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sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 de Abril 40 anos depois – Estava em São Tomé – O que mudou por cá e o colonialismo que havia por lá

O 40 anos sobre o 25 de Abril foram hoje recordados, em vários pontos do país, mas especialmente em  Lisboa e no Porto – Na cidade invicta milhares de pessoas desfilaram na Avenida dos Aliados, e, na capital, com uma enorme concentração no Largo do Carmo, que juntou, além dos antigos capitães de Abril, tais como Vasco Lourenço e Otelo Saraiva de Carvalho, e vários dirigentes políticos, entre os quais Mário Soares, teve ainda lugar uma vasta manifestação que desfilou do Marquês de Pombal até ao Rossio. Manifestações, sublinhadas com cartazes e palavras de ordem de protesto contra as politicas do atual governo e exigindo a sua demissão.

Obviamente que a liberdade é um bem precioso e inalienável mas se a liberdade é permitir que as melhores empresas públicas passem para o domínio de capitais estrangeiros e de meia dúzia de oportunistas portugas ou que os jornais, as rádios e as televisões, estejam nas mãos dos grandes grupos económicos, com os seus tentáculos e as suas ligações mais do que duvidosas à banca, a dinheiro sujo africano e aos  sectores políticos mais  comprometidos,  será que estamos melhor de que no tempo da censura?... Apenas na aparência. Lá vão pondo, uma vez por outra a cereja no topo do seu bolo para fazerem de contas que vivemos num regime democrático, deixam-nos falar o que eles querem mas o essencial é omitido ou manipulado.

Antigamente arrendava-se uma casa para toda a vida, hoje já nem a classe média o pode fazer. As conquistas que se seguiram, com a revolução do 25 de Abril, a nível de proteção social e do trabalho, foram já praticamente eclipsadas. - Decididamente, conquanto não seja radical, não me importarei de dizer:Venha daí outro  vinho, que aquele que nos foi prometido é mais diabólico de que  divino: Sim. "Pai! Afasta-me de mim esse cálice de vinho tinto de sangue!" - Como diz Chico Buarque.

COMO FOI O 25 DE ABRIL EM SÃO TOMÉ? - Para onde fui estagiar numa roça, em Novembro de 1963 - Infelizmente, roças que hoje se encontram irreconhecíveis. Pena que ao menos a herança colonial não soubesse ser mantida - Mas que  exemplo poderia ser exigido de um Povo, se, nas roças, o negro não ia álem de serviçal e capataz! - Que aprendizagem poderia vir a exercer se não foi além de escravo?!...

Já o disse, em Odisseias nos Mares, mas aproveito para aqui recordar alguns dos excertos ali publicados 




..A ALVORADA DE ABRIL DESPERTOU TARDE EM SÃO TOMÉ, MAS, QUANDO RAIOU, FOI COMO RASTILHO QUE SE ATEASSE A UM FOGUETE - MESMO ASSIM, HOUVE QUEM QUISESSE OFUSCÁ-LA - E POUCO FALTOU PARA QUE OS ROCEIROS PROVOCASSEM  UM BANHO DE SANGUE E O Movimento das Forças Armadas ALI FOSSE ABORTADO




 
O despertar da revolução de 25 de Abril, praticamente não foi notado nesse dia em São Tomé. Mas eu soube da notícia ao raiar dessa alvorada. Era operador na rádio local e correspondente da revista angolana, Semana Ilustrada. A estação encerrava à meia-noite e abria (se a memória não me falha) às cinco e meia da manhã. Nesse dia, eu era o técnico escalado para abrir a estação e pôr o Hino Nacional no ar, seguido de  um programa de música variada – era mais uma das bobines gravadas que recebíamos regularmente da extinta Emissora Nacional. Poucos depois, chega o Raul Cardoso, que, na redacção, passa ao papel as noticias transmitidas, em onda curta, por aquela estação, para depois serem lidas nos noticiários da "província". Pois não dispúnhamos de fax.

"Houve um golpe militar!!... Há uma revolução em Lisboa!", confessava-me, mal  pôs os auscultadores à escuta.  Porém, as notícias dos acontecimentos em Lisboa, foram encaradas com reservas e a sua divulgação, começou por ser bastante lacónica: creio que só   ao fim da tarde, ou já à noite é que se  fizeram as primeiras  referências ao Movimento das Forças Armadas, no então Emissor Regional de São e Príncipe, da EN. Mas julgo que de forma algo evasiva. Ainda pairava o espectro da censura e não se sabia se a revolução vinha para ficar.


A ABOMINÁVEL Polícia Internacional e de Defesa do Estado NÃO DESMOBILIZA E CONTINUA   ACTIVA EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE

  


 

Enquanto,  na Rua António Maria Cardoso,  capital do Império Colonial, os PIDES se entrincheiravam, metralhando quem se lhe opusesse ou eram presos e humilhados onde fossem localizados, em São Tomé, nada parecia perturbá-los: mesmo depois de já não existirem dúvidas, quanto ao êxito do Movimento dos Capitães de Abril, a PIDE teimou manter-se em actividade por algumas semanas, fazendo de contas que a situação na colónia não se ia alterar: porém, à cautela, houve o cuidado (com a conivência das secretas do CTI de STP)levarem os arquivos para aquele quartel e limparem os cadastros. Vi lá um Tenente, daqueles serviços, muito lesto à frente do edifício a conduzir as operações da remoção e transporte do recheio, que lhes interessava apagar. Fotografei a situação mas os negativos, infelizmente (tal como algumas centenas) ficou-me um colono com eles. Depreendi imediatamente que havia por ali marosca. 

Não me enganei. Pois, logo que foi permitida  a consulta pública dos arquivos da PIDE/DGS, na Torre do Tombo, me inteirei de que o meu processo  levara sumiço:  só lá encontrei as capas do dossier. Fora espancado e preso pela PIDE (na sequência da minha travessia de canoa ao Príncipe) e tinha a certeza que deveria lá ter alguns registos. Constatara que haviam limpado tudo.  Restavam as capas e o nome. Creio que fizeram o mesmo em todos os arquivos da PIDE/DGS  naquelas Ilhas. Duvido que tivessem deixado quaisquer folhas com os relatos dos seus abusos . E não foram poucos.Era uma questão que gostaria de apurar..

Por seu turno, a velha raposa do inspector (Nogueira Branco), ao dar-se conta de que o curso da revolução era irreversível, receando perder o comboio da história, quis armar-se em democrata e foi um dos primeiros subscritores do chamado Partido Democrático. - Um felizardo!... De regresso a Portugal, foi-lhe retido o "bago" mensal. Mas um oficial superior (seu amigo pessoal e conterrâneo), que havia ali comandado a Companhia de Caçadores de São Tomé e Príncipe , intercedeu e, a ovelha ranhosa, de cabeleira branca,  lá continuou a receber a avultada mesada por "honrosos serviços prestados à pátria" - Foi-me dito, recentemente, pelo próprio oficial. 



Por sua vez,  os agentes também não pareciam nada preocupados.  Na esplanada do Rialto, continuavam a refastelar-se com cervejas, tendo-lhes ouvido dizer que "o novo governo vai precisar de nós". Passeavam-se ao estilo dos mesmos figurões do costume. Todavia,  um artigo de minha autoria, na Semana Ilustrada, desmoronar-lhes-ia quaisquer ilusões. “PIDES À SOLTA! QUEM OS RECOLHE?” Logo que o escândalo veio a lume, foram enviados para a Quinta de Santo António. Essa gente era perigosa; os seus dias, já pertenciam ao passado. Eles e a quase generalidade dos colonos, continuavam a pensar, como se nada tivesse acontecido. Recuavam-se a compreender a nova realidade! 


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PALAVRAS COMO LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE, ERAM PALAVRAS OBSCENAS PARA O COLONIALISMO - "Não se encontram dois indivíduos perfeitamente iguais" - Mas existem milhões a desejarem quase um pouco de nada dos privilégios concedidos aos que têm muito.

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PARA TRÁS FICAVAM SÉCULOS DE OBSCURANTISMO, DOMÍNIO E DE EXPLORAÇÃO - O DESMORONAR DE UMA GRANDE MENTIRA - AQUELA  QUE CONSIDERAVA QUE  PARA IMPOR A SUA VERDADE"ficariam perfeitamente justificadas as perseguições aos judeus e os massacres políticos" -- NOMEADAMENTE O MASSACRE DO BATEPÁ -  - In VOZ DE SÃO TOMÉ FEV.1953  - 


Com a revolução dos cravos, caiam as algemas, renasciam novas esperanças; soavam outros ventos: soprados pelo movimento libertador das Forças Armadas, que também rapidamente ali encontrava eco nas duas ilhas – Os colonos receberam-no com apreensão e jamais se mentalizaram para o alcance das transformações que rapidamente se iam operar. E, na população negra – aquilo que inicialmente fora tomado com bastante desconfiança e incredulidade, depressa a galvanizava e a levaria a pôr-se inteiramente ao lado do programa e dos ideais independentistas, defendidos pelo (MLSTP) Movimento para a Libertação de São Tomé e Príncipe  , fundado em 1972 por Manuel Pinto da Costa, cujo secretário-geral e demais dirigentes, desde logo desenvolveram intensificada acção mobilizadora. 
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Pondo-a em prática através de duas frentes: pela antena  do “Povo Livre”,  uma estação de rádio que passou a emitir de Libreville,  capital do  Gabão, no programa "A Voz do Povo de São Tomé e Príncipe", com o total apoio do Presidente Omar Bongo . E, no interior das ilhas,  com manifestações de protesto e acções de esclarecimento, intensa actividade política, protagonizada pela Associação Cívica – pró MLSTP, que entretanto fora criada  com a instauração das liberdades democráticas.  Formada, sobretudo, por jovens estudantes e  outros  elementos nacionalistas. 

Que se  saiba, nunca chegaram a pôr em risco  a integridade dos colonos  - aliás, estes,  nas roças até dispunham de apetrechado  arsenal, com armas já anteriormente distribuídas pelo exército colonial, havendo  formação e treinos  regulares, em campos de tiro.   



O COLONIALISMO E O ESCLAVAGISMO, EXISTIRAM E AMORDAÇARAM OS POVOS AFRICANOS AO LONGO DE SÉCULOS! - NÃO ERAM PALAVRAS DESTITUÍDAS DE SENTIDO. PESSOALMENTE AINDA PUDE TESTEMUNHAR OS ASPECTOS MAIS FAMIGERADOS DESSA VIOLÊNCIA E DESCRIMINAÇÃO EM SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE.


O colonialismo e a escravatura há muito foram condenados pela história. Houve, porém, regimes que não abdicaram dessa ignominiosa exploração humana. O regime ditatorial Salazarista, ainda encarava os negros (nas grandes plantações de café e do cacau, onde a mão-de-obra era quase a troco de nada e tolerava as mais infames arbitrariedades) como massa bruta ou carga para canhão. Assisti a muitas chibatadas. E não eram só os negros as vítimas. Na imagem ao lado, como empregado de mato na roça Uba Budo, numa curta pausa para o almoço - Formava-se no terreiro da roça às 05.30. Pegava-se às 06.00 e só se largava ao pôr do sol chovesse ou fizesse sol.



 Quem diz o contrário é porque  não viveu de perto com a dura realidade do colonialismo. E também a não sofreu no corpo e no espírito – porque não atingia apenas negros mas também os brancos mais indefesos, os empregados de mato nas roças e do comércio, modestos funcionários públicos, intelectuais e  todos aqueles que de algum modo se lhes opusessem ou não pactuassem com o sistema.



 As ditaduras fascistas e colonialistas, apoiavam-se (apoiam-se ainda) numa propaganda retrógrada, opressora, disfarçada e hipócrita: - Não esclarecem, reprimem, exploram e embrutecem. O progresso que ostentam serve minorias privilegiadas e não as populações. Para muitos dos colonos das roças “o preto” tinha que ser mandado, sem ele “era um animal à solta” ou de carga; não tinha “capacidade para ser independente.” Era uma mentalidade brutalizante, demasiado arreigada. Nada os fazia mudar. As manifestações populares (com que o povo exteriorizava o seu “grito de “Independência Total”) eram tomadas como agressões. E, espante-se! – muitos desses brancos, eram outras tantas vítimas da exploração e dos  abusos dos roceiros. Coitados, não tinham culpa: era fruto do seu analfabetismo e também da mentalização Salazarista que lhes havia sido  incutida. .

ANTIGAS ROÇAS DE CACAU E CAFÉ – AUTÊNTICOS FEUDOS (UM ESTADO DENTRO DE OUTRO ESTADO), ONDE TODO O PODER SOBERANO ERA PERMITIDO –  ATÉ A CHIBATADA! MAS A MELHOR HERANÇA QUE SOBEJOU FOI NACIONALIZADA E DESTRUÍDA – A MAIORIA DAS ROÇAS ESTÃO HOJE IRRECONHECÍVEIS!

Todos recordam que as roças eram exploradas por colonos portugueses que conseguiam melhores proveitos à custa da mão-de-obra barata dos nossos ancestrais contratados (que de facto eram escravos, visto que não podiam regressar aos seus países de origem). Em segundo lugar, a maioria das roças funcionava como um autêntico feudo (Estado dentro do Estado), onde o patrão detinha todo o poder sobre as pessoas que nele viviam, onde o poder e a justiça da Metrópole nem do Governador na Colónia não se aplicavam. Nas roças foram cometidas talvez as maiores injustiças da era colonial. Muita gente defende o Marco de Fernão Dias e por vezes esquece que o nosso passado também está marcado em cada pedra das nossas roças. Por outras palavras, cada roça é um monumento e devia ser preservado como tal.” –17 jul. 2009 Tluquí Sun Deçu: Porquê que nós sempre persistimos nos mesmo erros?

Palavras  que subscrevo inteiramente – pois conheci essa negra realidade. Mas também poderia estar de acordo com a sua crítica aos erros que posteriormente se cometeram após a independência E que são apontados no seguimento do mesmo texto: “volvidos 34 de independência, após repetidas tentativas de viabilização falhadas com várias empresas e a famigerada distribuição de terras, os nossos dirigentes e a maioria dos são-tomenses ainda não perceberam que o modelo das roças é um modelo falhado. Nós temos de reinventar as roças e adaptá-las à nossa realidade actual.” E, pelos vistos, era justamente o que deveria ter acontecido: “Não deu os resultados almejados, a reforma agrária não foi acompanhada da  necessária ruptura e substituição do antigo modo de produção por outro mais modernoÉ o que se conclui noutro texto de autoria de Maria da Graça do Espírito  Santo Costa.
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Tenho pena que se tivessem cometido tais erros. Não me surpreendem: são erros de um jovem país que parte em busca da sua identidade e da sua afirmação. O colonialismo explorou a terra e o povo durante séculos e nunca se importou em preparar quadros e apontar-lhe o rumo da sua auto-determinação. – A Revolução de Abril, cometeu também muitos erros mas não tem propriamente culpa, pois não fez mais do que  pôr cobro a uma situação caduca e intolerável. Mas como fazer melhor, quando a herança que se tem em mãos, é consequência do obscurantismo e da opressão?!... Era de prever, que, um  dia, à força do Salazarismo querer tudo, nos ia deixar sem nada – Nos lançaria para uma enorme crise social e económica e nos deixaria arruinados – Daí que tenham sido muitos os escolhos , desde que o nosso país e os povos que subjugavam, se abriram a novos rumos na senda de uma saudável convivência, tolerância e espírito democrático. 

O 25 de Abril devolvera a liberdade ao Povo Português e a promessa da libertação dos povos sob o jugo colonial. A censura foi erradicada e a imprensa passou a publicar livremente os seus artigos, reportagens e a exprimir as opiniões.. A minha experiência na Roça, fora suficiente dura e decepcionante para me alertar e a tomar  consciência de que o colonialismo, não servia nem os povos das ilhas nem sequer muitos dos pobres colonos, que para ali iam na esperança de uma vida melhor.  Também fora enganado. Por isso, não vi outro caminho que não fosse o de apoiar o movimento libertador. 


 .Graças ao relato da minha primeira aventura marítima – a travessia de canoa de São Tomé ao Príncipe – na Semana Ilustrada (a que já me referi em anteriores postagens) lograra ser correspondente desta revista angolana, e, posteriormente, vir a colaborar como operador na então única estação de rádio, das ilhas. - O que aconteceria mas por um preço elevado, dado ter sido espancado e preso pela PIDE e pago pesada coima à capitania.

O director da referida publicação, apreciou a história, que foi editada em sucessivos capítulos, e, tendo descoberto em mim alguns dotes para a escrita, convidar-me-ia a colaborar. Dada a inexistência de outras publicações - à excepção do quinzenário A VOZ DE SÃO TOMÉ (órgão oficioso do regime) - não me foi difícil conquistar leitores. E também muitos problemas. Mesmo antes do 25 de Abril. Com artigos censurados e algumas patifarias. Só pelo facto de ter feito uma pequena crítica a um membro do Governador Silva Sebastião, ao Director de Turismo, foi-me levantado "um sumário inquérito" por um tal fascista Eng. Freire  - O bastante para o Director da Estação (sob pressão daquele alto quadro da E.N., que ali se encontrava em comissão de serviço, e era vizinho e  amigo do dito funcionário superior) enviar um telegrama à EN(conforme documenta a imagem) para suspender a minha admissão nos quadros da empresa pública, tendo continuado como mero colaborador - Vá lá que podia ser pior. Se não fosse a revista gozar de implantação, tinham-me posto na rua.

De facto, a palavra independência – pese os ventos sopraram desfavoráveis ao colonialismo – era ainda uma blasfémia. E as reacções não se fizeram esperar. .

Os colonos portugueses não estavam nem preparados nem mentalizados para que os novos ventos da revolução de Abril, devolvessem aos santomenses as terras que lhe foram usurpados - E quem se pôs ao seu lado, como foi o meu caso, só não foi linchado, quase por milagres.

Entre outras patifarias, numa ocasião, arrombaram-me a casa, escaqueiraram com todas as minhas coisas e puseram-me uma forca pendurada à entrada da porta.  Por duas vezes, furaram-me à navalhada os pneus dos meu carro. 



Não por parte da população negra (de quem tivera sempre o maior apoio, carinho e compreensão) mas por acções agressivas de grupos de colonos, que não aceitavam que se denunciassem certas arbitrariedades perpetradas pelo regime derrubado, tal como não viam com bons olhos qualquer artigo em que  se desse voz  ao movimento  libertador da descolonização e independência. Cedo comecei a compreender que a toda a sua ira era descarregada sobre mim! 


Custavam-lhe aceitar as mudanças que o espírito de Abril desencadeara, quer no continente quer nas colónias. Não vou aqui relatar os episódios das suas lamentáveis agressões, a que, aliás, resumidamente, já me referi – a forca de corda que me penduraram à porta de casa ou recordar as navalhadas, com que, por duas vezes, furaram todos  aos pneus do meu carro, e tantas outras patifarias. Pertencem ao passado e dariam muitas histórias.
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AS ROÇAS DE MÁ MEMÓRIA  - FEUDOS DA ESCRAVATURA À INDEPENDÊNCIA

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Também eu fui um dos  muitos escravos nas roças - não eram só os africanos;  também eu trabalhei naquela roça grande!- Na Roça  RIO DO OURO hoje conhecida por Roça Agostinho Neto Estive lá até que fui  mobilizado para a tropa, tendo ido tirar o curso de sargentos milicianos, em Angola, seguido do curso dos comandos e regressado ao CTI de STP, onde conclui o serviço militar.

Desempregado e desiludo com a malvadez e as prepotências do administrador Roça Uba Budo, fui lá pedir trabalho - Apanhei um velho autocarro, desde a cidade  até Guadalupe e apresentei-me lá manhã cedinho. Esperei que o administrador se dirigisse aos escritórios, tendo-o  abordado pessoalmente: "O que é que você faz aqui?"... pergunta,  mal me aproximo dele. "Estou desempregado e venho pedir-lhe trabalho, Sr. Fonseca....Vim fazer um estágio na Roça Uba Budo, depois fui mandado para a Ribeira Peixe. E não me dei lá bem"... "Já sei quem é você... Já sei o que se passou... O Pereira, já me falou de você.... Não sabia o que lhe havia de fazer e mandou-o para a Ribeira Peixe!... Aqui tudo se sabe... Ele diz que o queria mandar embora, porque fala muito com os pretos!... Que dá muita confiança aos serviçais... Mas eu não me importo que fale com eles!... desde que acabem as empreitadas!..."

MAIS PORMENORES NA POSTAGEM PUBLICADA NA ÍNTEGRA EM

SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE E O 25 DE ABRIL – MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS IA SENDO ESMAGADO POR ROCEIROS COMANDADOS POR TENENTE-CORONEL SPINOLISTA - POR POUCO NÃO PROVOCARAM UM SEGUNDO MASSACRE DO BATEPÁ! são tomé e príncipe eo 25 de abrilmovimento das forças


Benfica vence Juventus e vai a Turim com magra vantagem para desfeitear os Apaches e os Pirlos e alguma bazófia italiana – A torcida da luz confia na mestria de Jesus, que já o idolatra ao nível do sagrado – Esta vitória é curta e pouco convincente mas há que acreditar.




Texto e imagens de Jorge Trabulo Marques - jornalista 
vida-e-tempos.com é um site abrangente – Vocacionado para as questões culturais: da história e da espiritualidade mas o desporto também tem aqui o seu espaço - Domingo vamos estar nas Antas,








Os italianos vinham convencidos que eram favas contadas: que encostavam os  benfiquistas aos folhos, mas o que não esperavam é que também lá têm um Jorge Jesus que é muito sabido e a dirigir gente com boas pernas, que lhes possibilita suportar o assédio ou o  encosto mais atrevido




Mais uma vez o Benfica é fadado pela boa fada com um inesperado golo logo à entrada  - Ainda muitos procuravam acantonar-se nas bancadas, quando, Ezequiel Garay, aos 3 minutos, leva a bola ao canto da redes dos italianos e provoca um autêntico  delírio diluviano nos 55 mil adeptos  que emolduravam todos os anéis do Estádio da Luz

Se dúvidas havia que as coisas poderiam ficar tremidas, perante os milhões gastos por um adversário poderoso, armado por uma autêntica  constelação de estrelas, desfê-las imediatamente a partir daquele instante. Pelos vistos, já ninguém duvidava que ia estar perante mais uma noite de gala e  glória europeia! – Só que, embora a vitória seja justa e merecida, dir-se-ia que o adversário foi um digno vencido e talvez não merecesse sair derrotado.


Porém, estas coisas futebolísticas,  o que conta são os resultados, e, por agora, a vitória do Benfica  por 2-1, é um facto indubitável - É certo que a vantagem  é curta mas  é a vantagem  que lhe permite sonhar e acreditar - Se bem que, para se cantar de galo, só em Barcelos e não em Turim.Até lá há que afinar  a gaita - a do galou ou a que mais convier.



Jesus havia dito que "A Juventus tem uma vertente forte de táctica. Os jogadores italianos pensam muito bem esta área do jogo. Vai ser um duelo bonito com as duas equipas mais fortes da Liga Europa” – Sim, houve espectáculo de futebol de parte a parte e, em termos cívicos e desportivos,  até sem casos de violência – Os jogadores cumprimentaram-se, cordialmente, antes do jogo começar e depois do apito final.


Benfica foi melhor na primeira parte, depois dos 45 minutos, viu-se fortemente acossado no meio campo,  com lances que por várias vezes puseram em risco o guardião Artur, mas voltou arrebitar orelha na parte final do jogo, permitindo-lhe desfazer o empate, graças a um valente petardo do guerreiro Lima, e, assim, deste modo, partir para  Turim, na próxima quinta-feira, com mais fé e  de forma um pouco mais tranquila. 





ECOS DA IMPRENSA:

EXPRESSO - O Benfica alinhou desasado (Gaitán e Salvio de fora, por lesão), amputado de uma perna (Fejsa), e, sobretudo, com menos um corpo inteiro por defeito (Oscar Cardozo) dentro do relvado. Mas as pernas aguentaram, os sintomas de ressaca da noite pombalina foram diluídos e a equipa de Jesus começou a jogar tu-cá-tu-lá com a Juventus de Buffon, Pirlo, Carlos Tevez, Pogba, Vucinic ou Marchisio (e Giovinco e Llorente e Pablo Osvaldo) - tudo gente graúda do futebol, obviamente. Benfica. O Gran Turim da Luz
DN A décima final europeia da história do Benfica está à distância de 90 minutos, após o clube da Luz ter vencido na receção à Juventus, por 2-1, na primeira mão das meias-finais da Liga Europa. Os únicos dois remates do Benfica enquadrados com a baliza adversária garantiram um triunfo suado, diante de uma Juventus que nem fez jus ao poderio que lhe é atribuído, numa partida que deixa duas certezas: a Vecchia Signora é uma oponente ao alcance da equipa de Jorge Jesus, mas a missão em Turim, a 1 de maio, será de grau máximo de dificuldade. "Bomba" de Lima deixa 10.ª final europeia à vista

EFE - O atacante Lima garantiu nesta quinta-feira a vitória do Benfica sobre a Juventus por 2 a 1, na primeira partida das semifinais da Liga Europa, em dia de quebra de jejum do argentino Carlos Tévez em jogos de competições continentais, ao marcar gol após cinco anos. Lima decide de novo, Benfica bate Juventus e leva ligeira vantagem .

PÚBLICO - Podia ter sido um resultado mais tranquilizador, mas uma vitória é sempre uma vitória e, quando o adversário se chama Juventus, mais valorizada deve ser. O Benfica triunfou nesta quinta-feira na Luz por 2-1 sobre o actual campeão italiano e ficou mais perto de se qualificar para a final da Liga Europa. A decisão está marcada para a próxima quinta-feira, em Turim, onde os “encarnados” irão em busca da sua décima final europeia. A segunda viagem a Turim ficou mais perto,mas continua ...


RECORD "Era importante ganhar, embora tivesse sido melhor o 1-0 do que o 2-1. Sabíamos que íamos jogar contra uma grande equipa e que mesmo defendo bem que eles normalmente marcam. Tínhamos de ser perfeitos defensivamente. Fomos quase... Foi uma grande jogada individual do Tévez. Foi a primeira derrota deles na Liga Europa, mostraram aqui o poder deles e o Benfica também. Sabia que não ia ficar nada decidio. Está tudo em aberto mas vamos melhor para Turim", analisou o treinador das águias, em declarações à SIC Notícias. Benfica Jorge Jesus: «Fomos quase perfeitos defensiva

Notícias ao Minuto - "E foi desta perda de bola e do consequente canto que o Benfica chegou à vantagem.Liga Europa Benfica já vence Juventus com golo nos ...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Miguel Portas partiu há dois anos – O andarilho do Vale Sagrado, no auge da polémica das gravuras do Côa – “Para mim Abril será sempre apenas ele. E a saudade dele”. Disse hoje sua mãe, Helena Sacadura Cabral, autora do livro “Aquilo em que Eu Acredito”





Faz hoje dois anos que morreu, Miguel Portas, na sequência de um cancro do pulmão.” Um rosto difícil de esquecer, de um grande lutador e democrata, quer para quem o conheceu através das suas intervenções políticas, mas  sobretudo para os seus familiares, camaradas  e amigos :

  “Faz exactamente neste minuto em que escrevo, dois anos que a sua e a nossa dor começou. Para mim Abril será sempre apenas ele. E a saudade dele. Nada mais!" Palavras de sua mãe, Helena Sachadura Cabral, reproduzidas hoje em  fio de prumo 







MIGUEL PORTAS - UM CRAVO COM CHEIRO A ROSMANINHO PARA UM ANDARILHO DO CÔA – VEIO AQUI VÁRIAS VEZES PARA DEFENDER AS GRAVURAS RUPESTRES - FALECEU MAS CONTINUARÁ VIVO NA MEMÓRIA DO VALE SAGRADO E DE QUEM O CONHECEU - Este o título do post que editamos neste site, um dia após a sua morte - Dizíamos nós:



Uma vida intensa e  dedicada à democracia, à cultura e às causas nobres. Foi um corajoso combatente – Morreu Miguel Portas mas não morre a sua memória. – Faleceu, nas véspera do 25 de Abril, vítima de doença prolongada – Desde 2010, que ele lutava contra um cancro,  ele sabia que a vida lhe podia escapar em qualquer momento – Mesmo assim, nunca abandonou o seu posto, como eurodeputado  - Nunca deixou de intervir e de dizer o que pensava.

Já lá vão uns anos, mas até me parece que ainda o estou a ver, com outros amigos e companheiros das mesmas jornadas no Vale do Côa – No auge da polémicas das Gravuras: - Ele foi um dos que esteve a primeira linha da barricada, em prol da preservação do património milenar das gravuras dos homens do paleolítico – Ele residia em Lisboa e, vir lá de tão longe, só por muito amor à nossa cultura e arte ancestral – Também esteve frente ao Mosteiro dos Jerónimos, num acampamento organizado pelo Movimento da Salvaguarda da Arte Rupestre do Vale do Côa – Onde pontilhava, então, a dinâmica Mila Simões.

 
Curiosamente, o primeiro dia, coincidiu com o Casamento do Dom Duarte Nuno de Bragança – E não é que conseguimos levar, junto dos nossos cartazes, alem do próprio nubente,  personalidades, como Marcelo Rebelo de Sousa, entre outras figuras do PSD, do CDS e do PPM – Foi, de facto, uma excelente oportunidade para se despartidarizar  a causa – Felizmente que, muitos daqueles que, naquela altura se opunham, já reconheceram a sua importância e batem-se pela sua defesa



 Foto de Helena Sacadura Cabral  - feira do Livro 2013

Tenho uma grande admiração por Helena Sacadura Cabral – Quer como escritora, quer como jornalista. Pela sua frontalidade, pela forma calorosa e bem-humorada como escreve e também como personagem.  É das tais pessoas de quem se guarda sempre a imagem de um sorriso e de um rosto que infunde natural simpatia e ternura.

"Um mês depois do falecimento de Miguel Portas, a mãe, Helena Sacadura Cabral, apresentou o livro Aquilo em que Eu Acredito, na Fnac do Chiado, no qual fala dos valores, atitudes, sentimentos e lições inspiradoras que tem tido ao longo da vida e que nunca a fizeram deixar de sorrir e dizer o que pensa." 

"Há muito tempo que eu pensava fazer um livro destes, mas depois surgiam outras coisas e fui adiando, até que chegou uma altura em que decidi que não adiaria mais. Este livro é um produto de dois anos de coisas que fui fazendo avulso e de textos que acabei por reescrever”,explicou  a escritora”.



Foto de Helena Sacadura Cabral  - feira do Livro 2011


SIMGELA HOMENAGEM À ESCRITORA, À MULHER E MÃE - A  QUEM ACREDITA NOS VALORES PERENES -

Num dia que não é de sorrisos mas de evocação dolorida, de um sofrimento que dificilmente o tempo tão cedo apagará, sim,  ao mesmo tempo que  aqui lembramos a memória de seu amado filho Miguel, queremos também prestar a nossa singela homenagem a Helena Sacadura Cabral, transcrevendo, justamente,  alguns textos, do livro  "Aquilo em que Eu Acredito, que a autora nos honrou com o seu autógrafo


AQUILO QUE EM QUE ACREDITO  provém do que me ensinaram, do que vi e ouvi e, sobretudo, daquilo que vivi.
Não são grandes os princípios, nem tão-pouco utopias filosóficas. São mais interpretações do mundo que nos rodeia e códigos de carácter.
Nunca me furtei a dizer aquilo que penso e terei por isso pago preço que lhe está associado. Creio na família que é o meu suporte e sem o qual não existo. Creio nos amigos cujos braços e abraços são fonte de permanente inspiração. Creio na solidariedade e na coragem que nos obrigam a pensar nos outros. Creio na competência e na ética como fundamentos do labor. Creio no inconformismo responsável  porque é o motor das transformações sociais. Enfim, creio em Portugal, o país onde nasci e onde quero morrer.

Helena Sacadura Cabral, Abril 2012.


AUTO-RETRATO

Tenho sempre alguma dificuldade em fazer um auto-retrato. Sei analisar-me por áreas comportamentais, mas sinto dificuldade no somatório delas, ou seja, a panorâmica geral não é fácil. Aliás, ninguém é bom juízo em causa própria , como se sabe.
Por isso, quando me pediram que descrevesse, que dissesse quem era , recorri a uma amiga que costuma dedicar-se à filosofia do quotidiano – que é a que mais aprecio, confesso -, e esta sugeriu-me que seriasse sete coisas de que gosto e outras tantas que não gosto. Essas respostas constituíram o meu retrato. Aqui tem, para vosso juízo, o que lhe respondi.

Sete coisas de que gosto

da família
dos amigos
de trabalhar
de ler
de ouvir música
de silêncio
do meu amor

Sete coisas que detesto

a mentira
a hipocrisia
a inveja
a tristeza
a estupidez
a política
a maledicência

Pronto aqui está a prova do que sou . E também do meu gosto de clareza nas respostas que dou.
Tente agora, caro/a leitor/a, fazer o mesmo exercício  e ver se é muito diferente de mim. Sorrio, porque acredito que não! Acertei?

UMA FAMÍLIA QUE GOSTA DE RIR

Num sábado, aproveitando ter cá a família alargada e para espantar a diatribe do dia seguinte, dei um jantar para sete. Filhos, neto, irmão mais novo, cunhada e uma amiga do Miguel, da esquerda radical, de quem gosto muito.
 Os infantes estavam ligados à electricidade  e dedicaram-se todo o repasto a contar as vicissitudes da vida parlamentar. Um de esquerda, europeu e com rica vida. O outro de direita, com o salário cortado.
A partir daqui o guião foi o relato das bolandas por que ambos passam nas campanhas dos respectivos partidos.
Uma, de morrer a rir, foi o Miguel ter revelado que havia recebido vinho  e um queijo de um apoiante do CDS para “entregar ao Dr. Paulo, seu irmão”, com um abraço da gente da terra. E, depois, a confissão descarada de que a caravana, esfomeada, decidira, por maioria absoluta, apropriar-se do presente, que, evidentemente, marchou todo.
Como esta, outras histórias se seguiram, passadas em mercados e feiras, sobretudo no Norte, cuja graça está no vocabulário usado e que não posso, claro, aqui reproduzir.
Quem assistisse a este jantar, dificilmente acreditaria  que aqueles irmãos iriam, no dia seguinte, votar em campos tão diferentes.
Não há dúvidas que jamais – ai, o incómodo desta expressão … - me poderei queixar  de a minha vida ter sido, alguma vez, sensaborona. Mas, apesar disso, daqui a uma semana, piro-me para descansar a linda cabecinha!


FAZER ANOS


Fazer anos tem sempre, a partir da idade adulta, dois lados.
Um positivo, expresso no “aqui já eu cheguei”, e outro negativo, que é contar mais um na idade e menos um no tempo de vida.
Enquanto a minha Mãe foi viva, fazer anos era homenagear o seu amor por mim, que estendia do meu Pai, embora em moldes diferentes. Com efeito, foi no ventre materno que deambulei, comodamente, com os nove meses da minha risonha existência, e do seu leite que me alimentei outros tantos.
Agora, por um qualquer mistério da existência, são os amigos e os que me amam que me lembram e celebram o meu aniversário. Com uma curiosa característica: é que o fazem duas vezes, porque, como nasci  à meia-noite de 7 para 8 de Dezembro, acabo por festejar os dois dias.
Felizmente para mim que os anos não contam a dobrar…

PORTUGAL VISTO DE FORA

Numa recente edição da revista francesa L’EXPRESS,veio um longo artigo sobre a génératinon fanchée  de Portugal. Vale a pena ler. Não traz nada que não saibamos, mas tem a vantagem de ser um olhar de fora para dentro de nós.
Aliás, esta publicação tem sempre manifestado grande interesse pelo que se passa neste rectângulo à beira-mar plantado, sobretudo a partir da Revolução dos Cravos.
Está lá tudo o que é importante: os desempregados, em que cerca de 30 por cento têm entre os 18 e os 24 anos; o que a divida pública já representa; o défice público; o recuo do BPN salvo com o dinheiro dos contribuintes e, finalmente, o resultado eleitoral. Nenhuma novidade, portanto. Já sabíamos de tudo isto.
Mas quando se lê esta análise feita por outros, em que as palavras têm, ocasionalmente, a entoação que menos desejaríamos, parece que dói mais, que o retrato fica mais perto.
Se aconselho a leitura, não é por masoquismo, mas apenas por que se detetam, no arrigo, algumas subtilezas a que convém estar atento.

MAIS RESPEITINHO, POR FAVOR


O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apelou aos portugueses para serem “mais exigentes”, “menos complacentes” e “menos piegas”.porque só assim será possível ganhar credibilidade e criar condições para superar a crise.

Começo a andar muito cansada com este tipo de conselhos. Depois de arcarmos com uma série de sacrifícios, o menos que se pode pedir  é que quem nos governa  tenha por nós mais respeitinho.
Gostaria muito de saber – já não estarei entre os vivos – se Passos Coelho, na minha idade, alguma vez trabalhará 12 horas que trabalho, sem me queixar.
Por isso, e porque estou longe de ser a única, jugo que o primeiro-ministro deve ter algum cuidado com as palavras que usa  e com o  modo como avalia os portugueses.
Porque este discurso levantou muito celeuma , decidi ouvi-lo, na íntegra, na Net. Embora a frase esteja fora do contexto, o conteúdo não foi, a meu ver, adulterado. Por isso mantenho que o primeiro-ministro tem de mostrar pelos portugueses, muito apreço, nomeadamente quando lhe pede sacrifícios que, para muitos, são insuportáveis. E respeitinho, sim, porque o merecemos, mais do que ninguém. 


 Helena Aires Trindade de Sacadura Cabral, , jornalista e escritora, nasceu em Lisboa, onde reside, mas tem raízes na Guarda, por parte de seu pai, Zeferino de Sacadura Freire Cabral, e do Alentejo,  Beja, por lado de sua mãe, Ivone Marinho Aires da Silva Trindade

Sobrinha do comandante e aviador Artur de Sacadura Freire Cabral, do lado paterno. “Recebeu uma educação tradicionalista e prosseguiu estudos universitários, contra a vontade do seu pai. Licenciada em economia pelo Instituito Superor de Ciências Económicas e Financeiras, tendo sido a melhor aluna do seu curso e a primeira mulher portuguesa a ser admitida nos quadros técnicos do Banco de Portugal..   Colunista de diversos jornais e revistas  e da televisão. Autor de duas dezenas de livros, nomeadamente"O amor é difícil", em (2013), "Os nove Magníficos", em (2012), “Coisas que sei... ou julgo saber,” em 2010. “As nove magníficas, em 2008”.  “Porque é que as mulheres gostam dos homens”, em 2007. “Bocados de nós, em 2006;  “Um certo sorriso, em 2005.