Recordando Neves
de Sousa – Ele foi o rosto, que deu corpo e alma à organização da Grande Noite
de Fado da Casa da Imprensa, ao longo de 16 anos - O Repórter, que se dividia pelos jornais e revistas, a rádio e a televisão, na
crónica e na reportagem, desde o desporto, ao espetáculo, aos mais
variadíssimos acontecimentos, em todas as frentes, tendo viajado por 75 países: a sua palavra e o seu estilo,
a sua voz, era apaixonante, franca, calorosa,
lúcida, independente e inconfundível
Sportinguista assumido
mas os seus comentários eram apreciados por todos os amantes de futebol, pois nele a franqueza e o sentido da análise critico,
não se deixavam toldar por distorções clubísticas – Informava com emoção, rigor
e verdade. Deixou muitos amigos e admiradores
Hoje, ao
consultar o meu arquivo de algumas centenas de registos, deparo, na mesma cassete,
com duas pequenas entrevistas, que fiz no Páteo Alfacinha, por ocasião dos 40
anos de carreira de Neves de Sousa e os 30 de Rui Castelar, na noite, em que, a gerência daquela afamada casa de fados,
decidira homenagear estes dois grandes profissionais da comunicação social - A do
meu grande amigo, Rui Castelar, com quem tive o prazer de colaborar
nalguns dos seus programas noturnos na Rádio Comercial, ficará para um destes
dias, pois ainda faz parte do nosso convívio, o que não é o caso de Neves de
Sousa, que nos deixou há precisamente 21
anos.
“Falta-me muito
para ser um bom repórter; eu sou um mediano cronista e um sofrível repórter” - disse-nos - Mesmo grande e expressivo em tudo
o que fazia, nunca perdia o sentido de humildade e de nobreza.
A sua biografia
é vasta e daria matéria para um apaixonante livro – julgo mesmo que o fez – mas
eu vou aqui a reportar-me a algumas das declarações que me concedeu
Páteo Alfacinha - WEB
Começou aos 19
anos a sua carreira no jornalismo: o seu primeiro trabalho foi impresso, em
Dezembro de 1949, na revista Flama, com uma entrevista ao jogador Félix do Benfica, que não foi fácil de obter,
dado tratar-se de um craque, que fazia gala em fechar-se na sua redoma.
Feita a prova na
imprensa escrita, veio depois a da rádio na Rádio Renascença e no antigo Rádio
Clube Português
De entre o múltiplos
trabalhos que fez, recordou-nos o atentado contra o Papa, João Paulo II, em Fátima, que testemunhou a escassos metros de si, as reportagens dos incêndios
do Teatro de D. Maria e da Igreja de S. Domingos, a do choque de combóios no Porto, um desmoronamento de terras, em Gibraltar,
que também fez várias vitimas – E o dia, em que, ao fazer a cobertura das
cheias de Lisboa, tal era devastação, que
se estampava aos seus olhos, que estes também se inundavam de lágrimas, ao mesmo tempo
que tomava as suas notas.
REGISTOS DA SUA
MEMÓRIA
Neves de Sousa (1931 - 1995)
Neves de Sousa
faleceu em 1995, aos 64 anos, sendo conhecido pela energia e dignidade com que
exercia a profissão. Sportinguista lúcido e independente, foi uma
referência deontológica no seu tempo. Considerado uma personalidade no
jornalismo nacional, José Neves de Sousa exerceu a sua actividade
essencialmente no extinto "Diário de Lisboa", tal como em vários
jornais desportivos, entre eles o "Record", “A Bola” e a “Gazeta dos
Desportos”. Colaborou ainda com a Renascença, Antena 1 e Comercial, além de
apontamentos episódicos na RTP.
PARECE QUE FOI ONTEM –
diz Alexandre Pais, num artigo publicado o ano passado, em 29 de Junho
Neves de Sousa partiu há
20 anos
É referência recorrente
nesta página e volta a sê-lo agora, duas décadas decorridas sobre o dia 7 de
Julho de 1995, em que José Neves de Sousa nos deixou, aos 64 anos O Zé abriu-me, em Fevereiro de 1972, as portas
do Diário de Lisboa, então carregado de nomes extraordinários da
imprensa portuguesa. Dele colhi não só a oportunidade, mas também regras de
ouro que ditaram o meu futuro: a pontualidade – ele era sempre o primeiro a
chegar, às 7 da manhã! –, a entrega, a humildade para reconhecer os erros, a
capacidade para descobrir o que quer o leitor e, em especial, a virtude que faz
a diferença: trabalhar mais do que os outros, sem horas para sair ou namoradas
à espera.
Como referiu Hernâni Carvalho, na SIC, a
propósito de Teresa Pais, o Zé "não tropeçou numa caixa de sorte",
impôs-se pelo talento e por cá ficou – embora ele saiba que às 7 da madrugada
comigo não conta
Jornalista único Bom em tudo, o
Zé era insuperável na reportagem Neves de
Sousa jamais permitiu que a jactância dominante na classe o diminuísse pelo
facto de a sua maior especialidade ser o futebol. Bom na escrita e na crónica,
a editar e a dar notícias – oh, onde já vai no jornalismo essa mania! –, a
entrevistar e a produzir opinião, foi na reportagem que o Zé atingiu um nível
insuperável. NoDiário
de Lisboa, a entrada
clandestina na aldeia olímpica de Munique, em 1972, após o atentado terrorista,
ou a capacidade, única, para descrever os funerais do toureiro Manuel dos
Santos, em 1973, e do ciclista Joaquim Agostinho, em 1984, foram exemplos da
sua dimensão como repórter, um repórter extraordinário Neves de Sousa partiu há 20 anos - Alexandre Pais -
Sábado
Por Jorge Trabulo Marques -Jornalista - Coordenador do evento - E autor das descobertas
Evocação de “ O Dia dos Milagres” Nos
Templos do Sol – de Francisco Moita Flores – No dia Maior do Ano - Imagens e sons inesquecíveis do dia mais
longo do ano, que vale a pena recordar, ao som do Grupo
Lua Nova-Gaiteiros de Mogadouro, num dos
lugares mais belos e místicos da Pré-História de Portugal, com a evocação das mais antigas tradições, que caldearam as raízes da lusitanidade e, também
recordando a história de há três
séculos, do dia em que, Portugal, em 1 de Dezembro 1640, reconquistou
a soberania, defendeu a sua língua e preservou o seu futuro, graças à valentia de um punhado de corajosos heróis, momento
épico, esse, que o escritor, Francisco Moita Flores, transpôs para uma
espantosa obra literária, a que deu o
título de “O Dia dos Milagres.
Solstício do Verão 2016 -
Celebrado nos Templos do Sol, com os sons mais genuínos do Portugal profundo e rural,
pelo Grupo Lua Nova-Gaiteiros de Mogadouro - Em percursos e locais de memória e
de cultos ancestrais - Em dia de lua-cheia, dupla coincidência astronómica, que
só ocorre de 70 em 70 anos – Fenómeno festejado com momentos de poesia e de
reflexões históricas de "O Dia dos Milagres” através da palavra atenta e
sábia do escritor Francisco Moita Flores - Autor do livro que recorda o dia em que Portugal
recuperou a soberania. Pois, se não tem havido a sublevação dos bravos de 1640, "a nossa língua era hoje uma língua regional, do tamanho do Catalão, do Galego
ou do basco, – E,por esse facto, seguramente que
“estávamos aqui a evocar o sol e o solstício, em castelhano" - disse o escritor, que ainda haveria de ler um poema de António Botto e outro de sua autoria
"E por isso, daí nasceu O Dia dos Milagres! - E talvez não haja sítio melhor parafalar do Milagre da Língua que não seja este local onde estamos!... Porque aqui está a memória mais profunda daquilo que é a civilização na qual nós nos construímos como Povo! E nos afirmámos como país!
CORTEJO CELTA - DO ADRO DA IGREJA AOS TEMPLOS DO SOL
Às cinco e meia, tal como o previsto, chegavam, em dois carros, os nossos amigos gaiteiros: vindos de cidades diferentes - de Castelo Branco e Coimbra, pelo que o ponto de reencontro foi mesmo no adro da igreja, que, pouco depois seria também o ponto de partida para uma arruada pela aldeia, com o intuito de lembrar ao povo que a tarde era a do primeiro dia de Varão e que merecia ser festejada e onde os nossos mais longínquos antepassados o haviam feito, noutras eras.
De regresso ao adro, foram recebidos pela Presidente da Junta de Freguesia, a médica Maria Teresa Duarte Marques Baltazar, que, encontrando-se na cozinha, com um pequeno grupo de voluntárias, que confeccionavam alguns dos alimentos para a festa sanjoanina da noite, os convidou a comerem e a tomarem alguma coisa, que, naturalmente, aceitaram, com muito gosto, sobretudo bebidas frescas,, que vinham mesmo a preceito, depois do caloraço apanhado, aldeia acima e aldeia abaixo. Entretanto, também chega, o escritor Francisco Moita Flores, que igualmente se associa ao breve convívio. No adro, ainda havia pouca gente - além de alguns velhotes do Lar, por ali sentados. Mas, pouco depois, à seis e meia, hora prevista para o inicio do cortejo evocativo, este lá se compôs com um simpático e caloroso grupo de "sacerdotes e sacerdotisas celtas", com as suas túnicas brancas coroas de flores, a fazerem lembrar tempos idos - Ou pelo menos - com a alvura das suas vestes - a sentirem-se mais libertas do stress quotidiano do dia a dia
PEDRA DA CABELEIRA DE Nª SRª - LOCAL DE CULTO E DE SACRIFÍCIOS - E TAMBÉM POSTO DE OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICO
O gigantesco templo megalítico, conhecido
pelo povo da aldeia por “Pedra da Cabeleira de Nossa Senhora”, tem
aproximadamente 4,5 metros de altura,
por 4, 5 de comprimento e 2,60 de largura. Ao centro e junto à sua base de
apoio, é atravessado por uma câmara, que abre em arco, com 2,08 de largura, por
85 cm de altura, terminando com uma abertura um pouco mais baixa e larga. Fica
situado próximo de um antigo castro, numa vasta área de enormes afloramentos graníticos e de
abundantes vestíguios pré-históricos, conhecido por “fragas dos Tambores”, nos
arredores de Chãs.
Observado de costas, a nascente, faz
lembrar um enorme crânio humano. A fronte, pelo contrário, abrindo em forma de
gigantesco leque a poente, e com a face completamente lisa e inclinada, parece
ter sido talhada de alto a baixo por um só golpe.Atravessa-a uma galeria, de
cerca de 4,5 m de extensão, semicircular, na cúpula da qual, num dos recantos,
se encontra um nicho com uma pintura rupestre – Uma espécie de tosco
emaranhado, negro, que tem dado origem a várias lendas, e talvez também ao nome
pelo qual passou a ser baptizada e, porventura, a ser preservada.- Porém, para o Prof. Moisés Espírito Santo, a referida pintura rupestre, poderá estar associada ao feixe dos raios solares, que a atravessam.
A outra fraga, fica um
pouco ao lado - e também não é uma pedra
vulgar. A sua orientação é ligeiramente diferente. Vista de costas para poente, parece um enorme boné
semi-pousado ou cabeça de réptil de olho aberto. Ma também fazendo lembrar um
enorme ouvido, pelo que também é conhecida por Pedra da Audição, não apenas pela
forma mas pela ressonância produzida no interior da sua caverna. Porém, o lado que
está voltado para Norte, uma boa parte
do seu fundo, sai do lajedo que o sustenta, é oco, fica incrivelmente suspenso
em vazio, tomando a forma de uma
gigantesca campânula.
UM DOS MAIORES ENIGMAS OU, TALVEZ, MESMO, UMA DAS MAIORES MARAVILHAS DO VALE DO COA
Templos solar e sacrificial - Registo de véspera - Alinhado com os equinócios - Na mesma área
Só quem esteja no local, e naqueles
escassos momentos, em que os raios solares atravessam de extremo a extremo a
sua câmara, poderá ter a plena consciência de estar perante a revelação de um
fabuloso mistério, de um verdadeiro hino à Natureza! – à Terra, aos Céus, ao
Cosmos! – a Deus!
Pois bem, foi esta a sensação que eu tive, quando, pela
primeira vez, em 20 de Setembro de 2002, tive a oportunidade de
assistir a tão deslumbrante fenómeno! E, creio, que é justamente a mesma emoção que sentirão todas as pessoas que participam na celebração do Equinócio, ao contemplarem, com os seus próprios
olhos, tão auspiciosa ascensão solar! A
pedra abre-se em Luz! Tudo se funde em múltiplos raios! Ante o olhar
surpreendido e extasiado, tudo se eclipsa à volta e em torno de um único feixe
de ouro, de prata e de brilho! - Em todo o caso, a pedra é já de sim um imponente monumento megálito - Um majestoso altar, abrindo em forma de leque, a impressionar muito mais de que muitas igrejas ou catedrais.
Adriano Vasco Rodrigues, um dos investigadores mais prestigiados da região, natural de Longróiva, freguesia limítrofe de Chãs, foi o primeiro investigador, desde a década de 50, a debruçar-se sobre o estudo do santuário rupestre da Pedra da Cabeleira de Nª Srª, que classificou como local de culto ou de sacrifícios - “Stonehenge Português” – O mais importante Templo - templos do sol
Na verdade, lugares há que são um verdadeiro centro de
emanações, de eflúvios, de espiritualidade, propensos ao deleite, ao
esquecimento e à sublimação. Para bem da existência humana, o nosso planeta é
contemplado com muitos desses privilegiados lugares, onde, dir-se-ia, até que
as pedras falam, e através delas se pode escutar a voz de Deus! Nos dias de
hoje, para muita gente, talvez já não seja fácil tal perceção, porém, no
passado, quando os homens viviam em estreita ligação com a Natureza, de que
dependia a sua própria sobrevivência, eles compreendiam o maravilhoso, e
sabiam-no interpretar.
CERIMÓNIA NO FRONTÍSPÍCIO DA PEDRA DA CABELEIRA - FRANCISCO MOITA FLORES, RENDIDO AO ENCANTO DESTE "NINHO DO PORTUGAL MAIS FUNDO"
Feita a leitura, por António Lourenço, de algumas referências, do livro O Dia dos Milagres, e também ao seu autor, foi a vez de Francisco Moita Flores, explicar a razão da escolha deste título - Fizemos a transcrição mas vale a pena ouvir na íntegra o vídeo, que aqui editamos. .
Partilhe neste vídeo da alegria com que evocámos e celebrámos alguns dos significativos e maravilhosos momentos, não só alusivos ao nosso passado longínquo, como o de há de três séculos, quando ainda não éramos mais de 5 milhões de falantes da língua portuguesa e hoje somos a 5ª mais falada do Mundo. - Obviamente, graças à coragem, heroicidade. e sentido patriótico daquele punhado de sublevados
(,..) A este ninho do Portugal mais fundo! Do
Portugal mais belo! Que eu conheci de outros andares, quando investiguei a vida
da D. Antónia Ferreira. E passei por estes campos: pela Meda, pro Foz Côa e
pela Pesqueira, muito tempo.
E queria agradecer-vos ter vindo a este
templo, à memória dos homens! Porque, aquilo que mais importante nos identifica, não são os
números, não são os prédios! Não são os automóveis, não são os sapatos de tens!...
Aquilo que nos identifica, como gente, como pessoa e dá dimensão à nossa
existência, é exatamente a nossa memória: a capacidade de não esquecer, ou,
esquecendo, não deixar de recordar, de evocar e de rememorar aqueles que são os
nossos antepassados e que deram identidade e conseguiram! E permitiram a nossa
afirmação no mundo neste presente, que é ponte para o futuro.
O Dia dos Milagres, surge neste contexto:
em 1640, nós não chegávamos a 5 milhões de falantes em Português, não éramos
mais – mesmo contando alguns que falavam português, no Brasil - , não
passaríamos de cinco milhões. Passados 300 anos, são 250 milhões de pessoas que
falam em Português! E só falam 250 milhões de pessoas em português,
foi porque houve o 1640! Porque, se não tem havido 1640 e a Restauração de
Portugal, a nossa língua era do tamanho do Catalão, do tamanho do Galego ou do barco, éramos uma língua regional, e,
seguramente, estávamos aqui a evocar o sol e o solstício, em castelhano!
E foi afirmação de Portugal, sobre si
própria, sobre a sua língua, que permite o crescimento espontâneo desta imensa
Pátria, como lhe chamou Fernando Pessoa! Desta imensa Pátria, que é língua
Portuguesa!
E foi graças a esse dia, a essa data, que
se abriu as portas do Universo, as portas do Mundo, para que em todo o lugar,
hoje, , em todos os fusos horários, em todos os lugares da Terra, hja alguém
que se cumprimente e fale em Português!
Consiga dizer bom-dia! Boa-tarde! Até à manhã! Em português! Pois fazemos parte dessa imensa família: que
se aprendeu, que se reconheceu, que recorda, que tem memória, falada em português!... Somos a
5ª língua mais falada do Mundo! Somos a 5ª língua mais falada do Hemisfério Sul!
Passando à nossa frente, quatro países, um deles a Chima, mas a China. Multiplicam-se
em coelhos!...
Deixámos de aprender a multiplicar-nos,
estamos todos a envelhecer; se não fosse assim, éramos a 4ª língua maior do
Mundo!...
E, portanto, o milagres é este: como é
possível, que um Povo pequenino, este povo pobre – fomos sempre pobres, maltrapilhos,
salteadores, de Melgaço até Vila Real de
Santo António, consiga produzir o
milagre, que outros países, com mais poder, com maior força, com maior sustentabilidade,
não conseguiram produzir!
Devo-vos dizer que, a Srª Merkel e
Alemanha, tem muito mais euro do que tem Portugal, mas no que respeita à
língua, é muito mais pobre de que nós!
E, por isso, é este grande orgulho, é esta grande alegria de fazer parte desta
imensa pátria, porque eu decidi escrever sobre essa data histórica!
Fundamental! O maior ativo que Portugal deu ao Mundo! A maior dádiva, que Portugal deu ao Mundo, foi
a sua língua! Não há outra data igual a esta! E foi lamentável que houvesse
homens e mulheres, que a desprezaram! E que a desprezaram em nome de línguas de
contabilidade! Outros em nome das suas próprias ideologias e convicções, mais
tontas, que este dia não interessava à História de Portugal: é o dia mais
importante, depois da fundação de Portugal! É dia em que nós abrimos as portas
do Mundo a nossa língua! Ao falar em português ou amar em Português e ao chorar
em Português!
Vocês não se esqueçam, que nós nos conhecemos
através dos corpos e do falar: é pela fala eu nós aprendemos o sentido da
maternidade: é a nossa mãe, a primeira que ouvimos. Com ela aprendemos as primeiras palavras, os primeiros gestos, os primeiros sons, as primeiras palavras que dizemos, quando somos bebés, são ditas em português! Não é a escola que nos ensina a falar Português, é o ventre materno! É o ventre desta terra maior, que nos ensina a falar em Português e a falar o português, como uma dádiva divina, que entregamos ao mundo!
E por isso, daí nasceu O Dia dos Milagres! - E talvez não haja sítio melhor parafalar do Milagre da Língua que não seja este local onde estamos!... Porque aqui está a memória mais profunda daquilo que é a civilização na qual nós nos construímos como Povo! E nos afirmámos como país!
E, por isso mesmo, é com uma emoção grande, que partilho convosco este momento e fico profundamente grato ao Trabulo e a vocês todos por me terem trazido a este lugar!
Bem-hajam por isso! Pelo amor que têm à vossa terra e a este lugar Francisco
Moita Flores, na Pedra dos Poetas,– diz um belo poema de sua autoria -
Francisco Moita Flores - Diz um poema de António Botto, intitulado "Homens que
vens de Humanas Desventuras"
COINCIDÊNCIA ASTRONÓMICA - CONTEMPLADA COM DEVOÇÃO E SIMPATIA
Curiosa coincidência - No dia mais longo do ano, o brilhante astro sideral na sua plenitude máxima – Um
privilégio de encanto e alegria para aqueles que se associaram à nossa
celebração, a quem dirigimos um vez mais um grande e afetuoso abraço – Gente simpática, evoluída
e amiga da Sacra Mãe-Natureza e dos Templos
que a divinizam e celebram - Tantas e tão intensas as emoções, que nos faltam as palavras para
as descrever – Vieram dos concelhos limítrofes e de vários pontos do país – De lisboa, veio
expressamente o nosso Convidado de Honra, Francisco Moita Flores - Da região do
Porto, vários peregrinos, alguns com laços a estas terras, nomeadamente a Almendra,
gente amiga e amável, que nos costuma
brindar com a sua colaboração e a sua amável presença – Meda e Foz Côa, Muxagata e Santa Comba, sempre muito bem representadas, especialmente
pelos nossos amigos de Foz-Côa Friends -
Eles sabem em quem pensámos: - Pedro
Daniel, José Lebreiro, Adriano Ferreira e esposa, Paulo Laurento e família, Mendes, o "ermita" dos Gamoais, pelo que, escusado
seria, apontar aqui os seus nomes, senão apenas o renovar do nosso sincero agradecimento,
o nosso Bem-Haja. - Naturalmente, que também extensivo ao Município, na pessoa do Sr. Eng. Gustavo Duarte, que nos deu o seu apoio para custear a vinda do simpático
grupo de gaiteiros de Mogadouro E também o nosso reconhecimento pela saborosa e variada ementa regional da
noite sanjoanina, oferecida pela junta de freguesia. – E, com certeza, às pessoas da
nossa aldeia, que não quiseram deixar de se associar a uma festa, que também é
sua - Foram vários os rostos amigos, que
se incorporaram no cortejo e a partilharem dos momentos de tão esplendorosa beleza e alegria. Outro obrigado muito especial ao pastor José Júlio, por nos ter emprestado um borreguinho, que, mais de que representar os antigos sacrifícios, foi o mascote e o animador de pequenos e crescidotes
Noite
Sanjoanina no Solstício do Verão - Febras,
sardinha assada, bebidas e muita alegria
Depois das celebrações do
Solstício do Verão 2016, nos Templos do
Sol, a Junta de Freguesia, ofereceu aos
visitantes e residentes, no adro da igreja, frente ao edifício da autarquia, um
excelente manjar de comes e bebes -
Desde a sardinha assada, febras grelhadas, caldo verde, arroz doce, cerveja,
vinhos e refrigerantes – Uma gracinha que propiciou um caloroso e entusiástico convívio.
Momentos de poesia de
João de Deus e Manuel Daniel, ao som dos gaiteiros de Mogadouro, lidos por José
Lebreiro e António Lourenço
IMPRENSA NACIONAL - MAIS VOLTADA PARA A TRADICIONAL ROMARIA DE LONDRINA - STONEHENGE -
Ontem, dia 20, primeiro
dia do Verão, o antigo cromeleque de Stonehenge, localizado na planície de Salisbury, nocondado de Wiltshire, próximo a Londres, na
Inglaterra, era noticia em todo o mundo – Repetem o que dizem nos anos
anteriores - Referem as noticias por cá que “Milhares
de pessoas juntam-se todos os anos em Stonehenge, o famoso monumento
pré-histórico britânico, ver o pôr-do-sol neste que é o dia mais longo do ano” – Raro solstício de verão e lua cheia em
junho é o primeiro desde 1948 Aliás, acampam
para assistir ao nascer do sol – Pois é esta
a orientação deste alinhamento – Também o temos, mas é nos equinócios
A imprensa
portuguesa, agência Lusa, os jornais, as rádios e até as nossas televisões, seguiram o mesmo
figurino, a mesma moda: preferindo, todos os anos, falar do que já é falado e ignorar o nosso património
– Por sinal, até sabem que, em Portugal, nos arredores da aldeia de
Chãs, do concelho da V. Nova de Foz Côa, além das famosas gravuras paleolíticas,
também se assinalam as já tradicionais celebrações, junto dos recintos das estruturas megalíticas alinhadas com a
estações do ano – Conquanto, não tenham a mesma fama e monumentalidade, o cenário envolvente, seguramente que é mais
vasto, mais belo e impressionante, de que a monótona planície, onde aquele
circulo de pedras se encontra erguido.
Já foram
noticia, nos principais órgãos de C.S nacionais e também por agências estrangeiras. Na Internet,
não faltam alusões - Mas, por cá, ainda
bem que não estão na moda – E oxalá que nunca possam correr esse risco: as
romarias populares, não cremos que se enquadrem no espírito destes singulares festejos - E, se alguma dúvida houvesse, em qualquer das pessoas que regressavam ao adro, donde haviam partido, em
direção aos Templos do Sol, integradas no cortejo evocativo, ao som alegre e animador dos gaiteiros de Mogadouro, sim,, ao chegarem
ali, depressa as desfaziam – Pois,
tal como no ano passado, éramos uma pequena minoria, comparada com o número de pessoas que a se acercavam das mesas, nos
comes e bebes, que a Junta de Freguesia, havia ali proporcionado a residentes e visitantes, integrados
no espírito das chamadas festas dos santos populares.
Certo
que, aquilo que é belo, deve ser partilhado mas por quem o mereça, o compreenda,
não o conspurque ou vandalize - Á cautela, é por isso mesmo, que, as autoridades, em Inglaterra, que têm a
seu cuidado a preservação e a salvaguarda monumento de Stonehenge, condicionam as
visitas, abrindo uma exceção para a celebração do solstício do Verão.
Tais
megálitos, fazem parte de uma herança pré-histórica, que ainda persiste nalguns
sítios arqueológicos – É justamente o exemplo dos vários monumentos megalíticos,
que ainda se conservam nalguns pontos do maciço dos Tambores – Não se sabe,
donde vem o eco deste nome, mas por ventura que não deverá estar muito longe da
configuração que fazem lembrar alguns daqueles rochedos e dos antigos povos que o escolheram para seus
abrigos, cultos e sepulturas – De que existem vários vestígios, que remontam ao
neolítico, calcolíticos, idade do ferro e do bronzes
Vários
investigadores, desde Adriano Vasco Rodrigues, Sá Coixão, GonçalvesGuimarães, António Faustino deCarvalho Carvalho, do
Parque Arqueológicos, e a que já nos referimos
noutras postagens, têm-se debruçado no estudo de alguns sítios deste planalto e
quebradas, encontrado materiais e feito os seus estudos e descobertas - O que se desconhecia é que ali pudesse haver calendários
pré-históricos - E são vários; além dos
cinco por mim descobertos, também o investigador, Albano Chaves, fez a descoberta
de um interessante alinhamento, a que
deu o nome de portas do Sol (1) solstício do inverno nos templos do sol – albano
chaves -
MOMENTO MAIS AGUARDADO - FEZ SALTAR PALMAS DE DESLUMBRAMENTO
A medida que o sol ia descendo sobre o ocaso, maior crescia a expectativa no espírito dos participantes - O sol mal pousara sobre o perfil do relevo na margem a ocidente, depressa se ia esconder para lá das colinas - Porém, são instantes que, pela surpreende beleza e deslumbramento, dir-se-ia provocarem a emoção de algo transcendente e surreal, que nos entra pelo coração como um tónico harmonioso e ao mesmo tempo balsâmico e revigorador - Instantes, esses, que , embora muito efémeros, se fixam na retina como algo que não se esconde mas perpetuará na memória
Registo de véspera - Ao nascer do Sol, em Stnohenge - Ao pôr do Sol - Nos Tambores
VISTA DO QUADRANTE NORTE OU DO QUADRANTE SUL TOMA A FORMA DE UM ESTRANHO CRÂNIO - TAL COMO A PEDRA DA CABELEIRA VISTA DE TRÁS
.
FRANCISCO MOITA FLORES - O CONVIDADO DE HONRA - Na mesma pedra onde, um mês antes de partir para eternidade. o poeta, jornalista e escritor, Fernando Assis Pacheco, se postava perante os céus e a largueza daqueles vastos espaços, talvez numa já instintiva premonição como quem se despede de um dos lugares belos e sagrados e espera que outro maravilhoso e eterno o acolhesse - Passou a ser chamada a Pedra dos Poetas -
DISTINGUIR HOMENS DE VALOR NOS TEMPLOS DO SOL
Fernando Assis Pacheco
Em todas as nossas celebrações, quer nos
equinócios do Outono ou da Primavera e no Solstício,
temos procurado saudar os ciclos da natureza e ao mesmo tempo celebrar os
poetas ou homenagear outras figuras que achemos que se enquadrem no espírito
destes eventos. Desta vez, além da justíssima homenagem, proposta pela Comissão
Organizadora, a Joaquim Manuel Trabulo, pessoa muito estimada nesta
aldeia, autor de duas importantes monografias, que publicou por sua conta e
risco, vamos também poder contar com a presença do escritor
Francisco Moita Flores - E quem, em Portugal, não conhece a voz e o rosto de um
maiores especialistas da criminologia, sempre afável e disponível para
contribuir para o esclarecimento e formação da opinião pública, através dos
jornais, da rádio ou da televisão - E, naturalmente, do contributo da
vasta obra literária, de que é autor, em múltiplos aspectos e vertentes
históricas, cientificas, ficcionistas e culturais.
FRANCISCO MOITA FLORES – CONHECIDO POR SER UM TRABALHADOR
INCANSÁVEL, MINUCIOSO E RIGOROSO - Esta uma das referências que lhe são
feitas por biógrafo
“Francisco Moita Flores é reconhecido do público pela sua obra literária e pelo seu trabalho como dramaturgo para televisão, cinema e teatro. Tem uma vasta obra publicada e produzida; os romances: Mataram o Sidónio!, A Fúria das Vinhas, o Bairro da Estrela Polar, entre muitos, e séries : A Ferreirinha, o Processo dos Távora, Alves dos Reis, João Semana, Quando os Lobos Uivam. Considerado pela crítica como o melhor argumentista do país, foi distinguido em Portugal e no estrangeiro pela qualidade da sua obra, foi condecorado pelo Presidente da República com o grau de Grande Oficial da Ordem do Infante pela carreira literária e pública. Colaborador em vários órgãos como comentador tem marcado a sua intervenção pelo rigor e clareza com que aborda os temas da sua especialidade.Francisco Moita Flores - Woo
FranciscoMoita Floresnasceu no ano de 1953. É casado com a actriz e produtora Filomena Gonçalves. Tem três filhos e é avô de três netos. Nasceu em Moura onde estudou até aos 15 anos. Depois continuou nos seus estudos em Beja e depois em Lisboa
Fez o bacharelato em Biologia e até 1977 foi professor do ensino secundário. Nesta ano ingressou na Polícia Judiciária e foi o primeiro classificado no curso de investigação criminal
Até 1990 pertenceu a brigadas de furto qualificado, assalto à mão armada e homicídios.
Varias vezes louvado deixou aquela instituição para se dedicar á vida académica – Excerto de - Portal da Literatura
JOAQUIM TRABULO - Natural desta aldeia, autor da monografia, CHÃS DE FOZ-CÔA - A sua história e a sua gente - e ainda de outra interessantíssima obra: POR VEREDAS DO VALE DO CÔA, acerca dos percursos mais antigos e sugestivos desta freguesia
Joaquim Manuel Trabulo nasceu a 2 de Maio de 1938, embora o respetivo registo aponte a data de 2 de Julho do mesmo ano, na freguesia de Chãs, concelho de Vila Nova de Foz Côa, tendo ali vivido durante a infância e parte da juventude.
Fez o curso Geral dos Liceus, em Lisboa, e exerceu a atividade bancária em Lisboa e Porto, encontrando-se, presentemente, na situação de aposentado.
Faz parte do Grupo Coral de Professores e Educadores de Vila Nova de Gaia, desde 1996.
Em 1992 publicou a monografia "CHÃS DE FOZ CÔA - A sua história, a sua gente" e tem colaborado na imprensa local.
O DIA DOS MILAGRES -
Lê-se na badana do próprio livro, que " O Dia dos Milagres é uma viagem apaixonante aos últimos dias do regime filipino que haveria de baquear no golpe de Estado que daria início à dinastia de Bragança.
O autor centra a acção em Vila Viçosa, onde viviam os duques de Bragança, e conduz-nos pelos dias terríveis de ansiedade, vividos entre crenças e superstições, marcados por revoltas e sofrimento, num Portugal pobre e cansado, traumatizado pela tragédia de Alcácer Quibir, de onde espera que chegue o rei D. Sebastião.
Moita Flores cruza os vários ambientes da época. Desde o fatalismo supersticioso, à preparação cautelosa da conspiração que iria mudar o curso da História de Portugal. João de Bragança e Luísa de Gusmão são os protagonistas, a que associa figuras populares como o Laparduço, mercador de ervas milagrosas, e Efigénia Pé de Galinha, bruxa afamada.
O Dia 1 de Dezembro de 1640 foi um momento único da História de Portugal. Uma data que foi desprezada, até deixou de ser feriado, decisão que enxovalha a memória portuguesa. Um punhado de fidalgos, apoiado pelo Povo de Lisboa, enfrentou o mais poderoso Império do mundo. E devolveu a dignidade a Portugal. São os preparativos dessa saga extraordinária que percorrem as páginas deste romance apaixonante, terno, para que a memória colectiva não esqueça, aquilo que os novos servos do nosso tempo esqueceram, julgando Portugal do tamanho de um mero livro de contabilidade.
FRANCISCO MOITA FLORES
"Regressa com uma história empolgante corrida nos dias que antecederam o golpe que haveria de restaurar a independência de Portugal no dia 1 de Dezembro de 1640.
Depois de Segredos de Amor e Sangue, o novo romance O Dia dos Milagres é mais uma pedra no caminho de sucessos literários que marcam o percurso deste conhecido escritor que assinou obras como A Fúria das Vinhas, A Opereta dos Vadios, O Bairro da Estrela Polar, Mata Sidónio!, entre muitas outras.
Autor de grandes séries para televisão, A Ferreirinha, O Bairro, Ballet Rose, A R, Medos e Alves dos Reis, reconhecido pela crítica, premiado em Portugal e fora do país, a sua obra foi agraciada pela República ao ser condecorado como Grande Oficial da Ordem do infante Actualmente é o presidente da Sociedade da Língua Portuguesa
EXTRAÍDO DO ENREDO LIVRO - "Corria o Verão de 1578. As cigarras cantavam, em coro, pelos olivais e chegavam patos e rolas de arribação aos campos do Alentejo. Por essa altura, ainda respondia por Efigénia do Abegão. Apelido de homenagem ao pai, artesão com mãos de ouro, conhecido nas redondezas pela sua arte na feitura de rodas para carroças de trabalho com a mesma perfeição daquelas que burilava para os coches da Casa de Bragança. Conseguira, devido a este talento raro, ganhar as graças do senhor duque, pai de D. Teodósio 1, e, aos dez anos, a sua única filha entrava para a criadagem da cozinha do Paço de Vila Viçosa.
(…) Nesse dia, fosse ele qual fosse, dizia-lhe o coração, o grande berço onde nascem os sonhos estava marcado na palma da mão como destino. Por tal crença prometera a Nossa Senhora da Conceição e ao seu Santo Filho dez terços de enfiada. E escutava, noite após noite, o vento e os rouxinóis, à espera do seu cavaleiro encantado, que se descobriria perante os seus olhos, vindo dos nevoeiros que se acomodavam nos vales da serra.