
Por Jorge Trabulo Marques - jornalista C
O ponto alto da quinzena da amendoeira, culmina
com o desfile etnográfico, e é já neste domingo. É um dos eventos em que as
freguesias descem à sua cidade para mostrarem, nos carros alegóricos, um misto
de tradição e de fantasia. Claro que, nestas coisas, não basta apelar aos
antigos costumes e retratá-los, é preciso também arte e alguma imaginação.
De resto, sempre me pareceu, um homem de múltiplas
facetas: um tanto poeta, um tanto artista, visionário e pensador. E também o
homem de acção, nomeadamente no ramo da
construção cível, tendo chamado a si a responsabilidade de muitas habitações,
dir-se-á mesmo de bairros inteiros,
sobretudo em foz Côa, sua terra natal.
Sim, com a Primavera, quase à porta, o mês de março a brindar-nos com a floração da
amendoeira, e muitas flores campestres a mostrarem-nos o seu colorido, não posso deixar de me lembrar
daquela figura, algo bizarra e fora do
nosso tempo, destacando-se do alto de uma camioneta, a modos que empoleirada
num tronco de árvore descarnado, e no qual dava ares de ter acabado de sair da
mais recôndita das cavernas - Creio que terá
sido, até hoje, a imagem mais
surpreendente de todos os desfiles que se realizaram.
Tal como ele próprio reconhece, as suas origens estão intrinsecamente ligadas ao
campo, nomeadamente a pastorícia, razão pela qual o seu pai até era conhecido
pelo Sr. Cabreirinha • uma alcunha que ele muito preza e recorda com muito
carinho, segundo nos contou, numa visita que fizemos a sua casa, e também na
altura em que apresentou alguns dos seus trabalhos artísticos, num dos certames da Expo-Côa, de cujo agradável
encontro deixo aqui algumas imagens, a par de outras do cortejo etnográfico, já
com alguns anos, juntamente com um vídeo.
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