Jorge Trabulo Marques- Jornalista, investigador, dinamizador cultural, alpinista e navegador solitário em canoas de: Tomé
Meu Poema aos Tubarões. Há quase 51 anos fui atacado, pesquei-os e lutei com eles 38 dias numa piroga; agora, no oceanário, em Lisboa, pude brincar com eles neste último domingo de Maio e viver momentos de muito prazer e alegria, na reportagem a editar da festa do aniversário da neta do Médico Urologista Frederico
Recordo, entretanto, aqueles dramáticos momentos, ao longo de 38 dias numa piroga, nos finais de 1975
Os Tubarões Atacam nas Horas mais fatídicas O mar não me dá tréguas!... Não me dá uma pausa de descanso!... Raros os momentos de absoluta tranquilidade!... Tenho sempre o meu coração suspenso, em sobressalto! Todos os meus sentidos em alerta máximo!...
Mas a minha tristeza e o meu infortúnio nem sempre me deixam isolado... também têm os seus visitantes inesperados!... –Mas muito indesejados!... Mesmo assim, ignoram os meus pacíficos sentimentos e não deixam de voltar com assiduidade!.. - Quando vêm em cardumes, não se demoram... Espalham-se para todos os lados, e, conforme chegam, assim desaparecem!... Mas, quando solitários, e bem maiores, noto que não há nada que os amedronte e lhes refreie o instinto de vorazes predadores...
Por isso, mesmo antes de os ver, é muito difícil que a raiz dos meus cabelos, os poros dos meus braços e dos meus pulmões, a palpitação do meu coração os não pressintam a rondarem a canoa... a apertarem o cerco!... Girando em círculos, cada vez mais apertados, concêntricos!... Até investirem como se fossem disparos de violentos torpedos!...
São os tubarões gigantes!...Surgem nas horas malditas!... Nas horas que antecedem as tempestades, os habituais tornados, quando o horizonte se reveste de névoas ameaçadoras, o céu se cobre de cinza, a cor do mar se altera e passa de azul cobalto a um agitado mar de chumbo!... - São a imagem viva da morte aos olhos aterrorizados dos náufragos e desamparados!... Atacam quase sempre!... Até parece que sabem escolher os momentos fatídicos para serem bem sucedidos com os seus fulminantes golpes!...
Vêm sempre ladeados por uma autêntica flotilha de pequenos peixes zebrados! – Lembram pequenos submarinos de guerra!... Há quem os endeuse e diga que são seres pacíficos... Mas tudo isso é muito contingente... Aqui portam-se como feras! - Quais sinistras criaturas vigilantes, a fazerem em surdina os seus giros... Com a barbatana dorsal singrando à flor das águas, tal qual uma navalha apontada aos céus!.. - Investem com inesperada ferocidade!.. . -Afasto-os à machinada!.. Depois deixam-me em paz... Uma paz podre, temporária... Até agora tenho tido muita sorte...
Algures no Golfo da Guiné, 14 de Novembro de 1975
Diário de Bordo - 1 Diário de Bordo - É manhã do dia 25 que viajo na minha canoa...De noite não dormi muito. Pois estive quase sempre acordado...O mar esteve bastante agitado, aliás, continua com uma ondulação muito forte e um vento dominante de sul-norte..
Algures no Golfo da Guiné, 25 de Novembro de 1975 Há 49 anos- Jorge Trabulo Marques 25 de Nov 1975 - 36º dia Perdido no Golfo da Guiné - Há muito desisti de olhar para a bússola. Ora navego para um lado ora navego para outro. Tento evitar que a canoa fique completamente à deriva ou atravessada à vaga. Tenho a costa de África já próxima para meu espanto!..(..) Mas já é noite!...Estou a velejar!... Estou-me a precipitar como um suicida.... Mas tenho fome!!... Não posso demorar mais tempo
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À medida que as forças me vão fraquejando, são mais os pensamentos que me assolam de que as palavras que expresso para o meu diário. Embora com os olhos pregados nos contornos de terra à vista, assim vai decorrer mais um dia perdido no mar, sem todavia a poder alcançar. Mas, só ao 38º dia é que a poderia finalmente pisar.
Diário de Bordo2 Não sei que horas serão da tarde do 33º dia. A verdade é que até agora tem chovido bastante!... Há bocado não estava a chover... Estava o mar bravo!... Mas de um momento para o outro passou a chover... Só chuva!... E vento!...
Diário de Bordo3Agora volta a haver uma certa calmia... Mas já vejo ameaças de chuva no horizonte... Ainda não comi nada... Aliás, comi agora um bocadinho do resto do tubarão (pescado há vários dias) que está estragado praticamente... Estou cheio de fome! Não consigo pescar!... Não vejo terra... Estou realmente bastante... não direi desmoralizado... mas abatido psicologicamente.
O tubarão é dos peixes, cuja carne não aguenta muito tempo - Mal se pesca, não tarda a que seja uma carcaça em decomposição - No mesmo dia, pesquei dois: um deitei-o fora, o outro guardei-o para iscas e para o que desse e viesse - Mas gera um autêntico fedete. Quando mastigo alguns bocaditos - roendo as barbatanas, sim, é o que tenho feito, quando o vazio do estômago se me torna mais insuportável. Não fecho os olhos, mas fico com uma azia tremenda.
Estou convencido que alguns ataques dos tubarões, que de volta e meia se atiram como torpedos contra o costado da canoa, se devem a isso mesmo: ao cheiro que os atrai. Pois os tubarões veem mal mas têm um notável olfato.
Claro que não me sinto desmoralizado, pois continuo com a convicção de que hei-de chegar a terra. O que eu desconheço é quando a poderei alcançar. Sim, mas, fisicamente, faltam-me as forças, estou muito fraco. Já não tenho a mesma energia que tinha quando deixei São Tomé. A minha canoa é comprida mas frágil – Não tem mais de que um metro de largura, por 60 cm de altura, 40 cm dos quais, estão abaixo da linha de água. Foi talhada num madeiro, cortado na floresta, próximo da Vila das Neves, da praia donde parti.
Diário de Bordo4 Em relação às correntes, em vez de de me aproximarem para norte, estão-me a levar ao longo da costa de África... Irei ter provavelmente ao recanto do Golfo do Biafra...Não vejo outra alternativa... Agora o que eu não sei é o tempo que irei demorar.
Esta manhã, a canoa, ficou alagadíssima!... devido às chuvadas!... Estou exausto, digamos assim.
Claro que não me sinto vencido ou resignado à minha sorte, e vou lutar, lutar, enquanto puder. Mas a verdade é que, dormir no fundo de um madeiro escavado, flutuante e encharcado, submetido a constantes balanços, a rolar a rolar e à deriva num mar escuro e encapelado, numa confusão tremenda, se, já de si, é um tormentoso calvário, que não me dá tréguas, nem descanso, quem é que, cheio de fome, pode ter o mínimo de repouso e de tranquilidade, ter um sono reparador, com o estômago completamente vazio?!... É que, além de toda a incerteza que me oprime, também o estômago se me contrai , num horrível sofrimento!
Fazer jejum, de vez em quando, até pode ser saudável, mas, sendo no mar e prolongado, é muito doloroso!... Desgasta e abre o apetite - E, então, como eu lhe poderei dar resposta, não tendo alimentos comigo, nem tendo conseguido pescar?!... Sim, a fome, aguça o engenho, mas seguramente que não é a melhor companheira para a tranquilidade do corpo e do espírito
Oh, mas quem me dera agora recuar àquela hora ensolarada e brilhante da manhã, em que deixava a linda praia da Vila das Neves, envergando uma simples t shirt, de calção e descalço, empurrando a minha canoa, com todos aqueles meus amigos, que me ajudavam a arrastarem-na para o mar.
Jorge Trabulo Marques - Jornalista e fotojornalista
96.ª edição da feira de lisboa ..Mesmo ao fim da tarde, de dpmimgo de 31 de Maio, ainda lá vimos muitas sessões de autógrafos e centenas de pessoas, num dos maiores e mais emblemáticos eventos culturais do país, organizado pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, a decorrer, desde 27 de Maio a 14 de Junho no Parque Eduardo VII
Realizada desde 1930, a feira vai muito além da compra de livros contando também com sessões de autógrafos, apresentações, concertos, cinema ao ar livre e atividades para crianças e famílias.
Tivemos o prazer de registar várias imagens, entre as quais a de Lídia Jorge, além de outros escritores e livreiros, tais como o santomense, Euclides das Neves, que neste vídeo, lhe oferecemos, com muito gosto, desde 1ª domingo de Junho.
Jorge Trabulo Marques : jornalista e dinamizador cultural
Foz Côa – Gastronomia Regional têm espaço no "Tá-se Bem" de Adriano Seromenho. Que se ergue no coração da cidade, na emblemática Praça do Tabulado . No 1º andar de um edifício , com uma bela vista sobre a cidade, mesmo frente à Praça do Tabulado,
Adriano Seromenho, filho de um emigrante de Custódias do Douro, nasceu em França, Com formação musical, desde criança com o pai da Dina Aguiar, tendo sido um dos fundadores da banda de música “os Cavaquinhos de V. N. de Foz Côa- Satisfeito com o seu trabalho, visto ter criado uma qualidade de vida, que durante vários anos procurava e finalmente pôde encontrar
Defende que se devia fazer um pouco mais no centro de foz coa de modo a fixar mais empresários e a conferir-lhe maior desenvolvimento- Têm recebido rasgados elogios:
Lisa Del Monico Tivemos uma noite maravilhosa aqui! Adrien, o dono, foi extremamente gentil, atencioso e acolhedor. Chegamos em uma noite tranquila e ele nos tratou desde o início como velhos amigos. Ele falava inglês fluentemente, o que foi muito apreciado, já que nosso português ainda não é dos melhores, e nos deu ótimas sugestões. A comida e o vinho estavam deliciosos e o tempo que ele passou conversando connosco foi mágico.
Um outro casal chegou e sentou-se ao nosso lado; eles eram do Brasil. Adrien fez questão de nos fazer sentir como amigos. E, depois da sobremesa, ele se ofereceu para tocar piano e cantar, explicando as músicas em português e inglês.
Saímos com a sensação de termos feito novos amigos do Brasil e de Portugal, satisfeitos e felizes com o vinho, o jantar incrível e a música mágica. Foi uma das melhores noites de nossas vidas! Tudo foi realmente encantador! Recomendo muito que você coma aqui se tiver a oportunidade e não deixe de conhecer esse ser humano adorável que cozinha e canta como um anjo!
Mário Pinho da Silva Se você estiver visitando Vila Nova de Foz Côa, o Restaurante Tá-se Bem é uma parada obrigatória. Tivemos uma experiência fantástica aqui. A Comida: Esta é comida caseira de verdade, muito saborosa e com porções generosas. Dá para perceber que é feita com carinho e ingredientes de qualidade.
Os funcionários são muito simpáticos e acolhedores. Nos sentimos em casa desde o momento em que entramos, o que tornou a refeição ainda mais agradável. Preço: O custo-benefício é excelente. O preço é muito acessível, principalmente considerando a alta qualidade e quantidade da comida servida. Conclusão: 5 estrelas merecidas. Recomendo muito este lugar para quem procura uma refeição autêntica e deliciosa na região!
Sylvie Thomet Estávamos à procura de um restaurante português verdadeiramente autêntico e não nos desiludimos! Para além das excelentes recomendações do chef (que fala francês fluentemente), os pratos estavam maravilhosamente preparados e os vinhos eram soberbos! O ambiente era descontraído e acolhedor. É um ótimo lugar para quem aprecia a gastronomia genuína
De Foz Côa ao Porto, vai pão regional, bolos de amêndoa e folares-Da terra que já foi o melhor celeiro de Portugal. Diálogo, em 2014 com Jorge Manso. Gerente da Confeitaria Padaria Ritz - Uma atividade de muitos anos – De seu nome completo Artur Jorge Tomé Manso
Foz Côa - Jorge Manso, gerente da Confeitaria Padaria Ritz - Uma atividade com mais de setenta anos – Só ele vai em 34. De facto, até aos finais da década de 60 (século XX) os cereais abteciam o consumo local e davam para vender. Atualmente, as padarias importam as farinhas do estrangeiro ou então vão busca-las a Mogadouro e a Miranda do Douro – É o caso da Confeitaria Padaria Ritz, visto serem as farinhas quemais se aproximam das extraídas dos cereais, que aqui eram produzidos. E creio que também o mesmo sucede com a Terrinca, já que, a nível de pastelaria, em ambas, é difícil encontrar coisa mais apetecível na região.
O SEGREDO ESTÁ NA QUALIDADE E MISTURA DAS FARINHAS E NO SÁBIO EMPREGO DO FERMENTO TRADICIONAL
Quem chegar a Foz Côa pela E.N 102, pouco antes do cruzamento que vai para Castelo Melhor, Almendra e Figueira, onde se situa um lago com vários chafarizes, brotando água em cascata, como que a dar as boas vindas a Foz Côa,poderá deparar, do lado esquerdo, com o Café da ConfeitariaPadaria Ritz, do Sr. Adriano dos Anjos Manso.
Vale a pena lá ir. Ou então procurar a outra pastelaria (da mesma empresa) situada na Rua São Miguel.
Quer numa ou noutra pastelaria, quem lá quiser dirigir-se, é sempre bem atendido e tem pão e confeitaria boa por onde escolher – Sim, que não se limite apenas a tomar a bica, tem à disposição pão ou bolos, que são do melhor que há e nada ali é inflacionado. É que vai por lá encontrar também o melhor folar de carne, que, uma vez por semana, é enviado para a cidade do Porto, segundo nos revelou, o Sr. Jorge Manso, gerente de uma pequena industria familiar - Naturalmente que mercê de uma longa experiência no ramo, dede o saber da mistura de farinhas - centeio e trigo - até ao rigoroso emprego do fermento tradicional.
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Empresa familiar, que jáconta com mais de 70 anos, pois já vem do tempo do pai do atual gerente.-
Isto para já não falar das melhores bolas, pão regional e bolos de amência, confecionados com a que é colhida na capital da amendoeira do Douro, Foz Côa, terras de xisto onde a Primavera floresce mais cedo, dadas as características do microclima mediterrânico, de que goza – Se bem que, no pino do Verão, se aproxime do estio escaldante – Mas, esse inferno, abrasivo, nessa altura do ano, estende-se, praticamente, atodo o interior duriense. De outro modo, não se colheria por aqui o tão afamado vinho generoso - Que precisa de maturação calórica para exibir os seus inconfundíveis arormas e néctares.
Jorge Trabulo Marques- Premiado este ano com o corte do subsídio de mértio cultural,
que recebia há mais de 20 anos
Dia Mundial de África 25 de Maio 2026 - Recordo a minha minha vida de escravo na Roça Uba Budo, em 1963 e a aventura pela Rota dos Escravos, em finais de 1975, que saldaria num naufrágio de 38 dias à deriva numa canoa
AVENTURA DE CANOA PELA ROTA DOS ESCRAVOS.. No dia em que fui largado ao mar, do pesqueiro Hornet, junto à Ilha de Ano Bom, mal imaginava que iria viver uma das mais dramáticas situações de sobrevivência, ao longo de 38 dias, por náufragos nas vastas superfícies oceânicas
São Tomé e Príncipe e os meus dias de escravo nas roças, em finais de 1963 – Video de 2014 - A nacionalização das roças ocorreu a 30 de setembro 1975 – Data histórica, assinalada com feriado nacional alusivo ao dia em que, os feudos coloniais- onde fui empregado de mato - passaram a pertencer ao novo país independente após o 12 de Julho
Não tenho saudades do tempo da chibatada. Fui desterrado para a zona da cobra preta por me ter recusado a tratar o trabalhador por tu e ao velho estilo colonial. De sublinhar que o ambiente na cidade e nos meios urbanos, era diferente da rudeza brutal dos feudos roceiros, era mais fraternal. Havia outra convivência - Daí ter-se que se pedir autorização ao feitor-geral ou no escritório - mesmo ao domingo- para o empregado de mato, o apelidado cafuso lá se deslocar.
Aliás, foi das roças que partiu o chamado Massacre do Batepá, em Fevereiro de 1953, 10 anos antes de ali trabalhar.
Neste vido - Recordo meus dias de escravo na Roça Uba-Budo e Ribeira-Peixe da Companhia Agrícola Ultramarina
Jorge Marques .Em Ferão Dias .
A escravatura foi a maior das barbaridades ao longo dos tempos. Foi sempre um comportamento cruel e desumano onde quer que se expandisse. Não só em África, como em todas as partes do mundo. Mas houve lugares onde a mesma se transformou num tenebroso interposto comercial - foi o caso da Ilha de são Tomé.
Ilhas tão maravilhosas, como as de São Tomé e Príncipe. De facto, estes dois belíssimos paraísos verdes, não mereciam que a escravatura, uns milénios ou séculos após o seu primitivo povoamento por povos da costa africana, ali assentasse arraiais. E escravizasse quem já ali vivia pacificamente, mas também os muitos milhares de africanos, que, arrebatados das suas aldeias, para ali foram transportados e obrigados a trabalhar à força. Por outro lado, encontrando-se a Ilha de S. Tomé, numa situação geográfica privilegiada, em relação ao Golfo e ao Equador, cedo deu lugar a que, a par da escravidão nas suas plantações, se transformasse numa autêntica plataforma de embarque e desembarque de escravos..
O que se passou ao longo dos cinco séculos de colonização, foram, pois, arbitrariedades sobre arbitrariedades, que ficariam no esquecimento.
Desde o inicio das primeiras plantações da cana do açúcar que a escravatura, para ali importada, foi acrescida com constantes navios de escravos.. A terra era fértil e o clima quente e húmido, favoreciam o desenvolvimento da sacarose. O produto poderia não ser da melhor qualidade, dadas as dificuldades da sua conservação, porém, as colheitas eram abundante e a cobiça e ambições ainda maiores. Havendo, por isso, necessidade de mão-de-obra escrava. E foi o que sucedeu: - com absoluto desprezo para as vidas desses pobres desventurados. Carrada após carrada de porões atulhados de barcos negreiros,que ali aportavam. Uns, para os depositarem, outros para ali depois os transportarem para as Américas
Em 1781, 132 africanos escravizados foram lançados vivos ao mar de um navio negreiro britânico chamado Zong para morreram afogados. Eles estavam doentes e, na visão do capitão da embarcação, representavam uma ameaça à sua margem de lucro — ao passo que a perda do que ele considerava na época sua "mercadoria" poderia ser compensada com o pagamento .
Os responsáveis pela atrocidade, conhecida como Massacre de Zong, acabaram impunes, apesar dos esforços de ativistas do movimento abolicionista britânico para que fossem julgados por homicídio.
NÃO ESQUEÇO AQUELES DIAS TORMENTOSOS DE NÁUFRAGO E OS S0FRIMENTOS DOS MILHARES DE ESCRAVOS EM PURÕES SOFUCANTES E ATULHADOS.
Meu colchão é côncavo estreito e duro - Muito desconfortável.
Não me permite sequer abrir os braços, mal posso respirar.
Pior ainda quando estendo e cubro a canoa com o toldo de plástico.
Meu coração, quase sufoca, possuído pelas sombras do oceano noturno.
Mesmo assim, meus olhos, cegos de cansaço, perdidos num horrível vazio sonoro e escuro,
não cerram as pálpebras, não cedem à continuada afronta que os amarra mergulha e sobressalta!
Vão abertos, em persistente vigília e alerta! - Não param de sondar
os ruídos, os marulhos! - E, quando estes ressoam no casco
ainda mais os intrigam e assustam - Arregalados,
perscrutam e devassam a penumbra absoluta -Porém,
nada enxergam do que vai dentro ou lá fora - Vão cegos
mas não desistem!- Nesta horrenda dança de vida ou morte, são eles e os meus ouvidos, o mais íntimo sonar,
desta minha inarrável errância marítima
lgures no Golfo da Guiné, 25 de Novembro de 1975
À medida que as forças me vão fraquejando, são mais os pensamentos que me assolam de que as palavras que expresso para o meu diário. Embora com os olhos pregados nos contornos de terra à vista, assim vai decorrer mais um dia perdido no mar, sem todavia a poder alcançar. Mais propenso a pensar de que a expressar as minhas emoções ou observações para o modesto gravador, que religiosamente guardo num simples contentor de plástico, que em terra servira de caixote de lixo – Estou completamente desligado do resto do mundo. A bússola permite-me saber a direcção que tomo mas não sei onde estou. Vou ao sabor dos ventos e das correntes. Que nem sempre me levam pelo melhor rumo.
Nos meus treinos
O remo improvisado, continua a ser pouco ou nada eficaz. Não posso comunicar seja com quem for. Senão com a vontade de Deus. E também não tenho a certeza se me vê ou se me ouve. Mas eu existo, e, a bem dizer, sou um náufrago. E o drama que vai no coração de quem anda perdido no mar, é intraduzível em palavras - Aqui ficam, pois, as que foram faladas (para o diário) e alguns dos pensamentos que ficaram guardados na minha memória.
O meu objectivo era a travessia do Atlântico, pela corrente equatorial, seguindo a antiga rota dos escravos. Pretendia evocar esses tempos ignominiosos e lembrar ao mundo que a escravatura, ainda não tinha acabado – Continuava (e continua) a existir sob várias formas. Pretendia, igualmente, reforçar a minha teoria, já testada em duas viagens marítimas anteriores, que as canoas eram capazes de fazer longas viagens e de terem servido de transporte para os primeiros povoadores das ilhas de Ano Bom, São Tomé e Príncipe Bioko ( a ex-Fernão Pó) . Com a posterior divulgação de antigos mapas, entretanto localizados em velhos museus e bibliotecas, ficou-se a saber que, antes dos europeus, ali terem desembarcado, as ilhas já tinham nomes e constavam nalguns desses mapas.
O dia 25 de maio é considerado o Dia de África porque foi neste dia, em 1963, que se criou a Organização de Unidade Africana (OUA), na Etiópia, com o objetivo de defender e emancipar o continente africano.
Este dia recorda a luta pela independência do continente africano, contra a colonização europeia e contra o regime do Apartheid, assim como simboliza o desejo de um continente mais unido, organizado, desenvolvido e livre.
A data é celebrada em vários países de África e pelos africanos ao redor do mundo. Em países como o Gana, o Mali, a Namíbia, a Zâmbia e o Zimbabwe, o Dia da África é um feriado
Em Lisboa, as comemorações do Dia Mundial de África (25 de maio) estendem-se ao longo da semana com o evento Sem Margem - Semana de África da ULisboa, que decorre de 25 a 30 de maio. Este programa multidisciplinar apresenta exposições, moda, ciência, debates e música em vários polos universitários Sem Margem
O evento principal de encerramento acontece no Pavilhão de Portugal (Parque das Nações) no dia 30 de maio
AOS ESCRAVOS - DESUMANIZADOS E AFOGADOS
.
Lívidos de angústia,
esmagados pelo terror,
esfomeados e esfarrapados,
sedentos de compaixão e de amor,
e, ainda por cima, oh! pobres desgraçados,
acorrentados e lançados vivos ao mar!...
Acreditai irmãos!..Se nesta mesma hora - ainda de escombros! -,
o vosso espírito vagueia por este odioso mar de assombro,
e me estais vendo e ouvindo, acreditai-me que as lágrimas
que agora choro, são também as vossas!
- É ainda o eco alarmante,
claro e nítido, incessante,
daquela hora grave - maldita !
Que vos roubou as vidas!
Vindo dos insondáveis espaços!
Vindo do fundo das trevas! Vindo do tumulto do mar!
Vindo do fundo dos abismos e da superfície
lívida e contorcidas das águas!
Ainda reverberando em ecos de estranha violência!
Bramindo fatídicos sons de álgida insensível crueza.
Errando e ecoando por um céu denso, raiado e negro,
que se desfaz em húmida fuligem,
em novelos de denso fumo
e parda nuvem negra!....
O preconceito de superioridade europeia sobre os outros povos, em particular os africanos e ameríndios, levou a que se duvidasse da sua humanidade. Este um dos argumentos que justificou que fossem capturados, deslocados, comercializados e explorados como escravos em África, na América e na Europa.
"O caso mais famoso de matança de escravos num navio negreiro deu-se em Setembro de 1781, a bordo do Zong, de Liverpool, que largou de São Tomé com um carregamento de quatrocentos e quarenta escravos e dezasseis tripulantes.Uma calmaria imobilizou o barco , que se viu a braços com uma epidemia que matou sete tripulantes e sessenta negros. A maioria dos sobreviventes ficou tão debilitada pela disenteria que seria duvidoso que alguém desse alguma coisa por eles na Jamaica. Em 29 de Novembro, já à vista das Índias Ocidentais, o capitão Luke Collingwood informou os seus oficias de que só havia duzentos galões de água, o que não chegava até ao fim da viagem. Se os escravos morressem de sede ou de doença, os prejuízos recaíam sobre os armadores do navio e sobre ele. Mas, se fossem deitados ao mar, o seguro pagaria a indemnização legal.
O imediato manifestou o seu total desacordo, afirmando que havia água suficiente e que talvez chovesse.Porém, o capitão Collingwood fez orelhas moucas a todos os pedidos de clemência que lhe fizeram, «mandou apartar centro e trinta e dois escravos e obrigou a tripulação, por turnos, a atirá-los ao mar.O primeiro "fardo", cinquenta e quatro escravos, foi lançado aos tubarões nesse mesmo dia. A 1 de Dezembro foi borda fora mais um grupo de quarenta e dois. Nessa noite choveu bastante e apararam água suficiente para todos até ao porto. Mas o capitão tinha o seu plano estabelecido e, uma semana depois, mais vinte sete negros foram manietados e obrigados a andar em frente, no convés, até caírem ao mar. Dez saltaram de moto próprio, sem necessidade de "auxílio dos marinheiros".
«A 22 de Dezembro, o Zong chegou a Kingston. Luke Collingwood vendeu os seus escravos.Alguns, que ninguém quis comprar, abandonou-os no molhe. Lá morreram de fome e sede. No último dia da sua estada em Kingston mandou a maioria da tripulação para terra. Então, de surpresa, mandou levantar ferro, acusando os marinheiros de deserção. Assim evitava pagar-lhe quase um ano de soldo. Collingwood gabava-se de enganar os compradores dos seus escravos atacados de disenteria, pelo simples processo de mandar o médico tapar os cus dos doentes com estopa".
"Quando chegou a Liverpool, Luke Collingwood reclamou à companhia de seguros trinta libras por cada um dos centro e trinta e dois escravos que tinha mandado deitar ao mar." - Transcrito directamente do livro ÉBANO- De autoria de .Alberto Vázquez-Figueroa
MAS A ESCRAVATURA NÃO ACABOU - E CONTINUA NA ACTUALIDADE SOB OUTRAS FORMAS..
No passado partiam os bracos atulhados de escravos, atirados impiedosamente ao mar e hoje? Paradoxalmente, campos pejados de abandono e fome, ante a mais incrivel e fria indiferençal - Além de bairros sem água poével e em condições de extrema dureza .Não sómente em África mas noutras paragens asiáticas.
PRIMEIRA BARBARIDADE DA COLONIZAÇÃO COMEÇOU POR SE ENVIAREM CENTENAS DE CRIANÇAS JUDIAS, ARRANCADAS AOS LARES MATERNOS.
«No ano de 1493, em Torres Vedras, deu el-rei a Álvaro de Caminha, cavaleiro de sua casa, a capitania de ilha de S. Tomé, de juro e de herdade, com cem mil réis de renda cada ano, pagos na casa da Mina. E porque os judeus castelhanos, que de seus reinos se não saíram nos termos limitados os mandou tomar por cativos, segundo a condição da entrada, e lhes tomou os filhos e filhas pequenos, que assim eram cativos, e os mandou tornar todos cristãos, e com dito Álvaro de Caminha os mandou todos à dita Ilha de S. Tomé, para que sendo apartados dos pais e suas doutrinas, e de quem lhes pudesse falar na lei de Moisés, fossem bons cristãos, e também para que crescendo e casando se pudesse com eles povoar a dita ilha, que por esta causa em diante foi em crescimento. Crónica del rei D. João II, de Garcia de Resende, cap.CLXXIX. Em 1522 foi incorporada nos bens da coroa