Manuel Cargaleiro – Iniciadas as celebrações alusivas ao centenário do nascimento do Pintor e ceramista, que entrevistei, nos anos 80 na galeria de Arte do Casino Estoril, que a elogiou pela oportunidade dada a muitos artistas portugueses
Então residente, em Paris desde há 30 anos- Na cidade onde o seu pensamento se estendia, constantemente, para o país que o viu nascer e cujos símbolos, mais genuínos e suas belas paisagens , eram motivos de inspiração nas suas telas e cerâmicas.
O inicio das celebrações do centenário do nascimento do ceramista Manuel Cargaleiro, que, em 16 de Março de 2027, completaria 100 anos, mas que faleceu aos 97, vai ser celebrado com exposições, apoios à criação e aos jovens artistas e inauguração de um novo polo museológico em Castelo Branco.
Manuel Cargaleiro nasceu a 16 de março de 1927, em Chão das Servas, Vila Velha de Ródão, no distrito de Castelo Branco.. Faleceu aos 97 anos no dia 30 de Junho de 2024
Natural de Vila Velha de Ródão (Castelo Branco), desde cedo se quis artista plástico e não engenheiro agrónomo ou veterinário por vontade paterna.
Nome incontornável da Cultura Portuguesa, Mestre Cargaleiro não foi apenas um grande ceramista e pintor, mas um inovador, com merecido reconhecimento internacional.
Ele, que dizia gostar de viver discretamente, deixou a sua marca artística em diferentes suportes, em diversos pontos de Portugal e do estrangeiro. Um painel de azulejos na Costa Amalfitana e a decoração de uma das estações centrais do metro de Paris são alguns exemplos. Paris foi a cidade para onde foi viver na década de 1950, por divergências com o Estado Novo, que o impediu de concretizar o projeto de decorar as paredes da Cidade Universitária, não obstante ter sido o vencedor do concurso.
Foi convidado a conceber os painéis de azulejo para o Jardim Municipal de Almada e para a fachada da Igreja de Moscavide e, até ao final dessa década, receberia duas bolsas de estudo na área da cerâmica, respetivamente em Faenza, Itália, e em Gien, na França.
Entretanto, fixou residência definitiva na capital francesa, onde viria a estabelecer o seu atelier, expandido a sua presença internacional. Até ao final da década de 1970, realizou exposições individuais em Lisboa, Paris, Tóquio, Milão, Lausanne, no Porto, em diferentes cidades do Brasil. Foi também convidado para mostras coletivas em Almada, Genebra, Osaka, Seul.
Colaborou com poetas, nomeadamente Armand Guibert e Victor Ferreira, cujos poemas foram ilustrados pelo artista
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Foi convidado pelo Ministério francês da Cultura a conceber painéis cerâmicos para três escolas no país que o acolhera. Assim o fez.
Nos anos 1980 começou a explorar a tapeçaria, tendo sido convidado pelo Governo português a conceber uma dessas obras para o novo edifício na Organização Internacional do Trabalho, em Genebra.
A partir da década de 1990, predominariam na sua obra os padrões aglomerados e cromaticamente intensos onde continuaria a ser evocado o azulejo português, que tanto determinou o seu trabalho.
Em Castelo Branco, viria a ser criada a Fundação Manuel Cargaleiro, em 1990, com o objetivo de criar um museu dedicado à sua obra. Assim aconteceu, em 2005, primeiro no edifício histórico Solar dos Cavaleiros, mais tarde expandindo-se para o “edifício contemporâneo”.
Cerca de uma década mais tarde foi inaugurada no Seixal a Oficina de Artes Manuel Cargaleiro, num projeto arquitetónico de Álvaro Siza, com objetivo de promover a arte contemporânea, a obra do mestre Manuel Cargaleiro e as coleções da sua fundação, quer através de temporárias, mas sobretudo através da divulgação da arte e do trabalho com jovens artistas, dando corpo à definição implícita na designação de Oficina
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