OS OLHOS JÁ QUASE NADA VÊEM MAS O CORAÇÃO CONTINUA ACORDADO --
Pese o facto dos seus olhos já não poderem contemplar a luz e a beleza que o inspiraram a escrever os mais belos poemas, tendo como temas os costumes da terra e das suas gentes, mas também os valores pátrios, religiosos e de pendor universal, sim, pensámos que os demais sentidos, reforçados pela sua fé e determinação inabalável pela paixão da escrita e pelo gosto da vida, continuarão, certamente, ainda mais sensíveis, para poder ir ao fundo do baú da sua memória e poder continuar a brindar-nos com os seus excecionais dotes literários, desde o teatro, à poesia e à ficção - Obviamente que uma tal tarefa, além de só ser possível com o amparo da esposa, dos filhos e netos, que nunca lhe negaram o indispensável carinho e apoio, naturalmente que exige um esforço hercúleo a quem contraia a cegueira adulto: a vida espiritual, por certo, se intensificará mas as limitações físicas, vão-se tornando num calvário que só Deus e quem leva essa pesada cruz, compreenderá o drama na sua verdadeira extensão.
Neste sagrado dia da
Natividade, ao mesmo tempo que aqui temos o prazer de transcrever dois
dos seus lindos poemas, inseridos no Espírito Natalício,
aproveitámos para lhe expressar os votos amigos de um Feliz Natal, junto dos
que lhe são queridos e desejando que a deficiência visual, que tão
profundamente o afecta, recupere e não se agrave
GLORIFICAR O NATAL NAS TREVAS É CERTAMENTE O
MAIOR TRIUNFO DO QUERER HUMANO
Noite de Natal
O Céu não estava estrelado
mas uma estrela luzia,
Num barraco desprezado
estavam José e Maria.
Num monte distanciado
A branca neve caía.
Mas no negrume fechado
De repente se fez dia.
Uma criança chorava
quando a luz se refectia
num espaço onde ecoava
um cântico de alegria,
cântico que reboava
numa perfeita harmonia
enquanto José Louvava
Era um mistério sagrado
o que ali acontecia.
Um pastor admirado,
cantava, dançava e ria.
O próprio tempo, abismado
em dois tempos se repartia.
E sobre palhas deitado
O Deus menino dormia.
O Deus menino dormia.
.
Manuel Daniel – do Livro Chão de Areia
anjos
cantando, a Estrela de Belém,
céus
e Terra louvando o nascimento
de
Jesus que nasceu para o nosso Belém…
os
anos na natureza dos seus trilhos.
e
só é já Natal para mim quando
se
renova nos olhos dos meus filhos.
Manuel Daniel – do Livro Chão de Areia
A partir dos 20 anos de idade , propôs-se e fez os exames do ensino
secundário e frequentou, como voluntário, o curso de 1973-1978 da Faculdade de
Direito da Universidade de Coimbra, por onde veio a ser licenciado.
Tendo começado a trabalhar aos 11 anos, fez uma longa carreira da função
pública nas tesourarias e repartições das Finanças da Meda, Pombal, Reguengos
de Monsaraz, S. João da Pesqueira, Vila Nova
de Foz Côa e Guarda, culminando como dirigente superior da Direção Geral do
Tesouro, no Ministério das Finanças, onde foi responsável pelos serviços
técnicos e financeiros das Tesourarias de Fazenda Pública.
O seu gosto pela literatura foi-se manifestando no jornalismo, na poesia
e no teatro, tendo publicado “Caminhada Imperfeita” (poemas), “Auto da Juventude”,
“Lourdes”, “Eram meninos como nós” (teatro), “A porta do labirinto” (poemas,
textos e teatro) e visto uma letra de forma uma conferência sobre “O Feriando Municipal
da Meda e S.Martinho”, promovida pelo respetivo município.
Tem inéditas cerca de uma vintena de peças de teatro, a maior parte das
quais para crianças e jovens. Colaborou em diversos jornais e revistas e
manteve durante mais de um ano uma crómica dominical na “Rádio Altitude da Guarda”
Foi sócio da extinta Sociedade Portuguesa de Escritores e é membro da Sociedade Portuguesa de Autores; co-fundador do quinzenário” Luz da Beira” (Meda 1954.1974), do mensário “Palavra”, (Reguengos de Monsaraz a partir de 1966), co-fundador e diretor do boletim intermunicipal “Terras e Gentes” (mensário, 1986-1995) dos municípios de Meda, S. João da Pesqueira e Vila Nova de Foz Côa.
Em Vila Nova de Foz Côa presidiu durante 12 anos à Assembleia Municipal e, durante 23, foi provedor da Santa Casa da Misericórdia.
Pela sua ação social, foi distinguido
pelo “Diploma de Mérito” pela Câmara Municipal. Reside desde 1971 na cidade de
Vila Nova de Foz Côa, onde exerce advocacia.
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