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sexta-feira, 1 de maio de 2026
Alda Graça do Espírito Santo – Centenário do nascimento da Grande Mátria Santomense das Ilhas Verdes do Equador, - Video com imagens e palavras da sua voz
quarta-feira, 29 de abril de 2026
25 de Abril – Adelino Palma Carlos -PM (1905-1992 "Entrevista prá História da Revolução" P.M. do Iº Governo Provisório (de 16 de Maio a 18 de Julho de 1974, nomeado pelo General Spínola
Adelino Palma Carlos – Primeiro-ministro do Iº Governo Provisório (de 16 de Maio a 18 de Julho de 1974, nomeado pelo General Spínola – Nesta parte da entrevista que me concedeu em sua casa, editada no vídeo deste post, Palma Carlos, fala da Revolução de 25 de Abril, que o fez chorar de alegria até às lágrimas e do Governo que formou com a participação de Álvaro Cunhal (um ministro consensual E também do seu ideal republicano. da sua oposição ao Salazarismo e dos revolucionários que defendeu, como advogado.segunda-feira, 27 de abril de 2026
S. TOMÉ e PRÍNCIPE – A Revolução do 25 de Abril 1974 – Só à noite é que a rádio local (ERSTP), divulga um lacónico comunicado Sou testemunha histórica e interventiva, que muitas vicissitudes me haveriam de custar pelos opositores à libertação do colonialismo fascista.
Jorge Trabulo Marques - Jornalista, desde 1970
25 DE ABRIL EM STP - UM DIA IGUAL AOS OUTROS MAS ACABARIA POR SER O GRANDE PONTO DE PARTIDA PARA A INDEPENDÊNCIA DESTA ANTIGA COLÓNIA PORTUGUESA

A partir daí, o movimento libertador das Forças Armadas, rapidamente ali encontrou eco nas duas ilhas – Os colonos receberam-no com apreensão e jamais se mentalizaram para o alcance das transformações que rapidamente se iriam operar. ![]() |
ABOMINÁVEL Polícia Internacional e de Defesa do Estado NÃO DESMOBILIZA E CONTINUA ACTIVA EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

Enquanto, na Rua António Maria Cardoso, capital do Império Colonial, os PIDES se entrincheiravam, metralhando quem se lhe opusesse ou eram presos e humilhados onde fossem localizados, em São Tomé, nada parecia perturbá-los: mesmo depois de já não existirem dúvidas, quanto ao êxito do Movimento dos Capitães de Abril, a PIDE teimou manter-se em atividade por algumas semanas, fazendo de contas que a situação na colónia não se ia alterar: porém, à cautela, houve o cuidado (com a conivência das secretas do CTI de STP)levarem os arquivos para aquele quartel e limparem os cadastros. .jpg)
Jornalismo com história em S. Tomé e Príncipe - Nunca recebi nem espero receber louvores de ninguém, bem pelo contrário, suportei muitas agressões por quem não aceitava os novos ventos da descolonização - Sim, fiz jornalismo em momentos históricos e decisivos desta antiga colónia portuguesa, perdendo longas horas a escrever numa velha Remington - Desde 1970 a 1975 - Aqui deixo alguns desses exemplos
TOMEI CONHECIMENTO NA MANHÃ DAQUELE HISTÓRICO DIA

Só às 19 horas daquele dia 25 de Abril, é que o Governador envia um comunicado à rádio local, ao Emissor Regional de S. Tomé e Principe da EN, dizendo que, “perante notícias de alteração da Ordem Pública na Metrópole, o Governador informa que o Governo Central está em pleno exercício das suas funções A população tem dado um magnífico exemplo de calma e tranquilidade “

Só que, alguns colonos, quando, dias depois, comecei a divulgar na revista Semana Ilustrada, de Luanda, o evoluir dos acontecimentos, fizeram-me a vida bem difícil, com agressões e provocações de vária ordem: tendo-me colocado uma forca pendurada à porta da minha residência, num modesto anexo da Casa Lima & Gama, depois de ma assaltarem e até o colchão da cama, mo terem esfaqueado, o mesmo fazendo por duas vezes aos pneus do meu carro. Ao ponto de, após sucessivas bárbaras agressões, em meados de março de 1975, ser forçado a escapar-me numa canoa para a Nigéria, em plena noite de tempestade e a ter que enfrentar pela frente 13 dramáticos dias
CRONOLOGIA DOS ACONTECIMENTOS - DA REVOLUÇÃO DE ABRIL EM S. TOMÉ- "

Desde meados dos ano 70, era correspondente da Revista Semana Ilustrada, de Luanda - Naturalmente, que, a repercussão do 25 de Abril, nas Ilhas Verdes do Equador, nomeadamente, em S. Tomé, onde residia, não podia passar despercebida ao jornalista - De resto, com o fim da censura, não havia mãos a medir
Muitos dos meus trabalhos, não passavam no crivo dos censores, em Angola, pelo que, finalmente, com a despertar da liberdade de expressão, havia que aproveitar os novos ventos da história ,que, aliás, muitas contrariedade me haviam de trazer, da parte dos colonos - Na edição da semana seguinte, fiz um relato circunstancial dos principais acontecimentos na Ilha, que julgo ter sido o único a nível da imprensa -S. Tomé-25. O dia amanheceu sereno e calmo como outro qualquer. As pessoas dirigem-se para os seus locais de trabalho habituais. Um sol resplandecente e equatorial banha de luz e de vida a pequena cidade de S. Tomé. A vida parece continuar com a mesma rotina dos demais dias da semana. Porém, para um número muito restrito de cidadãos, começam a chegar os primeiros rumores de que algo de estranho se passava na capital do País. Há interrogações. Expectativa geral. Tudo o que se fala e se sabe, é escutado de estações de rádio estrangeiras. Por isso a dúvida subsiste. As perguntas sobre o que há ou não, de verdade, sobre a situação em Lisboa, começam a suceder-se a cada instante. E a não encontrar uma resposta exacta, Tudo o que se fala é incerto e impreciso.

S. Tomé-25. Estamos no começo da tarde. Chega-nos ao conhecimento que parte do efectivo militar aquartelado na cidade entra de prevenção. Notícias não confirmadas começam a partir de agora a circular com maior intensidade pela população que, com crescente expectativa, se interroga ansiosamente.
Pois se as estações estrangeiras já àquela hora estavam fartas de deitar cá fora a noticia do golpe militar aos quatro ventos. Um caso mais ou menos consumado, era a ideia que começava já a prevalecer em muita gente, tal a veracidade e o pormenor com que o desenrolar dos acontecimentos passavam a ser pelas mesmas relatados. Uma sensação de alívio notava-se nas pessoas, se bem que juntamente com alguma inquietação pela incerteza que, não obstante, ainda pairava. Oficialmente nada de concreto se sabia, apenas o conteúdo daquela comunicação que, àquela hora, e dada de maneira como foi redigida, terá sido bastante inoportuna.
S. Tomé-26. São cinco e meia da manhã. O Emissor Regional, embora tivesse já pleno conhecimento da situação e das palavras do Presidente da Junta de Salvação Nacional, abre a sua emissão como habitualmente. O programa musical continua a cumprir-se na íntegra. Não faz qualquer referência, entretanto, sem autorização superior. Apenas uma ligeira alteração na programação: Não transmite o noticiário das 6.30.
S. Tomé-26. Aproxima-se as sete horas de um novo dia. De um dia que traria de facto uma bela e risonha mensagem a toda a população destas ilhas. Era a mensagem de um Portugal livre. De um Portugal para um futuro melhor, cujo raiar havia começado já na madrugada da véspera do dia anterior.
(....) S. Tomé-26. São 10.30. O Emissor Regional de S. Tomé e Príncipe lê uma comunicação das Forças Armadas da Província dando conhecimento do telegrama por elas enviado à ]. S. N. e com o seguinte teor: "Tomado conhecimento proclamação]. N. S., Forças Armadas de S. Tomé e Príncipe garantem total apoio destes objectivos. Política Nacional anunciados. Mais asseguram perfeita calma e tranquilidade população e controle situação local". 
S. Tomé-29. Em cumprimento de um despacho da Repartição de Gabinete, o pessoal da extinta D.G.S. é obrigado a abandonar o edifício onde se situavam as instalações desta corporação, feito o espólio de todo o material e recheio à mesma pertencente e entregue ao Comando Territorial Independente de S. Tomé e Príncipe. Segundo o mesmo despacho, as ditas instalações passavam a pertencer, o 1.0 andar à Guarda Fiscal, e o rés-do-chão à Policia Judiciária.
Cerca das 16 h. da tarde regista-se o embarque do coronel Cecílio Gonçalves. A sua partida foi sentida com bastante comoção por todas as pessoas que se encontravam presentes no aeroporto. O caso da partida do Sr. coronel Cecílio Gonçalves, segundo sublinha a folha dominical, "O Dia do Senhor" deu a impressão geral de tratar-se de um dia de luto para a população. O ex-Governador amava S. Tomé. Confessava com frequência que gostava das gentes de S. Tomé ... e assim o demonstrou até ao fim. O coronel Cecflio Gonçalves, segundo diz ainda a mesma folha, para além do mais, possuía o dom da sensatez, raro em nossos dias, o equilíbrio e serenidade mental, o apreço da justiça, a firmeza de um militar, a visão clara dos problemas e a vontade de resolver com urgência os que fossem do interesse comum; simplicidade e entrega ao trabalho no silêncio. A educação, as comunicações, o operariado, o turismo, a indústria mereceram-lhe atenção e carinho. S. Tomé fica a dever-lhe muito nestes diversos sectores.
S. Tomé-1 de Maio. À semelhança do que aconteceu pelo País fora, também o Dia do trabalhador de S. Tomé foi vivido com manifestações do mais veemente apoio ao novo regime português, no qual se depositam as melhores esperanças para uma nova vida e um futuro mais próspero para todos, designadamente para o trabalhador, até agora o menos favorecido e regra geral o mais injustamente remunerado de todas as classes sociais.
S. Tomé, 2 de Maio. - Os corpos Gerentes da Caixa de Previdência dos Funcionários Públicos de S. Tomé e Príncipe, reunidos em sessão conjunta aprovaram uma exposição ao Encarregado do Governo, pela qual solicitavam a exoneração dos actuais Corpos Gerentes, visto que, embora há longo tempo no exercido das suas funções, nelas não se têm mantido por vontade própria durante todo esse lapso de tempo.
Por seu turno, a folha dominical, "O Dia do Senhor", que devia sair neste dia, não foi autorizada a sair pela Comissão "ad-hoc", por inserir afirmações segundo declarou a própria comissão controladora, de carácter ambíguo e pouco expirei to em relação a referências elogiosas a instituições do regime anterior. Tal suspensão acontece pela primeira vez na existência desta publicação seman

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| Adicionar legenda |
PIRES VELOSO ALUDE, NO SEU LIVRO: “VICE-REI DO NORTE – Memórias e Revelações” À INESPERADA INVASÃO DOS COLONOS AO PALÁCIO DO GOVERNADOR
| Com o general Pires Veloso, em Portugal |
Fugi para uma escada até que caísse a noite para me escapar para qualquer sítio, pois sabia que já tinham assaltado a minha casa e espatifado tudo. Era demasiado arriscado ali voltar. Foi o Constantino Bragança, (o jovem são-tomense que me distribuía a Semana Ilustrada) que, tendo-se apercebido da minha entrada naquela escada (onde por acaso pude esconder-me sem que fosse visto pelos moradores) que veio, mais tarde, em meu auxilio. Heroicidade e humanismo de um corajoso jovem são-tomense
A heroicidade, o humanismo, a generosidade do então jovem são-tomense, Constantino Bragança - Que chegou alojar-me em sua casa para me defender as agressões colonialistas e a trocar a sua roupa com a minha para me ajudar a sair de casa, tendo um dia também sido agredido, ao pensarem que era eu que estava de lá a sair.
“Pelo facto de S. Tomé ser pequeno, isto não quer dizer que vá precisar de esmolas" - Declarações de um dirigente do MLSTP -
Sem dúvida, era perfeitamente compreensível a explicação do Dr. Victor Correia, em declarações à revista Semana Ilustrada, de Luanda, da qual era seu correspondente
Infelizmente é quase do que vive: da dependência, quase total, das ajudas externas - Todavia, é bom não esquecer: Alcançou-se a liberdade, deram-se importantes passos na irradiação do analfabetismo, houve significativas reformas na urbanização e turismo, alguma industrialização, se bem que ainda incipiente, combateu-se o índice mortalidade infantil, que no tempo colonial atingia dramaticamente todas as famílias, deu-se um grande salto no combate às doenças endémicas, houve realmente grandes progressos em múltiplos aspetos e sectores da vida, económica, politica e social de São Tomé e Príncipe - A população, quase triplicou e, e se tal aconteceu foi por alguma razão e, os filhos destas Ilhas, deixaram de ser colonizados, podem orgulhar-se de que têm uma pátria e uma bandeira
"O NACIONALISMO POLÍTICO SÃO-TOMENSE -

Sem dúvida, uma muito aprofundada e bem elaborada pesquisa e análise, que, segundo ao autor, "tem como finalidade examinar diferentes vectores que sustentaram o nacionalismo desenvolvido, pelos são-tomenses, desde a queda da monarquia portuguesa (5 de Outubro de 1910) à data da independência de São Tomé e Príncipe (12 de Julho de 1975" -
A 25 de Abril de 1974 (quinta-feira), um grupo de oficiais portugueses liderado pelo major Otelo Saraiva de Carvalho finalizou um pacifico golpe de Estado depondo o regime fascista que vigorava há quarenta anos. Tratou-se, sem dúvida, de um dos mais significativos feitos históricos dos militares lusos, que dessa forma puseram termo ao Estado Novo, marcado pela desigualdade económica, ausência de liberdade de reunião e de expressão, proibição de formações políticas, repressão policial, etc.| 3º ano após a independência |
Nestes termos faço a entrega do Governo da Província ao sr. Intendente Pinto de Souto, a quem desejo as maiores felicidades no seu desempenho. Despeço-me de todos com saudade, agradeço as horas magníficas que passei junto da população, que levo no coração, e desejo que o futuro traga as maiores felicidades que merece."Os factos que tiveram lugar em São Tomé e Príncipe nos primeiros dias após o golpe militar dos capitães de Abril foram revelados pelo correspondente da Revista Semana Ilustrada, Jorge Trabulo Marques, jornalista português radicado há bastante tempo neste arquipélago - (atrás referidos)







