Nestas imagens do vídeo (ínfima expressão
das milhares que registei nas minhas
peregrinações aos Templos do Sol, arredores da minha aldeia) não me apresento
nem como o Pai Natal nem como o Deus Menino – Quanto muito incorporando a singela figura de quem busca nos lugares mais
ermos e solitários, o reencontro com a sua identidade, a resposta à pergunta: donde venho e para onde vou ? - Em demanda do Ser Transcendente,
na mais estreita intimidade comigo próprio e a Mãe-Natureza. - Calcorreando ermos penhascos, seguindo os trilhos do chão que me viu nascer,
como que num intrínseco apelo às minhas origens, aos dias em que por ali vagueava descalço e livre
como a cotovia que pousa de penedo em
penedo ou a folha que se desprendia do velho negrilho no adro da igreja
impelida pela poeira e o vento dos burburinhos, que em garoto me chincavam os
olhos nas minhas calcorrearias

Se às vezes, revendo estas imagens, me revejo como que em míticas vestes bíblicas, talvez não seja de todo por mero acaso: a vida
de Jesus é um maravilhoso exemplo – Independentemente de toda a crença, é um facto inconstestável: que Jesus nasceu de uma familia humilde, em Belém, na província romana da Judeia. No relato do Evangelho de Lucas, José e Maria viajaram de Nazaré para Belém para comparecer a um censo e Jesus nasceu durante a viagem numa simples manjedoura1 .. Mais tarde seria preso, julgado pelo Sinédrio - Dizem os evangelhos por Amor da Humanidade.
De facto, Feliz Natal é uma
expressão bonita, que fica sempre bem a quem a pronuncia e a quem a ouve. E que
todos os anos se repete como um ramo de flores que, em certo dia ou nos dias
que o antecedem, se deve colocar como um jarro decorativo sobre uma mesa, como
um dever social e não no sentido mais profundo do que lhe é atribuído na idade
da inocência – Por isso mesmo, sendo uma expressão bonita, não deve regatear-se
a ninguém: nem a familiares, nem amigos nem a desconhecidos. – E não apenas aos
Homens de Boa Vontade.
Sim, o que me diz, o Natal?....Agora, em adulto, diz-me
o que me resta da memória da infância, de um tempo em que vida era dura mas se me
afigurava eterna e tudo aos meus olhos era uma permanente descoberta. Que havia
um Deus Bom, mas que só era bom para os bons e mau e castigador para os que
pecassem. Só que, cedo também aprendi, que o pecado mora mesmo por detrás do
manto mais diáfano, ou no coração daqueles que dizem coisas bonitas para os
outros ouvirem mas não as praticam.
A bem dizer, e dando à
palavra Natal o sentido lato, diz-me que o Homem não é senão uma simples partícula da
Grande Inteligência do Universo. Tudo quanto o rodeia, não é senão um Grande e
Poderoso Pensamento em Contínua e
Perpétua Transformação.... O rochedo, a
montanha, a argila, a pedra, o animal, a planta, o rio, tudo entronca na mesma
fonte energética: - na transformação química e biológica comum e no mesmo hino
à vida ...
As flores exalam o seu
perfume e as suas cores, ou para atrair os insetos, polonizando-as, ou até para
os enganar e. absorver. Os felinos ouvem outros sons que escapam ao ouvido
humano e as abelhas orientam-se com a
milimétrica precisão de um poderoso radar. Enormes rochedos, quando menos se
espera, transmutam-se em aves, em animais, em pessoas, em mil e uma figuras ...
Em tudo; menos na imagem que nos faça lembra
a fria pedra....
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