Cópia de uma postagem publicada neste blogue em 12 de Nov. 2008 -
MIKLOS FÉHER - Caiu no relvado no 25 de Janeiro de 2004 - Minha visão 3 dias antes - Olho o futebol apenas pelo seu valor artístico e místico - Meu presságio poético três dias antes - Quando o vi na relva cair parecia um filme realizado pela força do destino - Jogou a sua última partida contra o Vitória de Guimarães. 
Porém,
ao recordar-me daquele instante, em que o jogador cai como que desamparado e
fulminado ao chão, oh, como tudo foi tão rápido e tão
absurdo!... Não havia
sinais de qualquer falta ou violência
em campo... Era o seu coração que, não resistindo, o traíra!.... Revejo a
imagem e os momentos que se seguiram como se fosse ainda hoje. Morreu duas
horas depois após fracassadas todas as tentativas de reanimação.a Luís Filipe Vieira, pronunciando a trágica partida
do malogrado Micklos Fhér--- Mensagem encaminhada ----
Para: sec.geral@slbenfica.pt
Curiosamente, estive presente na noite da consagração da vitória de Luís Filipe Vieira. Fiz algumas fotografias - E aquela que mais gostei de registar e cuja imagem (no meu pensamento)ainda hoje revejo com a mesma nitidez de então é a de Fialho Gouveia. Ele estava muito feliz, muito feliz! - Ele era um fervoroso Benfiquista - .. E não tive dúvidas que, se os sócios do SLB votaram em LFV e o aplaudiram tão efusivamente é porque gostavam dele e acreditavam no seu projecto.
O conhecido técnico brasileiro, que já andava com problemas de saúde, perguntou-me se não estaria interessado em pegar no seu diário.. Com muita pena disse-lhe que não tinha tempo para assumir essa responsabilidade. A minha vida profissional ocupava-me imenso. Mas hoje sinto uma certeza tristeza - Compreendo que não fosse a pessoa mais indicada ( pois a minha relação com o futebol sempre foi meramente episódica e de um simples observador) mas, que eu saiba, ninguém pegou na ideia e perdeu-se a oportunidade de se poderem conhecer muitas páginas da história do futebol - contadas por um dos seus mais notáveis protagonistas - dos mais brilhantes treinadores do seu tempo. A menos que as suas memórias tenham sido publicadas e eu não o saiba. Pois a vidência nada tem a ver com adivinhação.
| Em S. Tomé 39 anos depois |
Ele mostra-se surpreendido com o que eu lhe acabo de revelar, pois já trazia consigo um telegrama onde me ia ser dada a notícia. No entanto, mesmo assim, ainda procurou contornar o seu conteúdo, tendo acrescentado, ao mesmo tempo que se aproximava de mim - já pronto para me dar um abraço e me confortar: “Olha, Jorge: de facto, a tua mãe está muito mal, está muito doente e eu até trago aqui um telegrama para te informar da gravidade da saúde dela!… Mas eu vi logo que eram apenas palavras amigas de conforto e retorqui: Obrigado, Francisco! Obrigado pelo teu cuidado mas esse telegrama só pode dizer que a minha morreu! - E era verdade. A minha mãe que fazia agora anos no dia de São Martinho, faleceu aos 50 anos, num Sábado e foi a enterrar, justamente naquele domingo, para mim tão triste - Mesmo antes de me ser dada a notícia.
Este
foi o primeiro caso que me despertou para os fenómenos da mediunidade. A
partir daí passei a prestar mais atenção aos chamados flagrantes de
iluminação e tenho-me apercebido de outros episódios relevantes. Entre
os quais a morte da Irmã Lúcia. Desde há muito que lhe queria manifestar
a minha admiração pelo seu estoicismo e santidade – por razões que lhe
descrevi E ,é claro, queria fazê-lo ainda enquanto fosse viva e antes da
sua morte - E assim aconteceu: enviando-lhe uma singela carta,
acompanhada de umas fotografias pessoais (sobre um naufrágio em que
sobrevivi), sim, que lhe dirigi um mês antes de cair na enfermidade que a
haveria de o conduzir à última morada. Guardo a cópia da missiva e o
registo. Já publiquei ( um excerto) num jornal da imprensa regional mas
hei-de também aqui fazê-lo.
Mas,
já agora que falei do Benfica, posso citar a carta que mandei a Vale e
Azevedo, uns dias antes da disputa com Manuel Vilarinho, em que - para
seu bem e do Benfica - o aconselhava a mudar de vida; a retomar a sua
profissão de Advogado. Também guardo ainda comigo a carta e a expressiva
fotomontagem que lhe enviei - Deitado numa cama, enfermo, incorporando a
figura do diabo e rodeado de pequenos diabos.
Iniciei-me em criança num dos cultos noturnos à Deus Vénus - que era feito
de noite, que me marcou para o resto da minha vida - E que me terá
ajudado bastante a enfrentar as maiores adversidades no alto mar http://canoasdomar.blogspot.com/2019/11/perdido-no-golfo-da-guine-36-dia-tenho.html
“Deus condenou o Homem à sepultura diária do sonos para lhe recordar uma verdade salutar e fundamental: que não há diferença substancial entre a vida e a morte”
“Os homens continuam vivos: foi esta a grande descoberta dos homens
primitivos . Os vivos estão mortos: é esta a a moderna descoberta da
filosofia existencial “
“Cristo foi condenado à morte logo que nasceu (massacre de
Belém), para simbolizar a suprema e derradeira finalidade da Sua
Vinda: ser morto. Entre estas duas condenações ( a de Herodes e de
Caifás) toma significado e consistência “a vida de Jesus”.
Bom, mas o episódio que eu aqui desejo recordar é o que se relaciona com o dos tais versos premonitórios: -
De facto, ao ser levado a escrevê-los, a visão que então claramente se
me colocava na mente e nos meus olhos era uma espécie de funesta
tempestade que me parecia iminente e prestes a desabar sobre a equipa
do Benfica.... . Via-a como que ameaçada por um violento temporal!... Em que,
um dos seus jogadores, ia ser fulminado por um relâmpago!!
E o mais curioso de tudo é que o desencadear desse cenário, com toda a sequência dramática, parecia-me simultaneamente decorrer em dois pontos muito diferentes e distanciados: sobre o estádio da luz e sobre o planalto, o vale e os montes da minha aldeia, para onde me desloco, regularmente, mas minhas habituais peregrinações espirituais
Vivo há muitos anos na capital mas nunca consegui imaginar tempestades mais medonhas do que aquelas que marcaram a minha infância e adolescência - E, no entanto, já enfrentei temporais, sozinho, bem violentos, em pleno alto mar!
Então, ao pôr-me a escrever, como que impelido por um ato instintivo e determinado, guiado por uma qualquer voz alheia a mim, - e, para contornar, de algum modo, a imagem da morte (que era realmente a que mais me assolava a imaginação) comecei por me servir de metáforas, que hiperbolizava, um pouco ao estilo dos poemas épicos. Dando assim escoamento a toda uma avalanche de pensamentos que me afloravam à mente, me perturbavam mas que ao mesmo tempo também me acalmavam, à medida que os ia escrevendo, como se estivesse predestinado a corporizar uma tal mensagem . E até a reflectir sobre o seu conteúdo – a morte. Porém, como esta (na minha perspectiva)não é o fim de tudo ( mas a passagem para outra via, para outra jornada) o que me perturbava e perturba, não era tanto a imagem da morte mas a efemeridade da vida – O tempo perdido que devíamos saber aproveitar e em que passamos distraídos.



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