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sábado, 2 de maio de 2020

Megalíticos de ancestrais civiizaçãoes que são um desafio ao nosso entendimentoe e interpretação

Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - Autor da descoberta dos calendários pré-históricos, alinhados com as quatro estações do ano, de cujas celebrações também seu coordenador

ÍDOLOS ROCHOSOS  QUE TRANSMITEM CIÊNCIA, SABERES E MISTICISMO ANCESTRAL PERDIDO  NO TEMPO MAS PERPETUADO EM MAJESTOSOS MONUMENTOS DE  PEDRA

 

 Busto numa das colinas de granito - Ergue.se caminho da aldeia da minha aldeia

 


ANTIQUISSIMAS  CIVILIZAÇÕES, CONQUANTO NÃO DISPUSESSEM DOS INSTRUMENTOS CIENTÍFICOS DA ATUALIDADE, NEM POR ISSO DEIXAVAM DE ORIENTAR AS SUAS VIDAS ATRAVÉS DOS CICLOS DAS ESTAÇÕES – E de erguer gigantecos megálitos, alguns dos quais com feições humanas - Existem também enigmáticas imagens dessas no maciços dos Tambores, configurando bustos de seres humanos, de falos e animais, onde se situam vários calendários pré-históricos, reportados neste site


 “Há muito tempo, houve um evento catastrófico. Tudo na terra mudou. Um grupo de gigantes (10-12 pés de altura mais ou menos) com crânios alongados queriam arrumar tudo novamente... não restavam muitos deles... mas se dirigiram aos lugares de poder na terra e começaram a construir megálitos de. Pedra que recativaram a rede da terra com a esperança de que retornará uma nova era dourada. Estudar isso é fascinante mas, a verdadeira razão é também queremos criar uma idade de ouro e queremos entender como eles estavam usando pedras para aproveitar a energia natural da terra. 
MACIÇO DOS TAMBORES - CHÃS

Então podemos usar essas tecnologias para nos tornar felizes a todos novamente. É a fusão do velho e o novo. É a fusão da ciência e da espiritualidade. E é a fusão do sagrado e da diversão. Esse é o projeto céu na terra. Os gigantes deixaram monumentos e registros de como eles se viam em todo o mundo em pedra. Este é no colorado

Todos esses depoimentos imóveis parecem supor que esse território, em uma posição estratégica, teria sido um lugar sagrado, onde rituais ligados ao ciclo de estrelas e solstícios foram desenvolvidos ...Extraido de https://www.facebook.com/eduar.cerna.9/media_set?set=a.2011817499050791&type=3


SETE ALINHAMENTOS 


No Maciço dos tambores, até à presente data, foram descobertos sete alinhamentos: Pedra da Cabeleireira de Nª Senhora, atravessada pelos raios solares do nascer do sol nos Equinócios; a Pedra  do Solstício, alinhada com o pôr do sol do Solstício do Verão; "As Portas do Sol, alinhada com o nascer do sol  do Solstício do Inverno e o pôr do sol do Verão;  Pedra Phallus Impudicus, alinhada com o nascer do sol do Solstício do Inverno ;a Pedra da Ursa Maior com as sete fossetes, alinhada com os Equinócios e com simbologia ou enquadramento com  Ursa Maior e a Pedra Caranguejo,  atravessada pelos raios solares do pôr do sol dos equinócios

Espantoso achado, encontrado nos Tambores  – pelo autor deste site – Denota faltar-lhe uma parte e a ponta - J. Leite de Vasconcelos, em Religiões da Lusitânia, designa um parecido, de troféu



Na anta da Cunha·Baixa (Mangualde), a que me referi a cima, Pág.71, encontrei um objecto de granito, com a conformação indicada na figura 73: o objecto tem de comprimento 1m,20 e de maior largura om,20, apresentando ao longo uma serie de sulcos feitos com toda a regularidade; estava deitado à entrada da camara. Não me parece fácil determinar precisamente o uso d'este objecto. Nunca vi outro igual, conquanto tenha encontrado dentro das antas pedras mais ou menos compridas e irregulares, que talvez lá não fossem postas sem especial intuito I. Num livro do sr. Joly s vem o desenho de um objecto que represento na fig. 74, o qual não deixa de ter alguma parecença com o de cima, embora  talvez seja muito menor, e de outra substância; o A. denomina-o registe-se de  comptes, Inclino-me a crer que o objecto Cunha-Baixa representa um troféu, designado os sulcos



 



Esta extraordinária imagem,  configurando uma gigantesca esfera terrestre ou a esplendorosa configuração de um enorme globo solar  projectando os seus dourados raios, a poente, foi registada, pela primeira vez, cerca das 20.45 horas do dia 21 de Junho de 2003 e poderá repetir-se,  todos os anos,  ao fim do dia mais longo do ano e à mesma hora, caso as condições atmosféricas o permitam.  - Vista da face sul para Norte, prefigura um busto masculino, enquanto do lado  oposto, faz lembar um perfil feminino.

A partir do ponto onde o sol então se pôs ( e  voltará a pôr-se) começa o Verão e, de igual modo,  a grande estrela-fiel inicia o movimento aparente da sua declinação para o Hemisfério Sul – E, até atingir esse ponto extremo, no Solstício do Inverno, distam vários quilómetros: ou seja, desde o ponto do horizonte, onde ele se vai pôr, em  perfeito alinhamento com a crista do esférico bloco e o centro do pequeno círculo que se encontra cavado, a alguns metros a oriente, na mesma laje da sua base de apoio.

solstício 2008

Ergue-se sobranceiro ao aprazível vale da Ribeira Centieira, num ponto tal que, à primeira vista, apesar da sua brutal grandeza, parece que,  só com um simples empurrão, alguém o poderia fazer  resvalar até ao fundo da escarpada encosta.  Fica a curta distância  do Santuário Rupestre da Cabeleira de Nossa Senhora.  Visto, perpendicularmente, em direcção ao pôr-do-sol no solstício, assume a forma redonda. Observado, porém, noutro ângulo, deforma-se e  toma a forma de um busto feminino, de perfil a norte e, masculino, de perfil a sul  


PEDRAS QUE NÃO SÃO APENAS PEDRAS - TÊM HISTÓRIA E TRANSMITEM ENERGIA - SITUAM-SE EM LUGARES ESPECIAIS DA TERRA, TAL COMO O TRIÂNGULO DE FÁTIMA, SÃO LOCAIS DE CURA -

Os calendários solares,  ali existentes, fazem parte dos chamados alinhamentos sagrados, com a mesma orientação de muitas igrejas da antiguidade, ou,  recuando ainda mais no tempo, tal como outros observatórios pré-históricos, que ainda perduram em várias partes do mundo - São locais de cura, atravessados por  linhas ou energias geodésicas  especiais, que os saberes e a experiência de antigas civilizações, que viviam em estreita ligação com a Natureza, escolheram para seu benefício próprio e, ali,  se dirigirem às suas divindades. De referir que as duas vertentes do vale são atravessadas pela falha sísmica do “graben" de Longroiva, nome de antiga vila de origem celta ,a que a freguesia de Chãs, já pertenceu, e  onde existe uma das mais antigas estâncias termais do país.

 PEDRA DA CABELEIRA DE Nª SENHORA . ALINHADA COM O NASCER DO SOL NOS EQUINÓCIOS



O enorme penedo está orientado no sentido nascente-poente e possui uma gruta em forma de semi-arco, com cerca da 4,5 metros de comprimento, que é iluminada no seu eixo no momento em que o Sol se ergue no horizonte, proporcionando uma imagem invulgar


Na verdade, sítios há que são uma tentação, um verdadeiro centro de emanações e de eflúvios, propensos ao deleite, ao esquecimento e à sublimação. Muitas destes espaços graníticos, são um permanente convite, áurea unção e arroubamento aos sentidos.


Quis um feliz caso, que eu pudesse ser o privilegiado dessa fabulosa descoberta, em 2001, tal como a dos monumentos megalíticos que se seguiram, especialmente o da Pedra do Solstício, mercê de continuada investigação, este alinhado com o solstício do Verão, junto do qual, graças a algumas boas vontades, têm decorrido outras celebrações.


UM DOS MEUS SACRÁRIOS -CONTEMPLAR O SUBLIME E DIRIGIR A DEUS AS MINHAS PRECES - Sendo certo que, sob a luz divina,

 somos todos irmãos e filhos de Deus,
aqui me dirijo também, nesta minha prece, nesta evocação,
e na esperança de que as minhas palavras encontrem algum eco
e não sejam proferidas em vão,
ao coração de todos os pobres e aflitos da Terra
que, nos dias de hoje, mesmo às horas mais mortas, 
não tendo sequer um tecto, um mísero abrigo onde se acolherem,
choram, em silêncio, dilacerados, lágrimas amargas e profundas, 
uns, já vazios de esperança e rendidos ao seu desespero, 
outros, com alguma centelha na alma, 
aguardando que a divina luz da prateada roda 
ou do rubro clarão do sol, os cubra de melhor sorte,
os livre, de vez, do seu infortúnio e da sua triste ventura

TOM GRAVES, AUTOR DO LIVRO AGULHAS DE PEDRA – A ACUMPUCLTURA DA TERRA – JÁ ESTEVE NOS TEMPLOS DO SOL


Deslocou-se da Austrália, expressamente para estudar os dois alinhamentos. E concluiu que ambos os monumentos se se situam em sítios para onde convergem vários veios de água. Graves, defende que os lugares sagrados são centros para os quais muitas das linhas de água convergem umas com as outras e também com os centros padrões de linhas acima do solo, à semelhança do que acontece com as artérias do corpo humano.


Há algo predestinado na vida dos homens e dos povos - Umas vezes para o bem e outras para o mal - Se Hitler não tivesse nascido, decerto que milhões de vidas teriam sido poupadas na Europa - O mesmo se pode aplicar ao próprio Salazar - Evitou que Portugal entrasse na segunda guerra mundial - pelo menos de forma directa - mas empurrou-nos para o pesadelo de uma longa guerra colonial . Acredito, pois, que há homens diabólicos e outros providenciais. Claro que, mesmo estes têm os seus defeitos: não existe ninguém que não tenha o seu lado bom e o seu lado mau - Defeitos e virtudes - O mau é quando são mais os defeitos do que as qualidades - Vem isto a propósito da feliz circunstancia de, apesar dos vestígios arqueológicos dos Tambores (incluindo os seus Templos Solares), não terem sido estudados por muitos investigadores, pelo menos, mereceram atenção dos mais qualificados nas diferentes áreas de saber .

 E, de facto, quem havia de imaginar que, depois de um dos mais famosos especialistas internacionais em Radiestesia,surgiria um outro mago (dir-se-ia da mesma craveira) sobre a decifração dos segredos que nos legaram os homens da era da pedra. - Não usa a técnica da varinha do vedor mas um apuradíssimo sentido de observação. E o mais curioso é que, mesmo sem se conhecerem, analisando os estudos de um e do outro, até parece que andaram por lá juntos - Constato, pois, com agradável surpresa que as pedras que chamaram atenção de Albano Chaves, também já haviam despertado a curiosidade de Tom Graves - E, outro dado em comum: ambos se serviram dos GPS. Tom Graves teve a gentileza de me enviar as suas fotografias, devidamente assinaladas - Conto noutra oportunidade vir aqui a divulgá-las - Mas, para já, não perca o minucioso e brilhante estudo que nos proporcionou Albano Chaves. - Siga os seus passos através das explicações, gráficos e imagens, que não vai dar por perdido o seu tempo - Sobretudo se for um interessado pela jornada civilizacional da Humanidade.

A pedra intacta e a nascente: coubera-lhes o mistério da fundação do mundo, no primeiro dia os anjos. E ao seu gesto se ordenaram os ventos, pelo fogo invisível e o bastão rasgaram os caminhos dos condutores de povos e dos reis, preparação amorosa das sombras. No poder da pedra e da nascente os círculos sagrados e as árvores e os lugares terríveis das batalhas. A Terra aguardava, Inverno e solidão do Sol.”


    Sim, sítios há em que a natureza fala e é benéfica, edifica as suas cúpulas e consagra os seus templos ao Grande Espírito Universal; noutros, pelo contrário, é muda e hostil, avara e maléfica. Aquelas pedras, a que me refiro, são um prodígio de generosidade! Autêntico milagre do inanimado silencioso para o animado vibrátil e etéreo musical. Que, as aves, tão bem entendem e conhecem! Pois, quantas vezes, não são atraídas pelo misterioso fascínio e musicalidade dessas mesmas pedras! E para quê?... Apenas para repousarem, fazerem, ali, os seus ninhos, e se protegerem dos depredadores?  Ou, por exemplo, ali pousarem ainda, porque a intuição as chama por uma razão mais profunda e misteriosa?!... Eu inclino-me, também, para esta segunda hipótese: Ou seja, para que, em total afinidade e compreensão com a linguagem das pedras, e pousando, naturalmente, nas  faces  esculturais ou nos traços ainda disformes de algumas das rústicas e rugosas arestas, os ácidos dos seus excrementos, as possam ajudar a  polir as caprichosas formas, tão expressivas, sublimares e espirituais! - Tal como o fazem os ventos, as chuvas e o raio, de molde a perpetuar-lhes e aperfeiçoar-lhes, essas suas, tão  inacreditáveis fisionomias, que tantas vezes exteriorizam, ou as magnificentes catedrais, que denotam revelar, até  no interior das mais singelas grutas, e pontos do mais inacessível acesso.

Sim, ó bustos vivos do mundo aparentemente mudo e apagado!


Estranhos morros, que, à primeira vista, mais lembram terra de ninguém, parda e erma paisagem de um qualquer pedaço lunar. Porém, estamos certos de que não haverá ninguém que, ao pisar o milenar musgo ressequido destas tisnadas fragas, ao inebriar-se com os seus bálsamos, as subtis fragrâncias que evoluem das giestas, das ervas e pedras, volvendo o olhar em torno dos vastos horizontes que se rasgam por largos espaços, fique indiferente ao telúrico pulsar, à cósmica configuração e representação divina, que ressalta em cada fraguedo ou ermo penhasco - 

Este é, pois, o fim de um extenso reino terrestre (conhecido pela meseta ibérica) que atravessa a fronteira de Espanha e vem perder-se aqui, numa autêntica fortaleza amuralha, apontada a Norte, configurando a proa de um autêntico navio fantasma, recheado na sua coberta e nalguns dos seus flancos, das mais caprichosas formas rochosas, mas absolutamente bloqueado pela acção poderosíssima dos sedimentos xistosos, metamórficos que, as convulsões mais fundas e primevas do interior da terra, trouxeram à superfície, com a nudez dos seus mais alcantilados montes e fundos vales, onde a acção modeladora dos milénios e o trabalho hercúleo do homem, tem feito verdadeiras obras primas! - Esse é o Douro vinhateiro, o Reino Maravilhoso, mitificado e idolatrado pelas raízes e vivência, observação e sensibilidade excepcional de Miguel Torga. E esta é, também, uma das fronteiras naturais, onde dois mundos geográficos e geológicos, confluem, cada qual cioso das suas riquezas , das suas peculiaridades e maravilhas

TOM GRAVES, AUTOR DO LIVRO AGULHAS DE PEDRA – A ACUMPUCLTURA DA TERRA – JÁ ESTEVE NOS TEMPLOS DO SOL


Deslocou-se da Austrália, expressamente para estudar os dois alinhamentos. E concluiu que ambos os monumentos se se situam em sítios para onde convergem vários veios de água. Graves, defende que os lugares sagrados são centros para os quais muitas das linhas de água convergem umas com as outras e também com os centros padrões de linhas acima do solo, à semelhança do que acontece com as artérias do corpo humano.


Há algo predestinado na vida dos homens e dos povos - Umas vezes para o bem e outras para o mal - Se Hitler não tivesse nascido, decerto que milhões de vidas teriam sido poupadas na Europa - O mesmo se pode aplicar ao próprio Salazar - Evitou que Portugal entrasse na segunda guerra mundial - pelo menos de forma directa - mas empurrou-nos para o pesadelo de uma longa guerra colonial . Acredito, pois, que há homens diabólicos e outros providenciais. Claro que, mesmo estes têm os seus defeitos: não existe ninguém que não tenha o seu lado bom e o seu lado mau - Defeitos e virtudes - O mau é quando são mais os defeitos do que as qualidades - Vem isto a propósito da feliz circunstancia de, apesar dos vestígios arqueológicos dos Tambores (incluindo os seus Templos Solares), não terem sido estudados por muitos investigadores, pelo menos, mereceram atenção dos mais qualificados nas diferentes áreas de saber . E, de facto, quem havia de imaginar que, depois de um dos mais famosos especialistas internacionais em Radiestesia,surgiria um outro mago (dir-se-ia da mesma craveira) sobre a decifração dos segredos que nos legaram os homens da era da pedra. -

 Não usa a técnica da varinha do vedor mas um apuradíssimo sentido de observação. E o mais curioso é que, mesmo sem se conhecerem, analisando os estudos de um e do outro, até parece que andaram por lá juntos - Constato, pois, com agradável surpresa que as pedras que chamaram atenção de Albano Chaves, também já haviam despertado a curiosidade de Tom Graves - E, outro dado em comum: ambos se serviram dos GPS. Tom Graves teve a gentileza de me enviar as suas fotografias, devidamente assinaladas - Conto noutra oportunidade vir aqui a divulgá-las - Mas, para já, não perca o minucioso e brilhante estudo que nos proporcionou Albano Chaves. - Siga os seus passos através das explicações, gráficos e imagens, que não vai dar por perdido o seu tempo - Sobretudo se for um interessado pela jornada civilizacional da Humanidade.

Escura é a noite, escuros os caminhos dos mares e dos céus que se me abrem em todas as direcções....E também escuros serão certamente os caminhos que me conduzirão a Deus...


 Vou indo à deriva, sereno e grave, sem precisar de ninguém  Pois, mesmo que precisasse, ninguém me estenderia a mão!  Atento e indiferente - Vestido com as vestes da nocturna solidão 

Jorge Trabulo Marques
Não a receies a solidão!...Bem-vinda sejais!.. Recordando minha odisseia 38 dias à deriva numa canoa no Golfo da Guiné

Escura é a noite, escuros os  caminhos dos mares e dos céus
que se me abrem em todas as direcções....E também  escuros
serão certamente os caminhos que  me conduzirão a Deus...
 Vou indo à deriva, sereno e grave, sem precisar de ninguém
Pois, mesmo que precisasse, ninguém me estenderia a mão!
Atento e indiferente - Vestido com as vestes da nocturna solidão.
Absorto com a crua verdade transfigurada do  assombro!
As trevas adensam-se na atmosfera e, por tão habituais,
quase  já não me impressionam, não me comovem.
Fazem o seu percurso. Eu  vou no seu seio mas não sei bem qual é o meu...
Sim, as sombras estão por todo o lado e também invadem o meu coração!
- Vagueio sem destino  com a coragem e o medo que ainda não sei vencer.
Não recuo a nada....Porque, enquanto tiver algum medo é sinal de que vivo....
Vou indo com o soooar do mar! Com o mar que soa! Com o mar que brâaame!..
Vou indo, derivando com o mar que voa!... Com o mar a bramaar!

 





Sou o cavaleiro andante sonhando acordado!... Sonhando cavalgando
este vasto largo, neste imenso mar!... Sonhando e cavalgando o mar..
porque, ao sonho, não há limites nem barreiras
e a noite acompanha-me nos meus sonhos,
os astros estão ocultos, longínquos e escondidos,
o silêncio foi submerso pelo rugido do vento e do mar,
só a roupagens da noite, as tenho por  únicas companheiras!..

Mas, ó  piedade impiedosa dos céus!..
Nenhum sinal de vida! Ninguém...Vivalma!
Só as vagas.... e atrás das vagas, outras vagas ainda!
O vento soluça e geme. Perpassa-me pelos ouvidos
como um fino acorde - Estou envolto nele.
Sonâmbulo abandono o meu, estranha vida!...
Onde irei numa noite de breu assim?!.. A que distância
haverá um porto de abrigo?!... As nuvens correm
sobre a minha cabeça, galopam enroladas e escuras!..
Quase me esmagam e sufocam!.. Em que ponto
do mar ou do céu poderei pousar o meu olhar?!..



Bravio deserto! espectral cenário! - Estranha e cruel beleza!
Quem se compadece de mim?!... Tão prolongado já vai
o sofrimento, a angústia que me aplaca e não se esvai,
que, de tanto penar neste deserto varrido e sombrio
e, dos céus cerrados, vir somente a indiferença e a frieza,
sim, tamanha já  é a minha dor, a amargura intensa que não se me apaga,
que, esta contínua incerteza, este permanente amargo sofrer,
este   resignado sentimento que me fustiga e perturba,
se transforma, simultaneamente, não só em persistente dor
mas também num misto de sereno e doce contentamento!
Como se eu fosse - mesmo diluído e  errante como as sombras-
O Deus de mim próprio e das escuras névoas, o meu próprio Criador!

É o vento, são as vagas!
Há um marulho que tumultua, se levanta e uiva.
Soergo-me ajoelhado, tímido levanto o húmido oleado
com que cubro a piroga, envergando ainda a capa com que durmo, debruço-me sobre a  frágil borda,
espreito por uma nesga o que vai lá fora,
olho a noite de olhar turvo e arregalado
para descortinar o que vai ao largo....
É o fuzilar de relâmpagos e mais relâmpagos
a rasgar negridão. Fico preocupado…
Além dos sinistros raios a incendiar o mar, além de mim,
nada mais  ouço que o uivar do vento e, nos confins, agora o trovão!
Nada mais enxergo que manchas difusas!
Vultos disformes! …Vultos montanhosos!
E, atrás desses vultos, alterosos e escuros, outros maiores se enrolam!
Ameaças fugidias sobre a imensa e negra vastidão!....
Em vão perscruto o denso horizonte,
a ondulante massa que  meus olhos cega e turva...
Em vão, neste  longo tormento, nem a lua
nem as estrelas, dão sinais da sua existência.
Só farrapos de penumbra!... Espessas névoas
que pairam à superfície  lívida e líquida!
Novelos fantasmagóricos, baixos e fugidios
que se movem como se fossem navios fantasmas!..
Nenhum raio de luz vem do alto!.. E, no entanto,
as águas enrolam-se e refletem um brilho baço!
 Não há uma aberta, um  assomo de claridade!..
Por isso, sinto-me agora mais triste, sozinho e abandonado!
Imerso numa paz podre e angustiante, tendo por cenário,
um quadro que tem tanto de sombrio, como de horrível e belo!
Traz nas pastosas vagas que se revolvem e quebram ao meu lado,
ameaça iminente de mais umas longas e atribuladas horas de vigília! 
De sono perdido, enfrentando as sucessivas investidas!
Que nunca se sabe donde vêm e donde partem!
O que eu sei é que o ambiente do mar
e da noite se altera, as vagas encrespam-se!
Quando é de dia, vê-se donde vêm as ameaças!
Porém, quando à escura  noite, sobrevém o tornado
ou a tempestade, tudo é medonho!...- Não há palavras!..

Excerto de SÓ O MAR A BRAMAR

Jorge Trabulo Marques

sexta-feira, 1 de maio de 2020

Manuel Alegre – Poeta de Abril , de Maio e de Sempre - Dois poemas do seu livro “Bairro Ocidental” quando a Troka nos amordaçava “aqui/ não podem cortar quem somos",n - a Troika / é o novo cavalo falso dentro da cidade / os seguranças rodearam-na mas ela falava

MANUEL ALEGRE: O POETA DA NOSSA LIBERDADE E DOS TEMPOS DE DESASTRE - Não retiro uma palavra ao texto e às imagens que editei em Outubro de 2015, a propósito  do lançamento do seu livro “O BAIRRO OCIDENTAL.

Portugal do império colonial, que já foi, exaltado por Camões pelo rasgo aventureiro dos seus feitos, mas também o das mágoas, misérias e desterros das suas gentes,  afinal, o Portugal nos dias que passam, o que é?...Como defini-lo?  Aprisionado que está pela  chamada lei dos mercados, que em  vez de promoverem o bem coletivo, cega e obsessivamente  engrossam os cofres dos mais ricos e poderosos, sim, este é o Portugal tiranizado dos dias de hoje,  reduzido à condição  de um simples bairro – É para onde nos conduzem os tempos da austeridade e da corda na garanta do desemprego, dos baixos salários e da precariedade laboral.  

Na hora grave que passa, impõe-se libertar o país das garras do liberalismo selvagem  - E, como? ... Por mais bem intencionados que sejam  os discursos políticos, por mais radical ou progressista que seja o sentido das revoluções, só através do espírito  messiânico  da arte - do talento ou do génio de  escritores, músicos e poetas -  que toquem e despertem, verdadeiramente,  a alma de um Povo, é possível encontrar novos caminhos de liberdade, de justiça social e de evasão.

Manuel Alegre, insatisfeito com a situação que Portugal atravessa, transformou-a em belos poemas: belos na sua componente estética e lúdica  mas não destituídos de ironia e de alarme,  reunidos num livro a que deu o título - "Bairro ocidental", apresentado,  na Livraria LeYa Buchholz, pelo professor de Literatura Portuguesa, crítico e ensaísta António Carlos Cortez, tendo contado com a presença de Mário Soares, Jorge Sampaio e outras figuras históricas do partido Socialista, além de muitas pessoas que admiram a obra do poeta ou a sua atividade política.


RESGATE - Há qualquer coisa aqui   de que não gosto....  - CASSANDRA E A TROIKA  - Então Cassandra pareceu na rua...

Todos os grandes poetas são o barómetro da vida, da terra, do país e do mundo em que vivem - Como profetas e visionários que são, têm o dom de antever os desastres iminentes do seu tempo e, do mesmo modo, exaltar ou temperar o ânimo  das horas de declínio ou crepusculares e de trevas da sua pátria. Porque, só eles, participantes ativos na grande aventura coletiva, imbuídos de uma renovada consciência social, são capazes de, sob as ruínas e o caos, com a ironia  e ou a lírica  dos  seus versos, edificaram  uma nova sociedade.

Manuel Alegre é um desses poetas: poeta completo, na verdadeira aceção do termo. Ele não é dos que verseja ou faz quadras pelo simples prazer de juntar uns quantos versos e os fazer rimar – A sua poesia é muito sofrida, sentida e vivida – É ao mesmo tempo um apelo ao pensamento e ao sentimento. De libertação e de ousadia. Passado, presente e futuro. De feitos e adversidades, de perturbações, mágoas e alegrias.  

 Quem a percorrer, encontrará de tudo. É como que o retrato dos dias que se vão vivendo. Uma espécie de meteorologia emocional e social. Nos seus versos há variadíssimos motivos de inspiração, que, tanto  impelem ao desassossego, como  à mais inesperada emoção - Vasta temática em que o seu autor  é ao mesmo tempo o observador e o ativo interveniente: reflexo de um viajante na sua pátria, mesmo quando a ditadura o força a exilar-se em terras de Argélia, mesmo lá longe, sente-a de perto, está no seu posto, qual sentinela vigilante. 

Manuel Alegre, o  poeta mas também o ficcionista e o politico para o qual a palavra, tanto pode ser um hino de amor como o Canto às Armas, o combate pela liberdade e pela justiça social.

Ele sabe, com certeza,  que, Portugal, conquanto não esteja sob o açaime da  mordaça ditatorial do salazarismo, está em vias de já nem sequer  ser um pais soberano mas um simples bairro a ocidente da Europa da Srª Ângela Merkel, governada pelo liberalismo mais desumano e despudorado, sob o garrote de impiedosos FMIs e troikanos. 

Tal como declarou, em entrevista à jornalista da Antena 1 Susana Barros, após a apresentação do  “Bairro Ocidental” “Este livro nasceu desse sentimento de perturbação, de mágoa e ao mesmo tempo de rebeldia. Eu não me resigno que o meu país seja apenas um bairro ocidental”, disse .. Lamentando que que a crise e os acontecimentos subsequentes tenham transformado o país numa espécie de bairro ocidental.Manuel Alegre afirma que Portugal é hoje uma freguesia da Europa

ARTE DE PONTARIA 
Invadiram os séculos que estão dentro de nós
invadiram a língua o canto o ritmo
antes fossem exércitos fardados
antes as botas de um invasor visível
não estes missionários da nossa fé
com os seus mercados sobre os nossos ombros
e os seus discursos de sílabas pontiagudas
para gente de espinha de curvar.
Quando eles falam o céu fica cinzento
E há um rasto de cinza e desamparo.
Apetece pegar no poema
E disparar.

Manuel Alegre nasceu em 1936 e estudou na Faculdade de Direito de Coimbra, onde participou activamente nas lutas académicas. Cumpriu o serviço militar  na guerra colonial em Angola. Nessa altura, foi preso pela polícia política (PIDE) por se revoltar contra a guerra. Após o regresso exilou-se no norte de África, em Argel, onde desenvolveu actividades contra o regime de Salazar. Em 1974 regressou definitivamente a Portugal, demonstrando, nos vários cargos governamentais que tem desempenhado ao longo dos anos, uma  intervenção fiel aos ideais da Liberdade.


 A sua poesia foi e é um hino à Liberdade e, talvez seja por isso que é lembrada por muitos resistentes que lutaram contra a ditadura. É considerado o poeta mais cantado pelos músicos portugueses, designadamente Adriano Correia de Oliveira, José Afonso, Luís Cília, Manuel Freire, António Portugal, José Niza, António Bernardino, Alain Oulman, Amália Rodrigues, Janita Salomé e João Braga”. Cantar a Liberdade - Manuel Alegre -