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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

HALLOWEEN - MAIS FOLIA QUE MEMÓRIA - AOS MILHARES DE VITIMAS QUE SOFRERAM PERSEGUIÇÃO, A TORTURA E A MORTE PELA TENEBROSA SANTA ?! INQUISIÇÃO

 


DIAS DE ESCRAVATURA DO REGIME FASCISTA APADRINHADOS  PELO CATOLICISMO MAIS SERVENTUÁRIO  - O ambiente nas ruas enlameadas era verdadeiramente medieval!... Não havia electricidade nem água canalizada... A água era tirada dos poços e transportada em águadeiras ou à cabeça. Jantava-se ou fazia-se serão à luz da candeia de azeite ou de petróleo. O pão era amassado em casa e cozido nos fornos comunitários. A minha mãe, coitada, além de trabalhar no campo ajudar o meu pai na nossa lavoura, de ter que ir à ribeira lavar a roupa, ir buscar a água à fonte de cântaro à cabeça, ainda tinha que cozer as batatas e o caldo e ir amassar o pão... Matava-se a trabalhar: morreu nova... 

E o meu pai, na casa do sessenta. Também nunca lhe faltaram trabalhos... De uma família de seis, só somos dois; eu agora sou o filho mais velho. No Inverno a garotada andava de tamancos e no Verão descalços. Até aos sete anos, calça ou calção rachado atrás para facilmente se aliviar num canto menos movimentado ou por detrás de um paredeiro. A missa ao domingo era longa e muito chata... Aliás, pouco ou nada mudou... Eu ia... era mais uma. Mas esta, por enquanto, ainda a tomava mais a sério que a das irmãs feiticeiras. A do Solar dos Ventos Uivantes - dizem que é assombrada - e eu ia lá mais em jeito de aventura e para me divertir. Foi um começo, quase a brincar...
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Claro, quem é que não é marcado pela infância e adolescência?!... Quando ali vou, ao Vale Cheínho ou Vale Cheiroso, e como a paisagem não mudou e o chilrear dos pássaros na Primavera ainda é o mesmo, entre outros bichos e aves, que ali param todo o ano, por vezes, até me parece que ainda me soam aos ouvidos os coros e a voz de comando da nossa irmã mais velha... "Meninas" e meninos! Vamos lá à dança e à contradança!!... Três voltas para a frente e três voltas para trás!... Viva! Viva Barrabás!... ... Tempos que não voltam e não se repetem!... Que saudades dessa liberdade e dessa misteriosa aventura nocturna.!...



Voltar lá, é como se ainda fosse garoto e estivesse a reviver os anos da inocência: a ida à meia-noite e a hora do regresso a casa...Quando nos aproximávamos da Rua Roda D'Àlém, toca a dispersar!... cada um ia ao seu destino... Sempre, muito antes da alvorada e do nascer do sol. Para ninguém correr o risco de ser visto... E sem os pais saberem, pois então!... Nessa noite a porta ficava só encostada;havia o cuidado de não a deixar fechar à chave..



... .............................. TAMBÉM EU FIZ A MINHA ESCOLHA

Sou daqueles que, cedo desiludidos dos templos e dos sacrários construídos por mãos profanas,  decidiriam voltar-se para a Mãe-Natureza, ao coração da Terra, à luz que emana da abóbada celeste no coração do dia ou no coração das trevas, contemplar a Lua, as estrelas, os mares que são o azul reflectido dos céus e a origem de todas as espécies , admirar os astros longínquos que irradiam claridade e nos iluminam, são a razão e o sentido da vida, e, por conseguinte, sou dos que aprenderam, desde criança, a ver na beleza dessas imagens a verdadeira presença divina, tornando-se nos seus legítimos apóstolos ou na genuína representação desses deuses, em si próprios.



.Recebi educação católica, foram esses os meus primeiros passos. E até andei dois meses no seminário, em Mogofores, até que fui expulso, devido a uma bebedeira de medronhos e quando, em confissão, revelei os rituais que praticara em criança. 
Admiro Cristo como Homem mas não o imagino um Deus Absoluto. Ou um Seu Enviado à Terra. Filhos de Universo e de um Deus Maior somos todos nós. São os oceanos, os continentes, todos os seus vivos e corpos aparentemente inertes. É, no fim de contas, aquilo a que, no meu modesto ponto de vista, resumo como sendo a Inteligência Universal.

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Gosto da sua imagem, natural e humana, vestido com as suas lindas túnicas e até de imitá-lo em alguns dos seus gestos quando envergo roupagens mais ou menos semelhantes; porém, desagrada-me e deprime-me vê-lo crucificado e coroado de espinhos, como um penoso castigo para toda a vida. Porém, desde que, ainda rapaz, me iniciei no culto aos deuses mais antigos da humanidade e das suas simbologias - o Sol, a Lua, os Astros, o Mar e as Pedras - sim, no fundo, nos símbolos que mais identificam o homem - o seu lado humano mas também animal(cabeça de bode ou de touro e corpo com a forma vertebral erecta), sinto que sou, por vocação natural e intrínseca, tendencialmente pagão.Outras vezes, no entanto, nem sei bem o que sou: vacilo até à descrença e ao agnosticismo. Gosto de música sagra e de coros religiosos, seja qual for a religião. Respeito, porém, todo os credos e cultos - e tenho, em todos, bons amigos - o que não significa que cerceei a minha liberdade de expressão.


.EM ÁFRICA, CONVIVI E FUI AMIGO DE EXCELENTES CURANDEIROS NEGROS E DE SUAS MULHERES - TROCÁMOS CONHECIMENTOS E EXPERIÊNCIAS,


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Não pude estar no Vale Cheiroso, com muita pena minha. Vivo em Lisboa e as condições meteorológicas não eram propícias. Mas também vim de lá há poucos dias: estive lá pela última Lua Cheia - Vesti a minha túnica negra. Andei lá pelo terreiro: fiz o meu ritual habitual, ouvindo, até, bem de perto, o piar de um mocho, o restolhar de javalis e, por fim, subi pelo caminho velho que vai dar ao Cabeço Douro. Mas que beleza!.. Ainda não veio o Janeiro mas as raposas, parece que já começam a andar com o cio, ouviam-se latidos que ecoavam até ao Vale da Ribeira.


.Que noite mais luminosa e magnífica!... Nem me dava conta do arrefecimento e da geada que caía. Estava eu a chegar à aldeia quando ouço, por ali, naquele santo silêncio e suave amanhecer, um cão a ladrar e um galo no poleiro. Nem de propósito...Senti-me, uma vez mais, transposto àqueles tão risonhos tempos da minha adolescência... Claro, não deixei de me lembrar dos meus companheiros - hoje homens, outros que já morreram - e das chamadas filhas do Anjo da Luz,  tão venerado pelas nossas queridas irmãs, já falecidas. 

Algumas delas até já podiam ser nossas avós!..Oh, como eram tão alegres e folionas e como nós nos ríamos às gargalhadas das suas galhofas e traquinices, nos divertíamos tanto!...Sobretudo, quando nos beijavam o rabo (claro, de calças vestidas) e, uma das irmãs, a mais velha, depois de dançarmos e de darmos umas quantas voltas à volta do galo, de patas atadas e pousado junto ao defumador das aromáticas essências (alecrim rosmaninho, entre outras ervas ) ali bem no centro do terreiro, sim, se enchia de genica (como a mestra, a grande chefona, a madre-superiora) e se aprestava para torcer e degolar de um só golpe a pobre ave, cujo sangue era vertido imediatamente para uma tigela e dado a beber a todos os participantes. 

A princípio, não lhe achei piada, mas depois, como se ouviam sempre algumas chalaças, até me pareceu natural e lhe encontrei alguma graça... Mais tarde vim a saber por um dos meus companheiros, que, quando alguma delas andava com a pingadeira, colocava a malga debaixo da mocha para lá verter algumas gotas da escorrência do cio .Pior era a matança do porco na aldeia...Era infernal quando o tiravam do cortelho e o amarravam de patas e focinho sobre o cepo ou em cima do comprido banco de madeira. Depois vinha a faca!... Até as galinhas, que andavam à vontade, se espantavam!...
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Ninguém dizia nada a ninguém... O culto era secretíssimo. Nem as moscas podiam saber.... Cada irmã levava o seu rapaz, o seu menino: eram as nossas madrinhas. A do baptismo era para esquecer... Diziam-nos que era uma barbaridade deitar água gelada da pia baptismal na cabeça dos bebés... Eram contrárias a essas práticas cristãs.... E também não se casavam nem iam à missa... O seu noivo era o Senhor Deus Luz Belo: o Anjo da Luz! Deus Cornudo.. E a melhor missa era ao ar livre, repetiam-nos... A nossa!... Era tudo muito em segredo... Quando bebíamos o sangue de galo era precisamente também para nos lembrarmos de que a morte do galo significava calar o pio e que a vida de cada um era a vida de todos... Tinha que haver muitas cautelas!... Não se faziam confissões a quem quer que fosse.... E muito menos aos padres... Pela quadra da Páscoa.

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Uma vez o meu pai (que madrugou mais cedo para ir vender uns machos e umas vacas a uma feira) , apanhou-me à entrada de casa... Foi numa noite gélida de Inverno. Era quando mais saímos, visto as noites serem mais longas... Perguntou-me donde é que eu vinha àquelas horas... Eu disse que tinha andado a jogar o tiroliro com os outros rapazes no adro... Ele achou que era muito tarde e deu-me uma valente sova com a cilha da albarda.. Sim, foram tempos difíceis mas trazem-me saudades quando ali vou... A recordar o nosso ritual no vetusto solar... Por isso, vale a pena lá voltar e dar uns toques de búzio e de jambé, agitar umas sinetas, uns guizos ou uns chocalhos....Não há passeio mais agradável e espiritual que descer e subir aquela calçada romana pela calada da noite e respirar os alvores e os perfumes de uma fresca e orvalhada madrugada.Aliás, é um forte apelo a que não resisto, sinto essa intrínseca necessidade. Está-me no sangue...

Que me perdoem os meus amigos católicos... Se os melindro com esse meu duplo carácter... Sobretudo se algum dos que me conhece me vier a reconhecer neste blogue. Mas é um fado que me ficou de criança e de que me sinto incapaz de abandonar...Até já o fiz no mar... Preciso desse isolamento e desse recolhimento, tal como o pão para a boca ...

É uma espécie de alimento purificador do meu corpo e da minha alma... Faço essas peregrinações desde há vários anos. E então, agora, à medida que os anos passam... Mais tentadora é a atracção por aqueles tão belos rituais da minha adolescência.... Em recuar aos joviais tempos do pé descalço pelos carreiros e caminhos das fragas... nos penhascos e quebradas do maciço planáltico, onde termina o granito e começa o xisto, noutra área diferente dos arredores da minha aldeia. E onde faço um misto de investigação, devaneio e peregrinação espiritual mas também artística: registos nas pedras (esculpo) e fotografo (fotografo-me) na sítios onde me sinto melhor e mais identificado com o meu passado e as minhas ancestrais raízes.

Halloween é um termo importado dos países anglo-saxônicos, É uma festa pagã que pretende relembrar e festejar antigos cultos pagãos. Só que, lá tal como cá, é praticamente mero folclore, uma espécie de diversão carnavalesca. E poucos se lembrarão de que, embora seja uma festa associada a momentos de prazer e de misticismo, traz atrás de si memórias de tenebrosos tempos, em que milhares de vidas foram torturadas, enforcadas ou queimadas, por não seguirem os ditames do ocultismo católico, acusadas de práticas hereges.

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No antigo solar do Vale Cheínho ou Vale Cheiroso, também ainda por lá perpassa o espírito de algumas dessas vítimas. Pois a igreja nunca compreendeu, nem perdoou que, uma tal quinta, centenária, onde não faltava nada - desde o forno, ao lagar de vinho e de azeite, cabanal para gado, fonte e caminho romano -, não existisse uma capela. E a razão era simples: é porque, ali, quem vivia naquele tão frondoso e fértil vale ou canada, não queria saber do Cristo crucificado; festejava o espírito da Terra, a Mãe-Natureza e as suas divindades. Tal tradição - mesmo depois da quinta cair no esquecimento e em ruínas - persistiu até aos anos 60. Passou a ser um local de culto e de peregrinação por membros das várias irmandades existentes nas freguesias vizinhas.



O pequeno planeta terra, minúsculo na imensidade dos astros, perdidos nos espaços infinitos, prossegue o seu trajecto para o abismo. Os seus habitantes, os humanos, orgulhosos das suas descobertas, comportam-se como pequenos deuses e quebram as asas. Monstros aéreos violam o silêncio das noites e vão espalhar bombas incendiárias, torpedos mortíferos, sobre as cidades. As populações, despertadas pelo sinistro bramido dos alarmes, precipitam-se, alarmadas, para os abrigos, que são frequentemente covas provisórias, e os abutres metálicos de asas gigantescas tudo arrasam, deixando apenas ruínas e cadáveres. Monstros marítimos, violam o misterioso segredo dos oceanos, e esses tubarões metálicos, vampiros submarinos, engolem e devoram o fruto do trabalho dos homens, o pão dos homens. Tudo isso se cifra por hecatombes, fome, miséria e loucura propagadas. Que restará da humanidade, se o coração do homem só for animado por motivos de vingança e despique, e que esperança podemos ainda ter neste último?"

"O Homem, no mundo, profana a criação.
Profana os gestos, os sons, as cores, profana sobretudo as palavras que usa, levianamente, na tagarelice ou com perversidade, na mentira, no ódio ou na calúnia. Profana os números, os sinais matemáticos, ao utilizá-los em operações diabólicas de magia negra científica (fabrico de instrumentos de morte, de engenhos de destruição, de explosão). Profana o trabalho ao transformar o que fazia participar o homem, com entusiasmo e alegria, na actividade criadora de Deus, numa tarefa de escravo condenado aos gestos mecânicos do trabalho, à sujeição, na sinistra atmosfera das nossas fábricas. O homem profana os meios de expressão, a palavra, a literatura, a arte, a música, a pintura, as ciências, já não servem para dignificar o ser interior, para elevar o pensamento, para conservar a alma numa atmosfera idealizada de beleza e sabedoria, mas para procurar prazeres vulgares, para alimentar polémicas cheias de rancor"



(..)"O homem profana o ritmo da vida… Nas nossas modernas cidades tudo se transformou num gesticular desordenado, perda de ritmo, velocidade histérica, trepidação louca, numa doida correia de “robosts”, em direcção à monotonia da sua existência grisalha, ou de mundanos, em direcção à inutilidade dos seus prazeres enganadores. O homem moderno profana o silêncio: já não pode mais estar só, face a si e a Deus, e entontece, numa atmosfera barulhenta de arraial. O homem perdeu o sentido do mistério, da grandiosidade, da importância do seu papel humano na criação. Perdeu o sentido do sagrado." Ernest Genge
nbach

domingo, 17 de outubro de 2010

ANTÓNIO RAMOS ROSA, POETA DO SOL E DA FACILIDADE DO AR, PARABÉNS ! 86 JÁ CANTAM! VENHA O SÉCULO E MAIS VERSOS!

Fotos de autoria de Luís de Raziel

António Ramos Rosa é, sem dúvida, o maior poeta português vivo. Completou hoje 86 anos. Um estilo e uma obra inigualável. Uma palavra que ouça e que lhe agrade é o bastante para imediatamente brotar poesia. Tal qual jorra a água cristalina de uma nascente. Uma palavra que ouça e não lhe agrade, pode também ser o suficiente para o deixar incomodado e abandonar o diálogo. Nele o verbo tem a força fulgurante do raio , o brilho e as cores incandescentes da sua luz. Tive o prazer de assistir a vários desses momentos de luminosa inspiração. Numa altura critica da sua saúde, quando tinha alguma dificuldade em escrever, passei-lhe vários poemas ao papel. Outros, em que o seu manuscrito era quase irreconhecível, levava-os para minha casa para os passar à máquina. Estabeleceram-se entre ambos e a Agripinia Costa Marques, sua mulher, a inseparável companheira e amiga de todos os dias, laços de muita estima e afectividade.

De um momento para o outro, dizia-me: “Jorge, escreva aí.. ." E então lá vinha o poema tal qual lhe tinha aflorado, inteirinho: verso atrás de verso. Depois lia-lho e as correcções só se fossem para corrigir alguma palavra em que eu me tivesse enganado ou de pontuação.

Foi nos anos 80 que falei com ele pela primeira vez: estava hospitalizado, na sequência de uma forte depressão. Afinal própria de um poeta que questiona a existência e a palavra, até ao vazio , ao sublime, ao delírio, à exaustão... A entrevista foi breve mas fascinaram-me as suas palavras. Já conhecia a sua obra, que muito admirava e passei também admirar a sua personalidade. Ao despedir-me, ofereceu-me um dos desenhos que ali fizera. Que guardo, entre outros, que posteriormente, me viria também a oferecer. E até uns poemas para um livro que ainda não cheguei a editar.


Além dos agradáveis momentos, das belas recordações, forjadas nas palavras poéticas que lhe ouvi, nos grados e amistosos diálogos que se estabeleceram, também tive o prazer de o fotografar, em sua casa e noutras situações: dois desses registos, que hoje aqui edito, fazem parte desses variadíssimos testemunhos.

Em dia de aniversário, não quis deixar de o felicitar. Fui cumprimentá-lo à residência (lar) onde está hospedado com a esposa. Foi um cumprimento breve, pois o dia era de alguma intimidade com a família mais próxima. Vi-o um pouco mais velho, que da última visita (pois a idade é já avançada e os anos começam a pesar), sim, mas pareceu-me continuar a ser o poeta que nos deslumbra e surpreende pela extrema clarividência e lucidez: já não me reconheceu eu visitei-o muitas vezes em sua casa. Mas teve esta resposta na ponta da língua: “sabe que, a minha cabeça, com esta idade, pensa apenas nos poemas e mais nada!..." E , encarando-me, olhos nos olhos, com aqueles olhos claros, luminosos, límpidos, que, ao mesmo tempo que se escancaram, parecem perscrutar o fundo das almas, imediatamente acrescenta: “…e olhe que eu leio sem óculos!..”.Ao mesmo tempo recosta-se ao meu braço e tive a sensação que memória o ajudou. Porém, ao notar que o momento era mesmo de família mais chegada, com pena minha (e do pintor João neves, que me acompanhava e que gostaria de lhe apanhar alguns dos traços para lhe oferecer um retrato) não houve tempo para mais. Acabava de transpor a soleira do lar e lá foi amparado pela neta e logo seguida da filha para o centro de um frondoso jardim onde já o esperava a Agripina e um pequeno bolo de aniversário para um convívio mais reservado e amistoso, que se antevia alegre e muito feliz. Pois até uma das empregadas do Lar se admirava por o "sr. António" ter saído à rua. -E porque não?! Com uma tão linda tarde outonal de sol!



De facto, e meditando, atentamente, na nostalgia que geralmente transparece da presente quadra, que sucede ao Estio e antecede ao Inverno, os dias passam de tal maneira a correr que mal se dá conta. A vida é fugaz e muito breve, esvai-se muito rapidamente. Todavia, eu desejo-lhe que perdure e não se desfaça tal qual a bola de sabão soprada por um criança ou a bola neve, como diz outro grande poeta - Mas, afinal, quem poderá contrariar as leis da vida?!...

"A vida é o dia de hoje,
A vida é ai que mal soa,
A vida é sombra que foge,
A vida é nuvem que voa;

A vida é sonho tão leve
Que se desfaz como a neve
E como o fumo se esvai:
A vida dura um momento,
Mais leve que o pensamento,
A vida leva-a o vento,
A vida é folha que cai!"

“- Excerto de João de Deus, notável Poeta Português de outro tempo e de outra geração

Contudo, eu prefiro terminar esta minha singela homenagem, com este seu “ENTARDECER”, extraído do livro - FACILIDADE DO AR

Vejo as vermelhas caudas do crepúsculo
e o verde fulgor do mar.
Lenta é a tarde
e quero demorá-la em densas pálpebras,
consagrando-a à companheira imóvel
na melancólica quietude do casario
em que as consoantes são de espessa pedra e surda plenitude.
Neste murmúrio de sombra ainda tão solar
quero envolver-me cúmplice dos muros
e da côncava expansão do tempo,
até às praias distantes de um sossegado azul.
Assim me alongarei nas mãos da sombra imóvel
com o fogo do silêncio e a melancolia das colinas,
vivendo o instante de um dinamismo lento
em que estar é ser seguro na igualdade.

António Ramos Rosa

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António Ramos Rosa, gosta do espaço azul e dos rubros horizontes de sangue, eu sei - Aqui lhe dedico este vídeo que fui buscar à Internet - palavra que eu sei que não lhe soa bem, tal como a palavra computador. Mas gostarão, certamente, os seus admiradores de ver as imagens de fogo, em que ele tanto se inspira, que tanto os encantam e de escutar a maravilhosa melodia que as acompanha.

Sim, na poesia de António Ramos Rosa, o sol, o mar, a claridade, os grandes espaços, estão sempre presentes. Um dia, respondeu-me em versos, a uns versos meus: simples, despretensiosos e a que dei o titulo: "Poetas!... Vinde Ver o mar! "- Aquele mar que eu vivi intensa e solitariamente, durante quase 40 dias a fio, a que me refiro noutro blogue. Este é o de Luís de Raziel. É a mesma pessoa mas na pele e no espírito de outra personagem. Pelo menos, até ver...

OUTRAS POSTAGENS DEDICADAS AO POETA

  17 de  2013 Outubro - António Ramos Rosa - Hoje 89 anos, se fosse vivo - Mas "há momentos em que a consideração da morte se impõe como a consumação prévia da finitude" 

23 de Setembro  2013 - António Ramos Rosa - Morreu o Poeta da Festa do Silêncio que se fez Felicidade do Ar e da Luz
21 DE JANEIRO DE 2013 ANTÓNIO RAMOS ROSA - UM CAMINHO DE PALAVRAS

22 de Outubro de 2011 - ANTÓNIO RAMOS ROSA "TU PENSAS QUE OS CARDEAIS NÃO SE MASTURBAM, QUE NÃO VÊM AS TELENOVELAS http://www.desoculto.com/2011/10/antonio-ramos-rosa-tu-pensas-que-os.htm


António Ramos Rosa - Wikipédia, a enciclopédia livre......António Ramos Rosa - Biografia, Poemas e Fotografias......Poesia - Gisela Rosa...


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

EQUINÓCIO DO OUTONO,NOS TEMPLOS DO SOL, NUMA MANHÃ TÍMIDA E COM ALGUMA NOSTALGIA NA TERRA E NOS ARES, DE QUE O VERÃO NOS IA DEIXAR.

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..Small circle - appears in the frontispiece of the Sun Stone (Stone of Coma) - Solar symbol
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Rock art exists in a niche inside the cave and gave his name to Stone the Coma. or Sun StoneA pintura rupestre que deu o nome à Pedra da Cabeleira.














.Castro do Curral da Pedra - próximo do Santuário Rupestre da Pedra da Cabeleira - na vertente do qual (a oeste) se ergue a Pedra do Solstício


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EQUINÓCIO DO OUTONO - O DIA DO ANO EM QUE A NOITE E O DIA, SE EQUIPARAM - MAS, ALI, NO AR, POR ENTRE AS PAREDES GRANÍTICAS DO AMURALHADO RECINTO, PAIRAVA UM TAL ESPÍRITO CÓSMICO E ANCESTRAL, QUE TORNAVA AQUELA MANHÃ BEM DIFERENTE DAS DEMAIS NA GRANDE RODA DO CALENDÁRIO SOLAR


O dia raiara fresco e um pouco cinzento. Além disso, os tons amarelos já eram bem patentes na erva seca que cobria o interior do recinto amuralhado, onde se ergue a majestosa Pedra da cabeleira de Nossa Senhora - Donde, realmente, exalavam frescos odores outonais – Sem dúvida, uma atmosfera tonificante e perfumada, com os tons e as fragrâncias próprias da estação a fazer perpassar pelos rostos, o sentimento de que mais um ciclo estival se cumprira e uma outra página do calendário começava a folhear-se. E, ali, de maneira assaz inolvidável: -imagem verdadeiramente sublime, qual mítico Olho de Horus, a expandir-se e abençoar não apenas quem o contemple, como a cúpula do Espaço Etéreo e toda a Terra envolvente, sobretudo quando o astro solar mostra a sua claríssima luz e não é toldado por cinzentos céus ou alguma nuvem mais aziaga.


Todos sabiam de antemão, que, desta vez, não haveria gaiteiros nem grupos de dança. Mas o que importava era estar no local e viver a plenitude de uma manhã diferente. A bem dizer, foi o que aconteceu: mesmo com o Setembro, já adiantado, os dias cálidos de Agosto pareciam nunca mais ter fim, mas, vá lá, o Outono começou por mostrar um pouco da sua face, prometendo devolver a sezão às terras, roubada e estiolada pelos tórridos calores de um prolongado Estio.

Poucos mas muitos entusiastas. Desde um casal vindo de Leiria, a um grupo de amigos, que residem em Lisboa mas que estavam a passar os últimos dias de férias nos Carrascais – Anexa da freguesia de Longroiva e que o destino parece condenar à desertificação. Não fosse a persistência de Agostinho, um dos elementos desse grupo, que teima em agarrar-se ao seu querido torrão natal, não se importando de ali viver a maior parte do tempo, como eremita. É já um habitual entusiasta das celebrações nos Templos do Sol. Vive do lado de lá da outra margem do vale. O mesmo é dizer que, quando abre a janela de casa, o maciço dos tambores, se estende à sua frente – qual negra muralha dos mais primevos tempos! - Sim, observado do margem oposta, é uma paisagem fantasmagórica e agreste, mas há muito enraizada na memória de quem vive naquelas encostas. Obrigado amigo por mais esta simpática visita e pelos bons amigos e familiares que ali trouxe.

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.Não desejaríamos que ao local acorressem as multidões ávidas apenas de saciar a sua curiosidade mas imbuídas por um verdadeiro amor à Mãe Natureza. Pois a ninguém deverá ser vedado o direito de contemplar o que é belo, mesmo que o não mereça. Inquieta-nos, porém, esse futuro. Pois dia virá em que, não será um punhado, mas reunir-se-ão ali milhares. Temos a certeza que muitos o hão-de querer visitar. O vídeo do nascer do sol na Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora, foi, recentemente, por nós editado, em língua inglesa, no Youtube e imediatamente anexado a dezenas de sites, entre os quais onde constam registos do famoso astrónomo e escritor Carl Sangan, a que demos o título: prehistoric calendar - Sun Stone - Pedra da Cabeleira - Chãs - Foz Côa -E, afinal, apenas fruto de mais um gesto de carolice e de veneração por estes lugares. Pois, como direi mais adiante, acordei com um realizador de cinema( ele diz que é), mas para nada.


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.Em representação do Município, esteve o Presidente, Eng. Gustavo Duarte, que nos deu o prazer da sua presença, que muito agradecemos - até pelo precioso apoio material que nos tem concedido. Estamos certos, que ele próprio sentiu a alegria de estar a viver uma manhã outonal maravilhosa. Vimos que ficou satisfeito, tal como quem o acompanhou, partilhando do mesmo entusiasmo geral – Independentemente das condições atmosféricas, serem ou não favoráveis à observação do alinhamento sagrado, existe ali algo de encantatório e de mágico – e até de purificador – que alegra e rejuvenesce o corpo e o espírito. Pena que, o sucesso fique ao sabor dos meros caprichos de São Pedro, que nem sempre se compraz com as vontades e as celebrações terrenas.

Da parte da aldeia, à excepção dos idosos do Lar, tudo andava envolvido na vindima e se entreajudava, até porque os braços activos começam a falar. Mesmo assim houve quem sacrificasse algumas horas ao trabalho . A fazer as honras da casa(aliás no terreno de que é proprietária), esteve a Dra. Teresa Marques, actual Presidente da Junta de Freguesia, que ali reiterou o seu apoio à Comissão Organizadora, no tocante à liberdade das celebrações. O ex-Presidente, António Lourenço, nesse dia também ia a vindimar, mas, como sempre, lá esteve, pronto a dar o melhor do seu esforço à organização do evento.
A todos o nosso obrigado.

Jorge Trabulo Marques – da Comissão Organizadora.






 



A GRANDE BANHADA DE UM PRETENSO CINEASTA - SR. JOSÉ MANUEL DE SOUSA LOPES - ATÉ O PRESIDENTE DA CÂMARA, DESCONSIDEROU- FEZ O REGISTO DO DEPOIMENTO (LEVANDO-O A PERDER INUTILMENTE O SEU TEMPO) NEM UMA PALAVRA. EM VEZ DO DOCUMENTÁRIO ENCOMENDADO PÕE NA INTERNET UM VIDIOZECO QUE POR CERTO NEM ELE PERCEBE

Afinal, tanto me empenhei em levar ali um realizador de cinema, para coisa nenhuma. A Junta de Freguesia gastou inutilmente alguns milhares de euros num pretenso cineasta, que dá pelo nome de José Manuel de Sousa Lopes, e, ao fim ao cabo, pouco ou nada se aproveita. Grande banhada! A culpa porém não é minha mas fui lesado: já que, uma parte do dinheiro que lhe foi dado, retirei-o do meu bolso, da minha modesta reforma, que bem falta me faz. Crente de que estava perante gente séria e competente, em quem se podia confiar. E passo da condição de autor da iniciativa e financiador a desconhecido, ignorado. Mais uns sacrifícios à minha custa para bem da minha aldeia, da ciência e do nosso património. Afinal, inutilmente. Mas o que é isso para quem já arriscou a vida longos dias no mar com o objectivo de ir ao encontro da história? - Coisas do destino, sabe-se lá.

Tratava-se de um projecto (uma produção) da Comissão Organizadora das Celebrações, de que tenho sido o principal dinamizador, com textos e locução do jornalista e realizador de televisão, Luís Pereira de Sousa, tal como fico assinalado numa das anteriores postagens. Com apoios da Junta de Freguesia, Câmara Municipal, eu próprio e um prometido apoio particular. Que não passou de falaciosa e gabarola promessa de um elemento da Junta. O dito realizador (no solstício) só contactou comigo no primeiro dia. Depois passou a acompanhar e reunir-se com quem lhe falava em muitos cifrões. Mas nem um euro dali veio.

Na véspera de partir, foi para me insultar e dizer que eu não mandava nele. Quando lhe perguntei o que é que tinha andado a fazer , dado me ter ignorado, sua resposta não se fez rogada: "Você julga que manda em mim! Eu faço o que me apetece!" - Claro, à custa da iniciativa e do dinheiro dos outros. Ao menos se o fizesse bem feito!- Soube que ele prometeu à Junta mandar umas quantas centenas de CD para serem vendidos: foi por isso que a Presidente que lhe adiantou mais uns cobres. Mas quem é que vai comprar o que já é oferecido na Internet? - Ela espera e já desespera. E certamente que vai ter muito que esperar...

PEDI A LUÍS PEREIRA DE SOUSA, COM QUEM TIVE O PRAZER DE TRABALHAR NA RÁDIO COMERCIAL, DA ENTÃO RDP, PARA VISIONAR OS VÍDEOS DO PRETENSO REALIZADOR JOSÉ MANUEL DE SOUSA LOPES : - AFINAL, PARA VER O TRABALHO QUE NUNCA CHEGARA A MOSTRAR-NOS, CONTRARIANDO O MAIS ELEMENTAR DEVER ÉTICO PARA COM QUEM LHE CONFIARA O REGISTO DE IMAGENS E A REALIZAÇÃO .EIS A OPINIÃO QUE ME TRANSMITIU SOBRE A "OBRA PRIMA" DE JOSÉ MANUEL DE SOUSA LOPES

Pelos 2 vídeos que tive a oportunidade de ver e sobre os quais me pedem a opinião, devo esclarecer que fiquei com a convicção de que se tratam de trabalhos amadores com pouca valia e interesse.
Assim
Sobre uma Residencial cujo nome não fixei:
A sucessão de imagens lentas, com algumas panorâmicas não revela o que provavelmente seria o objectivo; mostrar a beleza da região e do local, os encantos, a hospitalidade e enfim, criar o desejo de por lá passar.
Ausência total de elementos vivos mostra sim que está tudo arrumadinho, mas afinal, não interessa a ninguém. Vazio porque ….(nem fixei o nome e nem vi onde fica…)


Sobre o alinhamento solar


Pergunto; a quem se destina este pseudo - documentário?
Ao publico em geral? A especialistas?
O espectador não foi neste filme informado sobre o fenómeno, sobre o que se está a passar. Não basta colocar uns homenzinhos em tom de festa para referir uma festa pagã, anterior às festividades celtas que remontam a períodos longínquos da história do homem e ali poderiam ser ricamente documentadas, tanto em termos geológicos como religiosos e históricos.


Filmar pedras não é dar uma lição de arqueologia.
Mostrar o exterior de um museu, ainda para mais com uma mulher a afastar – se, não é convite a visita - lo. Estaria fechado?
Colocar imagens (até de má qualidade), sublinhadas por música envolvente, é o que qualquer amador e com pouca imaginação, faria nestas circunstâncias.
Se este conjunto de imagens se destinavam a interessados na matéria, por certo veio desinteressa – los. Ninguém ali aprende nada.


Conclusão : se estes trabalhos foram pagos não merecem um Euro. Se foram pagos com dinheiros públicos é mais um acto de lesa cidadão que merece atenção e reprimenda.


Cascais, 2010-09-15
lps.




A TERRA ONDE O SOL NASCE - versão corrigida

De facto, convencendo-me de que um profissional faria um pequeno documentário, com alguma qualidade, sobre as celebrações do Equinócio e do Solstício(inserido com alguns aspectos humanos, paisagísticos e culturais da freguesia e do concelho), que azar logo o meu: a que porta fui bater! - Quem mo indicou, já me apresentou desculpas, mas é tarde. Nem sempre os currículos traduzem o que lá escrevem. Perdeu-se dinheiro e a obra não vale nada! - Os escassos oito minutos que fez(muito à quem do prometido), que nem sequer se dignou enviá-los por CD, editou-se num quase desconhecido site de vídeos da Internet. O resultado é francamente medíocre e muito abaixo do nível de amador.


Esperava que fizesse algo melhor de que o brevíssimo trailer teaser equinócio do sol.mp4 - PARA O FILME: TEMPLOS DO SOL - MONTE DOS TAMBORES - CHÃS-FOZ CÔA que fizera na sua primeira deslocação, mas a decepção foi ainda maior . No entanto, o dinheiro, esse, já lá o tem e antecipadamente, com pagamento de carro alugado, alimentação, alojamento, aluguer do equipamento e mais uma quanta massa - sim, talvez fosse justamente o que mais lhe interessava. E passar uns dias de férias, com a mulher (Clara Ferrão, sua assistente de realização) e os filhos para lhe transportarem o tripé, gozando de óptimas benesses a troco de tomem lá esta palha.

Não fez o que lhe pediram mas o que quis fazer. Combinara-se um visionamento final das imagens, a respectiva selecção em conjunto para um documentário de 20 minutos, com textos e locução de Luís Pereira de Sousa, mas o dito "artista" , ignorou toda a gente. Aliás, já começara por fazê-lo, na própria aldeia, logo que alguém (arvorado em figurão e endinheirado), lhe acenou com uns altos patrocínios. Encostou-se a ele por descarado oportunismo. Só que, dali, não houve um avo! No videozeco nem uma referência a quem o financiou e lhe encomendou o trabalho. É como se fosse coisa sua. Mas, ainda bem: não o fez e espero que também não ouse fazê-lo: pois é da maneira que não conspurca o nome de terceiros com tão inútil pastiche.

Além dos tais 2' 30 do trailer que fez na Primavera, limitou-se a apresentar um vidiozeco de 8' 42", a que ele chamou por moto próprio(pois não perguntou nem pediu a opinião a quem lho encomendou), imaginem a veia do arvorado "poeta": "A TERRA ONDE O SOL NASCE - Promotional freguesia Chãs - I
STO DIZ AO LEITOR ALGUMA COISA?! - A MIM NÃO ME DIZ NADA - E DEVERIA DIZER. ATÉ PORQUE HÁ VÁRIAS ALDEIAS COM O MESMO NOME EM PORTUGAL.

A TERRA ONDE O SOL NASCE - versão corrigida

Em boa parte, é uma autêntica mancha negra do princípio ao fim. Em que não se percebe patavina do que ali tem para dizer - mesmo ao cinéfilo mais avisado. Onde, uma banda musical(que mais lembra um dobre a finados) procura compensar, maus enquadramentos e imagens desmaiadas e de mau recorte técnico e ligações de planos, ou seja, uma qualidade que não existe. - Pois, fala-se de sol mas onde o sol mal se vê. Da excelente actuação da Amalgama Companhia de Dança, no Equinócio da Primavera, nem uma imagem. Do cortejo celta e pôr do sol no solstício, é tudo pessimamente documentado. Na cerimónia que se seguiu sobre a homenagem aos poetas, nem um plano. Fez perder tempo ao Sr. Eng. Gustavo Duarte, Presidente da Câmara Municipal de Vila Nova de Foz Côa, para ser incluído um depoimento seu, mas depois ignorou-o completamente. Até um comercial de 1'.54",(promotional calcatera by José Lopes , encomendado pela Quinta onde se hospedou à nossa custa, igualmente editado na VÍMEO, não tem ponta por onde se lhe pegue.Já me dei conta que foi uma grande decepção, para quem lhe confiou o furo. Pois nem querem ouvir falar de tal "equipa de cineastas", que, pelo que depreendi, não deixaram saudades nos dias em que ali se hospedaram.

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A gruta da Pedra da Cabeleira também é iluminada ao pôr do Sol










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O pastor Miguel e o filho André - breve flagrante numa tarde de Outono.

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JOSÉ MANUEL DE SOUSA LOPES Dados Pessoais Formação Académica ..

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

EQUINÓCIO DO OUTONO 2010 - RECEBIDO AO NASCER DO SOL NA PEDRA DE NOSSA SENHORA DA CABELEIRA, MONTE DOS TAMBORES, ALDEIA DE CHÃS - FOZ CÔA


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TEMPLOS DO SOL - VOLTAM A SER LUGAR DE PEREGRINAÇÃO E DE ESPLENDOR SOLAR, TAL COMO HÁ MILÉNIOS
- ocasião única para uns inesquecíveis momentos de meditação e de recolhimento - Venha deleitar o espírito, esquecer-se, pelo menos por um dia, de algumas agruras ou vicissitudes da vida e extasiar o seu olhar ante o sublime e o belo. Desta vez não lhe prometemos outro espectáculo senão aquele que os seus olhos, poderão desfrutar, em silêncio, ante a entrada dos raios solares através do gracioso portal do alinhamento sagrado. Associe-se à renovação de mais um Ciclo do Planeta Terra, no Hemisfério Norte. Não perca a rara oportunidade. O Sol, quando nasce, é para todos. Mas existem, no entanto, lugares especiais, onde o seu brilho é como que abençoado e santificado, marca realmente toda a diferença! - Algo tão extraordinário e mágico na sublimidade da sua ascensão, que não deve ser desperdiçado, nem por um instante!


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Se quer reviver a mesma imagem que os nossos ancestrais veneravam, o mesmo esplendor solar contemplado pelos povos, que se abrigavam nas cabanas ou por entre as concavidades das rochas, em estreita convivência com a natureza e conhecedores de muitos dos seus segredos, não deixe de estar presente, entre as O8.OO e O8.3O, dia 23, em mais um acto evocativo, no Monte dos Tambores, onde será assinalada a entrada do Equinócio do Outono.

Não tinham relógios nem calendários, como hoje os temos, mas nem por isso deixavam de saber quando uma estação terminava e outra começava. Erguiam enormes blocos ou aproveitam-se de outros já existentes e adaptavam-nos para as suas observações astronómicas. Fazendo deles, além de verdadeiros monumentos, também os seus locais de culto e de cura. Muitos caíram no esquecimento ou foram destruídos. Porém, outros, ainda subsistem em vários pontos do Globo: o mais famoso é Stonehenge e, em Portugal, os templos do sol, no maciço dos Tambores, aldeia de Chãs, onde são celebrados os ciclos do ano e evocados, tempos idos.

They had no clocks or calendars, as we have today, but nonetheless failed to tell when one season ended and another began. Stood huge blocks or take advantage of other existing and adapted them to their astronomical observations. Making them but true monuments, also their places of worship and healing. Many fell by the wayside or been destroyed. However, others remain in various parts of the world: the most famous is Stonehenge, and Portugal, the temples of the sun, the mass of the Drums, Chãs village, where they celebrated the cycles of the year and evoked bygone days..  Tradutor Google

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Imagem do recinto da Pedra da Cabeleira, no Monte dos Tambores e da Amalgama Companhia de Dança - na Celebração da Primavera 201
Vem aí a estação em que, aqueles que se entregam ao amanho da terra, poderão sentir a recompensa de um longo e árduo ano de trabalhos na cada vez mais difícil actividade agrícola. As manhãs já começaram a refrescar e os dias vão igualar-se às noites no próximo dia 23. A Primavera cobriu-se de flores, o Verão amadureceu os frutos, e agora, com a despedida dos abrasivos dias do Estio, é o Outono que nos revisita e contempla, com o produto das saborosas colheitas.

As castanhas já fumegam nas panelas ou nas brasas. As uvas já se vindimam e os socalcos e valados não tarda que se transformem em verdadeiros quadros de garridas aguarelas. As folhas das amendoeiras, figueiras e de outras árvores, amarelecem e vão deixando cair as folhas - É a estação dos dourados tons nostálgicos, que se aproxima. E que propícia aos pintores e poetas, e também aos namorados, os momentos da mais saudável convivência e romanismo, inspiração poética, recolhimento e entrega com a própria natura..
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Jorge Trabulo Marques – da Comissão Organizadora das Celebrações










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Uma névoa de Outono o ar raro vela,
Cores de meia-cor pairam no céu.
O que indistintamente se revela,
Árvores, casas, montes, nada é meu.


Sim, vejo-o, e pela vista sou seu dono.
Sim, sinto-o eu pelo coração, o como.
Mas entre mim e ver há um grande sono.
De sentir é só a janela a que eu assomo.


Amanhã, se estiver um dia igual,
Mas se for outro, porque é amanhã,
Terei outra verdade, universal,
E será como esta [...]


Fernando Pessoa