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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Marechal Costa Gomes – Confissões do período quente da revolução do 25 de Abril e da prisão de Otelo Saraiva de Carvalho - Diz que apenas se olhou para as ações da FP e não para o terrorismo da extrema direita. – Retirou-se da política para se dedicar à paz mundial

Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista     C


Francisco da Costa Gomes   - Chaves, 30 de Junho de 1914 — Lisboa, 31 de Julho de 2001

Marechal  Francisco Costa Gomes -   Uma das grandes personalidades, militares e cívicas,  Membro da Junta de Salvação Nacional desde a madrugada de 26 de Abril, e, como chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas em 30 de Abril de 1974. O primeiro Presidente da República Portuguesa a discursar perante a Assembleia Geral das Nações Unidas - Em Janeiro de 1975 está presente na assinatura do Acordo de Alvor, entre o governo e os movimentos de libertação angolanos, relativo à independência de Angola. Depois de dar posse ao IV Governo Provisório, também chefiado por Vasco Gonçalves (25 de Março de 1975), preside à assinatura, em 11 de Abril de 1975, do primeiro pacto MFA-Partidos.

Declarações inéditas de Francisco Costa Gomes, uma vez que,  da longa entrevista, que  honrosamente me concedeu, na qualidade de repórter da extinta Rádio Comercial RDP, apenas escassos minutos foram transmitidos. O  tema principal da minha deslocação a sua casa, versava sobre questões relacionadas com  o armamento atómico e convencional  das duas grandes potências e  o  papel do Marechal na Conferência Mundial da Paz, que, por agora, apenas reproduzo em texto .

E, de facto,  foi a propósito  destes assuntos, num tempo em que pareciam desanuviar-se algumas tensões, entre os dois blocos, que começaria por fazer as primeiras perguntas. Contudo, outros temas acabariam por ser abordados, nomeadamente, o que pensava do período quente pós 25 de Abril e da prisão de Otelo Saraiva de Carvalho  -   Conteúdo editado em vídeo. – Porém,  é minha intenção,  vir a editar,  no Youtube, também outra interessante entrevista, sobre este tema

 “Francisco da Costa Gomes toma posse como Presidente da República na sequência da renúncia de António de Spínola, a 30 de Setembro de 1974. Em pleno processo revolucionário terá de enfrentar situações de grande complexidade.

Nascido em Chaves, no seio de uma família numerosa, a sua infância é marcada pela morte do pai nas vésperas do seu 8.º aniversário. As dificuldades económicas da família levam a que, terminada a instrução primária, ingresse no Colégio Militar em Lisboa. A solução não lhe agrada, sobretudo devido ao afastamento da família.

Adicionar legenda
Com uma carreira militar brilhante, várias comissões de serviço nas colónias e estágios no Quartel-General da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), acabará por ser convidado, em Agosto de 1958, pelo ministro da Defesa, general Botelho Moniz, para o cargo de subsecretário de Estado do Exército. Começa assim uma carreira política que, depois de várias vicissitudes, o projectará ao mais alto cargo de Estado: a Presidência da República.

(…)Apesar da ambiguidade de que muitos o acusam, todos lhe reconhecem o mérito de ter conseguido evitar a guerra civil.

Ao ocupar a cadeira presidencial, uma das suas primeiras preocupações parece ser a de garantir a estabilidade, apesar da conjuntura revolucionária que se vive. Demonstra-o, primeiro, ao reconduzir Vasco Gonçalves para o cargo de chefe do governo (III Governo Provisório, em 1-10-1974). Depois, durante a viagem que efectua aos EUA onde procura não só estabelecer contactos com vista à cooperação entre os dois países, sobretudo económica, como também tranquilizar a comunidade internacional quanto ao rumo da transição portuguesa” – Excerto de . Biografia completa - Museu da Presidência da República

COSTA GOMES  - O MILITAR PACIFISTA

O paladino da paz –.Um dos militares mais pacifistas, que, após deixar a Presidência da Republica, não aceita ser  chamado a desempenhar qualquer cargo político, optando pelo  Conselho Mundial da Paz, como terreno de intervenção, seguindo, atentamente e com preocupação, o recrudescimento das armas convencionais e atómicas das duas grandes potências, que, ao invés de olharem mais para os problemas da saúde e das condições de vida das populações, gastam milhões em armas atómicas e convencionais.  –

 A HONRA DE TER ENTREVISTADO UM HOMEM VALOROSO, GENEROSO E PACIFICO

Na véspera dos 41 anos pós 25 de Abril, tenho pois  a honra e o prazer de editar o excerto de uma longa e  interessante entrevista, que me concedeu em sua casa, não obstante estar num período de convalescença, por razões de saúde  - "Sabe, que ainda ontem tive 40º graus de febre" -Confessava  . 

Morava na Av. João XXI, próximo do cruzamento da Av. de Roma, em Lisboa. Nessa tarde, que me recebeu, estava sozinho e, curiosamente, os móveis da sala, estavam todos cobertos com lençóis brancos, visto ir para obras, mais parecendo a enfermaria de um hospital. Mesmo assim, teve a gentileza de me receber, já que a entrevista havia sido marcada uns dias atrás e ele não quis faltar ao compromisso.

RETIROU-SE DA POLITICA MILITAR PARA SE DEDICAR À PAZ MUNDIAL

JTM - O Sr. Marechal Costa Gomes é um homem retirado da cena política? É um homem que acompanha atentamente os problemas! Como vê a política: como interveniente ou como observador?

F.C.G. A política nacional vejo-a simplesmente como observador e um observador muito atento, porque, como tenho dedicado a maior do meu tempo, às questões internacionais, sobretudo àquelas que dependem da paz e do desarmamento, e, como isso me leva, muitas vezes, a conferências para fora do país e me obriga a um preparação, quando estou em Portugal, que me faz alhear um pouco da política do dia a dia do nosso país, é claro que eu estou mais a par daquilo que se julga que constitui hoje a política internacional e a situação internacional de propriamente da politica nacional.

JTM - Porquê essa preocupação?

F.C.G - Bom, a preocupação deriva de várias coisas:  em primeiro lugar do facto  de julgar que nós estamos realmente  de baixo da uma ameaça terrível que pode, de um momento para o outro destruir por completo a vida sobre este belo planeta, que é a Terra. É isso. Pode-se dizer  que as pessoas mais lúcidas e aquelas que se têm dedicado mais a este assunto, desde 54, desde o rebentamento da primeira bomba atómica, começaram a prever esta situação. Mas, não  há dúvida nenhuma, que, durante as duas primeiras décadas, praticamente o assunto da era atómica, foi completamente ignorado, as armas atómicas foram completamente ignoradas! Ninguém sabia nada  do que se passava, espacialmente nos países onde a luta começava a ter um cariz de competição muito forte, e, nos anos 70,  o mundo começou a ser surpreendido com a ideia de que, já havia nessa altura, armas suficientes para destruir várias vezes a humanidade.

“MAIS DE METADE DOS CIENTISTAS  DO MUNDO OCUPADOS EM APERFEIÇOAR MEIOS DE COMBATE” – Em vez de se empenharem com “os problema    da fome, do analfabetismo, do meio-ambiente e  da saúde

JTM – Acha que ainda há uma grande tensão entre os dois blocos?

F.C.G. Eu julgo que ainda há uma grande tensão mais forte do que aquela que devia existir, porque há uma desconfiança mútua, não só  do ponto de vista político, com sob o aspeto militar, que inibe e que faz  com que não se possam adiantar e definir determinados assuntos com a lógica, e, sobretudo,  com a necessidade que os mesmos impõem. Veja, por exemplo,  este facto que agora se deu, ultimamente, insólito: pois,  estamos todos à espera que, de um momento para o outro, se possa assinar o acordo  que elimine os mísseis intermediários e os mísseis táticos  da europa. Pois bem, qual é a atitude que a Nato toma perante esta decisão? É que… sim, senhora …vamos acabar com os mísseis mas temos que reforçar as forças convencionais.

Ora, eu acho que esta atitude é uma atitude absolutamente negativa! O que nós precisamos não é de reforçar as forças convencionais  é de reduzir também as forças convencionais! Porque, um dos  maiores problemas que existem no Mundo – e sem a redução dos orçamentos militares, se não será possível resolvê-lo – é o problema    da fome, é o problema do analfabetismo, é o problema do meio-ambiente, o da saúde, enfim, são uma série de problemas  que realmente fazem com que, a maioria da população mundial, dia a dia, veja os seus problemas acrescidos, agudizados e não sinta que há uma luz, que não há uma pequena ação solidária  dos países – que os têm, que, no fundo, os têm assegurado – para melhorar esta esta situação.

Ora, esta situação só pode ser melhorada, diminuindo drasticamente as despesas militares, não só o que diz respeito aos orçamentos. Como também no que diz respeito à investigação científica. Porque, hoje, mais de metade dos cientistas no mundo, estão dedicadas a aperfeiçoar armas e aperfeiçoar  meios de combate, quando, realmente, a todas as pessoas bem intencionadas,  lhes parece que se deviam dedicar as era para o bem-estar  da Humanidade, e, portanto, pró  melhoramento das condições de vida de todos os Povos.

JTM – Acredita na possibilidade de um novo conflito à escala mundial?

F.C.G. -  Acredito! Não porque as pessoas o queiram! Podemos dizer que 90% da população mundial é contra um conflito à escalda mundial  - Mas, com o acumular de armas que existem no mundo e, com os pequenos conflitos locais, que ainda não conseguimos debelar e, outros que se podem desenvolver de um momento para o outro, como é, por exemplo, a situação do Golfo Pérsico, pois, uma destas situações, pode, sem querer, levar a um conflito mundial! E isso é extremamente perigoso, porque, as armas que depois se possuem, são de tal maneira potentes e de tal maneira poderosas, que, se elas forem empregues,  durante muito tempo, será o tempo suficiente  para aniquilar a vida sobre a Terra.

O PERÍODO QUENTE PÓS 25 DE ABRIL

JTM - Outra questão que eu gostaria que o Sr. Marechal recordasse – alguns a nos já volvidos sobre aquele período da revolução: um período, naturalmente, muito confusão, como é que a esta distância, o Sr. Marechal. Os recordaria?

F.C.G. – Bom, eu acho que foi realmente um período muito confuso! Muito perturbado! A revolução fez-se, mas, claro, dadas as circunstâncias em que ela teve de se efetuar. Não há houve uma preparação, sobretudo para se poder  transitar do regime  que havia para um outro, onde as liberdades e os direitos humanos, estavam salvaguardas e estavam em plena pujança, e isso deu como resultado, que, houve, de facto, durante os primeiros tempos – no primeiro Governo (em todos os governos mais ou menos provisórios – deficiências muito grandes, que, só o trabalho e só a boa vontade e dedicação  de muitos, conseguiram, não digo suprir, mas pelo menos atenuar.




“OTELO TEVE AS SUAS DEFICIÊNCIAS MAS, DE UMA MANEIRA GERAL, FOI UM ELEMENTO POSITIVO  E A REVOLUÇÃO DE ABRIL DEVE-LHE MUITO.

Otelo Saraiva de Carvalho, detido a 20 de Junho de 1984 pela Polícia Judiciária, no âmbito deste processo. Da FP, com uma pena de 18 anos .De recordar, que o principal operacional do Movimento das Forças Armadas. nunca assumiu a criação das FP-25 nem a militância no grupo. Do tempo total de pena cumpriu apenas cinco anos. Em entrevista, concedida há Lusa, em 2010, Otelo confessou que, no dia em que recebeu a notícia da criação deste partido revolucionário armado, a encarou com "apreensão e perturbação com a ideia". Otelo: FP-25 foram "choque grande e um prejuízo tota
  
JTM – Sr. Marechal. Uma das figuras muito conhecidas e, de grande interveniência, na revolução, é Otelo Saraiva de Carvalho, atualmente preso: como é que vê a prisão de Otelo Saraiva de Carvalho?

F.C.G – Eu, como tive ocasião de dizer no Tribunal,  só conheço regularmente, a ação do Tenente-Coronel Otelo, quando ele parte ou do Conselho da Revolução
, em que me esteve diretamente subordinado.  – No Concelho de Revolução, porque eu era o Presidente do Concelho de Revolução; no COPCON COPCON –, porque o COPOCON estava dependente  do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e eu acumulava as funções de Presidente da República e de Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Ora, nesse tempo, eu posso dizer-lhe que, Otelo teve as suas deficiências,  mas, de uma maneira geral, foi um elemento  positivo e a Revolução de 25 de Abril, deve-lhe muito.


Depois, do 25 de Novembro, praticamente nunca mais tive contactos  com Otelo, mas, daquilo que eu conheço, a forma como eu pus o problema no Tribunal,  eu julgo que o caráter , a   moral e a maneira de ser do Otelo, não são de molde a admitir que ele, direta ou indiretamente, tenha tomado parte em qualquer das ações terroristas.

Era bom que se visse, que se estudasse bem, as ações terroristas, não só a partir  de 1974 mas que se vissem bem as ações terroristas, entre 1975 e 1976, porque, realmente, nessa data houve muito terrorismo em Portugal!  - Terrorismo absolutamente escusado! Terrorismo que que visava, única e simplesmente,  o regulamento do status quo, então estabelecido, em que as pessoas, não hesitara em matar, em destruir, em fazer ações, que realmente todo o mundo hoje as condena, porque, felizmente, o terrorismo hoje está condenado internacionalmente de uma forma absoluta.

JTM – Portanto, em sua opinião, acha injusta a prisão de Otelo?

F.G.C – Não posso dizer que é injusta ou justa. Eu não sei as causas que levaram à prisão de Otelo. Penso que –  nisso acredito, acredito na Justiça Portuguesa -, que o juiz que fez o inquérito  e que promoveu a sua detenção, tinha as suas razões. Podem não ser razões que não sejam razões suficientemente fortes para justificar a prisão durante tanto tempo de Otelo.

Não há dúvida nenhuma é que, Otelo Saraiva de carvalho, tem, em toda a Europa,  uma data de pessoas importantes, sobretudo no campo jurídico, que o apoiam, que o defendem e que estão constantemente  a fazer diligências para a sua libertação.

A entrevista, que, honrosamente me concedeu, continuaria  com  ainda com várias perguntas, desde a sua próxima deslocação a Tóquio, no âmbito das conferências do Conselho Mundial da Paz,  assim como de como recordava as  funções que desempenhou, em Angola,  1970-72, como  comandante-chefe da Região Militar de Angola – Perguntei-lhe, que, tendo também estado,   como militar nesta ex-colónia,  no meu  tempo (1966) se constava que havia quem, dentro do Quartel general, passasse informações do MPLA – Costa Gomes, negou que, de sua parte, alguma vez tivesse tomado essa atitude, não passando de calúnias e de falsidades. Pena não puder reproduzir as suas palavras, visto,  no dia seguinte ter ido fazer uma entrevista ao Monsenhor Moreira das Neves, em sua casa, e, inadvertidamente,  ao usar a mesma cassete, apagado o resto da entrevista.  Contudo, ainda disponho de uma outra entrevista, esta feita no torno de uma conferência, em que ele também participara, que igualmente conto editar oportunamente em vídeo.

«A APRENDIZAGEM DA ARTE DA «PRUDÊNCIA»

“A figura que sai das páginas de Luís Nuno Rodrigues é a de um general renitente. Da obra ressalta, desde logo, que a carreira militar de Costa Gomes deriva não tanto de um gosto pelas armas, mas sobretudo de uma evolução imposta pelas necessidades materiais da família. Do Colégio Militar à Academia Militar, o percurso de Costa Gomes resulta de uma evolução natural imposta pelas condicionantes familiares. A carreira militar não satisfazia em pleno Costa Gomes, que acabou por frequentar a Universidade do Porto, aí concluindo a licenciatura em Ciências Matemáticas (1939-1944). Este facto não o impediu de percorrer, ainda jovem, um extraordinário caminho como militar, ganhando prestígio no meio castrense, não deixando, contudo, de evidenciar uma renitência: a renitência ao uso e ao abuso da violência. Para o futuro marechal Costa Gomes, a violência (a força armada) só devia ser aplicada enquanto fosse útil ao equilíbrio e à paz na sociedade. O uso excessivo da violência, assim como a utilização da violência de forma inútil, eram-lhe repugnantes.

Na lógica do marechal Costa Gomes, cabia aos militares dosear o uso da violência, tendo sempre como fim assegurar os objectivos de ordem e paz social. – Excerto Relações Internacionais (R:I) - O general «renitente»

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Mercearia em Museu num Portugal pobre, que atinge mais de 640 mil crianças e jovens –– Setúbal continua a ser o distrito mais flagelado – É lá que agora renasce a antiga Mercearia Confiança de Troino -1926 – reabilitada para espaço cultural e convívio.


Jorge Trabulo  Marques - Jornalista  C

No Portugal do desemprego e da pobreza, para não se morrer de fome, há que procurar inovar ou desenrascar - Não é propriamente este o caso mas para a memória perdurar.

"César Figueiredo da Silva (1904- 1998), natural do Monte do Fundeiro, da Vila de Oleiros, Castelo Branco, Aos 13 anos de idade, veio para Setúbal, onde, anos depois, já adulto, mas  ainda jovem, se estabeleceria  como merceeiro, criando a “Confiança de Troino”, que manteve até 1983, altura em que a trespassou por  motivos de saúde

Quase uma vida dedicada a uma atividade, que, nos dias de hoje, está praticamente extinta, por força das cadeias de hipermercados, que, além de concertarem os preços, visando encher os cofres com milhões, criaram precariedade de trabalho, com a consequente machadada em pequenos e médios comerciantes, que garantiam milhares de empregos, a nível familiar, mas não só -  quase para o resto da vida.  -  Pois, mas o capitalismo selvagem, não se compadece com a filosofia humanista e segue, sem meias contemplações, a nova ordem do capital: amealhar muito em pouco tempo a baixo custo - Tal como defende, quem diz que Sem mão de obra barata não há emprego, – Ou antes, se não houver escravos, não há milionários com colossais fortunas nas listas dos maiores endinheirados de Portugal ou do mundo -Américo Amorim e Belmiro de Azevedo sobem na lista dos mais ricos


"Portugal  o país com maior aumento da taxa de risco de pobreza em 2014 logo seguido pela Grécia, segundo o Relatório da Crise da Cáritas Europa 2015, que é apresentado hoje em Lisboa. Portugal foi o país com maior aumento da taxa de risco de pobreza em 2014






Mercearia Confiança do Troino, uma das mais antigas de Setúbal, situada na Praça Machado dos Santos, antigo Largo da Fonte Nova, em Setúbal, fundada em 1926,  recuperada para museu e espaço cultural, desde o principio do ano. A qual, pela  singularidade revelada,  sim, por documentar profusamente   uma certa época, já  atraiu uma equipa de filmagens para uma telenovela, com uma  cena que decorre no bairro da Fonte Nova, vizinha da  Troino, “cuja origem se atribui a indivíduos vindos de Tróia no século XIII, nas cercanias do Convento, onde estão instaladas as freiras da congregação de Madre Teresa de Calcutá”.

 Espaço cultural este  que evoca costumes e traz à lembrança muitas estórias que os mais velhos gostam de reviver e os mais novos de ouvir contar – Pelo que se antevê, palco   de agradáveis momentos culturais e de convívio, tal como sucedeu agora  com a apresentação  "Do Mapa Cor de Rosa à Europa do Estado Novo// Diplomacias, macroeconomia.. e ainda o colonato judaico para Angola, de autoria do jornalista e escritor Álvaro Henriques do Vale, à roda de um grupo de amigos e curiosos., ao mesmo tempo que iam petiscando uns saborosos nacos de presento e um nutritivo pão, acompanhados de pastéis de nata e um vinho da região, a condizer. 




Pois, já lá vai o tempo em que, nas tradicionais mercearias, se tratavam os clientes, como amigos e familiares e se  fiava, quando era preciso, pagando ao fim do mês, de modo a ir emparando as dificuldades da vida de quem tinha que ir contando os trocados, com extrema minúcia, conta peso e medida até ao último centavo. 

Os tempos de agora vão de vento em popa para os hipermercados e  o liberalismo monopolista, que gera desigualdades sociais, mata postos de trabalho e propicia aos ricos ficarem cada vez mais ricos e os pobres ainda mais pobres. 

Diz o herdeiro de uma dessas velhas mercearias, que o negócio agora já não tem viabilidade. Os hábitos alteraram-se. Mas há um passado, com a sua história e que não deve ser esquecido, pelos mais novos.  – Sim, a figura do antigo merceeiro, não era só a do vendedor de géneros alimentícios  mas também o homem a quem competia aferir comportamentos sociais, das pessoas que tinham que ter um carimbo da mercearia para atestar o seu grau de idoneidade, nomeadamente para os contratos de rendas de casas, de água e eletricidade,  era praticamente uma instituição – E  é justamente esta e outras memórias que,  Eduardo Silva, antigo professor do liceu,  engenheiro químico-industrial aposentado da papeleira Inapa,  aos 75 “anos, decidiu  preservar. 



Ao  transformar uma antiga mercearia familiar num espaço cultural,  num lugar de tertúlia e de convívio de várias gerações.  Onde pais, filhos, a vós e netos, numa espécie de museu ao vivo, comercial e sociológico, de mostruário de utensílios (desde os pesos e balanças, às tulhas, talhas e caixa registadora), aos produtos e às embalagens, que os caracterizaram e deixaram de aparecer no mercado, ali possam convier e recordar os tempos que marcaram uma época. 

Este o louvável objetivo de Eduardo Silva, ao recuperar a típica do "Sr . César"”, como preito de homenagem ao seu pai, o Sr. César Figueiredo da Silva, (1904- 1998)– com a mesma imagem de como a conheceu na sua adolescência, e ao longo de muitos anos da sua vida, sem apoios oficiais mas com muito empenho, de modo muito carinhoso, afetivo, com fins  de carácter evocativo e pedagógico, especialmente às crianças e à população escolar.


Tal como é relatado, minuciosamente, no site do Correio dos Vinhos e Pestiscos, “como num filme de Vasco Santana e de António Silva, as mercearias portuguesas eram todas iguais na primeira metade do século XX, além de serem um esteio social, numa época de penúria e poupança.


Melhores dias chegaram e, desses tempos ficou a traça e o estilo de vida dos habitantes locais, cujo dia a dia passava pela mercearia. Todo esse modus vivendis da mercearia e seu quotidiano é hoje inspiração para novas actividades ligadas à gastronomia e ao convívio e tertúlias, como ocaso da antiga Drogaria Ideal, perto de Santos, ou a Mercearia Mimosa da Lapa.


Referindo-se à Mercearia Confiança de Troino, entre outras detalhas descrições, dia que  "neste  espaço podem-se ver balanças e os armários embutidos e um painel de fotografias antigas alusivas a figuras típicas do comércio setubalense à beira dos Anos de 1930, e também os proprietários, César e Maria Helena em duas épocas diferentes, fins dos Anos Quarenta e já Anos Oitenta

A um canto, vê-se a máquina vermelha de moer café ou “uma mistura popular mais barata, com chicória e cevada”. Fabricado em Algés, na antiga Estrada da Carapuça, em finais dos anos de 1920, o moinho de café funciona com duas mós em granito, explica-nos. Numa vitrine, a foto dos fundadores, César Figueiredo da Silva e Maria Helena Machado da Silva, onde se encontram os instrumentos, com pesos e medidas, e a primeira máquina calculadora, o sinete da casa usado nas cartas registadas. César nasceu em 1904 e, em 1986, deixaria o negócio aos 84 anos, trespassando a loja, que se manteria em actividade até 2011” –Excerto de Mercearia do Troino... desde 1926, recuperada para museu

“Mais de 640 mil crianças e jovens na pobreza” – Fora o que as estatísticas de desemprego não conhecem ou não dizem

Referem as últimas noticias que,"Portugal é o país da União Europeia onde o risco de exclusão mais subiu. Cáritas diz que direitos dos mais novos não estão garantidos.
Entre 28 estados-membros, Portugal foi o país da Europa onde o risco de pobreza ou de exclusão social mais aumentou: 2,1 pontos percentuais (pp), para os 27,5%, em contraciclo com a União Europeia (UE), que registou uma ligeira descida (0,2 pp), para os 24,5%. Isso mesmo revela o "Relatório da Crise da Cáritas Europa 2015 - O aumento da pobreza e das desigualdades", que é apresentado esta quarta-feira, em Lisboa, pelo secretário-geral daquela organizaçãoMais de 640 mil crianças e jovens na pobreza - JN

SETÚBAL –  LONGE VÃO OS TEMPOS ÁUREOS  DA PRINCESA DO SADO 



Longe vão os dias  em que  as fábricas setubalenses funcionavam e proporcionavam milhares de postos de trabalho. Pagos a preços miseráveis, é certo,  mas ao menos ainda havia algo em que lançar a mão para sobreviver. 

Agora, os que lá se descobre, são os escombros das antigas unidades industriais. Assim sendo, com governantes, apátridas, com a privatização e entrega das melhores empresas públicas aos estrangeiros, privilegiando  politicas que unicamente visam o favorecimento do acumular de riqueza por uns poucos em detrimento a grande esmagadora maioria da população, dir-se-á que os lusitanos estão em vias de extinção. Em  consequência o desemprego e  a diminuição da natalidade, havendo mais velhos de que jovens. Pois quem é que pode arranjar uma casa e ter filhos, se está desempregado ou não tem garantias no trabalho? Muitas aldeias, já completamente desabitadas, outras  onde   não se registam nascimentos há vários anos  – Atualmente, os elevados índices de  desemprego, de quem já não tem com que matar a fome, não só atingem, drasticamente,  a capital sadina, onde o desespero vai bater às portas das igrejas e centros sociais, como em todo o país. Mas é em Setúbal onde  os dramas sociais mais se têm feito sentir.

“Pároco da Igreja de Nossa Senhora da Conceição afirma que o tecido social está a ser destruído em Setúbal e fala de "uma epidemia silenciosa" (…)Todos os dias aparecem caras novas no atendimento social da Igreja de Nossa Senhora da Conceição - são pessoas que já não vêm apenas de bairros problemáticos. Estas são famílias a quem já não sobra dinheiro para comer e alimentar os filhos. Desemprego em Setúbal "é como um tsunami"

 E quem não se lembra dos apelos dramáticos do Bispo de Setúbal – O grave é que, a situação estendeu-se vai de norte a sul: Tal  como ele denunciava, em Novembro de 2012,  “Portugal está atualmente a viver uma situação idêntica à que se vivia em Setúbal nos anos 80, existindo cada vez “mais pobres, mais pessoas sem pão, sem trabalho, sem casa”, alerta o bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins. “Os mais pobres não têm outra alternativa senão gritar bem alto para serem ouvidos”, Bispo emérito de Setúbal: portugueses devem “gritar bem alto para serem ouvidos  .