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quarta-feira, 30 de novembro de 2022

Poeta Fernando Assis Pacheco - Morreu, em 30-11-95, um mês antes da sua morte despediu-se nos Templos do Sol ergendo os braços e com um dos dedos da mão apontando o caminho da eternidade

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


Fernando Assis Pacheco - O poeta e jornalista, morreu, em 30-11-95,  um mês depois de ter erguido os braços num dos altares dos Templos do Sol, aldeia de Chãs, de Foz Côa- O poeta, jornalista, crítico, tradutor e escritor, amante de livros e da vida, morreu aos 58 anos, à porta da “Livraria Buchholz”,  em Lisboa, com um saco de livros na mão, acabados de comprar, um mês depois de ter erguido os braços num dos altares dos Templos do Sol, maciço dos Tambores, aldeia de Chãs, de Foz Côa, após ter ido fazer uma reportagem ao núcleo das gravuras do Côa, na Canada do Inferno, para a revista Visão, a que deu o titulo de A Canada do Tesouro, tendo como guia, o nosso amigo fozcoense, Adriano Ferreira, a quem também se deve a descoberta de algumas das importantes gravuras, cuja fotografia viria a figurar numa das páginas, daquela que seria a última grande reportagem de Fernando Assis Pacheco


"Jorge!..Aqui também esteve o Torga?!.. " - Perguntava-me, Fernando Assis Pacheco, naquele já distante fim de tarde, em que o acompanhei pela Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora e ao Monte do Castro do Curral da Pedra. Ele estava muito feliz e, pelos vistos, queria saber se o autor dos Novos Contos da Montanha, também teria partilhado daquele mesmo encantamento e felicidade, ali pelos monumentais penhascos dos Tambores e Mancheia. Eu disse-lhe: "Não me consta... Acho que não...Aqui, nestes sítios, é ainda o reino do granito" Mas, afinal, Fernando Assis Pacheco, lá tinha as suas razões para fazer a tal pergunta. Miguel Torga, também contemplara aqueles enigmáticos penedos e largos horizontes. Contei o episódio, na cerimónia, da romagem à "Pedra do Fernando Assis, e a reposta às minhas dúvidas, fora gentilmente dada pelo poeta e advogado, Manuel Pires Daniel

Pelo que se depreende, tendo ali se despedido da vida, num gesto, porventura, premonitório da sua partida para a eternidade, creio de reconhecimento a Deus aos deuses por ter tido a oportunidade de contemplar estes abençoados e maravilhosos espaços, que, nossos antepassados, de outros tempos, ali cultuaram., celebrando os ciclos das Estações, evocando os seus ídolos.

É uma das pedras, que faz parte das nossas peregrinações poéticas, nas festividades dos Equinócios e solstícios, nos calendários solares, pré-históricos, ali existentes – Em 2006, já depois de o termos feito em 2005, prestámos-lhe ali uma singela homenagem, com a presença do filho, João Ruella Ramos Assis Pacheco e da filha, Rosa Ruella Ramos Assis Pacheco, que acendeu ali uma vela – E de sua esposa, Maria do Rosário Pinto Ruella Ramos, que, embora tendo acompanhado os filhos, até à aldeia, optou para li ficar aguardando o fim de cerimónia, não se deslocando ao local, dizendo que o sítio a iria emocionar muito. E, de facto, foram momentos brilhantes mas muito calorosos e emotivos

Em 2005, começamos a depositar, no centro daquele altar, coroas de flores, lendo poemas de vários poetas, e também dele, tendo o actor e músico, João Canto e Castro, acompanhado por Gonçalo Barata e Jorge de Carvalho, o pai do jovem que perdeu o filho numa expedição com João Garcia, nos Himalaias, lido ali alguns poemas e tocado uns acordes de violino, na presença dos dois filhos do poeta, jornalista escritor. A sua filha acendeu lá uma vela no centro dessa mesma pedra.


Encontrei-me com o Fernando Assis Pacheco,  num bar em Foz Côa, em Outubro daquele ano, em 1995.  Ao vermo-nos, como já nos conhecíamos das lides jornalísticas, cumprimentámo-nos calorosamente, tendo-o convidado a visitar aqueles lugares da minha aldeia, que já haviam merecido a atenção de Adriano Vasco Rodrigues, antigo Prof da Universidade Portucalense, em Gaia, que, num estudo publicado em 1982, sobre a História Remota da Mêda, classificando a Pedra da Cabeleira de Nª Sra., que tem a forma de um gigantesco crânio, encimada no altar de um recinto amuralhado, onde parece desafiar as leis da gravidade, como um local de sacrifícios, integrado cronologicamente na revolução neolítica - Se bem que, só, em 2001, por um feliz casso, eu pudesse constatar que os raios solares do nascer do sol, atravessavam a sua graciosa gruta, em forma semicircular, no primeiro dia do Equinócio da Primavera e do Outono.

E foi, então, quase ao fim da tarde daquele dia, que, acedendo, amavelmente, ao meu convite, acompanhado pelo repórter fotográfico, José Oliveira, se deslocou ao santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nª Srª, bem como a outros locais da área, que o deixariam verdadeiramente encantado, tendo prometido ali voltar - E, naturalmente, ainda longe de se saber, que existiam os tais calendários solares, que mais tarde, haveria eu de descobrir - E muito menos de se imaginar que esta seria a sua última despedida para sempre, deste local

- Rosa Ruella - Filha  de Fernando Assis Pacheco 

Sim, ele adorou. Ficou muito contente por ver aquelas pedras. Tendo chegado a perguntar-me, se o poeta Miguel Torga, também já ali havia estado.. Respondi-lhe que desconhecia; no entanto, anos depois, vim a saber, que até andou por ali à caça. segundo me confessou outro grande e saudoso poeta, Manuel Daniel, natural de Meda, que também ali se descolou a esta pedra a prestar-lhe a sua homenagem, que nos deixou em Janeiro passado – Natural da cidade da Mêda, onde  nasceu em 18 de Novembro de 1934.  Faleceu em 21 de Janeiro 2021, vitima da Covid 19 - Já depois de alguns anos de penosa situação de invisual, sem, no entanto, abdicar da sua verve poética

Um coração de poeta, que, embora não tendo alcançado a fama que deveria merecer, privou com Miguel Torga e escreveu algumas letras lidas por João Vilarét - Homem muito admirado e querido, não só na sua terra natal, em todo o concelho, bem como em V. Nova de Foz Côa, onde passou grande parte da sua vida, dedicado à causa pública e cuja obra intelectual, se estende em todos os géneros literários, perfeitas maravilhas de naturalidade , de graça, finura e sensibilidade, que encanta, sorri e toca profundamente quem glosa a sua poesia ou a sua prosa

JÁ SE HAVIA POSTO O SOL QUANDO DALI SAÍAMOS  - E também já estava a fazer-se demasiado tarde para a longa viagem que tinham pela frente, até Lisboa. 

Naquela altura, como disse, ainda não tinha descoberto, que alguns daqueles monumentos megalíticos, eram verdadeiros calendários solares pré-históricos - Mas ele estava muito encantado com a panorâmica e com o lugar. Quando estávamos a regressar do Castro do Curral da Pedra, ao vê-lo tão contente, pedi-lhe para subir ao alto de uma pedra, em forma de um pequeno altar e ali dizer umas palavrinhas mágicas( que eu lhe sugeri) - "Grande Foco! Força Criadora! Vida do Universo! ! - em louvor aos deuses destes lugares.


Olha, Fernando! Já que vais tão contente, sobe para aquela pedra e agradece ali aos deuses que aqui foram adorados, pelos antigos povos; agradece-lhe a tua vinda aqui! E assim fez, irradiando uma enorme alegria, abrindo espontaneamente os braços aos céus, num largo e expressivo sorriso, voltando-se em várias posições para com os quadrantes da Terra e repetindo umas palavrinhas que, em jeito de evocação, eu lhe dissera. 

A última das quais foi com a mão esquerda estendida ao longo do corpo e a direita apontando para onde se havia posto o sol! – Hoje quando revejo essa imagem só penso numa coisa: que aquela direcção para onde ele então apontava, só poderia estar já a indicar-lhe o caminho da eternidade!... O caminho dos deuses! Como não tinha película na máquina, pedi um rolo emprestado ao José Oliveira. Ele foi ainda mais generoso, registou o momento e deu-me o negativo.


A MORTE UM MÊS DEPOIS - Um mês depois, e justamente quando dali regressava a casa, ao ligar o rádio, qual não é o meu espanto e a minha tristeza quando ouço a notícia da sua morte, que o surpreendeu com uma mão cheia de livros à saída da livraria Bucholz, em Lisboa.


Foi a 30 de Novembro, aos 58 anos .No dia seguinte dirigi-me à mesma pedra e, com ajuda de um pequeno cinzel, fixei, dentro de um pequeno triângulo, as iniciais do seu nome, como singela homenagem à sua memória. Depois disso, já por lá passei muitas vezes, e, sempre que por ali passo, não deixo de o imaginar lá, com a mesma postura e expressando aquele seu largo sorriso aberto, que, aliás, lhe era tão familiar e que os seus entes queridos e muitos amigos, dificilmente esquecerão



sexta-feira, 25 de novembro de 2022

JOSÉ RUY - Faleceu o mestre de Banda Desenhada, na Amadora, sua terra natal

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Partiu aos 92 anos a caminho do sonho da eternidade - Considerado um dos nomes grandes da Banda Desenhada em Portugal, autor de dezenas e dezenas de livros - José Ruy Matias Pinto, nasceu a 9 de maio de 1930, Amadora, cidade onde acabaria também de falecer, em 23 de novembro de 2022

 

 

Mestre José Ruy, cidadão da Amadora, autor de Banda Desenhada, ilustrador, pintor, dedicou à Amadora, a cidade que o viu nascer e que o acompanhou na sua atividade artística, a obra Levem-me Nesse Sonho. O conjunto do seu trabalho, a qualidade do seu desenho e cor, é um reflexo de décadas de criatividade, de conhecimento e de dedicação. A sua vida cruza-se com a história da cidade – a escola com o seu nome, o Amadora BD, os Troféus Zé Pacóvio e Grilinho, prémios e homenagens. Sempre contámos com seu envolvimento afetivo, com a sua amizade e com o seu amor pela Nona Arte. - Lê-se, na página oficial da autarquia

 
BIOGRAFIA “Técnico de artes gráficas, decorador, autor de Banda Desenhada, ilustrador e pintor, José Ruy Matias Pinto nasceu a 9 de maio de 1930 e morreu a 23 de novembro de 2022, na Amadora. O seu entusiasmo pela BD vem desde pequeno, quando contactou com a revista O Mosquito. Tornou-se seu leitor desde o primeiro número (em 1936) e dedicou-se então a desenhar a sua própria versão de O Mosquito. O seu talento natural pelo desenho fez com que ingressasse na prestigiada Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa, onde encontrou mestres e colegas que marcaram a sua carreira. Por essa época conheceu José Garcês e Eduardo Teixeira Coelho (ETC), dois nomes cimeiros da BD portuguesa, com quem travou amizade e foram seus cúmplices em diferentes projetos. De modo a aperfeiçoar o seu traço, durante longo tempo foi visita frequente do Jardim Zoológico de Lisboa, onde desenhou os mais variados animais em diferentes posições. No final de 1944 começou a colaborar com a revista O Papagaio, com ilustrações, contos e banda desenhada. In Infopédia – Partiu aos 92 anos a caminho do sonho da eternidade - Considerado um dos nomes grandes da Banda Desenhada em Portugal, autor de dezenas e dezenas de livros - José Ruy Matias Pinto, nasceu a 9 de maio de 1930, Amadora, cidade onde acabaria também de falecer, em 23 de novembro de 2022

Mestre José Ruy, cidadão da Amadora, autor de Banda Desenhada, ilustrador, pintor, dedicou à Amadora, a cidade que o viu nascer e que o acompanhou na sua atividade artística, a obra Levem-me Nesse Sonho. O conjunto do seu trabalho, a qualidade do seu desenho e cor, é um reflexo de décadas de criatividade, de conhecimento e de dedicação. A sua vida cruza-se com a história da cidade – a escola com o seu nome, o Amadora BD, os Troféus Zé Pacóvio e Grilinho, prémios e homenagens. Sempre contámos com seu envolvimento afetivo, com a sua amizade e com o seu amor pela Nona Arte. - Lê-se, na página oficial da autarquia

“Técnico de artes gráficas, decorador, autor de Banda Desenhada, ilustrador e pintor, José Ruy Matias Pinto nasceu a 9 de maio de 1930 e morreu a 23 de novembro de 2022, na Amadora. O seu entusiasmo pela BD vem desde pequeno, quando contactou com a revista O Mosquito. Tornou-se seu leitor desde o primeiro número (em 1936) e dedicou-se então a desenhar a sua própria versão de O Mosquito. O seu talento natural pelo desenho fez com que ingressasse na prestigiada Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa, onde encontrou mestres e colegas que marcaram a sua carreira. Por essa época conheceu José Garcês e Eduardo Teixeira Coelho (ETC), dois nomes cimeiros da BD portuguesa, com quem travou amizade e foram seus cúmplices em diferentes projetos. De modo a aperfeiçoar o seu traço, durante longo tempo foi visita frequente do Jardim Zoológico de Lisboa, onde desenhou os mais variados animais em diferentes posições. No final de 1944 começou a colaborar com a revista O Papagaio, com ilustrações, contos e banda desenhada. In Infopédia

sexta-feira, 18 de novembro de 2022

Manuel Pires Daniel - Saudades de um Grande Poeta de Terras de MEDA, “Luz da Beira” - Nasceu neste dia em 1937 - -Faleceu em 22 de Janeiro 2021, vitima da Covid 19

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

Manuel Pires Daniel - O Poeta de Terras de MEDA, “Luz da Beira” - Festejaria hoje o seu 88º aniversário, se Deus o não tivesse chamado para a Eternidade -Tributo de saudade à voz do autor o "Mar da Minha Terra é de Granito e outros belos poemas - Na sua Voz e nos versos cantados e tocados por Carlos Pedro, músico medense, que se tem notabilizado em variadíssimos espetáculos locais e regionais, na sessão de homenagem que lhe foi prestada pelos municípios de Mêda e de Foz Côa, em Agosto de 2021. 

Manuel J. Pires Daniel, nasceu em 18 de Novembro de 1934, em Vila de Meda, conhecida a sua torre cimeira, como o farol da Luz da Beira,. Faleceu em 22 de Janeiro 2021, vitima da Covid 19 - Já depois de alguns anos de penosa situação de invisual, sem, no entanto, abdicar da sua verve poética - As almas bondosas e iluminadas, não se perdem na eternidade - A dor é infinita dos que as perdem mas esse é o caminho que um dia todos levam, mais tarde ou mais cedo - Meu abraço solidário

Um coração de poeta, que, embora não tendo alcançado a fama que deveria merecer, privou com Miguel Torga e escreveu algumas letras lidas por João Vilarét - Homem muito admirado e querido, não só na sua terra natal, em todo o concelho, bem como em V. Nova de Foz Côa, onde passou grande parte da sua vida, dedicado à causa pública e cuja obra intelectual, se estende em todos os géneros literários, perfeitas maravilhas de naturalidade , de graça, finura e sensibilidade, que encanta, sorri e toca profundamente quem glosa a sua poesia ou a sua prosa

Recordo com saudade os bons momentos de diálogo, que tive o prazer de partilhar com a sua simpatia, sensibilidade e saber - Sem dúvida, um admirável exemplo de labor e de tenacidade, de apaixonado pelas letras e de sentido e dedicação ao bem comum –

TRIBUTO Â MEMÓRIA DO POETA DR MANUEL DANIEL  -  Um belo exemplo de sensibilidade cultural e gesto democrático, demonstrado, entre dois municípios, geridos por partidos diferentes, que decorreu  em dia 25 de Julho de 2021 - Com duas sessões: uma no interior da Casa Municipal da Cultura e outra no recinto de  um belissimo parque, quase adjacente, no qual iria ser descerrado o busto de Manuel Daniel,  falecido no passado 21 do mês de Janeiro, no Hospital da Guarda, vitima da covid19.Pormenores em https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2021/08/manuel-daniel-meda-e-foz-coa-dois.html

 Manuel Daniel -  Autor de uma vasta obra - “Caminhada Imperfeita”; “Mar da Minha Terra” ; "Coração Acordado"; "A Porta do Labirinto"; Intermitências". "Auto da Juventude"; "Eram meninos como nós" (teatro); " "O Feriado Municipal de S. Martinho" - Entre outros livros - Com cerca de uma vintena de peças de teatro para crianças e jovens, algumas das quais, inéditas - Advogado, poeta, escritor, ensaísta, dramaturgo e jornalista na imprensa e na rádio

Na poesia de Manuel Pires Daniel, não há jogo de palavras mas palavras que vêm do coração, que brotam naturalmente, como água da melhor fonte, que corre das entranhas do xisto ou do granito da nossa terra.

Manuel Daniel e Marialice Daniel - Era um modelo exemplar de vida conjugal e profissional. Um casal tranquilo e feliz, a morte os separou - - Recordando um poeta da nossa terra, que dificilmente será esquecido - Deixou-nos em Janeiro passado, vitima da Covid 19 - Esta é uma das várias fotografias, que tive o prazer de lhes fazer em sua casa, em Agosto de 2019 - Além de me ter dado a oportunidade de lhe gravar alguns poemas e de o entrevistar., que não deixarei de recordar, sempre que me for possivel e achar oportuno.

Uma vida intensa e multifacetada, pautada pela dedicação mas também pela descrição. Desde, há alguns anos, vinha debatendo-se com extremas limitações da sua vista, por ter ficado completamente cego, no entanto, nem por isso, dentro do que lhe era possível e com apoio amigo da família, lá ia compondo os seus versos e editando livros. Em cujos poemas perpassa o que de melhor têm a poesia portuguesa - Dominando com mestria os mais diversos géneros poéticos e neles se expressando, a par de um profundo sentimento de religiosidade, o amor à terra, à natureza, aos espaços que lhe são queridos, suas inquietações e interrogações, sobre a efemeridade da vida e o destino do Homem

Na poesia de Manuel Pires Daniel, não há jogo de palavras mas palavras que vêm do coração, que brotam naturalmente, como água da melhor fonte, que corre das entranhas do xisto ou do granito da nossa terra. -O meu abraço de eterna saudade

Uma biografia rica e diversificada - Advogado, escritor, poeta, estudioso, um homem de cultura, tendo dedicado muitos anos da sua vida à função pública e à vida autárquica. A par de vários livros de poesia, colaborações de artigos e poemas na imprensa regional e nacional, bem como em jornais brasileiros, prefácios e a coordenação em várias obras, é também autor de 40 peças de teatro, nomeadamente para crianças, 20 das quais ainda inéditas. Muitos dos seus poemas foram lidos por Carmem Dolores e Manuel Lereno, aos microfones da extinta Emissora Nacional, em “ Música e Sonho”, de autoria de Miguel Trigueiros – Considerado, na época, o programa radiofónico mais prestigiado - Mesmo assim objeto de exame censório, tal como atestam os arquivos.

Mas não menos relevantes são as letras que vêm a ser musicadas e gravadas em discos e cassetes, Interpretadas por Ramiro Marques, em EP nas canções “Amor de Mãe” e “Amor de Pai”, pela Imavox, em 1974 – E, também, anos mais tarde, as letras para um “Missa da Paz” e coletâneas temáticas sobre “Natal e Avós” E, com música de Carlos Pedro, as “Bolas de Sabão”, “Ciganos”, “Silêncio” e outros pomas.

Indubitavelmente, se há homens que dedicam a sua vida à causa pública, com total entrega, honestidade, inteligência e dedicação, Manuel Daniel, é um desses raros exemplos – Sim, então num tempo em que vão escasseando exemplos dignos de referência: ele pode olhar para o seu passado, com orgulho e de cabeça erguida - Numa longa carreira, com desempenhos nas tesourarias e repartições de Finanças da Meda, Pombal, S. João da Pesqueira, Reguengos de Monsaraz, Vila Nova de Foz Côa e Guarda, culminando como dirigente superior da Direção Geral do Tesouro, no Ministério das Finanças, onde foi responsável pelos serviços técnicos e financeiros das Tesourarias da fazenda Pública.

A par da sua vida profissional, foi ao mesmo tempo desenvolvendo o gosto pela literatura – Lendo as obras dos melhores autores, escrevendo poemas, contos e peças infantis e manifestando o seu apego ao jornalismo: iniciou a suas primeiras colaborações, em 1954, em “Luz da Beira”, jornal de Meda, a sua terra natal, que ajudaria também a fundar, colaboração que manteve durante 20 anos, creio que até à sua extinção. Nesse recuados anos, estendeu ainda o seu contributo jornalístico aos jornais a ”Palavra”, de Reguengos de Monsaraz – 1964-1968. Em Moura, colabora com a “Planície”- 1961- 1962. Posteriormente, já com residência em Foz Côa, publica vários artigos na “Coavisão” edição do município. Foi colaborador da “Capital”, na “Defesa” e na revista “Solidariedade” – Continuando a ser um dos mais considerados e ativos colaboradores do jornal “O Fozcoense”

Manuel Daniel, era casado com Alice Daniel, pai de dois filhos: do Dr. João Paulo Daniel, o guitarrista do extinto grupo Requiem Pelos Vivos, bem como Eng.Pedro Daniel, Eng.º Pedro Daniel, dinâmico Coordenador e Técnico da empresa Fozcôactiva, ambos ligados de coração e alma por Foz Côa, à semelhança dos seus pais." - Estas algumas de referências com que é enaltecida a sua vasta e notável biografia.

 

quinta-feira, 17 de novembro de 2022

Arte Sem Limites – Tema da exposição do Vale do Côa e Siega Verde, no Museu Arqueológico Nacional, em Madrid - Vestígios fronteiriços entre Portugal e Espanha - Ambos pela UNESCO, declarados Patrimónios da Humanidade - De 15 de Novembro a 12 de Fevereiro

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista


Estação Rupestre de Siega Verde 

O objetivo da exposição temporária é divulgar a arte paleolítica através dos sítios do Vale do Côa (Vila Nova de Foz Côa, Portugal) e Siega Verde (Villar de la Yegua, Salamanca), ambos considerados uma revolução na conceção da arte paleolítica, vindo testemunhar de forma singular a produção durante o Paleolítico Superior (entre 30.000 e 12.000 anos atrás) de manifestações artísticas ao ar livre.


Vale  do Côa

Inaugurada oficialmente, nesta última terça-feira,  contou  com as presenças  de Garcia Gallardo - Vice-Presidente da Comunidade Autónoma de Castilla e Leon, Joao Paulo Sousa - Presidente Câmara V. N. Foz Côa; Juan Carlos Prieto - Director Geral de Património Cultural da Junta de Castilla e Leon Carla Simões; Diretora Marketing Territorial e Negócios Turismo de Portugal Aida Carvalho;  Diretora Fundação Côa Parque António Carvalho;  Director do Museu Nacional de Arqueologia Andrés Carretero Perez ;  Director do Museu Nacional de Arqueologia – Espanha Isidoro Alanís;  Alcaide Fuentes de Oñoro, Luis Angel Moro; Alcaide Villar de Argañan – Além dos curadores, Thierry Aubry, André Santos, Xavier Moreno e  Cristina Vega Maeso -r Moreno e  Cristina Vega Maeso -

Na cerimónia inaugural,  García-Gallardo sublinhou que este projeto “é o resultado do projeto Paleoarte, que tem como enquadramento o programa Interreg Espanha-Portugal do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional, do qual esta é uma boa amostra e que é fruto da colaboração entre o Ministério da Cultura, Turismo e Desporto da Junta de Castilla y León, a própria Fundação COA e também o Centro Nacional de Investigação da Evolução Humana". Igualmente, o vice-presidente salientou que ao longo do percurso desta exposição podem ser encontradas peças originais, bem como réplicas dos sítios ao ar livre do Paleolítico Superior "mais antigos do mundo", e destacou "aquele espírito de colaboração" que existe entre Portugal e Espanha, de que "é um bom exemplo esta exposição conjunta, que já teve o seu momento em Lisboa e que agora inaugura uma segunda etapa em Madrid".

 Nesse sentido, García-Gallardo, segundo relatos da Junta, destacou suas felicitações ao país vizinho, bem como ao diretor do Museu Arqueológico Nacional, Andrés Carretero, embora segundo o vice-presidente "sentimos falta de uma maior cooperação ou instituição de maior respeito pelo Ministro da Cultura". "Teríamos gostado de dar uma conferência de imprensa nas condições, como seria conveniente, e mais tendo em conta que é a Junta de Castilla y León que financiou a maior parte desta exposição que queríamos trazer para a capital da Espanha", lamentou. No entanto, o vice-presidente insistiu que espera que a exposição “seja um ponto de encontro e uma fonte de cultura e riqueza para os espanhóis e visitantes”.


Gravura de Siega Verde 
Gravura do Vale do Côa

Considerando estes sítios como uma das grandes descobertas arqueológicas do último quartel do século passado, a exposição pretende dar a conhecer estes espaços únicos, capazes de aproximar o espectador de uma das mais antigas formas de expressão artística da Humanidade, combatendo a ideia de disso, essas imagens foram produzidas apenas dentro de cavernas e abrigos. Durante o percurso, organizado em sete áreas temáticas, dá-se a conhecer não só esta arte paleolítica ao ar livre, mas sobretudo uma visão dos grupos humanos que a realizaram, os seus modos de vida e o contexto em que foi realizada fora é oferecido.que se desenvolveu. Dessa forma, pretende-se também combater a ideia ainda difundida de que essas expressões artísticas -as mais antigas da humanidade- foram produzidas apenas dentro de cavernas e abrigos.

Depois de passar por Lisboa de junho a outubro, 'Arte sem limites: Côa e Siega Verde' chega ao MAN, onde poderá ser visitado de 15 de novembro a 12 de fevereiro de 2023. Será complementado com visitas guiadas gratuitas e um ciclo de conferências em que participarão vários especialistas. A exposição terá um catálogo que poderá ser adquirido na loja do museu.

quarta-feira, 16 de novembro de 2022

José Saramago –Nasceu há 100 ANOS – 16-11-1922 – A obra do escritor perdura além da sua morte, há 12 anos. Mas declarava-me. muito antes da sua partida, que “não há vida para além da morte!..." - A destacar neste dia: Rota de Vida. Uma biografia de Saramago, por Joaquim Vieira

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

Na sede da Associação Portuguesa de Escritores


VÍDEO COM A ENTREVISTA




Assinala-se esta quarta-feira o centenário do nascimento de José Saramago (1922-2010), o primeiro e único Nobel da Literatura português (e da língua portuguesa), um militante construtor de alegorias políticas que foi, no seu próprio país, tão polémico quanto reverenciado

Até hoje,  foi o único escritor de língua portuguesa a conquistar um Prémio Nobel da Literatura. Para assinalar a data, a Fundação José Saramago preparou uma programação especial. Milhares de alunos de escolas de Portugal, Espanha e outros países lêem excertos de romances de José Saramago num programa intitulado Leituras Centenárias. 

ROTA DE VIDA -Neste dia, aproveito para destacar o livro  biografia de José Saramago, por Joaquim Vieira, livro considerado pela critica, um exemplo de trabalho vastamente documentado e sem pruridos de hagiografia: um retrato plurifacetado e magnificamente documentado do seu biografado, não demolindo mas também não edulcorando o personagem." (Eugénio Lisboa, "Jornal de Letras, Artes e Ideias", 16 de janeiro de 2019)

"Joaquim Vieira não se limitou ao retrato do lado público, mais ou menos conhecido, do biografado; a sua atribulada vida privada não ficou fora da pintura, mesmo que por vezes inconveniente e incómoda. [...] 'Rota de Vida' é um livro essencial para se perceber o percurso de uma personalidade que marcou de maneira intensa a vida cultural portuguesa." (José Riço Direitinho, "Público-Ípsilon", 23 de novembro de 2018 - classificação: 5 estrelas)

Na breve entrevista, que me concedeu na feira do livro de Lisboa, sobre temas, como a vida para além da morte, o papel da rádio em Portugal e as recordações das melhores férias. – Respondeu-me: “O meu pensamento é extremamente simples: penso que não há vida para além da morte!... Não há mais nada para responder senão isto ! JTM - Férias felizes? – JS “Todas as férias da minha infância!... É a única coisa que lhe posso dizer…. Essas foram todas boas!... As outras… São assim, assim: uma vezes melhores outras vezes piores!

JS- O meu pensamento é extremamente simples: penso que não há vida para além da morte!... Não há mais nada para responder senão isto ! JTM - Férias felizes?... – JS “Todas as férias da minha infância!... É a única coisa que lhe posso dizer…. Essas foram todas boas!... As outras… São assim, assim: uma vezes melhores outras vezes piores!...


O nosso Nobel da Literatura, nunca foi dado a entrevistas – Ele que,  nos anos 80 - pese o facto de já ter sido distinguido com importantes prémios- , longe estaria, certamente, de imaginar vir um dia a ser laureado, com tão alta distinção – O diálogo que então ocorreu, não estava previsto: sucedeu de forma casual  e espontânea. E foi praticamente  sacado a ferros, já que, desde o inicio, procurou sempre a esquivar-se às minhas perguntas,  considerando-as terem a ver com questões do  foro pessoal.  Em todo o caso, aqui fica o curioso  registo para um melhor conhecimento da personalidade de um dos maiores vultos da literatura portuguesa, com expressão Universal.


“NÃO HÁ VIDA PARA ALÉM DA MORTE”




JTM - O que é que pensa da vida para além da morte?  Qual é o seu pensamento a esse respeito?

JS- O meu pensamento é extremamente simples: penso que não há vida para além da morte!... Não há mais nada para responder senão isto !
JTM - Nunca se interrogou a esse respeito?
JS – Acho que não tenho que me interrogar!... Emito uma convicção… Portanto, eu ao dizer isto exprimo uma convicção: a de que não há vida para além da morte!... É só!

OUÇO MAIS RÁDIO DE QUE VEJO TELEVISÃO

 
JTM – O que pensa da rádio, em Portugal?
JS – Como é que se há-de responder a essa pergunta!... Tanto se pode responder do que se pensa da rádio, em Portugal, como da televisão, como da literatura, em Portugal!... Penso que a única coisa que nós temos é a obrigação de fazer o melhor possível, que é da nossa área profissional. Eu faço o melhor que puder e a rádio faz  o melhor que pode!...

TM – Naturalmente que escuta a rádio: tem uma opinião formada!...
JS – Eu ouço-a, muito fragmentariamente,  dado que, como deve calcularnão tenho assim muito tempo para ouvir rádio!...
JTM – Entre a rádio e a televisão: ouve mais a rádio? Vê mais televisão?...
JS – Olhe! Nesta altura, ouço mais rádio. Muito mais rádio!
JTM – A que horas?!...
JS – Geralmente de manhã ou à noite!...À noite adiantada!...
AS MELHORES FÉRIAS: “AS DA MINHA INFÂNCIA”
Na sede da Associação Portuguesa de Escritores

JTM – Outra questão: férias -  Qual a melhor recordação de férias que até hoje tenha vivido na sua vida?...
JS – Isso é complicado!... Eu não sei… 
JTM – É um bocado difícil?!..
JS  - É muito difícil!... Há várias boas recordações!...  Não vou responder, porque não é possível, sequer!

JTM  - Mas umas férias, particularmente agradáveis!.. Felizes!... 
JS – Todas as férias da minha infância!... É a única coisa que lhe posso dizer…. Essas foram todas boas!... As outras… São assim, assim: uma vezes melhores outras vezes piores!,,,
JTM – Mas não costuma dedicar algum tempo, a férias?....Ou esse tempo é mesmo de escrita, também!
JS – Não!... Quando faço férias, faço férias!... Quando estou de férias, não faço outra coisa senão férias.
José de Sousa Saramago, signo escorpião, nasceu na freguesia da Azinhaga,  da Vila da Golgâ, a 16 de Novembro de 1922, três dias antes da lua-cheia. Para dessossego dos seus pais, filha e netos, acabaria por publicar - entre outras obras, que o guindariam ao Prémio Nobel da Literatura - o livro "Dia do Desassossego", que hoje a Fundação José Saramago, pretende transformar numa festa cívica e de cultura


 Excomungado  por Sousa Lara - no reinado de D. Cavaco, o Silva - mesmo assim, contra ventos e marés, lá foi levando a sua "Jangada de Pedra" de vento em popa, por oceanos a fora, até que, depois de ter arribado em Lanzarote, Ilhas Canárias, onde construiu a sua cabana,  com a sua eva, Pilar del Río, aos 88 anos, em 18 de Junho de 2010, São Pedro o haveria de chamar a pilotar a sua barca.