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terça-feira, 21 de julho de 2026

Em 1999 Honrado por Exposição no Padrão dos Descobrimentos das minhas aventuras solitárias. Ignorado pelas televisões do regime capitalista por não alinhar na sua propaganda. Decorreu, 10 de Março a 10 de Abril de 1999 – Há 27 anos .

 Jorge Trabulo Marques - jornalista - Preciso de me concentrar em publicar um livro destas aventuras e não me dispersar tanto.




 Em 1999 Honrado por Exposição no Padrão dos Descobrimentos das minhas aventuras solitárias. Ignorado pelas televisões do regime capitalista por não alinhar na sua propaganda. Decorreu, 10 de Março a  10 de Abril de 1999 – Há 27 anos 

Em finais de Julho de 2015 - Em S. Tomé – Decorreu no Centro Cultural Português - Sob o título “Sobreviver no Mar dos Tornados, 38 dias à Deriva Numa Piroga” – “Experiência de vida única” que é “também a demonstração do querer humano sobre as adversidades”  “davam um  filme” – Palavras de Olinto Daio”, Ministro Educação, Cultura e Ciência,


Muitos são os homens que perseguem um ideal, que procuram dar um sentido às suas vidas. Porém, muitos deles acabam por serem surpreendidos pelas emboscadas da tragédia e da morte – Felizmente, ciladas de morte tive-as sempre por companhia ao meu lado, em perigosas escaladas e nas várias aventuras marítimas em que me envolvi, mas foram os ditames da vida, a força de vontade e a coragem a levarem a melhor de vencida.

 

Foram três as travessias: depois de ter feito a ligação, em canoa, desde a baía Ana Chaves, da capital de S. Tomé, ao Padrão dos descobrimentos, em Dezembro de 1969 para me associar ao inicio das comemorações dos 500 anos da descoberta das ilhas verdes do equador, pois uma coisa é a coragem dos nossos navegadores, outra bem diferente foram os sucessivos regimes coloniais que se instalaram e nas demais colónias e ainda perduram sob diferentes máscaras.-  

A primeira travessia foi de São Tomé ao Príncipe, três dias; que me viria a custar a prisão nos calabouços da policia fascista PIDE-DGS , por suporem que eu me ia juntar ao movimento do MLSTP, sediado  no Gabão, visto ter partido à meia noite e clandestinamente. e uma pesada coisa da capitania marítima - Claro, que, ninguém me autorizaria fazer essa viagem numa piroga de 40 cm de altura por 60 de largura e pouco mais de um metros e meios de comprimento, numa distância de 172 Km. Pois, antes de ir de canoa  ao Padrão dos Descobrimentos, pedi para me autorizaram a  dar a volta à Ilha de S. Tomé e não fui autorizado – Até fui insultado pelo capitão dos Portos, que me chamou maluco.

A segunda aventura foi de São Tomé à Nigéria, 13 dias ,e, por fim, já depois da independência, a tentativa de travessia de piroga ao Brasil, que, pelo facto de não ter sido largado na zona da grande corrente equatorial, pelo pesqueiro americano que tomara esse compromisso, e estando-se em pleno período dos tornados, acabaria por se saldar num longo e penoso naufrágio de 38 dias, acabando por ir acostar a Bioko – ou seja, ora navegando e velejando com um remo improvisado, ora indo à deriva (devido à perda de remos e outros utensílios) desde a ilha mais meridional à setentrional do Golfo da Guiné.Mas há males que vêm por bem – Pois, foi desse modo, que eu pude conhecer a verdadeira situação de náufrago. 

OBJETIVOS  Por um lado, demonstrar as capacidades das canoas em longas travessias, indo assim ao encontro da origem do povoamento das Ilhas do Golfo da Guiné, por outro, norteado pelo admirável exemplo de Alan Bombard, comecei a matutar e amadurecer a ideia de que, um dia, deveria deixar as pequenas viagens de praia em praia, ir mais longe! Demonstrar aos pescadores que, mesmo perdida a terra de vista, no meio da tempestade, o mundo não ia desmoronar aos seus pés: - Não deviam cruzar os braços resignarem-se à fatalidade de um destino incerto. Confessavam-me eles: quando o pescador se perde, “só gente de feitiço é que vai parar ao Príncipe ou ao Gabão; outra pessoa morre pelo caminho: “gandú” vira-lhe a canoa e come-lhe a perna”

Ora, foi justamente contra estes velhos fantasmas, entretanto incutidos pela presença do colonizador, que lhe teriam feito esquecer as extraordinárias aventuras dos seus antepassados, a sua memória ancestral, por que me bati, contraditando esses estigmas, restabelecendo-lhes a confiança de antigos e corajosos navegadores das grandes travessias, entre o continente e as ilhas. – Estou convicto de que as minhas teses, estão amplamente comprovadas – De resto, assim também o testemunham antigas cartas marítimas, anteriores à colonização, que permaneciam ocultas nos arquivos e que, investigadores dedicados e esforçados, lograram trazer à luz do conhecimento – Sobre estas questões, o leitor poderá encontrar desenvolvidos textos no meu blogue : canoasdosmares.

A NOITE EM QUE O NÁUFRAGO E POETA CANTOU E ESCUTOU A RÁDIO NACIONAL.DE S. TOMÉ E PRÍNCIPE -


Sou uma espécie de Lázaro bíblico. O meu corpo está cheio de borbulhas e de pústulas da água salgada. As unhas de alguns dedos dos pés já me caíram. Tenho a boca e a gengivas numa chaga. Levando-me e pego no leme (improvisado) com muita dificuldade - 

Diário de Bordo - Vi duas baleias na altura da trovoada. Muito próximas! Mas isso não me assustou... O que me estava a preocupar era realmente o tempo que a trovoada estava a demorar... Pois espero que me tenha favorecido... Continuo a não desesperar ... mas estou cansado!... Tenho fome! Muita fraqueza!... Estou a aguentar... Estou tentando... Estou tentando não me precipitar... Por suportar isto com serenidade.

De qualquer modo, o esforço tem sido insano. O meu coração teve que aumentar o ritmo das suas pulsações. Os meus pulmões, o meu cérebro, em suma, todo o meu organismo, não se poupou a um trabalho exaustivo, quase sobre sobre-humano. Ainda bem que apanhei o coco. Apareceu em boa hora. Pois não sei o que seria de mim se não o tivesse achado. Até parece que foi uma dádiva providencial a permear  a heroicidade da minha luta e do meu combate. Fosse como fosse, veio em boa hora. Primeiro extrai-lhe a casca com o machim, depois fiz-lhe um furo no extremo e levei-o imediatamente aos lábios para lhe aproveitar a água. Pouca mas muito saborosa!... Soube-me muito bem. De seguida, e após me ter deliciado com tão divino néctar, foi a vez de me servir da sua amêndoa - Eis como exortei com esse momento:

A aurora mal começara a irromper,  já eu me remexia no fundo da canoa e me levantava para avaliar as condições atmosféricas do novo dia. Ontem, quando me deitei, já a horas tardias, ainda caíam alguns chuviscos, esperando, todavia, que, ao amanhecer,  o tempo se recompusesse - Vejo, porém, que o tempo continua instável; encontro-me envolvido num autêntico inferno cinzento. Estou para aqui todo encharcado, devido aos balanços desatinados deste madeiro flutuante,   que me arrasta não sei para onde, sobre um mar exaltado de espuma 





Na verdade, há momentos que, por tão tormentosos e solitários na vasta imensidão oceânica,  são verdadeiras eternidades – Que o digam todos aqueles que passaram pela dramática e dificílima situação de náufragos. Outros, nunca o terão podido expressar, visto terem ficado sepultados para sempre no silêncio eterno do fundo dos  abismos submarinos. Pessoalmente, quis Deus ou o destino que fosse um dos  sobreviventes, de entre os milhares de vitimas, que, por esta ou por aquela razão,  anualmente, são tragados pela voragem dos oceanos e  pudesse transmitir o testemunho daquilo  que o engenho, a força de vontade e o querer humano, poderão lograr, face às maiores provações.




Ó Deus Omnipotente e Salvador!... Ó JESUS CRISTO!...Ó BELO E MAGNÍFICO EXEMPLO  SENHOR MEU!... Que maior tormento e suplício aquele!... Deitado no duro  fundo daquele inconstante, encharcado, tosco e frágil madeiro escavado!… Porém, mesmo assim, quão doce e infinito era aquele meu tormento!... Quantas vezes, me lembrei da tua cruz e do teu calvário!... Quando já estavas prostrado e rendido às leis da morte e da vida para te lançarem estendido ao sepulcro!.. Quantas!... Quantas vezes!... Quando tudo à minha volta me parecia revolto e perdido… Sim, no meio avassalador daquelas espessas trevas e noites de breu, cercado pelo tumulto escuro do mar e do céu! E, ante a imensa e tenebrosa solidão, apenas se me afigurava vislumbrar o perfil do teu piedoso rosto… Embora triste e macilento, banhado de suor e de lágrimas!... Mas coroado de esplendorosa caridade e de compaixão… por aqueles mesmos que te traíram e não compreenderam a tua humana, divina e nobre missão! Mas aos quais a áurea que iluminava a tua face, me parecia resplandecer apenas emanada por  um infinito sentimento de amor e perdão… 

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