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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Minha entrevista ao Marechal Francisco Costa Gomes –Chaves 30-06-1914 - O Presidente Português obreiro da democracia e pacifista : declarou-me que mais de metade dos cientistas do Mundo estão ocupados em meios de combate em vez de se empenharem com “os problemas da fome, do analfabetismo, do meio-ambiente e da saúde

Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - Desde 1970  - A HONRA  E O PRAZER DE TER ENTREVISTADO UM HOMEM VALOROSO, GENEROSO E PACIFICO - Entrevista dividida em dois videos - Mas há outros excertos que não me foi possível ainda recuperar

Foi o décimo-quinto Presidente da República Portuguesa, o segundo após a Revolução de 25 de Abril.  Natural de Chaves, 30 de Junho de 2014. Faleceu  em Lisboa, aos 77 anos, em 31 de Julho de 2001 - De família numerosa, de onze irmãos (dos quais três vão falecer antes de chegar à idade adulta), muito cedo Francisco da Costa Gomes fica órfão de pai, ainda antes de completar 8 anos. Após terminar a instrução primária, em Chaves, aos 10 anos entra no Colégio Militar, provavelmente falta de posses, para que possa aí prosseguir os estudos, prosseguindo a carreira de armas. Sobre a profissão militar o próprio diria mas tarde: «se pudesse não teria seguido.».

Entrevista -  Registo sonoro de uma antiga cassete - De entre as centenas de entrevistas e apontamentos, que ainda guardo no meu extenso arquivo em memórias de um repórter

Tenho pois  a honra e o prazer de editar o excerto de uma longa e  interessante entrevista, que me concedeu em sua casa, não obstante estar num período de convalescença, por razões de saúde  - "Sabe, que ainda ontem tive 40º graus de febre" - Confessava-me 

COSTA GOMES  - O MILITAR PACIFISTA

O paladino da paz –.Um dos militares mais pacifistas, que, após deixar a Presidência da Republica, não aceita ser  chamado a desempenhar qualquer cargo político, optando pelo  Conselho Mundial da Paz, como terreno de intervenção, seguindo, atentamente e com preocupação, o recrudescimento das armas convencionais e atómicas das duas grandes potências, que, ao invés de olharem mais para os problemas da saúde e das condições de vida das populações, gastam milhões em armas atómicas e convencionais.  –


RETIROU-SE DA POLITICA MILITAR PARA SE DEDICAR À PAZ MUNDIAL

JTM - O Sr. Marechal Costa Gomes é um homem retirado da cena política? É um homem que acompanha atentamente os problemas! Como vê a política: como interveniente ou como observador?

F.C.G. A política nacional vejo-a simplesmente como observador e um observador muito atento, porque, como tenho dedicado a maior do meu tempo, às questões internacionais, sobretudo àquelas que dependem da paz e do desarmamento, e, como isso me leva, muitas vezes, a conferências para fora do país e me obriga a um preparação, quando estou em Portugal, que me faz alhear um pouco da política do dia a dia do nosso país, é claro que eu estou mais a par daquilo que se julga que constitui hoje a política internacional e a situação internacional de propriamente da politica nacional.

JTM - Porquê essa preocupação?

F.C.G - Bom, a preocupação deriva de várias coisas:  em primeiro lugar do facto  de julgar que nós estamos realmente  de baixo da uma ameaça terrível que pode, de um momento para o outro destruir por completo a vida sobre este belo planeta, que é a Terra. É isso. Pode-se dizer  que as pessoas mais lúcidas e aquelas que se têm dedicado mais a este assunto, desde 54, desde o rebentamento da primeira bomba atómica, começaram a prever esta situação. Mas, não  há dúvida nenhuma, que, durante as duas primeiras décadas, praticamente o assunto da era atómica, foi completamente ignorado, as armas atómicas foram completamente ignoradas! Ninguém sabia nada  do que se passava, espacialmente nos países onde a luta começava a ter um cariz de competição muito forte, e, nos anos 70,  o mundo começou a ser surpreendido com a ideia de que, já havia nessa altura, armas suficientes para destruir várias vezes a humanidade.

“MAIS DE METADE DOS CIENTISTAS  DO MUNDO OCUPADOS EM APERFEIÇOAR MEIOS DE COMBATE” – Em vez de se empenharem com “os problema    da fome, do analfabetismo, do meio-ambiente e  da saúde

JTM – Acha que ainda há uma grande tensão entre os dois blocos?

F.C.G. Eu julgo que ainda há uma grande tensão mais forte do que aquela que devia existir, porque há uma desconfiança mútua, não só  do ponto de vista político, com sob o aspeto militar, que inibe e que faz  com que não se possam adiantar e definir determinados assuntos com a lógica, e, sobretudo,  com a necessidade que os mesmos impõem. Veja, por exemplo,  este facto que agora se deu, ultimamente, insólito: pois,  estamos todos à espera que, de um momento para o outro, se possa assinar o acordo  que elimine os mísseis intermediários e os mísseis táticos  da europa. Pois bem, qual é a atitude que a Nato toma perante esta decisão? É que… sim, senhora …vamos acabar com os mísseis mas temos que reforçar as forças convencionais.

Ora, eu acho que esta atitude é uma atitude absolutamente negativa! O que nós precisamos não é de reforçar as forças convencionais  é de reduzir também as forças convencionais! Porque, um dos  maiores problemas que existem no Mundo – e sem a redução dos orçamentos militares, se não será possível resolvê-lo – é o problema    da fome, é o problema do analfabetismo, é o problema do meio-ambiente, o da saúde, enfim, são uma série de problemas  que realmente fazem com que, a maioria da população mundial, dia a dia, veja os seus problemas acrescidos, agudizados e não sinta que há uma luz, que não há uma pequena ação solidária  dos países – que os têm, que, no fundo, os têm assegurado – para melhorar esta esta situação.

Ora, esta situação só pode ser melhorada, diminuindo drasticamente as despesas militares, não só o que diz respeito aos orçamentos. Como também no que diz respeito à investigação científica. Porque, hoje, mais de metade dos cientistas no mundo, estão dedicadas a aperfeiçoar armas e aperfeiçoar  meios de combate, quando, realmente, a todas as pessoas bem intencionadas,  lhes parece que se deviam dedicar as era para o bem-estar  da Humanidade, e, portanto, pró  melhoramento das condições de vida de todos os Povos.

JTM – Acredita na possibilidade de um novo conflito à escala mundial?

F.C.G. -  Acredito! Não porque as pessoas o queiram! Podemos dizer que 90% da população mundial é contra um conflito à escalda mundial  - Mas, com o acumular de armas que existem no mundo e, com os pequenos conflitos locais, que ainda não conseguimos debelar e, outros que se podem desenvolver de um momento para o outro, como é, por exemplo, a situação do Golfo Pérsico, pois, uma destas situações, pode, sem querer, levar a um conflito mundial! E isso é extremamente perigoso, porque, as armas que depois se possuem, são de tal maneira potentes e de tal maneira poderosas, que, se elas forem empregues,  durante muito tempo, será o tempo suficiente  para aniquilar a vida sobre a Terra.



O PERÍODO QUENTE PÓS 25 DE ABRIL

JTM - Outra questão que eu gostaria que o Sr. Marechal recordasse – alguns anos já volvidos sobre aquele período da revolução: um período, naturalmente, muito confusão, como é que a esta distância, o Sr. Marechal. Os recordaria?

F.C.G. – Bom, eu acho que foi realmente um período muito confuso! Muito perturbado! A revolução fez-se, mas, claro, dadas as circunstâncias em que ela teve de se efetuar. Não houve uma preparação, sobretudo para se poder  transitar do regime  que havia para um outro, onde as liberdades e os direitos humanos, estavam salvaguardas e estavam em plena pujança, e isso deu como resultado, que, houve, de facto, durante os primeiros tempos – no primeiro Governo (em todos os governos mais ou menos provisórios – deficiências muito grandes, que, só o trabalho e só a boa vontade e dedicação  de muitos, conseguiram, não digo suprir, mas pelo menos atenuar.



domingo, 28 de junho de 2026

São Tomé e as Festas de São Pedro. Padroeiro dos pescadores – Mas é celebrado em 31 de Janeiro- na Baía Ana de Chaves, junto à pequena ermida, sendo considerada a primeira grande festa do ano - Além de São Tomé, que deu o nome à Ilha, é o santo mais popular no arquipélago

Jorge rTrabulo Marques - Jornalista

São Tomé e as  Festas de São Pedro. Padroeiro dos pescadores – Mas é celebrado em 31 de Janeiro- na Baía Ana de Chaves, junto à pequena ermida,  sendo considerada a primeira grande festa do ano - Além de São Tomé, que deu o nome à Ilha, é o santo mais popular no arquipélago

São Tomé e as  Festas de São Pedro. Padroeiro dos pescadores – Mas é celebrado em 31 de Janeiro- na Baía Ana de Chaves, junto à pequena ermida,  sendo considerada a primeira grande festa do ano - Além de São Tomé, que deu o nome à Ilha, é o santo mais popular no arquipélago 

Um pouco de música flogá e Tchiloli – imagens e ao Vivo - Recordações desta maravilhosa ilha, que tanto amo!

As tradicionais festas dos chamados santos populares, celebram-se, em Junho, mas, na Ilha de S. Tomé, a principal festa de S. Pedro, decorre, no dia 31 de Janeiro – Dia em que, a imagem - da pequena ermida, em forma de uma vela, situada, na praia do mesmo nome, na Baía Ana de Chaves - é levada numa procissão ao longo da avenida da marginal e é recebida pelas canoas, engalanadas, que depois vão a percorrer o tranquilo estuário, que lhe fica fronteiro – Pretexto para o povo festejar um dos mais venerados apóstolos, bíblicos, e também dar largas à sua folia, ao “flogá” –- “Uma das manifestações artísticas considerada das mais representativas e criativas do povo são-tomense é o tchiloli. Representado em festas religiosas, o tchiloli é um teatro de rua, com origem nos antigos autos-da-Fé, onde se representa um dilema moral e cuja duração pode ser de cinco a seis horas”

De seu  nome original era Simão, mas Jesus lhe chamou de Cefas (Rocha, do grego Petros), cuja tradução é Pedro, e o instituiu como líder da Igreja: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16:18).

A tradição bíblica católica considera São Pedro como o primeiro Papa. O martírio de São Pedro ocorreu em Roma, sendo crucificado de cabeça para baixo na Colina Vaticana, provavelmente no ano de 64 d.C


Escrevia eu na Revista Semana Ilustrada, de Luanda, da qual era seu corespondente, que   " devoção  a São Pedro, está  há muito  enraizada  no povo de S, Tomé  Mas, é principalmente nas vilas ou povoações ribeirinhas que a crença a este santo popular assume  maior 'fervor e religiosidade

Sendo,  São. Pedro o padroeiro  dos Pescadores, é pois natural  que, numa Ilha como a de  São  Tomé, onde o mar está ligado a grande parte da população,  aqui o popular santo se venere com certo ardor· e singularidade. E é realmente o que acontece. Sobretudo, na povoação do Pantufo, a escassos quilómetros  da cidade de S, Tomé, que as festividades a S, Pedro.,  assumem características muito especiais  - Mais imagens e pormenores à frente 

A FESTA  DE SAO PEDRO, EM SÃO TOMÉ - TEM UM CALENDÁRIO DIFERENTE -  NA BAÍA ANA DE CHAVES - Realiza-se a 31 de Janeiro,  festa de São Pedro - É a primeira grande festa do ano
A celebração ao   padroeiro dos pescadores da Baía Ana de Chaves,  junto à sua ermida na Baía Ana de Chaves,  é  considerada a primeira grande festa do novo ano, com uma moldura humana de milhares de pessoas, que se concentram junto ao local onde se ergue uma capelinha em honra do dito santo popular e se estende ao longo da avenida marginal, na praia de S- Pedro, com gente vinda de todos os pontos da cidade da ilha e da cidade, mas especialmente dos bairros circundantes,   Budo-Budo, São João Davargem, Ponte Graça, Potó-Potó, Atrás do Cemitério, Okuei-Del-Rei - Três dias de arromba, com música a rodos dos conjuntos típicos da terra ou apresentada por discotecas móveis, onde os DJ, dão largas à sua agilidade e imaginação, com os sons mais mexidos e frenéticos das últimas novidades
A DEVOÇÃO A SÃO PEDRO, EM SÃO TOMÉ  QUE EU TESTEMUNHEI
Dizia eu:  "Vale pois a pena ir a esta festa. Já nos tinham dito que era, de facto, acontecimento digno de ser apreciado. Mas, sinceramente, tudo o que observámos   transcendeu o que julgávamos ir ver Na verdade as pessoas não se limitam, unicamente, a incorporarem- se na procissão, que, após a 'missa solene em honra a este santo popular , percorre, vagarosamente e com muita pompa  e devoção  nos dois sentidos, a principal artéria da povoação Festejam-no também no mar.

Finda a procissão na rua, outra cerimónia, esta então muito característica, vai começar na praia. É o cortejo das canoas. São os pescadores que, nas suas frágeis  embarcações, coloridamente enfeitadas de andalas e bandeiras, vão levar o seu  São Pedro para o mar. É uma imagem mais pequenina. A outra, a maior, ficará. nó andor, voltada para o mar. Para aquele mesmo mar, onde, diariamente, buscam, com muito suor e sacrifício, e não raras as vezes com risco das próprias vidas, o pão de cada dia, E é aí onde eles  o vão festejar O sacerdote também vai, numa canoa maior e  propositadamente preparada. Leva consigo o santíssimo  sacramento e, entre outras  canoas que em redor  da que o leva voltejam., vai percorrer uma parte daquele  imenso azul ·por onde os bravos homens dos dongos partem diariamente  para às suas  fainas da pesca.


E é entre muita alegria, muito entusiasmo, exteriorizado. através de cânticos e toque de tambores, que podemos admirar tão singular como inédita manifestação  religiosa.
Entretanto, na praia, o espetáculo não é menor. Aí é mais das mulheres dos pescadores e da maior parte de toda aquela gente que vive debruçada sobre aquela praia da simpática  povoação do Pantufo. Enquanto as canoas, lá fora, voltejam  de um:. Ledo para -o outro, quase num verdadeiro malabarismo de equilíbrio, aqui, na praia, as mulheres e raparigas, entram vestidas e calçadas  à água  e dão  largas A sua natural alegria e fé religiosa

Porém, após o regresso do sacerdote do mar, a festa é ainda mais· calorosa e movimentada. Nessa altura,  o entusiasmo  é ainda maior e dura algumas horas. A noite é  um bocado diferente. Têm  os divertimentos  e as exibições de folclore. Há bailes,   ou fundões como são conhecidos, ao sabor dos conjuntos típicos  danço  congo e tbciloli. Em suma, há . a continuação  de uma festa como em todas as festas de carácter  religioso, onde sobressai um bocado de tudo: de significado religioso e sentido pagão.  Mas é sobretudo na sua essência uma verdadeira e demonstração  de aculturação  euro-africana. E, neste caso, de presença lusa. Vale pois a pena, por tudo isto; pelo seu tipicismo e peculiaridade, observar de perto  meie esta singular tradição  da boa gente de São Tomé

sábado, 27 de junho de 2026

Com o Embaixador do Brasil José Carlos de Araújo Leitão - Entrega da cópia da mensagem, em 2015, que me salvou do corredor da forca da prisão Black Beach (Playa Negra), Bioko, Guiné Equatorial, em Deze de 1975, destinada a saudar o Povo Brasileiro pelo então MLSTP, meses depois do seu país ter ascendido à independência Graças à intercepção do então comandanteTeodoro Obiang Nguema Mbasogo

          Há ainda videos e outra informação por editar da  celebração do solsticio no passado dia 21 - 

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e antigo navegador solitário em pirogas de S. Tomé

Recordando meu encontro com o Embaixador do Brasil em São Tomé e Príncipe, José Carlos de Araújo Leitão, em 2015, em S. Tomé,  a quem confiei a entrega da mensagem que me salvou do corredor da morte na Guiné Equatorial, em dezembro de 1975 –que era destinada a saudar o povo Brasileiro, na minha tentativa de travessia oceânica de canoa ao Brasil

Na manhã do dia 4 de Dezembro, quando menos esperava, um carcereiro chegou à porta da minha cela, algemou-me e ordenou-me que o acompanhasse - Senti logo um embate no meu coração, que não deveria ser levado para melhor destino - Mal transpus a cela, sou imediatamente agarrado por outro guarda, tendo à minha frente o Comissário da Cadeia, que já me tinha torturado com infindáveis interrogatórios para me conduzirem ao sítio das execuções.


Sucedeu, porém, que, por um feliz acaso, talvez milagroso (pelos vistos, a sorte protege os audazes), soa o telefone no corredor da morte - Era o então o Comandante Teodoro Obaing Nguema Mbasongo, atual Presidente da República da Guiné Equatorial, sobrinho do todo poderoso, Francisco Macías Nguema, a ordenar ao Comissário da Prisão para ser conduzido à presença, ao gabinete do então supremo comandante das policias e das forças armadas, que me recebeu, inicialmente de forma austera e desconfiada: com estas palavras: " O que se passa contigo?!... Porque te meteste num canuco e o que vieste aqui fazer?!.. Lamento mas tenho que cumprir as ordens de Sua Excelência e tenho de o executar hoje!...

Respondi-lhe que era um náufrago e para me soltarem as algemas e lhe mostrar a mensagem do MLSTP, que trazia no bolso atrás das minhas calças - Como estava carimbada, não duvidou da sua autenticidade e, ao sentar-se na sua cadeira de vime(enquanto eu ia permanecendo sempre de pé e à sua frente) me passou a questionar de forma mais descontraída e simpática

A MENSAGEM do MSLTP, QUE ME SALVOU A VIDA - Que se destinava ao povo Brasileiro, assinada por José Fret Lau Chong, ministro da Informação, Justiça e Trabalho …., aproveitando a travessia atlântica do camarada Jorge Trabulo Marques, que servindo-se de uma simples canoa, vai percorrer o mar, de S. Tomé ao Brasil, evocando a rota por que, na era retrógrada, os escravos eram conduzidos para as plantações da cana do açúcar, o povo de S. Tomé e Príncipe, representado pela sua vanguarda revolucionária, o MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE (MLSTP), saúda fraternal e calorosamente, o povo irmão do Brasil" 

EMBAIXADOR JOSÉ CARLOS LEITÃO, FINALMENTE O PORTADOR DA "MENSAGEM DO POVO DA REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE AO POVO BRASILEIRO" -  QUE NÃO CHEGOU AO DESTINO


Com muita pena minha, não pude atravessar o oceano e a  mensagem que me acompanhava, tomou também comigo outro rumo. No entanto, já me dei por feliz  ao poder fazê-lo 40 anos mais tarde: não em terra brasileira mas num espaço que é como se fosse o de uma casa brasileira, sim, fazendo  a honrosa entrega da mesma mensagem, a uma mui distinta figura,  digno portador, na sua qualidade do mais alto  representante da  Nação Brasileira em S. Tomé e Príncipe -  Pude entregá-la ao Sr. Embaixador . José Carlos de Araújo Leitão, que me recebeu no salão nobre da embaixada do Brasil em S. Tomé 

Em meados de Outubro,  pouco tempo   depois da Independência e após a escalada do Pico Cão Grande, deixaria São Tomé a bordo do pesqueiro Hornet para ser largado numa piroga na Ilha de Ano Bom, 180 Km a sul da linha do Equador, a fim de tentar a travessia atlântica - com uma mensagem  redigida  por José Fret Lau Chong que então desempenhava as funções de ministro da Informação, Justiça e Trabalho – cargo que ocupou entre 1975 e 1976 – a qual dizia, entre outras palavras, o seguinte: 

"Salientamos o espírito aventureiro que preside à iniciativa do Camarada  Jorge Marques, que, depois de uma viagem experimental , e bem sucedida de S. Tomé à Nigéria, também de canoa, propõem-se avançar, desta feita, mais significativamente, programando o percurso S. Tomé- Brasil."
"A recente independência  nacional de S. Tomé e Príncipe, e a consequente libertação do nosso povo do domínio colonial português, reforça a afinidade dum passado histórico comum com o Povo Brasileiro, e daí, a razão de ser de uma irmandade que importa  reviver, sempre que possível, para se reforçar. 



Assim, aproveitando a travessia  atlântica do camarada Jorge Trabulo Marques, que servindo-se de uma simples canoa, vai percorrer  o mar, de S. Tomé ao Brasil, evocando a rota por que, na era retrógrada, os escravos eram conduzidos  para as plantações  da cana do açúcar, o povo de S. Tomé e Príncipe, representado pela sua vanguarda revolucionária,  o MOVIMENTO DE LIBERTAÇÃO DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE (MLSTP), saúda fraternal e calorosamente, o povo irmão do Brasil" - Excerto


Em Novembro de 2014 - Junto à residência   de José Fret Lau Chong para lhe oferecer a cópia da mensagem que, de algum modo, me salvou de ser enforcado na famigerada cadeia black Beack, a mando do então ditador Francisco Macías Nguema , por suspeita de espionagem

DEPOIS DE 38 DIAS DE  NAUFRÁGIO, NOS CORREDORES DA MORTE

 
Ao cabo de 38 penosos dias, ao sabor das vagas, num simples madeiro escavado, acabo por acostar à Ilha de Bioko (ex-Fernando Pó), onde sou tomado por espião e encarcerado numa cela da Cadeia Central para ser executado, já que este era o destino de quem ali era condenado: entrar vivo e sair cadáver.

  Felizmente, é a mensagem, autenticada pelo MLSTP, que havia sido escrita para saudar o Povo Brasileiro - admitindo que pudesse fazer a travessia até ao Brasil - que    me vai salvar a vida. Mesmo assim, dada a  persistente desconfiança do então Presidente Macias, que nem depois de  enviar o seu barbeiro pessoal (o santomense, Sr. Bandeira) se convencera, nem da veracidade da referida mensagem, nem dos meus argumentos,   quem  acaba por ordenar a minha soltura é o seu sobrinho, o então comandante das Policias e das Forças Armadas, o atual Presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, a quem fico a dever a vida


quinta-feira, 25 de junho de 2026

S. Tomé e Príncipe – Eleições presidências em 19 de Julho. Dois rostos dos cinco candidatos, mais representativos, na corrida à presidência Inscritos 142.296 eleitores

 

Jorge Trabulo Marques - Jornalista 


S. Tomé e Príncipe – Eleições presidências em 19 de Julho. Dois rostos dos cinco candidatos, mais representativos, na corrida à presidência Inscritos 142.296 eleitores nos cadernos eleitorais para votarem nas eleições presidenciais previstas para 19 de Julho 2026

O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu definitivamente cinco dos seis candidatos às eleições presidenciais de 19 de Julho. Segundo um edital do Tribunal Constitucional, foram admitidas as candidaturas do ex-primeiro-ministro Jorge Bom Jesus, do líder parlamentar da ADI, Nito D’Abreu, do actual Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, e dos juristas Miques João Bonfim e Eugénio Tiny.

Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Além de ter contribuído para a dinamização e divulgação da descolonização de S. Tomé e Príncipe, Tive a honra e o prazer de partilhar bons momentos com as principais figuras da presidência e da governação de S. Tomé e Principe.



Recandidatura de Carlos Vila Nova, do quianto Presidente da República de São Tomé e Príncipe, dedicou grande parte da sua vida profissional ao setor do turismo, antes de entrar para a política, como ministro de governos da Ação Democrática Independente (ADI) - Preocupado em melhorar a imagem do país.

Vila Nova nasceu em Neves, município do distrito de Lembá, litoral norte da Ilha de São Tomé. Ele se formou em engenharia de telecomunicações pela Universidade de Oran, na Argélia, em 1985, e voltou a se tornar chefe do departamento de informática da Diretoria de Estatística do Governo. Em 1988, deixou o serviço público para se tornar gerente de vendas do Hotel Miramar, então o único hotel do país. Foi promovido a Diretor do Hotel Miramar em 1992. Em 1997, tornou-se Diretor do hotel Pousada Boa Vista, e também fundou sua própria agência de viagens Mistral Voyages. Vila Nova continuou na indústria do turismo até entrar na política em 2010.

Vila Nova serviu como Ministro das Obras Públicas e Recursos Naturais no gabinete de Patrice Trovoada de 2010 até que o governo perdeu a sua maioria em 2012. Foi nomeado Ministro das Infraestruturas, Recursos Naturais e Ambiente na época do governo da Ação Democrática Independente de Trovoada, que recuperou a maioria em 2014. Em 2018, Vila Nova foi eleito para a Assembleia Nacional. Ele foi indicado como o candidato da ADI para as eleições presidenciais de 2021.



O ex-primeiro-ministro são-tomense, Jorge Bom Jesus que se define como tendo "percurso político ascendente", incluindo experiência governativa e cívica, e quer "colocar todo este manancial de experiência, de conhecimento e saberes ao serviço" do país. nasceu na localidade de Conceição, localizada no distrito de Água Grande, na ilha de São Tomé, a 26 de julho de 1962

Jorge Lopes Bom Jesus nasceu a 26 de julho de 1962, em Conceição, distrito de Água Grande, em São Tomé e Príncipe. Nomeado primeiro-ministro em 30 de novembro de 2018 por decreto do Presidente Evaristo Carvalho,

Na juventude rumou para a Europa onde formou-se em literatura francesa e portuguesa, com mestrado em língua portuguesa e especialização em literatura africana pela Universidade de Toulouse, na França. Na Faculdade de Letras da Universidade do Porto concluiu as especializações em pedagogia do francês como língua estrangeira e pedagogia da língua portuguesa. Ainda possui PhD em administração pública pela Universidade de São Tomé e Príncipe.

Sua carreira profissional inclui os cargos de assessor do Ministro da Cultura e Informação, Diretor Geral de Educação e Treinamento, Secretário Geral da Comissão Nacional para a UNESCO, Diretor de Planejamento e Inovação Educacional, diretor da Biblioteca Nacional de São Tomé e Príncipe, Diretor da Escola de Formação de Professores e Educadores (EFOPE; atual Instituto Superior de Educação e Comunicação da Universidade de São Tomé e Príncipe), Presidente da Aliança Francesa e vários anos como professor.

Entre 2008 e 2010, sob o governo de Rafael Branco, foi Ministro da Educação e Cultura e de 2012 a 2014 atuou como Ministro da Educação, Cultura e Ciência no governo de Gabriel Costa. Membro da Comissão Política do MLSTP-PSD desde de 2006, Jorge Bom Jesus foi eleito vice-presidente do partido em 2011, quando Aurélio Martins era presidente.