expr:class='"loading" + data:blog.mobileClass'>

domingo, 28 de março de 2021

Domingo de ramos - Vos seja tranquilo abençoado e feliz

 Jorge Trabulo Marques 

 

Que o Domingo de Ramos, a todos os corações ansiosos,

lhe devolva a tão desejada luz e tranquilidade, os conforte

Ó dor estrema! - Forçoso é que a divina piedade à Terra,

seja devolvida e a socorra do sombrio e iníquo estado vivido!

Para que as almas se apazigúem
do tumulto adverso inusitado!

Não para receber mais brilho do celestial sol ímpio e gracioso

mas para que - ó amável luz! Ó chama olímpica e viva do amor! -

uma suave e resplandecente brisa, vinda do alto ou do largo,

- Ó pura fé! Ó lágrimas amargas de um turvo suspiro! -

possa inundar o centro mais profundo de cada coração e alma,

a noite não seja tão escura ou de tão suspirada ansiedade

e, ao raiar da alvorada de um novo dia,

- ó saborosa Primavera! Ó ridente estação florida!

todas as dúvidas se desfaçam e de vez se aplaquem!

 

 

quarta-feira, 17 de março de 2021

Equinócio da Primavera 20-03-2021 - Olho de Hórus Egípcio, em Portugal - O mais antiquíssimo símbolo solar, venerado no Egito, pode ser contemplado ao vivo, dia 20-03-21, às 07h00, no Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira de Nª Srª, Chãs. V.N. de Foz Côa, um dos vários postos de observação astronómica, da pré-história, ali existentes


Jorge Trabulo Marques - Jornalista 

Video da celebração

O Equinócio da Primavera 2021, ocorre no dia 20 de Março às 09:37 horas - Instante em que o Sol, no seu movimento anual aparente, passa no equador celeste. A palavra de origem latina aequinoctium agrega o nominativo aequus (igual) com o substantivo noctium, genitivo plural de nox (noite). Assim significa “noite igual” (ao dia), Este instante marca o início da Primavera no Hemisfério Norte. Esta estação prolonga-se por 92,7465 dias até ao próximo Solstício que ocorre no dia 21 de Junho às 03:32 horas.

Se as condições atmosféricas o permitirem, os participantes "poderão ali viver momentos de raro esplendor, alegria e misticismo, tal como, em tempos idos, os antepassados, que ali se fixaram, os teriam vivido, quando ali celebravam e saudavam os seus ídolos

nto, com tal inclinação a poente, que parece desafiar as leis da gravidade e deste mundo.ª




Manuel Daniel, numa homenagem em 20/03/2014 e que esteve neste local, no Equinócio do Outono passado, já não está entre nós, faleceu no passado dia 21 de Janeiro, no Hospital da Guarda, vitima da Covid-19

É justamente esta a imagem que poderá ser contemplada, quando a graciosa gruta em semi-arco é iluminada pelos raios do nascer do sol, no primeiro dia da Primavera, segunda-feira, dia 20, para quem se encontrar  frente ao auspicioso frontal, em forma de leque, do antiquíssimo Santuário Rupestre, amuralhado à sua volta, ao qual a tradição oral da aldeia atribuiu o nome de Pedra da Cabeleira de Nª Srª, dada a existência de uma pintura rupestre, a lembrar os traços de uma cabeleira negra (entendida como símbolo solar, tal como pequeno circulo que tem gravado no frontispício) mas que a imaginação popular associou à passagem de Nª Srª a caminho do Egito, quando ali se refugiara, deixando as marcas dos seus cabelos gravados no topo central de um pequeno nicho, no interior do lado direito da surpreendente cripta, que atravessa o majestoso e imponente megálito de 5m de altura, por 4 m de comprimento, com tal inclinação a poente, que parece desafiar as leis da gravidade e deste mundo.ª


Como é já do conhecimento público, são vários os alinhamentos sagrados, que se encontram em várias partes do mundo, sendo mais famoso o de Stonheng, na Inglaterra – No alto do maciço dos Tambores, a curta distância de um antigo castro e no interior do perímetro do Parque do vale do Côa,  erguem-se alguns desses fabulosos monumentos, direcionados com os equinócios e solstícios, arredores  da aldeia de Chãs, junto aos quais se têm saudado a entrada de cada estação do ano, homenageando poetas e escritores, com a leitura dos seus versos ou trechos literários das suas obras –

Arqueoastronomia é o conhecimento astronómico dos povos antigos. - Tal como é reconhecido, são várias as civilizações da existência humana, desde que o homem é homem, e os astros, ao longo dos milénios, foram sempre as referências especiais para a organização dos povos, quer na posição dos núcleos de habitações, com o movimento aparente do sol e de outros astros, quer como forma de orientação para as recolha de frutos, caça, pesca, suas expressões artísticas, suas festas e rituais com os ciclos das estações - É justamente este o estudo que temos vindo a desenvolver, desde há vários anos, em templos-do-sol-Chãs-Foz-Côa, com contributos de vários investigadores, desde astronomia a outras áreas

"Enquanto, a astronomia, identifica e estuda os corpos celestes, a chamada arqueoastronomia reúne esses dois campos específicos do saber - Arqueologia e Astronomia - tendo por objetivo estudar o conhecimento astronómico dos povos antigos e suas possíveis implicações em tais sociedades".

Lá estaremos, no interior do recinto amuralhado e junto ao altar do majestoso templo solar, na manhã de Sábado, às 07h00, a deslumbrar-me-nos com os raios solares atravessando a pequena gruta, em forma de arcada ocular, que espelha o símbolo de Olho de Hórus, um dos amuletos mais importantes do antigo Egito Antigo, usados como representação de força, vigor, segurança e saúde. 



Na verdade, sítios há que são uma tentação, um verdadeiro centro de emanações e de eflúvios, propensos ao deleite, ao esquecimento e à sublimação. Muitas destes espaços graníticos, são um permanente convite, áurea unção e arroubamento aos sentidos.

Locais sagrados e de cura, cruzados por energias benfazejas terrestres, que os homens da era da pedra lascada edificaram, cultuaram e veneravam, com os seus ritos ancestrais, festejando os ciclos da Natureza, a que estavam intimamente ligados - 40º 59´ 39.94" N - 7º 10´ 35-46" W –

Conhecidos por alinhamento sagrados, sendo o mais famoso o de Stonehenge, estrutura formada por círculos concêntricos de pedras, uma das mais impressionantes construções megalíticas do mundo. Datada de 3100 anos a.C a 2075 anos a.C.



"Jesus é uma cópia de Hórus, Deus sol egípcio"- Eu procuro seguir--lhe os passos



    Sim, sítios há em que a natureza fala e é benéfica, edifica as suas cúpulas e consagra os seus templos ao Grande Espírito Universal; noutros, pelo contrário, é muda e hostil, avara e maléfica. Aquelas pedras, a que me refiro, são um prodígio de generosidade! Autêntico milagre do inanimado silencioso para o animado vibrátil e etéreo musical. Que, as aves, tão bem entendem e conhecem! Pois, quantas vezes, não são atraídas pelo misterioso fascínio e musicalidade dessas mesmas pedras! E para quê?... Apenas para repousarem, fazerem, ali, os seus ninhos, e se protegerem dos depredadores?  Ou, por exemplo, ali pousarem ainda, porque a intuição as chama por uma razão mais profunda e misteriosa?!... Eu inclino-me, também, para esta segunda hipótese: Ou seja, para que, em total afinidade e compreensão com a linguagem das pedras, e pousando, naturalmente, nas  faces  esculturais ou nos traços ainda disformes de algumas das rústicas e rugosas arestas, os ácidos dos seus excrementos, as possam ajudar a  polir as caprichosas formas, tão expressivas, sublimares e espirituais! - Tal como o fazem os ventos, as chuvas e o raio, de molde a perpetuar-lhes e aperfeiçoar-lhes, essas suas, tão  inacreditáveis fisionomias, que tantas vezes exteriorizam, ou as magnificentes catedrais, que denotam revelar, até  no interior das mais singelas grutas, e pontos do mais inacessível acesso.

TOM GRAVES VEIO DA AUSTRÁLIA PARA ESTUDAR AS PEDRAS DO SOL

O autor de Agulhas de Pedra - A Acupunctura da Terra , famoso livro de investigação, sobre a influência da terra na alma e vida do ser humano, deslocou-se, em 2007, ao Maciço do Tambores,, para ali confirmar a sua teoria de que «Em toda a parte existe uma interacção entre as pessoas e o lugar – e o lugar também tem as suas escolhas.» . Veio para uma curta visita mas acabou por permanecer três dias – de 6 a 8 de Outubro. Além da visita que fez aos Templos Pré-históricos dos Tambores, em Chãs, deu uma aula de radistesia arqueológica aos alunos do Curso de Museologia e Gestão do Património, na Escola Secundária Tenente Coronel Adão Carrapatoso, em Foz Côa, que foi atentamente seguida e muito apreciada


ALINHAMENTO SAGRADO COM O PÔR-DO-SOL NO SOLSTÍCIO DE VERÃO  - Esta extraordinária imagem, configurando uma gigantesca esfera terrestre ou a esplendorosa configuração de um enorme globo solar projetando os seus dourados raios, a poente, foi registada, pela primeira vez, cerca das 20.45 horas do dia 21 de Junho de 2003 e repete-se todos os anos, ao fim do dia mais longo do ano e à mesma hora, desde que  as condições atmosféricas o permitam.

A partir do ponto onde o sol então se pôs ( e voltará a pôr-se) começa o Verão e, de igual modo, a grande estrela-fiel inicia o movimento aparente da sua declinação para o Hemisfério Sul – E, até atingir esse ponto extremo, no Solstício do Inverno, distam vários quilómetros: ou seja, desde o ponto do horizonte, onde ele se vai pôr, em perfeito alinhamento com a crista do esférico bloco e o centro do pequeno círculo que se encontra cavado, a alguns metros a oriente, na mesma laje da sua base de apoio.


Porém, o enorme megálito que a mesma imagem documenta, deverá ser observado segundo a posição que parece ter sido ali erigido, retocado e direcionado. Feita a observação noutro ângulo, quer do lado sul ou do lado norte, deforma-se e assemelha-se a um estranho busto. Porventura, configurando, sabe-se lá, senão um outro simbolismo ou interpretação, ainda não decifrada.

 MAIS PORMENORES  EM

Sim, ó bustos vivos do mundo aparentemente mudo e apagado!


Estranhos morros, que, à primeira vista, mais lembram terra de ninguém, parda e erma paisagem de um qualquer pedaço lunar. Porém, estamos certos de que não haverá ninguém que, ao pisar o milenar musgo ressequido destas tisnadas fragas, ao inebriar-se com os seus bálsamos, as subtis fragrâncias que evoluem das giestas, das ervas e pedras, volvendo o olhar em torno dos vastos horizontes que se rasgam por largos espaços, fique indiferente ao telúrico pulsar, à cósmica configuração e representação divina, que ressalta em cada fraguedo ou ermo penhasco - 

Este é, pois, o fim de um extenso reino terrestre (conhecido pela meseta ibérica) que atravessa a fronteira de Espanha e vem perder-se aqui, numa autêntica fortaleza amuralha, apontada a Norte, configurando a proa de um autêntico navio fantasma, recheado na sua coberta e nalguns dos seus flancos, das mais caprichosas formas rochosas, mas absolutamente bloqueado pela acção poderosíssima dos sedimentos xistosos, metamórficos que, as convulsões mais fundas e primevas do interior da terra, trouxeram à superfície, com a nudez dos seus mais alcantilados montes e fundos vales, onde a acção modeladora dos milénios e o trabalho hercúleo do homem, tem feito verdadeiras obras primas! - Esse é o Douro vinhateiro, o Reino Maravilhoso, mitificado e idolatrado pelas raízes e vivência, observação e sensibilidade excepcional de Miguel Torga. E esta é, também, uma das fronteiras naturais, onde dois mundos geográficos e geológicos, confluem, cada qual cioso das suas riquezas , das suas peculiaridades e maravilhas

terça-feira, 9 de março de 2021

Dona Branca - A Verdadeira História da Banqueira do Povo – Entrevista ao Jornalista Pedro Prostes da Fonseca, que relata a ascensão e a queda, assim como as virtudes e os defeitos da mais famosa burlona lisboeta dos anos 80

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista

O autor da Obra e os netos da Dona Branca

 

 

 

 

 

 

 

O Livro foi lançado, há cinco anos, pelo jornalista e escritor, Pedro Prostes da Fonseca, que entrevistei na Feira do Livro de Lisboa, desse mesmo ano, sob o título “Dona Branca -  A Verdadeira História da Banqueira do Povo, em que, ao longo de 228 páginas, o autor do livro "A Porta da Liberdade", sobre a fuga de Álvaro Cunhal de Peniche, conta  como começou, na década de 40 do século passado, o negócio de emprestar dinheiro, a começar pelas peixeiras.

 

Foi o grande escândalo dos anos 80  -  Não era banqueira, mas emprestava dinheiro ao povo. Pagava juros a 8% ao mês (só subiria para os 10% muito mais tarde) a quem depositava e concedia empréstimos a 12% e 15%" – O dinheiro era amontoado, fora de cofres  - Não tinha um banco, mas deixou um rasto de lesados e desesperados, que, só mais tarde o BPN e o BES, viriam a protagonizar.

Apanhara certos hábitos de rica -- não prescindia de champanhe francês, muitas vezes logo de manhã --, mas ao mesmo tempo continuava-lhe colada a origem social: tinha passe da Carris e mandava consertar o calçado ao sapateiro", descreve o jornalista Pedro Prostes em "Dona Branca -- A Verdadeira História da Banqueira do Povo" (Dream Editora - O início do negócio está associado às varinas na zona do Intendente, em Lisboa, nesses anos da década de 40.

"Guardava o dinheiro da venda das varinas, recebendo no final dos dias uma pequena compensação. Com o tempo, acumulou o suficiente para emprestar, com juros, às varinas para irem à lota comprar peixe, copiando o negócio da Nazaré", descreve o autor.

De seu nome, Maria Branca dos Santos, conhecida por D. Branca, uma hábil usurária, estilo generosa avozinha, que, uns anos antes,  chegara a ser considera como a  “tia boa e tolerante”,  montou um esquema em pirâmide,  que acabaria por colapsar -   Foi o grande escândalo dos anos 80  -  Não era banqueira, mas emprestava dinheiro ao povo. Não tinha um banco, mas deixou um rasto de lesado, que, só mais tarde o BPN e o BES, viriam a protagonizar .

Dª Branca -  Uma banqueira às suas ordens” – Foi  no dia 5 de Março de 1983, e com este título, na sua edição n.º 140, que o semanário Tal & Qual apresentou aos portugueses Maria Branca dos Santos. Estavam feitas as apresentações, mas nem os jornalistas adivinhariam o turbilhão que se viveria na sociedade portuguesa nos 19 meses seguintes, até à detenção da Dona Branca, em Outubro de 1984.

Até, que,   o mesmo jornal, no ano seguinte, em 7 de Agosto de 1984,  rotulou o caso com a manchete:  “A Branca... rota” (07/09/1984).- Isto porque, o  “a conta 631 5356 do Banco Português do Atlântico, na Praça de Londres, deixou de ter cobertura. Os depósitos cessaram. Os clientes da Dona Branca queriam levantar as economias e a conta estava “careca”. Colaboradores próximos publicavam desmentidos na imprensa, recusando qualquer ligação à operação da benemérita.

Foi o pandemónio em Lisboa. Meio milhar de pessoas acorreu aos escritórios. Foi necessário destacar um contingente da PSP para a Avenida Rio de Janeiro porque, nas palavras de Rui Machete, ministro da Justiça, “não podemos permitir que a Dona Branca seja sovada”. Encenaram-se tentativas de recuperação em Setembro. Numa das ocasiões, um falso depositante aproximou-se do escritório e, à frente da fila de credores, garantiu que ali ia deixar 1.500 contos por ter confiança na banqueira. Era tarde. Nem os vinte investigadores da PJ que tinham caído na esparrela conseguiram recuperar os seus depósitos. A fonte secara.

No dia 4 de Outubro de 1984, a Dona Branca foi presa. Nunca se soube o volume total de depósitos perdidos. Morreu em Abril de 1992, numa casa de saúde, praticamente cega. http://ecosferaportuguesa.blogspot.com/2013/03/a-fotografia-de-luiz-carvalho-selou-o.html

 Outro dos  livro de Pedro  Prostes da Fonseca, que vale a  pena ler ou reler

 


«A Porta para a Liberdade», de Pedro Prostes da Fonseca, apresenta factos inéditos sobre a evasão do Forte de Peniche, protagonizada por Álvaro Cunhal e mais nove homens. A edição é da Matéria Prima.
Muito setem escrito sobre a já lendária fuga de Álvaro Cunhal  do Forte de Peniche – E também já aqui nos referimos sobre um dos soldados da GNR que conheceu o dirigente do PCP naquele presidium e que admitiu ter trocado com o seu colega, no dia em que estava prevista a fuga.


!.
O Forte de Peniche era tido como uma das prisões de mais alta segurança do Estado Novo. Mas há pormenores que ainda se desconhecem,


 "COLABOREI, SEM SABER, NA FUGA DE CUNHAL"

A fuga de Álvaro Cunhal do forte de Peniche, com outros presos,  ficou  a dever-se, em grande parte, ao soldado da GNR, José  Alves, que estava de sentinela àquela hora – Mas não era, José Alves, que nesse dia devia estar de serviço mas o soldado Profesto Augusto Fernandes, agora com 84 anos, natural de Chãs, freguesia do Concelho de Vila Nova de Foz Côa, que aceitou a troca. - E teve dissabores. Pois também foi chamado ao exaustivo e apertado inquérito dos Pides, que se seguiu,  mas confessa que não ficou chateado pela atitude do seu colega, que era um excelente profissional e  bom companheiro, mas que sentiu pena  e  deixou-o muito triste  ao  constar-se  das represálias que foram exercidas sobre a sua famíli


-
"Deu-lhes a liberdade! Pois que mal haviam feito aquelas pessoas?!.Ninguém ali estava por ter cometido qualquer roubo ou outro crime!.". - Por isso diz que não está arrependido de ter sido usado.  Tinha-me calhado ter ficado ali destacado. Não fui escolhido  por ser duro! Aconteceu!...  Preferia  ficar de sentinela, dias seguidos, no quartel da GNR, em Lisboa, donde nos mandavam para estas missões do que ir ali a fazer aquela vigilância!....Era um lugar frio, húmido e desagradávelOs presos sabiam que nós tínhamos uma arma e não nos viam como amigos. Os Pides olhavam-nos com desconfiança e eram arrogantes!.Eram ríspidos e desconfiados para connosco e com os carcereiros e, os  interrogatórios aos presos,  eram longos e desumanos. Tínhamos que os gramar quase todos os dias. Até nós tínhamos  medo deles!.. Nunca fui comunista mas se  visse hoje, aquele meu camarada, dava-lhe um abraço!... Não era qualquer um que se atrevia a correr os riscos que ele correu!.

COLABOREI, SEM SABER, NA FUGA DE CUNHAL" Mas confessa que não se sentiu traído mas pena dos problemas e represálias que sofreu a família do seu colega. -  Ele contou-me, há pouco tempo,  que colaborou, sem saber na fuga de Álvaro Cunhal . Pois, o seu colega, havia-lhe  pedido, na véspera,  para fazer a troca com ele, tendo aceite, alegando ter que tratar de uns assuntos  no dia seguinte.  


Alves, fica de serviço nesse dia, da programada fuga e o Profesto  passa a fazer o turno dele no dia imediato. Claro que, segundo me recordou, “aquilo causou ali uma grande bronca!” – Os Pides, que ali iam regularmente, não tardaram a aparecer, com os seus inevitáveis inquéritos –  “Eles eram desconfiados e duros, mesmo para com os soldados da GNR e carcereiros” – Recorda. “Quando ali entravam, com aquelas caras autoritárias, até parecia que o terror se espalhava por todo o Forte! Olhavam-nos com desprezo e autoritarismo” – Confessou-me este meu conterrâneo. Que diz se lembrar, muito bem, da figura de  Álvaro Cunhal. “bem apessoadosempre com ar sério, compenetrado  e a passaritar - para trás e para a frente” . Que passava muito tempo, a "andar de um lado para o outro", e, geralmente, com ar carrancudo, sempre com ar muito concentrado, não dialogando" com os carcereiros ou soldados da GNR" - Aliás, tanto os soldados da GNR como os carcereiros  também estavam proibidos de conversar com os presos. E, sobretudo, com "o perigoso comunista", como era então classificado-


Pelos vistos, nem tudo ainda foi revelado – Tal o secretismo envolvido na preparação e na fuga, que, pelo que se depreende, factos houve que  ficaram apenas na mente dos seus intervenientes – Todavia,  para um bom jornalista, que goste de investigar até ao discreto dos pormenores, não há mistérios  indecifráveis – É o que se conclui da leitura do excelente livro de Pedro Prostes da Fonseca -  Acerca do  que ocorreu, naquele já distante 3 de Janeiro de 1960, em que  dez homens, entre os quais, Álvaro Cunhal, se evadiram do Forte de Peniche.
Considerada, até hoje,  uma das mais importantes e espetaculares fugas  do Portugal salazarista, só foi possível graças a um homem, Jorge Alves. Soldado da GNR.