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sábado, 10 de outubro de 2026

Santo Tirso - Secular Escola Profissional Agrícola de futuro indefinido. Ministro Fernando Alexandre não garante apoio além deste ano - Vídeos de Imagens e recordações do tradicional almoço convívio do 5 de Outubro da escola que reuniu mais de centena e meia de alunos

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e antigo aluno

ESCOLA PROFISISIONAL AGRICOLA, EM SANTO TIRSO TEM DE CONTINUAR A EXISTIR

Santo Tirso - Escola Profissional Agrícola Conde São Bento, Santo Tirso. Vídeos de Imagens e recordações do tradicional almoço convívio do 5 de Outubro da escola que reuniu mais de centena e meia de alunos

O tradicional convívio de 5 de outubro foi caloroso e participado mas deixa travos de incerteza - Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Santo Tirso, Sílvia Tavares, bem como de Paulo Fernando de Sousa Ramalho, Vice-Presidente da CCDR NORTE- Mostraram-se empenhados na sua continuidade

 A iniciativa tem vindo a ser promovida pela  Associação dos Antigos Alunos da Escola Agrícola de Santo Tirso,  da mais antiga instituição de ensino agrícola em Portugal, com vista a contribuir para a promoção da escola e da agricultura na comunidade, assim como defender  o legado da instituição e dinamizar atividades de convívio, encontros de antigos alunos e jornadas técnicas


Reuniu mais de centena e meia de alunos e contou com as honras presenças da Vereadora da Educação da Câmara Municipal de Santo Tirso, Sílvia Tavares, bem como de Paulo Fernando de Sousa Ramalho, Vice-Presidente da CCDR NORTE para as áreas da Agricultura e Pescas, que teceram elogiosas palavras, tanto a esta iniciativa, como pela importância do ensino aqui ministrado, desde há longos anos, sim, que, no passado 23 de Junho, assinalou o seu 𝟭𝟭𝟯.º 𝗮𝗻𝗶𝘃𝗲𝗿𝘀𝗮́𝗿𝗶𝗼 com uma cerimónia comemorativa que reuniu a comunidade educativa e diversas entidades convidadas.

MAS HÁ NÉVOAS QUE DEIXAM ALGUMA INCERTEZA NO FUTURO DESTA SECULAR ESCOLA

Pois não são de esquecer as afirmações do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre,  que, em janeiro passado, disse que o futuro da Escola Profissional Agrícola Conde S. Bento, em Santo Tirso, “vai depender da CCDR Norte e da autarquia”, sublinhando que o Governo não tomou qualquer decisão estrutural sobre a continuidade da instituição para além do contrato de arrendamento válido por um ano firmado com a Santa Casa da Misericórdia de Santo Tirso, proprietária das instalações onde funciona o estabelecimento, contrariando declarações públicas feitas pelo PSD local no início de 2025. 

As afirmações foram feitas durante uma audição na Assembleia da República, motivada por intervenções das deputadas Andreia Neto, do PSD, e Sofia Andrade, do PS, ambas centradas no futuro de uma escola centenária que funciona nas atuais https://sapo.pt/artigo/futuro-da-escola-agricola-depende-da-ccdr-norte-e-da-autarquia-diz-ministro-da-educacao-69721d8538a4edf9cef73255

Câmara Municipal de Santo Tirso manifestou-se “totalmente surpreendida” com as recentes declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, que a 21 de janeiro de 2026 afirmou no Parlamento que o futuro da Escola Profissional Agrícola Conde de S. Bento dependeria da CCDR Norte e da autarquia. O ministro sublinhou que o Governo não tomou decisões estruturais além de um contrato de arrendamento de apenas um ano (não renovável), remetendo a continuidade da instituição para decisões locais e regionais. Mas o executivo municipal refuta a ideia de que a responsabilidade seja sua, considerando as declarações contraditórias, uma vez que a escola é uma instituição de ensino sob tutela direta do Ministério da Educação. https://oregioes.pt/camara-de-santo-tirso-surpreendida-com-declaracoes-de-ministro-sobre-futuro-de-escola-agricola/








Dois antigos alunos ao lado de novos alunos naturais de S. Tomé 
Prezo-me de ter sido antigo aluno - Foi esta escola que me abriu os caminhos à vida - Aos ensinamentos que ali aprendi, devo muito do que hoje sou, tal como a generalidade dos alunos que ali concluíram os seus cursos, tal como também o podem testemunhar as palavras e as imagens que registei nestes dois vídeos.

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A Escola Agrícola Conde S. Bento, encontra-se instalada nas Quintas do Mosteiro de S. Bento, em Santo Tirso, junto da margem esquerda do rio Ave.. E tem-se afirmado, como uma referência incontornável do ensino agrícola em Portugal desde 1899, como uma casa de formação profissional e cívica, por isso é imperioso salvaguardar, projetar o futuro e não destruir.

Em outubro de 1915, passou a chamar-se Escola Prática de Agricultura Conde de São Bento. Em Nov de 1979, a Escola Secundária Conde de São Bento. – E no ano letivo de 1992/1993 a Escola Profissional Agrícola Conde de São Bento




Esta Escola Agrícola, faz parte dos roteiros mais atrativos de Santo Tirso – Quem visitar esta cidade, mesmo que não chegue a transpor os portões e as cancelas das duas quintas, se optar pela passagem da ponte sobre o Ave, dificilmente fica indiferente ao encantador quadro paisagístico e construído, que lhe é dado admirar : é-lhe impossível passarem-lhes despercebidos tão aprazíveis campos à beira do rio. Mas o melhor é mesmo lá entrar: é o que faz muita gente que demanda, em época de veraneio, a mais famosa Capital dos Pasteis Jesuítas



De facto, cada terra tem a sua singularidade, que a faz distinguir das demais. Porém, há características que marcam a diferença e que tornam essas terras ou lugares únicos, míticos, incomparáveis. É o caso da cidade de Santo Tirso. E o que a distingue, sobretudo, é o múltiplo verde da sua paisagem e a toalha líquida de um rio chamado Ave, que lhe corre aos pés, de uma forma repousada – salvo nas enxurradas ou quando as suas águas se despenham em cascata do açude que torna o seu leito num extenso espelho


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Inauguração do Santuário da Beata Alexandrina, em Balasar - É dia 11 de Outubro - O Reitor do Santuário Monsenhor Manuel Casado Neiva e peregrinos, antecipam momentos de calorosa espiritualidade, devoção e encantamento.

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

  1ª Reportagem inserida no roteiro do convívio dos antigos alunos da Escola Agrícola de Santo Tirso

Santuário da Beata Alexandrina, em Balasar - Reitor do Santuário Monsenhor Manuel Casado Neiva e  peregrinos, antecipam momentos de  espiritualidade, devoção   e encantamento.

O místico e inovador Santuário Eucarístico de Balasar, na Póvoa de Varzim, foi construído a poucos metros da casa onde viveu, para honrar a sua memória e receber os muitos peregrinos que todos os anos rumam a Balasar, oriundos de vários pontos do país, especialmente dos concelhos circundantes


A partir do dia 10 de outubro todo o culto em honra da Beata Alexandrina será no novo santuário. A igreja paroquial ficará para o serviço da Paróquia de Santa Eulália de Balasar

Reitor do Santuário Monsenhor Manuel Casado Neiva

O reitor do santuário, monsenhor Manuel Casado Neiva, que está à frente da paróquia  há 16 anos, responsável por levar  acabo a construção do monumental e místico santuário,  diz que vai ser um  lugar de grande espiritualidade e de evangelização para acolher os milhares de peregrinos, vindos dos vários pontos do país, visto a igreja paroquial ser pequena para os devotos que  aqui se deslocam 

A Arquidiocese de Braga e a Fundação Alexandrina de Balasar vão promover, nos dias 10 e 11 de outubro, as cerimónias de dedicação e inauguração do novo Santuário Eucarístico de Balasar, na Póvoa de Varzim. O programa arranca no sábado, 10 de outubro, às 10h00, com a trasladação dos restos mortais de Alexandrina de Balasar 

No domingo, 11 de outubro, às 16 horas, terá lugar a dedicação da igreja e do altar, seguindo-se a inauguração do Santuário Eucarístico. A celebração será presidida por D. Andrés Carrascosa Coso, Núncio Apostólico em Portugal.  As cerimónias integram o programa preparado pela Arquidiocese de Braga e pela Fundação Alexandrina de Balasar para assinalar a abertura do novo espaço religioso.

Feliz coincidência de ter tido a oportunidade de partilhar estes belos momentos de convívio e espiritualidade  - Na véspera do tradicional convívio de antigos alunos da secular Escola Agrícola Conde S.  Bento, em Santo Tirso, ter tido a possibilidade de me deslocar  ao Santuário Alexandrina., na  Freguesia de Balasar  do concelho de Póvoa do Varzim - Meu haja ao Manuel Fernando Ferreira por me ter levado a visitar este maravilhoso templo, que espero venha a transformar-se num profícuo e pacífico espaço de fé e de alento físico e espiritual 

Meu Bem-haja  a esta família que me levou ao Santuário

O reitor do santuário, monsenhor Manuel Casado Neiva, sublinha que a missão “não é construir um edifício, é construir a Igreja viva”. Segundo ele, o projeto do novo santuário foi pensado a partir a espiritualidade da beata Alexandrina, com a Eucaristia como centro. Além disso, busca traduzir arquitetónica e pastoralmente alguns dos elementos essenciais da experiência espiritual da beta: a Eucaristia, a Cruz e a relação com Nossa Senhora.

Segundo a arquidiocese de Braga, dom José Cordeiro disse que quem procurar o santuário de Balasar deve encontro “não apenas um espaço belo”, mas “uma comunidade com capacidade de escutar, acompanhar e cuidar”, particularmente atenta aos doentes, à solidão e às diferentes formas de fragilidade humana.

Beata Alexandrina de Balasar Alexandrina Maria da Costa nasceu em 30 de março de 1904, em Balasar, Póvoa do Varzim, arquidiocese de Braga. Recebeu de sua mãe uma educação cristã, junto com sua irmã Deolinda. Aos 12 anos, teve uma grave infecção que prejudicou sua saúde. Aos 14 anos, aconteceu o fato que mudaria sua vida.

Recorde-se que a Devota da Igreja, Alexandrina de Balasar foi muito visitada mesmo em vida. A sua beatificação ocorreu a 25 de abril de 2004.

Festas em honra da Beata Alexadrina 

Na sequência da inauguração do Santuário, decorre, a 12 e 13 de outubro, as festas em honra da Beata Alexandrina, que assinalam o 71.º aniversário do seu falecimento. 

No dia 12, há procissão de velas desde a casa da Beata Alexandrina até ao santuário, a partir das 21h30. 

No dia seguinte, às 10h30, será celebrada uma missa em honra da Beata e bênção dos doentes, com consagração ao Imaculado Coração de Maria. Para as 15h00 está marcada uma celebração para os Centros Ocupacionais dos I

Sacerdote natural de Marinhas distinguido com título de Monsenhor pelo Papa Leão XIV
De recordar, que, o Papa Leão XIV concedeu o título de Monsenhor ao Padre Manuel Casado Neiva, numa distinção que reconhece o percurso pastoral e o serviço prestado à Igreja.

Natural de Marinhas, no concelho de Esposende, o Padre Manuel Casado Neiva nasceu a 31 de maio de 1952 e foi ordenado presbítero a 27 de março de 1977.

Iniciou o seu percurso pastoral como estagiário na paróquia de São Pedro de Maximinos, em Braga, onde viria também a exercer funções como Vigário Cooperador. Entre 1978 e 1980 desempenhou o cargo de Capelão das Forças Armadas Portuguesas.

A 28 de janeiro de 1980 foi nomeado pároco de Aver-o-Mar, no Arciprestado de Vila do Conde/Póvoa de Varzim. Posteriormente, em 8 de agosto de 1991, assumiu funções como pároco de São Miguel de Apúlia, no Arciprestado de Esposende, tendo desempenhado igualmente o cargo de vice-arcipreste de Esposende entre setembro de 2004 e dezembro de 2008.

Entre julho de 2008 e julho de 2010 exerceu o ministério pastoral como pároco de Santa Marinha de Rio Tinto, no Arciprestado de Esposende, sendo posteriormente nomeado pároco de Santa Eulália de Balasar, na Póvoa de Varzim, função que desempenha desde 18 de julho de 2010.

Desde 2018, exerce também as funções de Arcipreste do Arciprestado de Vila do Conde/Póvoa de Varzim.

A atribuição deste título honorífico constitui um reconhecimento pelo percurso de dedicação pastoral, serviço à comunidade e contributo para a missão da Igreja, sendo motivo de particular regozijo para a comunidade esposendense e, em especial, para a freguesia de Marinhas, terra natal do sacerdote.

Por ocasião do Dia da Cidade e do Município, a 19 de agosto de 2010, a Câmara Municipal de Esposende atribuiu a medalha de mérito municipal ao padre Manuel Casado Neiva, “pela dedicação e serviço incondicional ao bem comum”.

Foi condecorado “pela sua obra espiritual, traduzida na assistência aos movimentos e grupos paroquiais e também pela construção de raiz da nova igreja paroquial da freguesia”.
O Municipio de Esposende felicita o Monsenhor Manuel Casado Neiva por esta distinta homenagem concedida por Sua Santidade o Papa Leão XIV, expressando profundo reconhecimento pelo seu exemplar percurso de dedicação à Igreja, às comunidades que serviu e ao bem comum.

O Município de Esposende felicita o Monsenhor Manuel Casado Neiva por esta distinta homenagem concedida por Sua Santidade o Papa Leão XIV.



 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

Amália Rodrigues – Entrevista sobre o Amor e o Sexo na sua vida, 1981 - Tributo de saudade à Rainha do Fado. Faleceu, em 6 de Outubro de 1999, aos 79 anos, tendo sido a 1ª mulher a ser sepultada no Panteão nacional

 

Amália Rodrigues – Entrevista Amor e Sexo na sua vida, em sua casa, 1981 -

Tributo de saudade à Rainha do Fado - Faleceu, em 6 de Outubro de 1999, aos 79 anos, tendo sido a 1ª mulher a ser sepultada no Panteão nacional.

Amália Rodrigues, no registo de nascimento consta a data de 23 de Julho de 1920, porém, dado existirem algumas dúvidas quanto ao dia exato, a artista adoptou o dia 1 de Julho como data de aniversário durante toda a sua vida.

Editou mais de 170 álbuns em cerca de 30 países. Atuou em palcos prestigiados por todo o mundo, desde a mítica sala Olympia em Paris até ao Japão e aos Estados Unidos

Amália Rodrigues, uma das mais importantes personagens da história da música do século XX, nasceu  a 23 de Junho de 1920, em Lisboa, faleceu aos 79, a 6 de Outubro de 1999.  A sua carreira internacional foi das mais longas e globais de todo o século XX

COMO SUCEDEU A ENTREVISTA Telefonara-lhe na véspera e ela havia manifestado a sua concordância. Mas, às tantas da gravação, arrependeu-se e quis ficar-me com o gravador e a cassete. Ainda procurei sugerir-lhe uma segunda entrevista mas a Maluda, veio complicar mais o diálogo   Eu não tive outro remédio senão precipitar-me numa corrida apressada  pelas escadas abaixo,   à frente dela e do grupo de  amigas, que se encontravam em sua casa.


Recebeu-me em sua casa, em 1981 – Era a terceira vez que me franqueava amavelmente a subida para a sala onde recebia as visitas – Desta  para me falar de amor e da sua primeira relação sexual, na sequência de uma série de entrevistas que estava a realizar para o Jornal Tal & Qual,  com várias personalidades da vida portuguesa, acerca da "primeira vez". ou seja, sobre a primeira  relação sexual 

Foi no principio da década 80, num período em que, certos tabus,  acerca  da sexualidade,  se rompiam graças aos ventos da revolução de Abril - Entre as figuras entrevistadas, contam-se: Carlos Botelho, Graça Lobo, Simone de Oliveira, Raul Solnado, Vitoriano Almeida, Ary dos Santos, Narana Coixoró, Raúl Calado, Ivone Silva, Afonso Moura Guedes, entre outras figuras  - A Amália aceitou o desafio mas, a dada altura do momento da entrevista, arrependeu-se

Tal como se poderá ver na gravação, tentei fazer uma segunda gravação, com perguntas da sua concordância e respostas mais ponderadas: Mesmo assim, estava hesitante. 

Logo que transpus o último degrau, cumprimentou-me com um beijinho, levando-me de seguida para junto de um grupo de amigas, que estavam lá mais à frente, a um canto da casa do lado esquerdo e junto à janela, que corresponderam simpaticamente. E lá passei um grande bocado da tarde. Curiosamente, não se falava de outra coisa senão de sexo. Claro, de uma forma trivial, sem qualquer carácter obsceno. E foi com estas palavras que me apresentou às suas amigas: "Você também gosta de falar de sexo?!... Elas são marotas!... Não faça caso que elas sabem muito mais do que eu!..." - "Estejam à vontade"- respondi. "Eu também gosto de conversar sobre essas coisas...


Ainda lhe propus desgravarmos e começarmos outra entrevista, anuiu mas acabaria por não aceitar. Eu é que não podia era ficar sem o gravador, porque não era meu mas da estação onde trabalhava - Tirou-mo das mãos. Tentou tirar a cassete do seu interior mas a mola estava partida e não saltava para fora.Eu disse-lhe: "Amália, tenha calma... Eu dou-lhe já a cassete... Dê-me o gravador por favor que não é meu ou então vamos começar de novo...

Eu já havia passado por uma experiência, com quase idênticos contornos, com as confissões de um elemento da ETA, em Las Palmas. Deu-me a entrevista à noite (contando-me como ele e o seu grupo haviam assassinado um general em Madrid - olhos vendados e de cano de pistola apontado aos ouvidos , jogando à roleta russa ), mas, o diabo do sujeito, pouco depois, arrependeu-se e foi bater ao meu quarto para que lhe devolvesse a cassete. Disse-lhe que lha entregaria de manha. Só que eu levantei-me mais cedo e mudei de pensão. Era das mais modestas da cidade onde não eram pedidos elementos de identificação pessoais.


EM VEZ DE UM REGISTO, PASSEI A DISPOR DE DOIS 

Na sequência do inesperado diálogo, acabava por dispor, não  apenas  de um registo mas dois: o da entrevista, de que ela se arrependeu e depois os lamentos dela, as suas justificações, durante vários minutos. Foi então que me voltou apanhar gravador: "Você não leva o gravador!!!... Vá à sua vida que não leva o gravador!!... A mim não me engana!!..." Bom, nisto o grupo (que até aí se manteve indiferente junto à janela) pára de conversar e faz-se um silêncio sepulcral na sala... Já só se ouve então a Amália a dizer, meia arreliada: "Você não leva o gravador! Vá à sua vida!.."e eu a pedir-lhe, insistentemente, que mo devolvesse. E a Maluda, que já tinha olhado várias vezes para nós e parecia algo desconfiada de que havia por ali gato, pergunta, com voz alterada e meia zangada: "Amália!... o que se passa?!!...O que é que esse gajo te quer fazer?!....Eu já corro com ele!!!.. ...Já trato dele!!.."

Vendo a ameaça iminente da presença da Maluda, seguida pelo grupo, e quando ela lhe responde. "Eu disse umas coisas parvas e não quero que ele leve o gravador!.. Ele não vai levar o gravador!...Não vai levar o gravador!... quero que ele se vá já embora!" Pois bem, aproveitando então o instante em que ela olha em direcção à Maluda, sim, apanhando-a distraída, tiro-lho o gravador e desato a fugir escada
 abaixo.

AS PAZES...E A HOMENAGEM DE UMA FOTO EXCLUSIVA

A fotografia que aqui edito, com uma pose de fadista, da Amália, à frente do retrato da Severa, foi registada no dia do lançamento do livro, " Uma Estranha Forma de Vida", de autoria de Vítor Pavão dos Santos , que teve lugar na Adega Machado - A imagem é de minha autoria e trata-se de uma pose, espontaneamente da Amália,  selando, de forma gentil, artística e carinhosa,  o termo de um período de agastamento e distanciamento , depois da fuga precipitada de sua casa. A imagem foi obtida por uma pequena compacta de bolso.
Creio que houve mais uma pessoa que terá aproveitado a oportunidade para registar a mesma pose. Mas ela voltou-se, foi para mim e perguntou-me: "Você está aqui?!..." Eu respondi-lhe: "
Sim, estou aqui porque não hei-de estar aqui?!... Quem não deve não teme!... Amália, sabe dizer-me se alguma vez eu usei as suas palavras da entrevista? .. As transmiti ou as publiquei nalgum jornal?!...Desculpe não ter-lhe dado a cassete e tê-la deixado se calhar preocupada mas Amália também queria o gravador e eu não podia ficar sem ele" 

Porém, embora nesse reencontro, com o repórter,  reconhecesse que não havia razões para ficar preocupada, me autorizasse a divulga-la, mesmo assim decidi por enquanto não o fazer


-Isto passou-se já na ponta final da cerimónia, quando os repórteres fotográficos e a maioria das pessoas, haviam saído. Eu fizera outras fotografias mas andara por ali discretamente. Aguardei para o fim, cauteloso, pois não sabia como ela ia reagir à minha presença: surpreendentemente foi amistosa: "Vá... então dê cá um beijinho e tire-me aí uma fotografia!"....

Não cabia em mim de contente.... Até já parecia que estávamos mais à vontade que o resto da sua comitiva...Finalmente acabou-se o pesadelo.. Autografou-me a obra (a que se juntou o autógrafo de Victor Pavão) e parti dali como se fosse um velho amigo....

Amália sempre foi um coração de oiro, expansivo, alegre e frontal; muito generosa e soube perdoar. Mas o nosso país pequeno demais para a sua grandeza mas uma grande quinta para os invejosos. Tinha muitas razões para se acautelar....Não foi a queda do regime que a magoou mas certos extremismos e oportunismos . Aliás, foi até depois do 25 de Abril, que Amália recebeu as maiores homenagens e distinções. .Foi condecorada com o grau de oficial da Ordem do Infante D. Henrique, pelo então presidente da República, Mário Soares. Ao mesmo tempo, atravessa dissabores financeiros que a obrigam a desfazer-se de algum do seu património - In..Amália Rodrigues – Wikipédia,

Curiosamente as farpas vieram dos que se notabilizaram em boa parte à sua custa.. Foi alvo de boatos pelos jornais e por algumas pessoas de uma certa esquerda oportunista e extremista que se meteram na sua vida íntima e a  acusaram de gatos e lagartos. .


 Mais tarde fizemos as pazes: foi no lançamento do livro de Victor Pavão - "Uma Estranha forma de vida", que decorreu na Adega Machado. Autografou-me o livro e deu-me um beijinho muito querido. Depois pousou expressamente para mim, à frente do retrato da Severa – Obrigado Amália Rodrigues  por tão belo momento, cuja foto guardo como um relicário.