas pouco tempo depois. Logo a seguir, este espaço seria ocupado pela Loja do Cidadão, mantendo essa função actualmente. Eden: o "gigante" dos Restauradores… Cassiano Branco 

Homenagem igualmente prestada pelo autor deste site, com fotos pessoais ao poeta e pintor, auto-retratos nas personagens de Luis de Raziel e de Peregrino da Luz , bem assim a reprodução de um poema escrito na madrugada seguinte à morte de Mario Cesariny

Foto registada em  2005

.



 

OS MÚSICOS E OS POETAS NÃO MORREM,
MESMO QUANDO CHEGADA A HORA,
A MORTE LHES FECHA OS OLHOS.

Cesariny já não faz parte dos vivos.
Morreu ontem ás 5, 30 da manhã, em sua casa!
Ainda o estou a ver…
Quando à mesma hora desceu a avenida da Liberdade
Em madrugada fria de Dezembro.



Madrugada já perdida
No silêncio do tempo.
Esquecida na memória dos dias.
Boina na cabeça.
Grossa gabardina de gola alta, cingida ao corpo,
Cascol escuro enrolado ao pescoço.
Defendiam –no da frieza húmida da noite.
Andar calmo e discreto.
Não de alguém que por ali deambulasse, sem destino
Ou por ali derivasse, sem propósito, nem rumo definidos.


Antes de o reconhecer, pelo mesmo passeio que sigo,
Evolui vulto que mal se destaca na névoa, tingida a
oiro turvo pela luz escassa, que a luz pública
mal divisa e distingue.
Estranho e dormente é também o silêncio
que só de vez em quando, é interrompido
por escassos carros que vão passando.
eles mesmos, lembrando, por vezes,
vagarosas silhuetas, difusas,
vindas de largas ruas
de alguma cidade fantasma!

Mas o que vejo é Cesariny,
nítido e inconfundível, na figura,
no andar seguro e tranquilo, no sorriso maroto
de uma inocência nunca perdida,
que a idade parece ter preservado intacta..


Aí está ele! Cabeça levantada. Olhar em frente,
Olhando, horizontalmente, à linha mal iluminada do passeio.
Estilo de ave a quem ninguém impede o voo
de animal selvagem, sem rédeas nem freio.
No passo certo carrega o saber para onde vai,
a indiferença ao caminho, a ausência de embaraço inoportuno,
como quem não trás nada sobre os ombros, o incomode:
nem peso em que vá derreado nem a própria gravidade.

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