Jorge Trabulo Marques - Jornalista e antigo empregado de mato nas roças Uba-Budo, Ribeira Peixe e Rio do Oiro - Atual Agostinho Neto

A vida escrava e do chicote nas roças que eu conheci e sofri, da chibatada nas costas e palmatoadas, de 1963 a 65 -Aos 12 anos marçano em Lisboa, menino escravo.. Vida dura tanto para os serviçais como empregados de mato, como eu fui. Tanto para trabalhadores nativos, contratados de outras colónias, de Cabo Verde, Guiné, Angola e Moçambique.-
A UNESCO - Reconhece 6 Roças de S. Tomé e Príncipe Património Mundial: herança da vida escrava e do chicote que eu conheci e sofri, da chibatada nas costas e palmatoadas, desde 1963 até à Revolução do 25 de Abril
Aos 12 anos fui marçano em Lisboa, menino escravo. E, aos 12 anos marçano em Lisboa, menino escravo nas mercearias. E, aos 18 anos, na Roça Uba-Budo, como empregado de mato - Depois de completar o curso de Técnico Agrícola, em Santo Tirso, desembarquei em Novembro de 1963 para ali fazer o meu estágio, tendo ali conhecido dias muito difíceis.
Vida dura tanto para os serviçais como empregados de mato, como eu fui, como para os trabalhadores nativos, como contratados de outras colónias, de Cabo Verde, Guiné, Angola e Moçambique.-
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declarou este domingo as plantações agrícolas coloniais portuguesas nas ilhas de São Tomé e Príncipe como Património Mundial
A assembleia anual da UNESCO, que está a decorrer na cidade sul-coreana de Busan, reconheceu como Património Mundial o conjunto de seis roças situadas nas ilhas da nação africana, que representam um sistema colonial dedicado principalmente à produção de café e cacau, combinando terras agrícolas, infraestruturas industriais, áreas residenciais e instalações sociais.
Água Izé, Belo Monte, Diogo Vaz, Monte Café, São João e Sundy —, que representam um sistema colonial dedicado principalmente à produção de café - E ,então, as do Cacau, como a Roça Rio do Oiro (Agostinho Neto e outras? - ´Vai-se promover apenas o café?
A cultura escravagista, que passei a conhecer e sentir, como empregado de mato, desde finais de 1963. passou unicamente alimentar os grandes negócios dos proprietários, sediados em Lisboa, alcunhados pelos turistas da Gravana, época em que chove menos e o tempo refresca um pouco mais ,
Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Antigo aluno da Escola Agrícola Conde S. Bento, em Santo Tirso - Com videos registados na Roça UbBudo, em 2014, bem como na antiga Roça Rio do Oiro, atual Agostinho Neto e noutras roças
Antigo aluno da Escola Agrícola Conde S. Bento, em Santo Tirso - Tendo embarcado no Uige para fazer o meu estágio na Roça Uba-Budo .Por não aceitar tratar os trabalhadores por tu e de forma autoritária e agressiva, fui enviado de castigo, a contar cacaueiros abandonados para outra Roça desta empresa,na zona da cobra preta, da chamada Companhia Agrícola Ultramarina, ao sul da Ilha, na Roça Ribeira Peixe. A vida era dura e escrava também para o empregado de mato, tal como também ali fui. Depois das tarefas executadas, das capinagens, das colheitas ou das quebras de cacau, subindo e descendo vertiginosas grotas, tinha que vaguear pelos caminhos ou trilhos do mato, limpando os rebentos dos cacacueiros com a catana (machim) na mão, chovesse ou não a granel: - havia que suportar todas as intempéries até ao último raio de sol . Além disso, o escravizado empregado de mato, só podia gozar das chamadas férias graciosas, regressarem às suas aldeias, de quatro em quatro anos
Era farta e folgada para os administradores e feitores gerais, mas sobretudo para os donos das roças, mais deles vivendo refastelados na “metrópole”, à sombra dos avantajados lucros das grandes plantações, especialmente de cacau e de café e livres de prestarem contas ao Estado do que arrecadavam, pois chegavam a ter até mais poder de que os próprios governadores. Sem outras preocupações que não fossem as de encher os seus cofres por depósitos na banca e por transferências sistemáticas para à MetrópoleJorge Trabulo Marques - Jornalista - Antigo empregado de mato nas roças

Tal como foi denunciado, na revista angolana, Semana Ilustrada, de que era seu correspondente, em S. Tomé, as grandes propriedade agrícolas das duas ilhas, serviam apenas os interesses de uns quantos privilegiados, eram "mundos fechados", não prestavam contas a ninguém, não divulgavam os seus relatórios anuais, fechavam-se no seu casulo egoísta e esclavagista, dissociando-se da problemática humana e ambiental que é própria da terra onde se acham implantadas e de onde lhes vem, afinal, a totalidade dos réditos
Tendo sido alertada a “ necessidade efectiva de produzir-se um volte-face, porque a riqueza só será inteiramente legítima se extravasar do seu lado meramente material e ao serviço de um grupo de indivíduos, na maioria ausentes ,para se projectar em benefício amplo da comunidade onde tem â. sua razão de existência.
SEMANA ILUSTRADA - “AS ROÇAS DE SÃO TOMÉ TÊM DE PRESTAR CONTAS! –Causaram alguma perturbação, sabêmo-lo, em certos espíritos dados ao comodismo rotineiro, alguns dos nossos escritos sobre problemas de S. Tomé e Príncipe.
Simplesmente não poderíamos abdicar de cumprir o nosso dever, tendo Semana Ilustrada as responsabilidades que tem: ao ser órgão de informação mais divulgado nas Ilhas Verdes.
E, pese a quem pese e doa a quem doer, os legítimos interesses de S. Tomé e Príncipe hão-de fatalmente estar primeiro que as conveniências seja. de quem for. Obriga-nos a isso o muito respeito que temos pelos bons santomenses, aqueles que formam a camada mais válida da população ,porque trabalham e realizam, empurrando aquela terra portuguesa para a frente." - Excerto
| Roça Uba Budo 2014 - |
Fiquei de tal maneira chocado e revoltado, que, nesse mesmo dia à noite abandonei a roça: fui a pé até S. João dos Angolares, onde dormi no mato, espicaçado por nuvens de mosquitos.
No dia seguinte, apanhei uma boleia para a cidade: e, como não tinha dinheiro, andei por lá a dormir no parque e a ter que me alimentar da fruta que ia colher no mato. Uns dias depois, fui à CM, que me arranjou um emprego de capataz dos jardins da cidade: Mas, como, quase todos os dias, passava por mim, um tal Aprígio Malveiro, secretário da Câmara, a chatear-me a cabeça, armado em roceiro, insinuando que eu também tinha pegar no machim e limpar as ervas, fui pedir emprego na Roça Rio do Ouro, onde fiquei até ir cumprir o serviço militar.

De seguida, algumas das linhas de um extenso e pormenorizado artigo que publiquei na revista angolana Semana Ilustrada, de que fui correspondente, desde 1970, a Março de 1975, mês em que fui forçado abandonar a Ilha de S. Tomé, em canoa, rumo à Nigéria, para me defender das agressivas perseguições de que estava sendo alvo por parte de alguns colonos por dar voz às manifestações pró-independência e a outras questões que a censura até então proibia, o que sucedeu com vários artigos meus. Mas este lá passou. Voltei ainda no mesmo ano, após a independência para tentar a travessia oceânica de canoa.,. Não realizaria esse sonho mas acabaria por conhecer uma dramática experiência de náufrago ao longo de 38 dias. https://canoasdomar.blogspot.com/2019/11/34-dia-perdido-no-golfo-da-guine-nao.html
A esta pergunta, acrescentou que apenas cuidava dos filhos, pois eram ainda menores, andavam todos na escola, e, fora isso, tratava ainda de um pouco de criação. De uns leitãozitos, uns tantos bicos de galinhas, e de uma cabra, que criava lá no seu quintal. Criação essa, que, em seu ver lhe dá bastante jeito para fazer face aos seus gastos domésticos.
Para isso, segundo nos disse, precisaria de adquirir: 4$00 de kiábos,1$00 de beringelas, 1/2 kg de couve, que estava a 15$00 o kg, 2$00 de makaké, $50 de piripiri,1/2 kg de tomate, na altura 18$00, meio litro de óleo de palma pelo que ia dar 3$00,e no mercado do peixe que teria de comprar pelo menos 1,5k,que lhe custaria cerca de 25$00. Depois destas compras que teria ainda de passar pela loja a fim de ir comprar o arroz, pelo menos também cerca de 1,5kg, do trinca, que lhe ficaria a 7$00 o kg. 






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