A perseguição e morte aos Judeus, em Portugal, que culminou com a sua expulsão, é ensombrada por vários episódios negros ao longo dos tempos. - Desde as crianças que foram arrancadas ao colo das mães e enviadas para S. Tomé, passando pela matança da Páscoa, em Lisboa, em 1506, no Largo da Igreja de S. Domingos, em Lisboa, quando uma multidão perseguiu e matou milhares de judeus (mais de 4 000, segundo o relato contemporâneo de Garcia de Resende[, acusados de serem a causa de uma seca, fome e peste que assolavam o país a outro não menor morticínio, em Vila Nova de Foz Côa, em 1808.
A MATANÇA DA PÁSCOA E A MATANÇA DE FOZ COA -- A mesma intolerância religiosa
– Em ambos os casos , na origem os mesmos boatos propalados por exacerbado
fanatismo - O que aconteceu com a
Matança dos Judeus em Lisboa de 1506, é quase a cópia tirada a papel
químico, do que, três séculos depois, viria a suceder com a Masaacre dos
Judeus em Vila Nova de Foz Côa - Apenas com a diferença de que, desta feita, o
ódio era também associado ao invasor francês.
"Cerca de 93 mil judeus refugiaram-se em Portugal nos anos que se seguiram à sua expulsão de Espanha em 1492 pelos réis católicos. D. Manuel I mostrou-se mais tolerante com a comunidade judaica, mas, sob a pressão de Espanha, também em Portugal, a partir de 1497, os judeus foram forçados a converter-se para não serem mais humilhados e mortos em praças públicas".
Capela de Santa Quitéria, no centro Histórico de Vila Nova de Foz Côa - ´Antiga Sinagoga

Felizmente que os tempos agora não são os de Lisboa do século XVI - Contudo, dir-se-ia que não eram assim tão diferentes do século IXX - Já que, o massacre dos judeus de Foz Côa, em 1808, foi quase pelas mesmas razões heréticas ou blasfémicas: fanatismo e intolerância -
Rafael Marçal, no seu livro "Os Marçais e Foz Côa, alega que, em 1808, o então pároco "José Maria Leite, convenceu a plebe a exterminar os jacobinos ou pedreiros-livres", sob o pretexto de que "tinham, como soldados de Junot, ofendido a religião - E depois eis o que sucedeu : Desenvolveu-se, então, durante dias, uma formidável perseguição, que encontrou campo asado nas doutrinas religiosas de que aquele infeliz e inculto povo estava eivado. Os populares, transformados em ferinos vândalos, arremeteram selvaticamente contra os indicados como culpados e, assim, arrombaram as portas das habitações, espancaram e trucidaram homens, mulheres e crianças, roubando e incendiando algumas casas"

É referido por alguns autores, citado no site do município fozcoense, que "Estão identificados mais de 130 processos inquisitoriais por judaísmo contra naturais ou moradores de Vila Nova de Foz Côa, tendo decorrido entre 1541 o primeiro e 1763 o último em que já não houve sentença. Quanto a Freixo de Numão os processos são ainda em número mais elevado 156 e decorreram entre 1569 e 1763 -Vila Nova de Foz Côa - Rede de Judiarias de Portugal Mas não foi só nesse período - A matança dos judeus, em 1808, foi outro dos episódios negros - Porventura, ainda mais devastador que o ódio desencadeado pelas Cruzadas e os julgamentos sumários nos pelourinhos, consumados pela Santa Inquisição, e é praticamente ignorado.
| Entrada prá gruta acesso difícil, dissimulada por uma figueira |

Monte do Fariseu - No sopé do qual, nas vertentes voltadas para
o Rio Côa e num dos seus afluentes, a Ribeira dos Piscos, os homens do paleolítico,
do tempo era lascada, nos legaram alguns dos mais belíssimos e originais painéis artísticos em placas de xisto
Para quem venha de V. Nova de Foz Côa, pela EN 102,, ao deixar o
cruzamento do Parque das Merendas, indo e viatura de todo terreno,
![]() |
pode encontrar um acesso fácil, se bem que, parte dele de terra batida, que o poderá levar ou a contornar o Monte do Fariseu, tanto do lado Norte, como do voltado a sul, ou mesmo a levar por uma rodeira, quase ao cume. Trajeto, muito apreciado sobretudo pelos amantes da Natureza, mas quem queira trepar pelas suas vertentes, é obra de grande esforço e equilibro - Então, imagine-se as dificuldades nos tempos em que apenas por lá podiam nadar os rebanhos das ovelhas e das cabras!
Sim, não é fácil subir as encostas do Monte Fariseu, é o que
pode dizer-se um autêntico e penoso calvário bíblico. Mas vale a pena, a
magnífica panorâmica compensa todos os esforços. A face voltada a
poente é a mais suave - e vai lá qualquer pessoa - as voltadas para os
Piscos e Côa, são a pique, caracterizadas por acastelamentos xistosos,
formando uma autêntica barreira acastelada
- Basta lá ir para ver o grau de dificuldade que é o de trepar as suas íngremes vertentes - De facto, naquela zona, não há melhor castelo natural que aquele: quem lá estiver em cima, até à pedrada se defende de uma arma. Ainda hoje existem por lá alguns vestígios de cabanas, bem como, no interior das cavernas, onde se extraía o poio, gravados desenhos fazendo lembrar a estrela de David.
Este monte, foi palco da heroica resistência dos "filhos de Israel", que viviam em Vila Nova de Foz Côa, no principio do século IXX onde se situam dois dos mais importantes núcleos das gravuras do Côa, o núcleo do Fariseu (Muxagata.) e o da Ribeira de Piscos
| Vestígios de lume |
| Um dos canais da gruta |
Veredas xistosas do Fariseu, um vertiginoso monte que se ergue na foz da Ribeira dos Piscos e ainda faz confronto com a margem esquerda do Rio Côa., onde se refugiram e formaram o seu reduto de residência os judeus que puderam escapar-se ao selvático massacre de 1808, que se saldou por centenas de mortes.
De referir que, a origem do nome Monte do Fariseu, não surge por mero
acaso: "Fariseu (do hebraico פרושים) é o nome dado a um
grupo de judeus devotos à Torá, surgidos no século
II a.C" ".
Assim, o nome prushim ou perushim é normalmente interpretado como "aqueles que se separaram" do resto da população comum para se consagrar ao estudo da Torá e das suas tradições. Todavia, sua separação não envolvia um ascetismo, já que julgavam ser importante o ensino à população das escrituras e das tradições dos pais "In Fariseus –
Fariseus era também a forma pejorativa como eram chamados os judeus em Foz Côa (mesmo já cristianizados); pois assim o traduz esta quadra (mais tarde) na guerra civil entre Liberais e absolutistas - "Os Marçais andam na guerra,/ Revoltaram-se os judeus,/ Deitaram-lhe fogo às casas,/ Renegados fariseus!"
Alguns dos
que sobreviveram, refugiaram-se no cume do Monte do Fariseu, onde subsistem
vestígios de cabanas de pedra e também nas grutas deste maciço xistoso, no
interior das quais ainda perduram sinais de fogueiras, bem como inscrições, parecidas com a Estrela de David, uma aparentemente datada de
1860
Nas várias peregrinações que fiz ao majestoso e mítico maciço xistoso e
às suas íngremes ladeiras, uma das quais lavrada pelo meu saudoso pai, que se
ergue sobranceiro à Ribeira dos Picos e ao Rio Côa, em cujas margens foram
encontradas painéis de belíssimas gravuras paleolíticas, sim, pude recolher
vários desses documentos fotográficos - Até porque, a designação de Monte
Fariseu, não foi dada por obra do acaso: A palavra Fariseus está relacionada com os
judeus que obedeciam estritamente às leis de Moisés e evitavam relações com
gentios, com os não-crentes ou com os judeus estranhos ao seu próprio grupo.
PESSOAS DO
MEU RAMO FAMILIAR, RESIDENTES EM V.N DE FOZ CÔA, PERSEGUIDAS E CONDENADAS PELA
SANTA INQUISIÇAO - E, os que sobreviveram, tal como outras famílias, que
ali residiam, foram os que lograram refugiar-se fora da área urbana da vila.

É recordado por estudiosos oque, o apelido Trabulo, provém "de uma família de origens judaicas. Parece que o primeiro foi um Francisco Fernandes "Trabulo", almocreve, filho de António Fernandes, de Vila Nova de Foz Côa. Este Francisco teve processo em 1729 na Inquisição. - IN GeneAll.net - RE: Família Trabulo - Trabulo: "Este antropónimo provém da antiga alcunha Trabulo, proveniente do substantivo masculino trabulo, «cana do milho depois de se ter tirado a espiga».In Ciberdúvidas
Minha raiz materna provém de origem judaica de V. N de Foz Côa, do lado Trabulo, tendo alguns dos meus antepassados, levado com o ferrete da "Santa Inquisição" - Do meu lado paterno, os Marques, têm origem na aldeia do Colmeal, onde nasceu o meu bisavô, tendo dali ido, para caseiro da Quinta de Santa Maria, atual Quinta Ervamoira, onde viria a nascer os meu avó e os seus filhos e alguns netos.
Aldeia do Colmeal,
conhecida como aldeia fantasma, outro dos exemplos da intolerância e prepotência - As imagens do vídeo, foram por mim registadas mas
já as não poderá contemplar, tal como aqui lhas amostro – "De
fundação remota - Até 1895 pertenceu ao concelho de Pinhel e
foi anexada ao concelho de Figueira de Castelo Rodrigo em 12 de Junho desse
ano. Foi seu donatário o
fidalgo de Belmonte, Pedro Álvares Cabral, - também conhecido por Pedro Álvares
Gouveia-, o grande descobridor do Brasil, que ali fez residência de família. Desabitada, desde que os seus habitantes, foram
escorraçados, no regime fascista, sob a ponta das baionetas por uma força
repressiva da GNR, em 1957
Um despejo levado a cabo em Junho de 1957 fez com que essa quinta/lugar ficasse totalmente abandonado e nunca mais alguém ali quis voltar a fixar-se. Passou a ser conhecida por «Aldeia Fantasma», e, posteriormente, a projeto turístico. que não respeitou, minimamente, a singularidade da sua memória,

GRAVURAS NA MESMA GRUTA QUE PODERÃO INDICIAR
TEREM SIDO DESENHADAS POR JUDEUS QUE SE REFUGIARAM NO FARISEU PARA ESCAPAREM AO
MASSACRE DE 1808O desenho desta última gravura, agora por mim descoberta, é mais difícil de analisar - Parece-me que não é fácil de saber se se trata também de um pentagrama ou de um hexagrama - Conto voltar ao assunto, numa das próximas postagens e com novas fotografias.
Seja como for, há que admitir que, a maioria das pessoas que se refugiaram no cume e grutas do Monte do Fariseu, em 1808, eram homens simples, iletrados, ainda com o anátema da origem judaica mas já cristãos-novos, forçados há muito assumir o cristianismo, tendo talvez apenas uma noção vaga do símbolo judaico. Desenhar a estrela com cinco ou com seis pontas, não é a mesma coisa e têm hoje simbologias muito especificas mas quase se confundem - Em qualquer dos casos, é uma estrela: uma é a de Salomão e a outra de David

"O MILAGRE DO SOL" - Uma questão de fé?- QUE LHE DIZEM ESTAS DUAS IMAGENS SEPARADAS 67 ANOS: Deixo a resposta à sua livre interpretação -
Uma das quais fotografadas e presenciadas pelo autor deste post:
A 13 de Outubro de 1917 ocorreu o fenómeno que ficou conhecido pelo Milagre do Sol, no qual mais de 50 mil pessoas dizem ter visto o sol dançar.
Gosto de encarar o sol a entrar, em cada equinócio, através do portal (pequena gruta semi-circular) no santuário pré-histórico da Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, no Monte dos Tambores, mas, ali, olhando e não vendo nada de especial, que apenas o sol faiscando, como noutro qualquer momento do dia, unicamente fui tentado a fotografar os rostos das pessoas
Pois bem - e sem com isto pretender confrontar questões tão delicadas e que entram no domínio da fé - não deixarei de dizer que foi por causa de alguém duvidar de um milagre desta natureza é que se deu a matança dos judeus no Largo da Igreja de S. Domingos, no dia 19 de Abril de 1506
«No mosteiro de São Domingos existe uma capela, chamada de Jesus, e nela há um Crucifixo, em que foi então visto um sinal, a que deram foros de milagre, embora os que se encontravam na igreja julgassem o contrário. Destes, um Cristão-novo (julgou ver, somente), uma candeia acesa ao lado da imagem de Jesus. Ouvindo isto, alguns homens de baixa condição arrastaram-no pelos cabelos, para fora da igreja, e mataram-no e queimaram logo o corpo no Rossio.Ao alvoroço acudiu muito povo a quem um frade dirigiu uma pregação incitando contra os Cristãos-novos, após o que saíram dois frades do mosteiro com um crucifixo nas mãos e gritando: “Heresia! Heresia!
A partir daí, os judeus da cidade que anteriormente já eram vistos com desconfiança tornaram-se o bode expiatório da seca, da fome e da peste: três dias de massacre se sucederam, incitados por frades dominicanos que prometiam absolvição dos pecados dos últimos 100 dias para quem matasse os "hereges", e que juntaram uma turba de mais de quinhentas pessoas incluindo muitos marinheiros da Holanda, da Zelândia e de outras terras com as suas promessas." - Excertos do Massacre de Lisboa de 1506
MÍSTICOS E ARTISTAS
Eles
eram os principais artesãos, os homens que conheciam os segredos da indústria
da cordoaria, resultantes das plantações do cânhamo, com que se aparelhavam as
naus nos estaleiros da Ribeira
das Naus, em Lisboa. Eram também eles que os melhores mestres do artesanato, dominavam
a indústria dos curtumes e do sumagre, da olaria, em Santa
Comba, freguesia de Foz Côa, além de serem os principais canteiros - A geração
da família Trabulo, até aos país do meu avô materno, nascido em Foz Côa no último quartel do século IXX (mas
descente da Diáspora judaica), ocupava-se, exclusivamente, na
cantaria: lousa e granito - Todas essas qualidades, de labor espírito artístico e empreendedor, caracterizavam a diáspora Judaica e a sua participação na sociedade não era difícil de reconhecer, no entanto, como professavam outra religião, eram simultaneamente olhados com ódio e suspeição.
(…”Os judeus podiam ser encontrados em todas as áreas profissionais: eram fazendeiros, alfaiates, costureiras, operários de fábricas, contadores, médicos, professores e proprietários de pequenos negócios entre outras atividades. Algumas famílias eram ricas, mas a grande maioria era pobre. A maior parte das crianças interrompia seus estudos cedo para trabalhar e ajudar a família a sobreviver, enquanto poucos outros conseguiam continuar sua educação até o nível universitário. Com todas as diferenças sociais e econômicas entre si, ainda assim todos os judeus tinham algo em comum: por volta de 1930, com a chegada dos nazistas ao poder na Alemanha, todos eles se tornaram vítimas em potencial e tiveram sua vida mudada para sempre”. A vida judaica na Europa antes do Holocausto
Referem os estudiosos que “Pertence ao século III da nossa era, o mais antigo documento escrito relativamente aos judeus na Península Ibérica, e é do século VI, o mais antigo vestígio que nos fala deles, no nosso território. Trata-se de uma lápide funerária, encontrada em Espiche, perto de Lagos” (..) “Toda a mancha fronteiriça do nosso território foi zona eleita pelos judeus para a sua fixação, intensificando-se ainda mais quando os ventos persecutórios da Inquisição Castelhana os empurraram para Portugal, nos finais do século XV. É certamente, a partir desta época que a diáspora judaica, no nordeste transmontano, se reforça, já que a notícia da sua presença nestas paragens se perde no tempo. FARRAPOS DE MEMÓRIA:
.

Dizem os especialistas em religiões, que “Os fariseus eram referência moral, ética e religiosa para o povo de Israel à época de Jesus. Aos olhos do povo os fariseus eram tidos por justos – Porém, Cristo tinha outro entendimento: "Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade" ( Mt 23:28 )
.”Esse comportamento deu origem à ofensa "fariseu", comummente dado
às pessoas dentro e fora do Cristianismo, que são julgados
como religiosos aparentes" – O próprio Cristo, também ele Judeu, que teve,
em Paulo, um dos seus discípulos, não hesitou em clamar“ Diante de uma multidão sequiosa de milagres e pão,
Jesus alertou: Fátima - 13 de Outubro de 1917



Nos
anos 80 (mais precisamente no dia 13 de Junho de 1984) ao assistir à procissão de
Santo António, em Lisboa, junto à igreja da Sé, eis o episódio que se me
depara, justamente quando terminavam as
referidas cerimónias religiosas: as centenas de pessoas que deixavam a igreja, olhando fixamente o céu, começam a gritar: “É milagre! É milagre de Santo António! O sol está a dançar!
Enfim, o que é que eu hei-de dizer?!... É das tais coisas que não me compete a mim, aqui responder. Mas simplesmente deixar as imagens para cada um as interpretar, conforme entender.
Mas, pelos vistos, milagres do sol a dançar não faltam - Pois se até O Papa Pio XII (1939-1958) escreveu que em 1950, enquanto passeava pelos jardins do Vaticano, e um dia antes de proclamar o dogma mariano da Assunção, assistiu ao "milagre do sol que dança", o mesmo fenómeno que a Igreja Católica diz ter acontecido após as aparições de Nossa Senhora de Fátima" - Todavia, a controversa promete: O MILAGRE DO SOL - OS RELATOS CONTRADITÓRIOS
O auge da perseguição liberal ocorreu com a chamada "Guerra Civil Portuguesa, também conhecida como Guerras Liberais, Guerra Miguelista ou Guerra dos Dois Irmãos foi a guerra civil travada em Portugal entre liberais constitucionalistas e absolutistas sobre a sucessão real, que durou de 1828 a 1834". Guerra Civil Portuguesa Os irmãos Marcais, tomaram a posição dos Constitucionalistas.
Diz-se no blogue http://questomjudaica.blogspot.pt/ que "Terá sido este facto que em 1808 esteve na origem do ataque de cristãos-velhos a cristãos-novos em Vila Nova de Foz Côa quando das invasões francesas e que aconteceram sob a acusação de estes se terem aliado aos invasores. Registaram-se mais de cem mortos. QUESTOM JUDAICA: VILA NOVA DE FOZ CÔA .Mas não foi apenas esse o facto e a sua extensão foi bem mais grave – Ainda a avaliar pelo que ouvi de minha mãe, relatando o que lhe contara o seu avô ( episódios que, por sua vez, já vinham sendo contados do bisavô deste), não foi mais de uma centena mas várias centenas
"Quem fez a «heróica», a «gloriosa», a «inesquecível» revolução que libertou Portugal da «garra do tirano» francês? A resposta é simples: o povo. – Diz Vasco Polido Valente, em “O Povo em armas: a revolta nacional de 1808-1809 – E, pelos vistos, o Povo em armas, em muitos aspetos, não ficou atrás do ocupante francêsPara leste, em Vila Nova de Foz Côa um largo «ajuntamento de povo miúdo com espingardas, foices, piques, picaretas, e machados» atacou as casas dos poderosos. Segundo o gráfico relato de um observador contemporâneo, «uns arrombaram as portas, outros fizeram buracos nas paredes, ou abateram os telhados, entraram todos, quebraram bancas, cadeiras, e tudo o que guarnecia as casas, e estas em pouco tempo ficaram destruídas, e até arrancados os seus pavimentos»; «os móveis preciosos e os objectos de valor, que podiam conduzir-se» foram levados»


“Para esta localidade vieram estabelecer-se grande número de judeus, que renegaram aparentemente a sua religião e passaram a viver em bairros próprios, à parte dos naturais da terra, conforme a autoridade lhes designou, fixando-se no castelo e só após o decreto pombalino a distinção entre cristãos velhos e cristãos novos é que se disseminaram pela vila que, como se disse, pela sua extensão , a dos Campos, mais conhecidos pelos Gemelgos, corrução de gémeos por se parecerem e até confundirem uns com os outros, e que sempre se salientaram pela forma como exageradamente se devotaram ao culto católico, com a preocupação de afastarem de si a desconfiança de judaizantes. Eram activos, dum trabalho exagerado , preocupados até à avareza. Tendo iniciado a vida como bufarinheiros, vendedores ambulantes de azeite e vinagre a retalho e outras miudezas que adquiriam, levando o seu negócio às portas, a mercados, a feiras, foram crescendo espantosamente em bens, passando a exercer a usura em larga escala. Passados anos, eram donos de aparatosas vivendas e vastas quintas, que conseguiam a baixos preços dos proprietários apoquentados por dinheiro ou dos seus devedores remissos, transmitindo-as aos irmãos, porque muitos deles não tinham descendência, a ponto de se acumularem nos últimos que passaram a ser detentores de consideráveis fortunas.

Em 1808 o fanático e odiento abade José Maria Leite, que de si deixou execranda memória, convenceu a plebe a exterminar os jacobinos ou pedreiros-livres, que, dizia, tinham, como soldados de Junot, ofendido a religião, e designava para tal efeito as pessoas da sua nociva antipatia que eram inúmeras, bastando para isso que lhe não dessem proventos de pé de altar ou que lhe censurassem o viver desregrado, de verdadeiro devasso, que se sabia ser.
Desenvolveu-se, então, durante dias, uma formidável perseguição, que encontrou campo asado nas doutrinas religiosas de que aquele infeliz e inculto povo estava eivado. Os populares, transformados em ferinos vândalos, arremeteram selvaticamente contra os indicados como culpados e, assim, arrombaram as portas das habitações, espancaram e trucidaram homens, mulheres e crianças, roubando e incendiando algumas casas, obrigando os que tiveram a sorte de escapar à chacina a refugiarem-se em terras distantes, sendo digno de registo o facto dos israelitas—católicos Campos, mais tarde Setembristas e patuleias não terem sido sequer apontados à ira popular. Foi tal o horror por essa trágica ceifa de vidas que apesar de terra se encontrar afastada ada capital, na parte extrema do país, o governo de então interveio com energia, mandando de propósito inquiridores a procederem a rigorosas devassas, pelo que bastantes dos criminosos que conseguiram apanhar foram condenados a degredo perpétuo para África
Agora já ninguém ousa chamar de judeus aos
foscoenses; de “Foz Côa a terra dos Judeus” - Era um velho costume, uma espécie
de ferrete pejorativo que associava Vila
Nova à forte presença judaica, mais dedicada aos ofícios e ao pequeno comercio,
de que propriamente à agricultura – Aliás, na minha aldeia também eram estas
famílias (admite-se que origem judaica) que mais se dedicavam à venda dos figos, do queijo e do azeite e dos
borregos, do gado muar, ovino e bovino.
Por exemplo, era frequente ouvir da voz das sardinheiras e oveiras, da minha
aldeia, esta curiosa expressão, quando alguém lhes perguntava, ao chegarem à
aldeia com a cesta dos ovos numa das mãos e com a outra segurando o caixote da
sardinha pela cabeça e o lenço negro todo sarapintado da salmoura que escorria:
“Então donde vens (…) ?!” – Respondiam,
quase sempre da mesma maneira: “Venho derreada!... Fui à Vila dos Judeus!...
Venho da terra dos lambões!... Há lá mais vendedores que compradores!... Não
vendi quase nada: nem um ovo nem uma sardinha! … É barata!...Estão fresquinhas!”
(salgadas de vários dias para se conservarem) “Não vai meia-dúzia?!...” E era,
sobretudo, na aldeia que faziam o seu negócio, batendo de porta em porta, até
porque existia o velho hábito de se comer a sardinha crua. E, em muitos lares,
ainda por cima, tinha de ser dividida ao meio para dar para toda a família.
É dito por estudiosos que "D. Joaquim da Encarnação de Azevedo, abade de Cedovim (19712/1774 a 8/9/1786 e mais tarde cónego regrante de Santa Cruz de Coimbra, taxa
injustamente de preguiçosos os fozcoenses pelo facto de se entregarem menos à
agricultura do que ao comércio, ramo em que se mostram destros. Para o autor
só o amanho da terra merece o título de trabalho. Reconhece porém que a fábrica
de atanados e cordovões contribuiu para o enriquecimento de muitas
famílias" - Obviamente, não é difícil imaginar a que extrato social a que o antigo abade da freguesia de Cedovim (nativo de Santa Maria Maior de Barcelos e sepultado na capela dos Santos Mártires de Paredes da Beira) se queria referir com o escárnio de "preguiçosos" Em "Notas de Vila Nova de Foz Côa", extraídas da mesma obra "História da cidade e Bispado de Lamego" e citadas pelo Cónego Marrano, no seu livro "História do Culto de Nª Srª da Veiga em V. N. de Foz Côa, é feita esta descrição, mais pormenorizada, dizendo que : "O território (de Vila Nova) é por extremo fértil e seria riquíssimo se a indústria do cultivador florescesse , mas os naturais, preguiçosos, não cuidam da agricultura; ainda assim, o pão é muito, azeite, cevada, amêndoa, seda, lã, toda a casta de grãos, excelentes melões, muitas plantas e ervas medicinais. O que falta na cultura da terra, excede no comércio, em que são destros e aplicados os moradores de Vila Nova de Foz Côa, quase todos fora da pátria, e algum avultado. Se cuidassem em plantar vinhas, poderia haver mais deste género; e aumentando oliveiras, o azeite que é muito e bom, concorreria a terra mais farta, rica e agradável"
Tal facto não significa, no entanto, que todos os que passaram a ser considerados de Cristãos-Novos se convertessem ao catolicismo: terá sido apenas uma das formas de escapar à intolerância e à incompreensão, cujo ódio (mesmo após extinta a Inquisição) viria a ter a sua expressão algoz por ocasião das Invasões francesas.
Nalgumas casas ainda existe o voto de Cristãos-Novos,
encimado sobre a porta principal desde o "Louvado Seja o
Santíssimo Sacramento" a outras expressões de cariz católico – “Desses tempos chegou até nós uma casa apalaçada, com brasão,
conhecido por Solar dos Assecas. Pertenceu ao primeiro Barão de Foz Côa,
Francisco António Campos e foi posteriormente adquirida pela família Gaspar” –
É referido. em Vila Nova de Foz Coa – WikipédiaO que se não diz é que a família Campos, foi um exemplo de sucesso (e também de usura) dos cristãos-novos oportunistas, que, não querendo ser lesados nos seus negócios e nas grandes quintas, não se importaram de vender a alma ao diabo, procurando demonstrar, publicamente, serem mais papistas de que o próprio Papa de Roma – Quem os não poupa é justamente Rafael Marçal, em “Os Marçais de Foz Côa” – Enquanto a família Marçal (de origem alentejana, que não eram judeus mas por terem ideias liberais) tiveram que se escapar para fugir às perseguições: por duas vezes – Da “Matança do Tabulado”, em 1908, e, mais tarde, nas lutas liberais. O mesmo não sucedeu aos Campos, como veremos mais à frente

Estiveram aquarteladas em Almendra, servindo-se do Solar do Visconde de Almendra - Na debandada, pegaram-lhe o fogo, deixando uma das suas partes completamente consumida e destruída pelas chamas.
Este facto foi-me relatado por um dos atuais herdeiros deste solar na altura de uma exposição da história do solar e de uma visita de D. Duarte Pio Duque de Bragança, amigo da família - De facto, não há ninguém que, ao passar junto a este solar - e é ponto de passagem obrigatório quem demande Foz Côa ou viage para Figueira de Castelo Rodrigo e Almeida que não repare neste gracioso edifício, construído em granito no século XVIII, sendo considerado um dos melhores exemplos da arquitetura civil barroca.

Trata-se, com efeito, de um dos mais belos solares do concelho de Vila Nova de Foz Côa, que, "tem sido testemunho das vivências de muitas gerações de nobres ilustres, foi última habitante do solar Márcia Augusta de Castilho Falcão Mendonça de Morais Sarmento, filha mais nova do 3º Visconde do Banho. Atualmente, o palácio de Almendra pertence aos herdeiros de Márcia Augusta.In Solar do Visconde de Almendra–
´Presume-se que os invasores franceses,
não terão deixado de cometer - enquanto permaneceram em Almendra - entre outras barbaridades, também abusos sexuais sobre
as mulheres, cujos maridos assassinavam, tanto mais que é das freguesias do
concelho, onde há muitas pessoas de olhos verdes e aspecto nórdico, sendo,
porém, a sua principal origem árabe. Aliás, é das únicas terras que tem quase o
mesmo sotaque que os alentejanos. Contudo, o que passou para os dias de hoje é
praticamente fruto de transmissão oral –
Diz o antigo pároco que “Foi
no dia 28 de Agosto de 1810, que os franceses fizeram a terceira invasão a
Portugal, comandados pelo General Massena. Acompanhavam-nos os melhores
generais de Napoleão, Resnier, Ney e Junot.
Num esconderijo de uma casa pertencente à velha
Cereja, ao lado nascente, detrás de uma cozinha, foram arrecadar as Imagens de
Nossa Senhora da Soledade e das Dores. Os paramentos da igreja foram
depositados debaixo do altar , onde estavam as mesmas imagens, do lado norte.
Muitos estragaram-se com a chuva e a humidade. Uma rapariga que andava a
guardar uma vaca na Lameira e não teve conhecimento da fuga, quando veio à
tarde ficou espantada por não encontrar ninguém, além do velho Domingos que lhe
referiu o acontecido e lhe disse que fugira tudo em direcção às Cortes da Chã.«No ano de 1493, em Torres Vedras, deu el-rei a Álvaro de Caminha, cavaleiro de sua casa, a capitania de ilha de S. Tomé, de juro e de herdade, com cem mil réis de renda cada ano, pagos na casa da Mina. E porque os judeus castelhanos, que de seus reinos se não saíram nos termos limitados os mandou tomar por cativos, segundo a condição da entrada, e lhes tomou os filhos e filhas pequenos, que assim eram cativos, e os mandou tornar todos cristãos, e com dito Álvaro de Caminha os mandou todos à dita Ilha de S. Tomé, para que sendo apartados dos pais e suas doutrinas, e de quem lhes pudesse falar na lei de Moisés, fossem bons cristãos, e também para que crescendo e casando se pudesse com eles povoar a dita ilha, que por esta causa em diante foi em crescimento. Crónica del rei D. João II, de Garcia de Resende, cap. CLXXIX. Fonte: História dos Judeus Portugueses, de Carsten Wilke, Lisboa: Edições Dom Quixote 2009, pp. 60/61.aotome : Message: Cristovão Colombo e as crianças judias..



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