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quarta-feira, 6 de maio de 2026

Marialva – Aldeia Histórica --Maravilha o Luso-Santomense, Danilo Salvaterra, distinguido com o Prémio a Pomba da Paz do Papa Francisco- Um Belo exemplo de servir o seu país e a comunidade em geral. em muitos dos pontos do Globo Terreste

Jorge Trabulo Marques - Jornalista e fotojornalista

Marialva – Aldeia Histórica -Maravilha o Luso-Santomense, Danilo Salvaterra, distinguido com o Prémio a Pomba da Paz do Papa Francisco- Um Belo exemplo de servir o seu país e a comunidade em geral. em muitos dos pontos do Globo Terreste,. verdadeiro peregrino, que também já nos deu o prazer de visitar os Templos do Sol, nos arredores da minha aldeia, além de outros pontos do concelho de Foz Côa, nomeadamente, o belo mirante de São Gabriel, em Castelo Melhor e as antigas muralhas do Castelo de Marialva, concelho de Mêda

Na visita que ali fez há um ano – Que definiu com um belo espaço histórico de acolhimento, aconselhando a visita aos imigrantes, até para conhecerem melhor a história de Portugal – Tive o prazer de o acompanhar e de registar as suas palavras, na viagem que, ambos ali efetuámos, na sua viatura, desde Lisboa à minha aldeia, Chãs, de V. N. de Foz Côa, antes de ali chegarmos para uns passeios ao planato onde se situam os templos do sol, que o iria também encantar e maravilha


Curiosamente, o Município de Mêda apoia a Caminhada “Coração em Movimento”, promovida pela UCC Mêda com Saúde, que se realiza no dia 7 de maio, quinta-feira, em parceria com várias entidades locais. E, no dia 8, terá lugar, uma sessão de esclarecimento sobre “A integração da população imigrante: os principais desafios do processo de regularização

Nos dias 15.16 e 17 vão decorrer as celebrações de Marialva Medieval 2026, A edição de 2026 contará com a participação de 133 atletas, distribuídos por 19 equipas de cerca de 9 nacionalidades, Ao longo de três dias, o percurso irá atravessar 16 municípios da região, promovendo o território, o património e o desporto, numa iniciativa que continua a unir os municípios das Beiras em torno de um evento de grande relevância.

JOSÉ SARAMAGO - Homenageado eno Castelo de Marialva, em 22 de Maio de 1999 – Uns meses depois da atribuição do Prémio Nobel da Literatura, no dia 8 de outubro de 1998 - Até agora único, Prémio Nobel de Literatura em língua portuguesa

A Câmara Municipal do Concelho de Mêda, presidida por João Mourato, prestou-lhe uma calorosa homenagem, no Castelo de Marialva, onde foi descerrada uma lápide a uma citação do seu livro, Viagem a Portugal.


Danilo salvaterra, natural da Ilha do Príncipe e a residir em Portugal, há 40 anos e que tem sido um dos olhares e uma das vozes, muito atentas aos problemas e às dificuldades do seu país, bem como à integração plena dos seus concidadãos e demais imigrantes
mostrou-se visivelmente encantado com esta aldeia história, que se ergue a escassos quilómetros da cidade da Mêda, freguesia a que pertence, inserida no distrito da Guarda .

Tida como como uma das relíquias vivas da nossa ancestralidade, retrato impar da riqueza do Património Cultural Português. Povoada pelos Aravos, povo lusitano e posteriormente conquistada pelos romanos, a que se seguiram os árabes, até à vitória final de D. Fernando Magno, em 1063.



Em 1179 recebe a carta de foral de D. Afonso Henriques, tendo mantido uma atividade intensa- graças às feiras que aí se realizavam – até finais do séc. XVIII. No ano de 1200 o castelo é mandado reconstruir e restaurar por D. Sancho I tendo sido posteriormente ampliado por ordem do rei D. Dinis.

No interior das muralhas, destacam-se a Praça, solenemente assinalada pelo Pelourinho e pelo edifício da antiga Casa da Câmara, também tribunal e cadeia (séc. XVII); alguns metros mais à frente a torre de menagem e a Igreja de Santiago, apreciada pelo retábulo em talha, e a Capela do Senhor dos Passos, também conhecida como Capela da Misericórdia, com o seu teto em caixotões pintados, são verdadeiros tesouros construídos dentro do recinto muralhado

terça-feira, 5 de maio de 2026

Escritor Jorge Amado - Entrevista a recordar no Dia Mundial da Língua Portuguesa 2026 - Sobre a bomba Nucelar sobre Heroxima

   Jorge Trabulo Marques - Jornalista  e foto-jornalista


Dia Mundial da Língua Portuguesa 05-05-2026 - Entrevista a Jorge Amado, sobre ameaça nuclear. Recordando a da HIROXIMA - Palavras oportunas de um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos, o autor mais adaptado ao cinema, teatro e televisão

A entrevista. concedia no dia em que se completavam 36 anos sobre o lançamento da bomba atómica sobre Hiroxima, assunto que também é colocado ao escritor Jorge Amado, foi transmitida na então Rádio Comercial – RDP e escutada por Glauber, então enfermo no Hospital da CUF, a quem telefonei, dando-lhe conhecimento, a pedido de Fernando Namora, com o fim de lhe dar ânimo.



BOMBA ATÓMICA EM HIROXIMA - "Eu me recordo perfeitamente. Foi durante a guerra; foi lançada sobre o Japão! No momento em que já não havia absolutamente necessidade de que a bomba atómica fosse lançada, a guerra estava ganha pelos aliados, foi um crime! Um crime terrível não só para a população japonesa mas contra a Humanidade!... Não havia absolutamente nenhuma necessidade de lançar a bomba atómica naquele momento sobre o Japão: o Japão já estava vencido."




Depois do 25 de Abril. Jorge Amado, deslocou-se várias vezes a Portugal: vindo, nomeadamente, de Paris, onde passava algumas temporadas, sobretudo na década de 80, numa fase, literariamente,  ainda muito ativa – Não era que gostasse mais de viver na Europa de que no Brasil; o motivo não era esse mas a falta de privacidade e o necessário isolamento, que não conseguia encontrar na sua cidade natal, onde era constantemente solicitado     - Nascido em Tabuna,  a 10 de Agosto de 1912, Estado da Baía, e, em cujas terras,  havia também de falecer:  Em Salvador, 6 de Agosto de 2001


Confessou-me que adorava o nosso país:   deliciar-se com a sua gastronomia, admirava  o artesanato do Minho  (nomeadamente o da cerâmica),  as belezas naturais, o nosso sol,  nosso clima, a simpatia das nossas gentes, onde contava com  bons amigos, alguns dos quais, fonte de inspiração, como personagens nas suas obras: é o caso, por exemplo, de Nuno Lima de Carvalho, diretor da Galeria de Arte do casino Estoril


Tanto ele, como Zélia Gattai, sua esposa, deram-me o prazer de me concederem várias entrevistas, que aguardo no meu arquivo. Uma das quais feita por ocasião do Congresso de Escritores Portugueses, em 1988 (creio que o 2º), ou seja, dois anos antes da assinatura do então já  polémico acordo ortográfico – Obviamente, que o tema não deixou de vir à baila,  gerando acaloradas discussões, tal como, de resto, ainda hoje continua a suscitar, - 
 



Jorge Amado –  O maior best-seller da literatura brasileira, recordista de traduções, ex-deputado, figura emblemática da cultura popular baiana – de São Salvador da Bahia – cidade onde nasceu, que amou e divulgou como ninguém, desde que ali veio ao mundo, no dia 12 de Agosto  de 1912,  mas que seria chamado para o pouso eterno dos justos, a 6 de Agosto de 2001, aos 89 anos, ou seja, precisamente, 20 anos depois do dia em que me concedeu a  entrevista, que aqui passo a recordar  - Mais tarde, outras me daria ainda a honra e o prazer de me conceder, assim como sua esposa, a escritoraZélia Gattai, , – porém, a entrevista, que aqui recordo, assume um significado especial:  não só pela estranha coincidência dessa data, sim, longe de imaginar, que, duas décadas depois deste tão amável diálogo, ele partiria para a eternidade, mas  também pelo facto de, naquela já distante data de 6 de Agosto de 1981, ele ter elogiado o seu grande amigo Glauber Rocha, um dos cineastas mais notáveis do chamado Cinema Novo Brasileiro, iniciado no começo dos anos 60, que  faleceria menos de duas semanas depois, a 22 desse mesmo mês

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Futebol C Porto Campeão Nacional 2025-26, após vitória frente ao Alverca- Repórter recorda momentos de gloriosas vitórias do Clube emblemático da Invicta Capital do Norte

 Jorge Trabulo Marques - Foto-jornalismo isento e independente


Não estivemos  no Estádio do Dragão mas aqui recordamos imagens de outros momentos da nossa presença em reportagem -  De foto-jornalismo independente e isento.

Jorge Trabulo Marques  -  Futebol Clube do Porto- Campeão 2025-26. Momentos de memória e glória de um grande clube português - O FC Porto sagrou-se, este sábado, campeão nacional de futebol pela 31.ª vez na sua história, após vitória frente ao Alverca, por 1-0. O FC Porto, orientado pelo italiano Francesco Farioli, chegou assim aos 85 pontos, mais 9 que Benfica, segundo classificado, e doze que Sporting, terceiro na tabela com menos um jogo, quando faltam duas [...]
O FC Porto, orientado pelo italiano Francesco Farioli, chegou assim aos 85 pontos, mais 9 que Benfica, segundo classificado, e doze que Sporting, terceiro na tabela com menos um jogo, quando faltam duas jornadas para o final da 1ª Liga




Recordando a memória do jogador Alberto Festa - A entrevista que me concedeu em 2013, em Santo Tirso, sua cidade natal  (21 de Julho de 1939)Faleceu no início de janeiro de 2024, aos 84 anos, o antigo internacional português e jogador do FC Porto

Em 1966 foi um dos três “Magriços” das Antas, juntamente com Américo e Custódio Pinto, que marcaram presença no Campeonato do Mundo de Futebol de Inglaterra.
Em 1968 ainda fez parte do plantel que conquistou a Taça de Portugal depois da vitória do F.C. Porto sobre o V. Setúbal por 2-1 na Final do Jamor.
Ganhou por seis vezes a Taça Associação de Futebol do Porto (1960/61, 1961/62, 1962/63, 1963/64, 1964/65 e 1965/66). Na temporada seguinte, Festa regressou ao F.C. Tirsense para competir durante mais duas épocas, até terminar a sua carreira no final da temporada de 1971



A força de vontade - seja em que circunstância for - no desporto  ou na aventura da vida - conquista vitórias e vence as maiores adversidades. Eu logrei sobreviver 38 dias numa piroga no Golfo da Guiné, em finais de 1975 . https://canoasdomar.blogspot.com/2019/11/34-dia-perdido-no-golfo-da-guine-nao.html e conquistei, com a minha equipa, em S. Tomé, o Pico Cão Grande, uma das mais aprumadas torres basálticas da terra https://canoasdomar.blogspot.com/2012/02/cao-grande-em-sao-tome-grande-escalada.html

domingo, 3 de maio de 2026

Dia da Mãe - Rostos da minha aldeia - Chãs- Foz Côa - Deixei de ver a minha mãe aos 18 anos, quando parti para São Tomé e nem sequer cheguei a conhecer os meus avós, nem maternos nem paternos


Dia da Mãe - Chãs - de Foz Côa -Rostos da minha aldeia Eu não cheguei a conhecer os meus avós, nem maternos nem paternos As aldeias vão-se despovoando e envelhecendo, com o Portugal profundo a tocar mais no fundo da sua intemporalidade, a ficar mais deserto e solitário, povoações havendo, muitos casos, em que há mais casas vazias de que habitadas, e, noutras, já nem isso há, mas somente aglomerados de habitações de xisto ou de granito – Ainda não é o caso da freguesia de Chãs, do concelho de Vila Nova de Foz Côa, mas, pelos vistos, para lá se caminha: para o dia em que as aldeias são meras quintas ou já lugares meramente arqueológicos. –Bom era que se invertesse esse rumo, que nos preocupa mais de que apazigua.



"Adeus meu filho, que já não te volto a ver" - Despediu-se de mim, com o último beijo ao 18 anos quando partia para um estágio de técnico agrícola numa roça em S. Tomé -

E, de facto, não se enganou, tal como a premonição, que eu tive, no dia da sua morte, então militar em S. Tomé, antes mesmo de receber o telegrama a dar-me a triste notícia. Hoje lamento a tropa não me ter autorizado a ir dar-lhe o último abraço, quando o câncer minava a sua saúde e tanto desejava voltar a beijar-me e abraçar-me - Sim, vim a saber que todos os dias, se lembrava de mim... Só fui depois autorizado a usar na camisa uma fita de luto


Partira para S. Tomé, em meados de Novembro de 1963, a bordo do paquete Uíge para concluir um estágio da Escola Agrícola de Santo Tirso, na Roça Uba-Budo, mas onde não encontraria o mínimo de condições, devido à rudeza e prepotência colonialista, a raiar o esclavagismo, com que ali me confrontei

Treinos na canoa, S. Tomé-Príncipe
Era jovem e alimentava um mundo de sonhos mas o que fui ali conhecer, naqueles primeiros anos, na beleza paradisíaca de uma Ilha equatorial, foram desilusões e humilhações, umas atrás das outras – Só 12 anos mais tarde voltaria à minha aldeia mas já não ia encontrar a minha mãe viva, que falecera, ao fim de um penoso calvário de doença prolongada, quando eu prestava serviço militar nesta antiga colónia portuguesa.

Sabendo da gravidade da doença que então minha mãe padecia, fiz todos os esforços, junto a instituição militar para a poder visitar mas não fui autorizado: pois a mentalidade da tropa colonial não se compadecia com sentimentos pessoais - Deixara a minha aldeia aos 18 anos e nunca mais a voltaria a ver.

Dizia-me ela no momento da despedia, em que me dava o último beijo: adeus meu filho, que já não te volto a ver - E, de facto, não se enganou, tal como a premonição, que eu tive, no dia da sua morte, antes mesmo de receber o telegrama a dar-me a triste notícia.

VI O FUNERAL DA MINHA MÃE, COMO SE ESTIVESSE A ACOMPANHAR O CORTEJO FÚNEBRE ATRÁS DA SUA URNA ATÉ AO CEMITÉRIO

Foi num Domingo. E, como havia estado de serviço de véspera, após almoço resolvi deitar-me e descansar um pouco Adormeci e, uma hora e meia ou duas depois, acordei a chorar - E porquê? Acabava de assistir, com os olhos rasos de lágrimas, ao funeral de minha mãe a dirigir-se para o cemitério - Com tal evidência e clareza, com tal pormenor, que era como se eu próprio estivesse incorporado no cortejo fúnebre atrás da urna. Via os olhos chorosos do meu pai e dos meus irmãos, Ouvia os sons dos sinos e a sineta a finados e via os seus rostos, todos exprimindo a sua inconformável dor. De tal modo que eu próprio, também sentia a mesma emoção. Acordei a chorar. - Já um dia fiz este relato num jornal.

E assim lá ficou aquele abraço por repetir, o abraço choroso, de uma despedida vertida de lágrimas, quando me beijou e me abraçou à porta do postigo da nossa casa.

Olhe, mãe, se há coisas que não me esquecem, aquele momento é um deles: "Adeus meu filho que nunca mais te volto a ver!" - Foi exatamente assim - naquela sua voz repassada Já de dor e de saudade, e ainda estava a abalar: ainda mal dava os passos do adeus.

Vi-a, depois, limpar as lágrimas ao avental, mas, claro ,longe de acreditar no que te ouvia. Simplesmente lágrimas, sofrimento, dor de mãe, pensava eu. Como foi possível que adivinhasse?

Será que às mães é dado esse dom - esse terrível dom de poderem futurar dolorosas separações? De pressagiarem os maus destinos, entrar nos desígnios da morte e da vida, antever a  de vínculos que as possam desligar das coisas que mais queridas lhes são - os filhos?






Jorge Trabulo Marques - Jornalista




As roças de má memória - Fala-se muito mas desconhece-se o essencial: que eram campos de escravatura. Trabalhei nesses feudos e conheci bem a dureza da vida, nessas grandes propriedades, quer para os chamados serviçais, quer para os nativos que ali iam fazer os mesmos trabalhos, mas também para os empregados de mato, que eram igualmente escravizados, mal pagos e que apenas tinham direito à chamada graciosa, de quatro em quatro anos  

 Desembarquei, ao largo da Baía Ana de Chaves, do navio Uíge,  em Novembro de  1963 para ir fazer um estágio na Roça Uba-Budo,  propriedade da Companhia Agrícola Ultramarina,  de um curso que tirei na Escola Agrícola, Conde S. Bento,  em Santo Tirso. Não tendo condições, devido à forma desprezível como ali eram encarados os técnicos, por indivíduos que ascendiam apenas à custa dos anos de serviço  e de uma certa brutalidade; acabei por concluí-lo na tropa, quando ali fui encarregado do sector da  Messe dos Oficiais e da  Agropecuária do quartel . 



Na verdade,  não guardo da roça, as melhores recordações senão o facto de ter apenas 18 anos, ser um jovem  e da surpreendente beleza daquela paisagem, que todos os dias se me revelava, pese a humilhação a que era submetido desde a alvorada  até ao escurecer -  Pois não posso esquecer-me de como era difícil e dura a  vida na roça, tanto para os empregados de mato como para os trabalhadores - E foi esta a categoria que me foi dada, pelo Administrador da Roça Uba-Budo, quando fui para ali estagiar - 



  O que recordo do meu primeiro contacto com a Roça Uba-budo, é realmente de muito má memória. O administrador, que era praticamente um analfabeto, tinha ódio a quem tivesse mais instrução académica de que ele; por isso mesmo, para me humilhar deu-me a categoria de empregado de mato: pouco tempo depois chamou-me à "Casa Grande" e disse-me: prepare a sua mala, tem ali um jipe à sua espera para o transportar: vai fazer o seu estágio na Ribeira Peixe. Você dá confiança aos pretos e já lhe tinham dito que tem que tratar os serviçais por tu.


Como não obedeceu às minhas ordens, vou mandá-lo para o Sul - E é para o não o pôr imediatamente fora da Roça - E então que é eu fui fazer com um pobre de trabalhador cabo-verdiano, que também tinha sido mandado para lá de castigo? ... Contar cacaueiros velhos numa zona abandonada, coberta por um enorme capinzal e infestada de cobras pretas. 

A vida na roça era boa  para o administrador,
o chefe dos escritórios  e o feitor-geral - E não tanto para o médico,
o enfermeiro do hospital: - a remuneração dificilmente pagaria
o trabalho e o contacto directo com as múltiplas enfermidades. 
-  Mas fortemente penalizadora,  repressiva e escrava para os demais!
Os trabalhadores negros que se recusassem a cumprir
as ordens do empregado de mato ou do capataz
eram severamente castigados  à chibatada e a palmatória
Os empregados brancos que tivessem tido algum desentendimento
com o feitor, o administrador, depressa eram desterrados
para as dependências da roça mais isoladas!

São Tomé, um pequeno rincão de Deus a flutuar
no oceano e no centro do Mundo,  mas um enorme feudo colonial
repartido apenas  por uns quantos abastados proprietários
que viviam, noutras paragens, a milhares de milhas de distância:
entregues aos seus caprichos,  fantasias e gastos superfulos,
longe das doenças endémicas, do paludismo, das chuvas copiosas,
alheios aos imensos sacrifícios dos seus mais humildes servidores,
de costas voltadas  ao enorme sofrimento de todo um povo,
aos filhos do qual haviam saqueado as suas terras
e se apoderado de todas as suas riquezas,
já não falando dos primórdios da colonização
mas da introdução da cana sacarina e do cacau,
após lhes ser concedida a alforria 
e num tempo em que existia
uma consciente e próspera
 elite negra na ilha.

Mas, dessa verdade, inconveniente,
não quisera saber o regime colonial
quanto mais os gananciosos roceiros,
que se achavam donos absolutos
das centenas e centenas de hectares,
administradas por uns tais senhores,  
muitos deles prepotentes e estúpidos,
quase analfabetos, escolhidos a dedo pelos seus patrões
( depois de indicados por outros administradores que os antecederam)
não pela sua formação mas pela rudeza e  prepotência,
despotismo e mão de ferro como subjugavam
empregados e  trabalhadores!
Sim! como impiedosamente os exploravam!
- Esta era a crua realidade
que jamais poderá ser ocultada!
 
Felizmente, esses tempos, já pertencem ao passado!
Mas, eu, que ali passei também os dolorosos passos
de um penoso calvário, não mais os esquecerei!
E bem deles me recordo! - Nitidamente, e de tudo!
Tal qual, como se acabasse agora mesmo de chegar


sábado, 2 de maio de 2026

Lisboa.1º de Maio 2026. – Milhares de manifestantes contrariaram a tese da minoria montenegrista, em Melgaço, contra o pacote liberalista

                                     Reportagem de Jorge Trabulo Marques - 2 Videos com fotos e filme


Lisboa.1º de Maio 2026. –Milhares contrariaram a tese da minoria montenegrista, em Melgaço, contra o pacote liberalista. A manifestação convocada pela CGTP-IN percorreu a Avenida Almirante Reis, entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, entre o Martim Moniz e a Alameda D. Afonso Henriques, empunhando tarjas, bandeiras e cartazes e gritam a uma só voz palavras de ordem como: "Não vamos desistir, o pacote é para cair", "Só interessa ao capital, o pacote laboral", "O pacote laboral é retrocesso social" e "O povo está na rua, a luta continua". Uma tarde que foi ao mesmo tempo motivo de convívio, de fraternal e calorosa confraternização



O primeiro-ministro, Luís Montenegro, afirmou esta sexta-feira que só uma “parte minoritária” dos trabalhadores em Portugal aderiu à greve geral. o Governo “não abandona as suas convicções” em matéria laboral e garantiu que já houve cedências “em todas as traves mestras” da reforma do trabalho em discussão.










As origens do Dia Internacional dos Trabalhadores - Por Olimpio Sobral

As comemorações do 1.º de Maio têm origem num acontecimento trágico ocorrido em 1886 na cidade de Chicago, nos Estados Unidos. Apesar de hoje ser amplamente celebrado em Portugal e noutros países europeus, este dia não nasceu na Europa, mas sim da luta dos trabalhadores norte-americanos.

No final do século XIX, os operários enfrentavam condições muito duras: jornadas de trabalho de 10 a 12 horas diárias, seis ou até sete dias por semana. Em 1884, sindicatos norte-americanos começaram a exigir a redução do horário para 8 horas diárias, estabelecendo como prazo o dia 1 de maio de 1886
.
Quando chegou essa data, muitas empresas aceitaram a reivindicação, mas outras recusaram. Isso levou a greves e manifestações por todo o país, especialmente em Chicago. A 3 de maio de 1886, durante um protesto, a polícia abriu fogo sobre os manifestantes, matando vários trabalhadores.

No dia seguinte, durante um novo protesto na praça de Haymarket Square, uma bomba foi lançada, provocando várias mortes entre a polícia. A repressão que se seguiu foi severa: vários trabalhadores foram condenados sem provas claras, e alguns acabaram executados. Este episódio ficou conhecido como o “Massacre de Haymarket” e tornou-se um símbolo da luta operária.

Em 1889, durante o congresso da Segunda Internacional, realizado no contexto do centenário da Revolução Francesa, foi decidido instituir o 1.º de Maio como um dia internacional de luta dos trabalhadores, em homenagem aos acontecimentos de Chicago e à reivindicação da jornada de 8 horas.

Historicamente, pode até ter sido uma das primeiras vezes que uma ideia progressista vinda dos Estados Unidos inspirou os europeus. No entanto, apesar disso, os próprios americanos não celebram o trabalho e os trabalhadores no dia 1 de maio:

De forma surpreendente, os americanos não adotaram a reivindicação do 1.º de Maio. Os Estados Unidos são um dos poucos países do mundo que não celebram o trabalho ou os trabalhadores nessa data. Isto deve-se, em parte, ao facto de os sindicatos americanos não se identificarem com a orientação mais marxista que o movimento operário europeu acabou por assumir.
Em Portugal, o 1.º de Maio ganhou especial relevância após a Revolução dos Cravos, que pôs fim à ditadura do Estado Novo. Antes disso, as manifestações eram reprimidas e o movimento sindical tinha pouca liberdade.

Após 1974, o Dia do Trabalhador passou a ser celebrado livremente, com manifestações, desfiles e reivindicações por melhores condições de trabalho, salários dignos e direitos sociais. Tornou-se também um símbolo da democracia e da participação cívica.

Hoje, o 1.º de Maio é feriado nacional em Portugal e continua a ser um momento importante de reflexão sobre as condições laborais, num contexto em que persistem desafios como a precariedade, os baixos salários e as desigualdades sociais. (A Central sindical continua a exigir retirada do pacote laboral após nove meses de negociações).

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Alda Graça do Espírito Santo – Centenário do nascimento da Grande Mátria Santomense das Ilhas Verdes do Equador, - Video com imagens e palavras da sua voz

 

Jorge Trabulo Marques - Jornalista


Alda Graça do Espírito Santo - Centenário do nascimento da Grande Mátria Santomense - 30 de Abril de 1926 – Faleceu em Angola 9 de Março de 2010

O arranque da série de atividades intitulada ”Alda nas Escolas”, no âmbito das celebrações do centenário de nascimento de Alda Espírito Santo (30.04.1926-30.04.2026), decorreu, na em São Tomé, na escola Maria de Jesus, cuja patrona é a mãe da poetisa e Combatente da Liberdade, com a participação em massa dos alunos, com declamação de poemas da homenageada e músicas inspiradas nos seus poemas.

O ano de 2026 assinala o Centenário de Alda Espírito Santo (1926 -2010), figura maior da história cultural e política de São Tomé e Príncipe, e dos Cinco, e referência incontornável das literaturas africanas em português. Insigne figura da “Geração de Cabral”, Alda Espírito Santo foi poetisa, professora, militante, deputada e ministra da Educação e Cultura, Alda Espírito Santo deixou um legado multifacetado que une o compromisso cívico, a palavra poética, e a construção nacional.


ALDA- Duas sílabas numa só palavra - Acrescida do apelido divino " do Espírito Santo - Nome da Inesquecível Musa, a Mui Amada e Grande Mãe das Ilhas Maravilha - A Grande Inspiradora Poetiza da liberdade e da Beleza! A Grande Irmã da Dor e do Amor e do sentimento amargo e mui dolorido sofrimento ancestral de um Povo - Quem esquecerá o seu rosto?

Não partiu para o exilio mas, mesmo sob a vigilância da antiga policia politica (PIDE) nem por isso deixou de usar a palavra, os seus versos, como a voz mais ativa e interveniente pelo seu Povo - Considerada, por isso, como expoente máximo do nacionalismo são-tomense, pós independência. Alda Graça, morreu em Angola para onde foi evacuada por razões de saúde. Morreu na terra dos seus compatriotas de luta pela independência nacional, como Mário Pinto de Andrade. Um dos nomes de Angola que Alda Graça muitas vezes citou nas suas intervenções públicas.

A celebração do seu centenário pretende reconhecer a amplitude dessa herança – política, educativa, literária, social e simbólica – e promover um diálogo entre as diferentes dimensões da sua atuação: a escritora que deu voz à nação nascente, a mulher que defendeu a igualdade e a dignidade humana, e a cidadã que fez da cultura um instrumento de libertação e de futuro. Ao revisitar a sua obra e o seu percurso, este centenário convida a uma reflexão sobre o papel da mulher africana na luta anticolonial, sobre a força da palavra como instrumento político e pedagógico e sobre a permanência dos ideais de emancipação, justiça e solidariedade que atravessam a sua escrita.



Celebrar o centenário de Alda Espírito Santo é mais do que homenagear uma poetisa: é reconhecer uma das consciências fundadoras de São Tomé e Príncipe e de toda a África de língua portuguesa. Mulher de ação e de pensamento, de palavra e de gesto, Alda Espírito Santo soube unir, como poucas, a criação literária, o compromisso político e a pedagogia da esperança. A sua vida foi um contínuo diálogo entre o poético e o político, entre a sala de aula e a praça pública, entre o sonho de libertação e o trabalho quotidiano pela dignidade.  

Com esta comemoração, pretende-se afirmar Alda Espírito Santo como património vivo da memória e da imaginação nacional, símbolo de uma geração que fez da poesia uma forma de resistência e da educação uma política de esperança, através das seguintes Linhas Temáticas: 1. Palavra e Pátria: A construção simbólica da nação; 2. Mulher, Educação e Cidadania; 3. Literatura, Política e Utopia; 4. Memória, Arquivo e Património Cultural; 5. Alda Espírito Santo e a Geração da Libertação; 6. Genealogias da Escrita no Feminino e Heranças de Resistência; 7. Da Palavra ao Futuro: Educação, Juventude e Políticas Culturais;  

A Organização convida os interessados em participar dessa comemoração a enviar um resumo da sua intervenção (250-300 palavras), para o email:  100aldaesanto@gmail.com.  Mais informações sobre o programa, modalidades de participação e submissão de propostas podem ser consultadas


ALDA- Duas sílabas numa só palavra - Acrescida do apelido divino " do Espírito Santo - Nome da Inesquecível Musa, a Mui Amada e Grande Mãe das Ilhas Maravilha - A Grande Inspiradora Poetiza da liberdade e da Beleza! A Grande Irmã da Dor e do Amor e do sentimento amargo e mui dolorido sofrimento ancestral de um Povo - Quem esquecerá o seu rosto?

Não partiu para o exilio mas, mesmo sob a vigilância da antiga policia politica (PIDE) nem por isso deixou de usar a palavra, os seus versos, como a voz mais ativa e interveniente pelo seu Povo - Considerada, por isso, como expoente máximo do nacionalismo são-tomense, pós independência. Alda Graça, morreu em Angola para onde foi evacuada por razões de saúde. Morreu na terra dos seus compatriotas de luta pela independência nacional, como Mário Pinto de Andrade. Um dos nomes de Angola que Alda Graça muitas vezes citou nas suas intervenções públicas.

Lá no «Água Grande»

Lá no «Água Grande» a caminho da roça
negritas batem que batem co’a roupa na pedra.
Batem e cantam modinhas da terra.

Cantam e riem em riso de mofa
histórias contadas, arrastadas pelo vento.

Riem alto de rijo, com a roupa na pedra
e põem de branco a roupa lavada.
As crianças brincam e a água canta,
brincam na água felizes…
Velam no capim um negrito pequenino.

E os gemidos cantados das negritas lá do rio
ficam miúdos lá na hora do regresso…
Jazem quedos no regresso para a roça.

(Poesia negra de expressão portuguesa, 1953)

Fevereiro

Alda Graça do Espírito Santo


Poeta santomense: 1926 – Faleceu em 9 de Maraço de 2010
Nasceu a 30  de abril  de 1936 , na cidade de São Tomé, capital do Arquipélago de São Tomé e Príncipe, Alda Neves da Graça do Espírito Santo. Filha de uma professora primária e de um funcionário dos Correios, ainda nova faz seus primeiros estudos em São Tomé. 1940: Em meados de 1940, muda-se com a família para o norte de Portugal, anos depois a família muda-se para Lisboa onde Alda inicia seus estudos universitários. 1950: No início dessa década, morando em Lisboa com a família, Alda Espírito Santo faz contato com alguns dos importantes escritores e intelectuais que viriam a ser os futuros dirigentes dos movimentos de independência das colônias portuguesas de África, como Amílcar Cabral, Mário Pinto de Andrade, Agostinho Neto, Francisco José Tenreiro, entre outros. A casa de sua família, no número 37 da Rua Actor Vale, funciona como local de encontros do CEA (Centro de Estudos Africanos). Os encontros regulares na casa de Alda promoviam palestras sobre temas diversos como Linguística, História e também sobre a consciência cultural e política acerca do colonialismo, do assimilacionismo e da defesa do colonizado.  Excerto de Vidas Lusófonas - Alda Espirito Santo


Combatente da luta pela independência nacional, poetisa, considerada expoente máximo do nacionalismo são-tomense, pós independência. Alda Graça, morreu em Angola para onde foi evacuada desde a última semana por razões de saúde. Morreu na terra dos seus compatriotas de luta pela independência nacional, como Mário Pinto de Andrade. Um dos nomes de Angola que Alda Graça muitas vezes citou nas suas intervenções públicas. – Excerto deAlda Graça do Espírito Santo