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quarta-feira, 18 de setembro de 2024

Incêndios em Portugal -Epidemia incendiária na mira do subsídio fácil em vez de limparem o mato à volta das casas e das aldeias – O esptáculo televisivo incentiva mais a piromania de que o combate aos incêndios. Espanha limpa as florestas, Portugal cultiva o mato - Reproduzo o video que gravei em 2017 r algumas dos alertas que fiz


Espanha - Exemplo a seguir 
ELITES RUINS E O POVO PASMADO POR FALTA DE LIDERANÇAS SÉRIAS E RESPONSÁVEIS  -  O que esperam os donos das casas que nem sequer limpam o mato em redor das suas casas? – Que sejam os bombeiros a ocuparem-se dessa elementar obrigação?.... Basta transpor a fronteira de Portugal para Espanha, ou vice-versa, por via área ou terrestre, para constatar que o dito jardim à beira-mar plantado, dominado pelo caciquismo parasita, tem mais semelhanças com a negligência dos países africanos ou do terceiro mundo, que com o resto da Europa  - Descendentes de selvagens  pastores de Viriato,  que os romanos se viram gregos para domesticar, tendência agravada mais tarde com a expansão colonial, assim parece persistir a mentalidade ancestral dos chamados lusitanos. 


- Este video foi gravado no dia 20 de Agosto de 2017. Publicado num dos meus blogues e no Youube https://www.youtube.com/watch?v=E5wobQV9TAg ...... https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2017/10/incendios-2017-portugal-queimado-e-vai_27.html ...... SUBSIDIOS VÃO INCENDIAR O PAIS - A devastação incendiária vai continuar porque há subsídios na mira para sacar e a industria dos incêndios para alimentar - Um pais arder porque ninguém quer limpar o mato à volta das casas, imersas por arvoredo e capinzal, nem as bermas das estradas e proprietários, absentistas, esperam que seja o Estado a encher-lhes os cofres – Os madeireiros, que empregam mão-de-obra precária e mal paga, agora falam em postos de trabalho que não promovemos 


- https://templosdosol-chas-fozcoa.blogspot.com/2017/07/subsidios-vao-incendiar-o-pais-espanha.html .... A devastação incendiária vai continuar porque há subsídios na mira para sacar e a industria dos incêndios para alimentar - Um pais arder porque ninguém quer limpar o mato à volta das casas, imersas por arvoredo e capinzal, nem as bermas das estradas e proprietários,absentistas, esperam que seja o Estado a encher-lhes os cofres – Os madeireiros, que empregam mão-de-obra precária e mal paga, agora falam em postos de trabalho que não promovemos - ver, como vamos assistir através dos telejornais, ao corrupio da pedinchice dos subsídios do Estado e da CEE para depois, além de queimados, ainda ficarmos mais depenados: como se o dinheiro não viesse dos impostos dos contribuintes - Nomeadamente da classe media, já que, o tecido empresarial, sejam medias ou grandes empresas, sabem muito bem como furtarem-se ao fisco





UM PAIS DOMINADO POR  CHULOS E DE CORRUPTOS - Sinto orgulho por ser português, por um pequeno país  ter navegado pelos sete mares em frágeis caravelas, mas  ao  mesmo tempo nutrindo como que um misto de sentimento amargo e de revolta por ver que a nossa burguesia, a dita elite  económica, continua a ser dada mais às almoçaradas e jantaradas (assim já era nos famosos banquetes anteriores à instauração  da República) a curtir o  faduncho  e as bárbaras touradas,  sim, persistindo em governar-se através dos cordelinhos e expedientes do parasitismo e da chulice, em comer à custa da gamela do Estado, de que, afinal, ela  se revela o seu maior inimigo, de que propriamente em gerar riqueza e saber distribui-la.


Vão ver, como vamos assistir através dos telejornais, ao corrupio  da pedinchice dos subsídios do Estado e da CEE para depois, além de queimados, ainda   ficarmos mais depenados: como se o dinheiro não viesse  dos impostos dos contribuintes - Nomeadamente da classe media, já que, o tecido empresarial, sejam medias ou  grandes empresas, sabem muito bem como furtarem-se ao fisco

Espanha
ESPANHA HÁ MUITO DEFENDEU  A PRESERVAÇÃO FLORESTAL - Política Florestal na Espanha desenvolve através de um programa florestal, conforme definido no Painel Intergovernamental sobre Florestas das Nações Unidas em 1997, tendo os principais objectivos contribuir para o desenvolvimento rural da silvicultura manter e melhorar o estado de conservação as montanhas e seu potencial económico.

Para determinar o grau de cumprimento das metas existentes no programa silvicultura e planejando uma série de relatórios nacionais e internacionais disponíveis no monitoramento seção são usados. Política Forestal en España - Planificación forestal - Política forestal .... Agentes Forestales y Medioambientales de España - APAF-Madrid


OFERECEREM-SE  MILHÕES À BANCA USURÁRIA - TODAVIA, ESQUECEM-SE AS CORPORAÇÕES DOS BOMBEIROS - 



De facto, Portugal,  está arder em variadíssimos pontos de Norte Sul -  As profundas alterações climáticas, com a China e a Índia a poluir drasticamente a atmosfera para exportarem toda a gama de  quinquilharias para o ocidente, por via do liberalismo selvagem que permite que as fábricas europeias sejam instaladas onde  não se respeitam nem os mais elementares direitos humanos nem as mais básicas normas ambientais - Para depois nos invadirem com o seu comércio e esmagarem  o comércio local e destroçarem o meio ambiente.

21 dezembro 2016  -Quase meio bilhão de pessoas estão vivendo sob uma densa poluição no norte da China desde o final de semana passada, o que levou autoridades a colocarem 21 cidades e a capital, Pequim, em alerta vermelho. http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38393259


"As elites de Portugal são elites estrangeiradas e que se comportam em Portugal quase como elites coloniais"  (..) são famílias que vieram instalar-se em Portugal. A primeira grande leva que ainda hoje domina a economia portuguesa, veio no tempo do Marquês de Pombal, que quis desenvolver a indústria em Portugal, porque não encontrou no nosso país, as pessoas capazes de dirigir estas empresas. E então teve de recorrer a estrangeiros para virem implantar a indústria. Mas depois houve uma segunda leva” – Diz Fonseca de Almeida -   autor do livro “As Elites de Portugal -  Inadaptação, Crise e Desafios - reconhece que estas “

Eu diria que não existem elites portuguesas; quanto muito, eu diria que há contra elites portuguesas. As pessoas que procuram ascender à liderança do País, com esforço, com trabalho, com dedicação mas estão afastadas do poder.




“Para grande parte da elite portuguesa a situação afigura-se como um beco em que a única saída é voltando para trás, retornando ao modelo social onde os salários possam competir com os da China, onde os custos do trabalho não sejam onerados por encargos sociais, em que a saúde, o ensino e as reformas passem para a esfera privada, onde os impostos recaiam de facto et de jure somente sobre os trabalhadores por conta de outrém, em que o papel do Estado se limite ao apoio financeiro às suas empresas e actividades e a União Europeia accione clausulas de salvaguarda protegendo os mercados de fr1desejáveis invasões bárbaras. Em suma o regresso a um passado em que medraram e prosperaram. Esta via é, contudo, impraticável, na medida em que a nossa dependência de uma zona geográfica e económica em unificação, e embalada noutra direcção, o impede.

Sinto orgulho por ser português, por um pequeno país ter navegado pelos sete mares em frágeis caravelas, mas ao mesmo tempo nutrindo como que um misto de sentimento amargo e de revolta por ver que a nossa burguesia, a dita elite económica, continua a ser dada mais às almoçaradas e jantaradas (assim já era nos famosos banquetes anteriores à instauração da República) a curtir o faduncho e as bárbaras touradas, sim, persistindo em governar-se através dos cordelinhos e expedientes do parasitismo e da chulice, em comer à custa da gamela do Estado, de que, afinal, ela se revela o seu maior inimigo, de que propriamente em gerar riqueza e saber distribui-la.


SPORTING 2 - Lille 0 – Vitória leonina em Alvalade em perna de leão na liga dos Campeões


                                             Reportagem de Jorge Trabulo Marques
O Sporting estreou-se esta terça-feira, com um brilhante triunfo na Liga dos Campeões - 2024/25, ao vencer em casa os franceses do Lille por 2-0, em encontro da primeira jornada, com golos do sueco Viktor Gyökeres, aos 38 minutos, e o belga Debast, aos 65.


Os gauleses terminaram jogo, com menos um jogador, por expulsão de Angel Gomes, aos 40. Em todo o caso, a vitória sportinguista, foi plenamente justificada.

O próximo jogo, dos oitavos, da equipa liderada por Rúben  Amorim, vai disputar-se em 01 de outubro, no reduto do PSV Eindhven

terça-feira, 17 de setembro de 2024

V.Foz Côa -Incêndios infernais em Agosto 2013 - 4 bombeiros com queimaduras graves - Eu na reportagem, cheguei a estar cercado pelas chamas, felizmente lá me salvei com algumas queimaduras nas pernas nos dias em que o sol se ofuscou- Cerca de 3.000 hectares devastados nas margns do Côa e da Ribeira Centieira, atingiram as freguesias de Almendra, Santa Comba, Muxagata e Chãs e outras áreas de Mêda.

                                                        Jorge Trabulo Marques  - 


De facto, Portugal está arder em variadíssimos pontos de Norte Sul - O ano foi chuvoso e uma vez mais não se apostou na prevenção.
Os matos à volta das habitações, armazéns, oficinas ou de outras instalações devem ser limpos até pelo menos 50 metros de distância. Se todos aplicassem estas medidas preventivas, tal como não atirar beatas acesas ou apagadas para fora da janela do carro; manter as bermas dos caminhos e das estradas limpos; não acender fogueiras numa floresta quando está calor ou vento; não fazer queimadas no interior das matas, não lançar foguetes ou fogo de artificio no interior das matas, sim, se todos aplicassem estas medidas de prevenção, esvitar-se-iam todos os anos milhares de hectares ardidos, milhões de euros gastos desnecessáriamente e vidas humanas salvaguardadas.
  

"Terminou o inferno que nas últimas 70 horas devastou as paisagens de Almendra e Muxagata", dizia então o  o blogue dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Foz Côa, Bombeiros Voluntários Vila Nova de Foz Côa referindo que  foram vividas verdadeiras horas de esforço e sacrifício por parte dos mais de 100 Bombeiros que passaram pelos teatros de operações, culminando os trabalhos,  pouco depois das 18 horas", ontem, dia 30 de Agosto.






Pouco depois de uma das frentes ter  lavrado (reduzido a cinzas) a vegetação do Curral da Pedra onde nos sitiávamos, embora já longe, vimos o drama - Imediatamente  calculámos que podia haver bombeiros no  meio daquele Inferno de fumo e de chamas - Não tardou que ouvíssemos sirenes não para apagarem e deterem o incêndio (que galgava com diabólica fúria) mas para socorrem os seus bravos companheiros - Mesmo assim ainda houve braços para salvarem o curral do Pedro (depois do incêndio devorador, lavrar encosta acima), onde os cães, nos canis,  ladravam e ganiam desesperados e já davam os primeiros sinais de alarme. 


CONTINUA A DESCER E A LAVRAR  IMPARÁVEL MAS QUASE NUM RELÂMPAGO  VAI SUBIR E SURPREENDER OS BOMBEIROS

Quatro bombeiros foram surpreendidos pelas chamas, quando se posicionavam junto das suas viaturas para evitar que o incêndio galgasse a estrada mas as chamas eram ciclópicas  e rapidamente passaram sobre eles - Tendo  dois dos quais sofrido fortes queimaduras  - Do ponto onde nos encontrávamos, ficamos com a impressão que havia mais viaturas estacionadas no mesmo troço da estrada - Inclusivamente na curva do Miradouro -  De resto, as imagens assim o confirmam. 





Pelos vistos, mesmo assim, o acidente podia ser ainda mais grave. Temos a sequência das imagens: Estas algumas das que estávamos a registar naquele momento. Também fizemos vídeo mas o fumo era muito (tínhamos mato arder a escassos metros no Castro do Curral da Pedra à nossa esquerda) e a objetiva ficou apontada praticamente para os grossos  novelos da  fumaça, pelo que não o editamos. 




 Quinta da Barca -Margem esquerda do Côa - Mas o que está para lá da fumaça é  inimaginável! - E foi ali que os Bombeiros Voluntários de V. N. de Foz Côa e outras corporações se entregaram numa luta sem tréguas. - António Lourenço, então Presidente da Associação do concelho, também não teve descanso




Sit.  



O

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Natália Correia e o Botequim da Liberdade Nasceu em 13-09-1923 Açores - Faleceu em lisboa – 16-03-1993 –Recordando a sua memória, em Noites Loucas, de alegria, música, convívio e poesia, num dos raros bares da boémia lisboeta, na década de 70 e 80, onde a poesia, o convívio, a tertúlia, em qualquer momento se soltavam e davam largas à sua expressão mais alegre e calorosa..

                                                                      Jorge Trabulo Marques 


Foto obtida à saída de uma festa de gala no Casino Estoril - Natália Correia e a sua corte - Na qual está também - no primeiro plano  Dórdio Guimarães, o fiel companheiro de todas as horas de Natália,  de costas voltadas para o fotógrafo; um pouco mais à esquerda, está  Fernando Grade, e,  quase a servirem de guarda-costas, Francisco Baptista Russo e Fernando Dacosta, agora de novo com mais uma bela surpresa literária  - Não me ocorre o nome das outras suas amigas.

Em Memória de Natália Correia e do Botequim - Em Noites Loucas, de alegria, música, convívio e poesia 



 Vídeo editado neste poste, em 04-010-2016 -  Um dos raros bares da boémia lisboeta, na década de 70 e 80, onde a poesia, o convívio, a tertúlia, em qualquer momento se soltavam e davam largas à sua expressão mais alegre e calorosa.. Era conhecido pelo Botequim de Natália Correia – A mais ilustre filha açoriana, fez história e deixou memória – Tanto no meio intelectual, como musical e politico - (Fajã de Baixo, São Miguel,13 de Setembro de 1923 — Lisboa, 16 de Março de 1993) - Tive o prazer de ter sido um dos  frequentadores, daquele emblemático espaço, do qual guardo recordações inesquecíveis – Até no registo dos sons, da leitura de poemas e das entrevistas que me concedeu para a Rádio Comercial - Natália, mais que uma figura inigualável, é hoje uma lenda viva – Quem é que, tendo-a conhecido, hoje esquecerá essa figura? “ Forte , frágil, bela, talentosa, contraditória.. Tal como nos géneros literários que cultivou" - Lé-se em Fotografia de Natália Correia - por Ana Paula Costa

Algumas das entrevistas da minha atividade profissional,  foram congeminadas sob a inspiração de Natália Correia, nomeadamente as publicadas no Tal e Qual,  sobre "a primeira relação sexual" - A Graça Lobo; Afonso Moura Guedes; Carlos Botelho; Raul Solnado; Ivone Silva; Narana Coissoró; Ary dos Santos; Raul Calado; Simone de Oliveira; Vitorino de Almeida.

E  à própria  Amália, até hoje ainda inédita, devido à fuga rocambolesca  de sua casa.  Às tantas desistiu da entrevista, quis apanhar-me o gravador e a  cassete e eu tive que raspar-me, com ela e a Maluda  a correrem escadas abaixo até à rua atrás de mim e mais o Vicente, a irmã e duas amigas. Só descansei quando apanhei um táxi.  Mas a culpa também era dela, porque, quando ali cheguei, a conversa já era picante. E nem ela nem ninguém alterou a tónica dos episódios,  nem sequer ela deu mostras de ter pressa. Pelo contrário,  diverti-me com as  risadas, sentindo-me perfeitamente  integrado na tertúlia, como se fizesse parte das visitas habituais da casa. Aliás, já ali havia estado por duas vezes, para a entrevistar para a Rádio Comercial, e esta era a terceira. Pois  admirava muito a minha faceta de navegador solitário nas canoas pelo Golfo da Guiné.



Embora não tendo mostrado a gravação, respeitando pois o desejo de Amália,  o simples facto de ter narrado o episódio no Botequim, foi motivo de hilariantes chalaças e  de sonantes gargalhadas por Natália e outras amigas, que se divertiram com os  tabus da grande fadista - Até porque a entrevista também havia sido combinada diretamente pelo telefone do bar. Com a entrevista a Afonso Moura Guedes, então  Presidente   Parlamentar da bancada do PPD, também viria a passar-se algo inesperado, com a publicação agressiva e destemperada de Vera Lagoa, no jornal o Diabo, a cujo artigo, Natália Correia, soube dar resposta adequada, no Diário de Notícias.






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MAS DO QUE O FERNANDO DACOSTA  SE HAVERIA DE LEMBRAR...





Estas linhas (que ainda não sei bem onde me irão  levar), ativada que foi a memória, era para serem escritas, ontem, dia 13, Sexta-feira, dia em que, se Natália Correia, fosse viva, completaria 90 anos - Não o fiz pelo simples facto de que, tendo comprado o livro de véspera, na FNAC do Chiado, a sua leitura, não só me absorveu, como me fez acreditar que, afinal, a autora da Mátria, mas de tantos e tão belos livros de poesia, romance,  ensaio, crónica, sim, a espantosa mulher com quem também tive o prazer de partilhar as inesquecíveis tertúlias do Botequim, ainda estava  viva - Tal a profusão de memórias, de tão extraordinários momentos e recordações que tão magnifica obra me proporcionou  - Umas vezes fazendo-me sorrir, outras, não conseguindo suster as lágrimas mais teimosas, como se ainda estivesse ouvindo as mesmas vozes, as palmas e as gargalhadas, que ecoavam naquele singular microcosmo, entre as quais se destacava, inconfundivelmente, a de Natália, sim, que nem os sons do piano conseguiam abafar, num espaço, tão único e tão singular das noites lisboetas, mais propriamente do largo da Graça, ao  mesmo tempo poético e político, social, sociável e cultural, esotérico, intimista,   amistoso, confessional e familiar. 

Pequeno espaço  mas que, em certas noites, parecia ser a grande aeronave espacial que nos levava nunca se sabia bem a que parte - tanto ao  perto, como bem ao longe: aos enredos e  intrigas de Belém, de S. Bento, no cotejo desta ou daquela figura,  em  conciliábulos conspiratórios, acaloradas discussões ou inesperados debates, mostras de pintura, lançamento  de livros, récitas de poesia, música e canto, fazendo-nos divagar, sabe-se lá por onde e por que confins, e a falar de alguém, morto ou vivo,  indo ao fundo da história e da literatura, levando-nos por oceanos a fora, não só ao Brasil, como a Cabo Verde, S. Tomé, Angola, Moçambique, a Macau e a Timor, aos vários pontos do Mundo. Temas não faltavam:  falava-se de tudo, frontalmente  e não em surdina ou de forma brejeira - Falava-se, sem  preconceitos mas sempre de modo vivo, curioso  e interessante, mas com a reverência de que havia ali uma rainha  que exigia vassalagem, culta, multifacetada  e carinhosa, que  adorava o convívio, que encantava e provocava a  curiosidade,   o diálogo, a ousadia, a imaginação,   conquanto não raiasse o palavrão ou o insulto -Tal como na sua escrita (desde a poesia, narrativa ao teatro) e na suas intervenções públicas,  Natália Correia, era a mulher da insubmissão, que criticava e questionava, abrindo as portas à  indignação e  à rebeldia, num tom mesclado com a tónica do humor, do  sarcasmo. Tinha resposta imediata, tal como ao fingimento ou à sobranceria:

Certa noite, uns sujeitos engravatados  e graves entram e sentam-se a uma mesa isolada, junto ao piano - recorda, Fernando Dacosta  - Natália segue-os  com o olhar, surpresa por não a terem reverenciado. De soslaio, passa a observá-los e a detestá-los.

«Esquisitos, parecem policias!» , exclama entre pequena fúria e grande curiosidade - a curiosidade matava-a.
Não se contendo, levanta-se em voo largo e picou sobre o Carlinho, pedindo-lhe música branda.
Um dos estranhos  ergue-se e dirigiu-se-lhe: "Senhora D. Natália, nós somos juízes e queríamos..."

Ela fulminou-o: "Juízes? Eu não gosto de gente dos tribunais!"
O seu interlocutor corrigiu: "Mas nós somos dos Estudos Judiciários..."
Ela voltou a fulminá-los: "Da judiciária?!"
Não, dos Estudos Judiciários", exclamou.
"Ora, é tudo a mesma coisa!", e virou-lhe as costas.

Sim, Natália detestava  a bajulação mas sabia que era diferente e gostava que essa diferença fosse reconhecida - Amante da critica, da contestação,  da liberdade de expressão, antes e depois de Abril. Mas, intrinsecamente, de dentro para fora e não por imposição externa.  Foi deputada pelo PSD, mas, justamente por via da sua insubmissão à castradora doutrina partidária, não tardou a ficar desiludida "das formações políticas existentes entre nós" Processada pelo partido, que lhe "moveu dois processos disciplinares  por desrespeito dos estatutos, o seu nome não demorou, como consequência,  de deixar de interessar aos partidos  - E, afinal, porquê?..  Estava-se no tempo em que a AD  defendia "uma maioria, um governo e um presidente"  - "Natália torceu o nariz ao solagn lançado por Sá Carneiro" , recorda, Fernando Dacosta, referindo que Natália objectava ser  essa situação "uma antecâmara para totalitarismos", pois, sem crítica, sem contestação, "pilares da liberdade", não há democracia.  
«IATE DE LUXO - "A magia do Botequim tornava-se, nas noites de festa, feérica. Como um iate de luxo. Navegava-se delirantemente  em demanda de continentes venturosos (ilhas e amores) que nunca se encontravam.

«o importante não era alcançá-los, mas procurá-los», sobre ondas de fantasia e desmesura»

«As tertúlias proporcionavam  a "comunhão com pessoas de espírito e de ousadia. vingará ela, «por isso, são fundamentais para se evitar  a cultura desvivenciada, pois  só quando se está muito na vida se pode transmiti-la aos outro. As reverberações das músicas, das luzes, dos vinhos, dos fumos, tudo faziam possível, apetecível."

FALAVA-SE DA VIDA E DA MORTE - E ATÉ DO INVISÍVEL, DO ALÉM

  Sim naquele então já mítico e lendário espaço, falava-se questões atuais e de futurologia: da vida e até da morte - Aliás, foi ali que, numa certa noite, lhe gravei. para a Rádio Comercial, um lindo poema em resposta a um inquérito que mesmo ali iniciei sobre a morte, sua resposta:  "Não me chorem, não é morte/ é só invisibilidade/ (...) Não sou católica. / Mas se missa me rezarem/pela alma, não me importa"




TOCADA PELO SAGRADO - Diz Fernando Dacosta  - "Não se tornava fácil compreende-la, nem amá-la. Fazê-lo, exigia sentimentos, disponibilidades especiais. Era um ser tocado pelo sagrado, um desses seres que não cabem no espaço que lhes foi destinado, nem no corpo, nem nas normas, nem nos modelos, nem nos sentimentos. Chegava a assustar."

"Os que não a aguentavam combatiam-na não pelas suas ideias, mas pelos seus tiques, não pela sua criação, mas pela sua distracção, tentando reduzi-la a anedotários de efeitos fáceis e falsos."

"Ao mesmo tempo forte e desprotegida, imponente e indefesa, egoísta e generosa, arguta e ingénua, dissimulada e frontal, sentia-se, ante as coisas rasteiras (e as pessoas, e as acções), perdida; só as grandes a tocavam, galvanizando-a. Então, toda ela era golpe de asa, vertigem"

E TAMBÉM “ENERGIA FLUTUANTE”

"Privilegiada  pelo  destino (com o talento, com a sedução), pelos íntimos (com o amor com a entrega), pelos amigos (com a lealdade, com a dádiva), a Natália viu a vida ir ter  consigo, enleando-a, dilatando-a.

A  paixão pelo superior adiantou-a, desde criança, ao seu meio. Entre a realidade que lhe coube partilhar  e a ficção que lhe coube voltear, foi ardendo nas margens da maior  imprevisibilidade."

"ÓDIOS DE ESTIMAÇÃO"


Num país de brandos costumes, a vingança serve-se fria e ao jantar - Fernando Dacosta, além dos notável testemunho que legou a todos quanto admiraram Natália e continuam adorar a sua obra,  sim, a quem felicito pelo excelente livro, certo já do seu êxito, de que lhe vão suceder várias edições, conta que "Dias depois  de Natália ter falecido, alguém na RTP" convida-me para fazer um programa para a rubrica "letras e Artes" sobre a sua vida. Dias volvidos, a mesma pessoa contacta-me, envergonhada: os responsáveis da estação opunham-se, Natália continuava-lhes (mesmo morta), insuportável.