Jorge Trabulo Marques - Jornalista e coordenador do evento - Com video do evento
Manuel
Daniel, disse naquele dia e naquele antiquíssimo e
sagrado altar: " Continuamos a ser perseguidores das
preocupações que ocuparam os homens primitivos”: “E aqui estamos: a
interrogarmo-nos a nós próprios, a saber quem somos, o que queremos! O que
fazemos!...” Palavras do poeta invisual, jornalista, advogado e dramaturgo,
Manuel Daniel, na sua expressiva alocução, em resposta ao poemas lidos e aos
elogios preferidos na auspiciosa manhã do primeiro dia do Outono, no maciço
granítico do planalto dos Tambores e Mancheia, onde termina a meseta ibérica,
com os seus monumentais e majestosos penhascos e enigmáticos megalíticos, seus
ancestrais postos de observação astronómica e locais de culto.
POUCOS MAS VIVENDO CALOROSAS EMOÇÕES
DE CONVÍVIO E DE PARTILHA DO MESMO DESLUMBRAMENTO
Na cerimónia evocativa, além do homenageado,
o poeta Manuel Pires Daniel, que nos deu o prazer e alegria de aqui voltar,
agora, por impossibilidade visual, acompanhado pelas mãos de sua esposa, Maria
Alice e do seu filho Pedro Daniel, pudemos ainda contar com as honrosas
presenças do Vereador do Pelouro da Cultura de V. N de Foz Côa, Dr. João Paulo
Lucas Donas Botto Sousa, do Reverendo Padre Diogo Martinho, Pároco da freguesia
de Foz Côa, Pocinho, Santo Amaro e Mós, bem como Presidente da Junta de
Freguesia, Carlos Sobral, além dos nossos amigos e colaboradores, António
Lourenço, ex-autarca desta freguesia e atual Presidente da Associação
Humanitária dos BV de V.N de Foz Côa, Dr. José Lebreiro, Ângelo Dinis, Adriano
Ferreira e Agostinho,
“Viemos aqui espreitar a história!
Viemos aqui procurar um contato com aqueles que já viveram aqui a sua vida e
gastaram aqui as suas preocupações!... E, sobretudo, interrogaram-se, como
ainda hoje nos interrogamos por quatro grandes pilares: o ESPAÇO, A VIDA E O
ALÉM!
O Espaço, continua a ser uma grande
preocupação do homem de hoje!.... E logo nesta altura, nos alvores da
inteligência, quando o homem começou a ter conhecimento de si próprio, nessa
altura o espaço foi a sua grande preocupação: onde estava, nesse Universo,
nesse bocado do Mundo! “ Expressivas palavras Manuel J. Pires Daniel, natural
de Meda, em 18 de Novembro de 1934. Sem dúvida, um admirável exemplo de labor e
de tenacidade, de apaixonado pelas letras e de sentido e dedicação ao bem comum
O Dr. Manuel Daniel não é apenas uma
memória viva para todos nós, como é um amigo de há muitos anos. – Declarou, o
Dr.João Paulo Lucas Donas Botto Sousa, Vereador da C.M. de V. N. de Foz Côa
OPORTUNIDADE PARA REFLEXÃO - Este o
sentido das palavras proferidas pelo Padre Diogo Martinho: estar aqui, na
presença de alguém que é produtor da cultura, ou pelo menos dizedor da cultura,
com pessoas que apreciam esta mesma cultura, é para mim uma alegria muito
grande
A celebração, teve a cobertura de
uma equipa de reportagem da RTP, através da sua delegação na Guarda, dirigida
pelo jornalista, Jorge Esteves, um excelente profissional, que, desde há vários
anos, vem desenvolvendo um notável trabalho de cobertura da nossa região – Foi
ele, que, fez a reportagem das nossas primeiras celebrações, bem como o
jornalista, José Domingues, pela Lusa, a cujo empenhamento, muito lhe devemos
Por Jorge Trabulo Marques - Jornalista e coordenador do evento
A manhã do primeiro dia do Outono, nos
amplos espaços das quebradas da aldeia de Chãs, no concelho de V. Nova de Foz
Côa, foi brilhante de sol, com algumas névoas brancas dispersas pela abóbada celestial,
sim, aqui, no maciço granítico do planalto dos Tambores e Mancheia, onde
termina a meseta ibérica, com os seus monumentais e majestosos penhascos, a
partir do qual se erguem as íngremes ladeiras do xisto, o tal Reino Maravilhoso,
sublimado por Miguel Torga, dir-se-ia que o inicio do Outono, foi primoroso, se
bem que, a partir do principio da tarde, os céus se viessem atoldar com alguns sopros de vento
Manuel Daniel, disse naquele antiquíssimo e sagrado altar: " Continuamos a ser perseguidores das preocupações que ocuparam os homens primitivos”: “E aqui estamos: a interrogarmo-nos a nós próprios, a saber quem somos, o que queremos! O que fazemos!...” Palavras do poeta invisual, jornalista, advogado e dramaturgo, Manuel Daniel, na sua expressiva alocução, em resposta ao poemas lidos e aos elogios preferidos na auspiciosa manhã do primeiro dia do Outono, no maciço granítico do planalto dos Tambores e Mancheia, onde termina a meseta ibérica, com os seus monumentais e majestosos penhascos e enigmáticos megalíticos, seus ancestrais postos de observação astronómica e locais de culto.
A celebração, teve a
cobertura de uma equipa de reportagem da RTP, através da sua delegação na
Guarda, dirigida pelo jornalista, Jorge Esteves, que já
aqui havia estado na divulgação das nossas primeiras celebrações, um excelente
profissional, que, desde há vários anos,
vem desenvolvendo um notável trabalho de cobertura da nossa região, acujo empenhamento,
muito lhe devemos. A reportagem foi
transmitida por volta das 19 horas, no programa” Portugal em Direto" um espaço de
informação nacional apresentado pela jornalista Dina Aguiar.
POUCOS MAS VIVENDO CALOROSAS EMOÇÕES DE CONVÍVIO E DESLUMBRAMENTO – Nomeadamente,
ao testemunharem a entrada dos raios
solares na gruta, que se abre em forma de semi-arco na base de apoio do Santuário Rupestre da
Pedra da Cabeleira de Nª Srª, atravessando-a
de nascente a poente, no momento em que o sol começa a erguer-se por detrás do recinto amuralhado.
Na cerimónia evocativa, pudemos contar com a presença pessoal do Dr. Manuel
Pires Daniel, que nos deu o prazer e alegria de associar à celebração, acompanhado de
sua esposa, Maria Alice e seu filho Pedro Daniel, o Vereador do Pelouro da
Cultura de V. N de Foz Côa, Dr. João Paulo Lucas Donas Botto Sousa, o Reverendo
Padre Diogo Martinho, Pároco da freguesia de Foz Côa, Pocinho, Santo Amaro e
Mós, bem como Presidente da Junta de Freguesia, Carlos Sobral, além dos nossos
amigos e colaboradores, António Lourenço, ex-autarca desta freguesia e atual
Presidente da Associação Humanitária dos BV de V.N de Foz Côa, Dr. José
Lebreiro, Adriano Ferreira, Ângelo Dinis e Agostinho – Foram
lidos poemas de autoria do homenageado e do Bispo da Diocese de S. Tomé e Príncipe,
Dom Manuel dos Santos, recordando a vista que fez a este local, há cinco anos,
além de outros versos alusivos ao sol..
VIEMOS AQUI ESPREITAR A HISTÓRIA –
“Este, meus amigos, é um ato de
iminente cultura popular! Isto é um modo de sentir, aquilo que, de mais vivo e
mais puro existe na Terra e pode ser compreendido por todos os homens! “ – Começou por
sublinhar, Manuel Daniel - Poeta, dramaturgo, jornalista e advogado, homem
culto e humanista, talento multifacetado
e de rara sensibilidade, autor de uma vasta obra literária, natural de Meda, concelho limítrofe do termo
desta aldeia, figura muito querida e prestigiada na nossa região, atualmente invisual, residente
em V.N. de Foz Côa, desde há vários anos, ondecasou, exerceu advocacia e continuou a dedicar-se à causa pública.
“Viemos aqui espreitar a história!
Viemos aqui procurar um contato com aquelesque já viveram aqui a sua vida e gastaramaqui as suas preocupações!... E, sobretudo,
interrogaram-se, como ainda hoje nos interrogamos por quatro grandes pilares: o
ESPAÇO, AVIDA E O ALÉM!
O Espaço, continua a ser uma grande
preocupação do homem de hoje!.... E logo nesta altura, nos alvores da
inteligência, quando o homem começou a ter conhecimento de si próprio, nessa
altura o espaço foi a sua grande preocupação: onde estava, nesse Universo,
nesse bocado do Mundo!
O tempo!... Também o homem, dos
primeiros tempos, dos primeiros alvores do mundo , teve a preocupação do tempo.
O que se está aqui a passar, como
medidor do tempo e da história, é um aparelho da própria naturalidade de tudo o
que existe!... É uma máquina de verificar o tempo!
O tempo, realmente, tem sido uma
luta constante do homem através dos séculos!... Através dessa contagem, o homem
consegue desvenda muitos dos seus mistérios, quer nas suas viagens
interplanetárias!.... Nas suas relações com os astros, com tudo… com o
tempo!
O que é o tempo?!.... Nós somos uma
fração do tempo ou somos uma partícula invisíveldesse tempo?...~
A VIDA!... o Homem, teve sempre a
preocupação do que é a vida!.. E o que é a vida?.....É aquilo que nós somos!
Aquilo que nos foi dado e o além!
Já é outra preocupação do homem!
Tal qual como hoje!
O além existe?... Onde
começa!....Onde acaba!... Quem está Aquele que é o Senhor do Além!... Onde está
esse Senhor?!... Todos o procuramos!... Todos!.... Uns de uma maneira, outros
de outra!... Uns chegam, até, ao fim da sua possível procura!... Outros sonham
com ela, sem saberem como!
Este, é de facto, ummomento de interrogação para nós!
Continuamos a ser perseguidores
dessas preocupações que ocuparam os homens primitivos: aqueles que conseguiram dará
conta de si mesmos, através dos seus pensamentos reflexivos!
E aqui estamos: aqui estamos a
interrogarmo-nos a nós próprios, a saber quem somos, o que queremos! O que
fazemos!... As perguntas continuam a ser as mesmas desde sempre: o que quer
dizer que o homem se repete constantemente a si próprio!
Meus amigos:
Estamos aqui numa confraternização
cultural, que é muito útil paratodos e
que nem tem principio nem tem fim !
Por aqui passaram. Certamente,
grandes homens através destes séculos!
Pergunta-me, às vezes, o amigo
Jorge Trabulo Marques, se o Miguel Torga, terá passado por aqui?... Terá andado
nestes fraguedos!....
Eu aposto que sim, porque, uma vez
em conversa com ele, ele me dizia que conhecia Foz Côa, melhor do que eu!....
Como caçador de perdizes, ele
percorria lugares aparentemente inóspitos, como este!... Mas este é um lugar
muito especial!... Há aqui forças quenós desconhecemos!
Esta orografia é de uma riqueza
maravilhosa!... Exemplar!... E nos cá estamos para contemplar neste pequeno
espaço! Aquilo que o homem tem de melhor! … E, certamente, muitos mistérios,
que nós adivinhamos! Certamente sentimentos mas não sabemos explicar!
Há aqui um mistério da
Divindade!... Um mistério do Homem! E um mistério da vida!...
Pois bem, que a continuemos!...Ainterrogação faz parte da nossa maneira de
ser!...
Os poetas, serão, talvez, as
pessoas que conseguirão examinar!.. Explicar!... Refletir!....
Como diz um escritor italiano, Giovanni Papin , os poetas são os felinos do futuro! Porque são dos tais que dão
uns passos à frente dos seus irmãos!... Mas, eles conseguem, de facto, ser uma
espécie de profetas, e, através dos eus pensamentos, fazer com que o mundo fque
um pouco mais iluminado! E seja mais felize os homens mais irmãos!
Muito obrigado
O Dr. Manuel Daniel não é apenas uma memória
viva para todos nós, como é um amigo de há muitos anos.– Declarou, o Dr.João
Paulo Lucas Donas Botto Sousa, Vereador da C.M. de V. N. de Foz Côa
É bom estar sempre
presente nestas iniciativas- E, nesse sentido,
é sempre bom estarmos presentes,nestajanela aberta ao Vale da
Vilariça, esta falha tectónica que existe aqui
E que possibilitou
também, que esta realidade nos leva ao mundo da ancestralidade
Falámos aqui, há muitos
anos do nossos antepassados, mas também porque estamos a homenagearuma pessoa
Eu não considero isto uma
homenagemporque o D. Manuel Daniel vale
muito mais de que esta singela homenagem
Eu considero apenas uma
sinalização deste homem ter estado sempre presente em todas as iniciativas
culturaisda nossa terra, do nosso
concelho E, portanto, o dr. Manuel Daniel, é uma memória viva cultural! Uma
memória viva, que, no fundo, nos deixa a todos com muita saudade de todos os
poemas, de todas as peças teatrais ! De tudo aquilo que ele produziu
culturalmente no concelho de Foz Côa
Eu não tenho palavras,
porque é muito difícil falar de um amigo: e , portanto, o Dr. Manuel Daniel não
é apenas uma memória viva para todos nós, como é um amigo de há muitos anos. E,
como nós temos a possibilidade falar de um amigo publicamente, muitas vezes não
temos as palavras mais adequadas para dizer a grandeza de um homem que é o Dr
Manuel Daniel
OPORTUNIDADE PARA REFLEXÃO - Este o sentido das
palavras proferidas pelo Padre Diogo Martinho
“Quando eu estava ali a apreciar o enquadramento do
sol, oritualdo que aqui aconteceu, ia-me lembrando do
curso de teologia: no fundo, a cultura náo para de acontecer mas a cultura é o
de que mais estagnado existe, justamente indo ao encontro do que se disse aqui:
as perguntas são sempre as mesmas
E estar aqui, na presença de alguém que é
produtor da cultura, ou pelo menos dizedor da cultura, com pessoas que apreciam
esta mesma cultura, é para mim uma alegria muito grande
Eu vou estar a pensar nisso, durante
muitos dias, porque, de facto, desde sempre, o nosso Deus, Cristão, Católico,
foi evoluindono início da fé por causa
das antigas religiões
Este Senhor, Bom Deus, sempre foi
associado ao Deus Sol; aliás, o Natal, todos sabemos, não que dizer que Jesus
tenha nascido no dia 25, mas essa festa evoluiu por uma festa ao Deus Sol
Portanto, este Senhor do Céu e da Terra,
nos abençoe a todos ! E que a cultura seja sempre um elemento transformador
Muitas vezes, as comunidades perdem
isso!,,, O que interessa é que as pessoas não parem de buscar a verdade
O que aqui encontramos o que de mais
humano temos, neste símbolos, neste sinais, nesta ligação à natureza Nos aqui
encontramos tudo isso, que não é santificado: aqui é a vida concreta! A vida
que vale a pena viver!
Muitas vezes, termos altos voos sem nos
ligarmos ao essencial! E isso está sempre em altas quedas também
Por sua vez, o Presidente da Junta Carlos Sobral, ao
agradecer a presença de todos, recordou os dias em que, em criança. Correu
estas fragas muitas vezes, na altura em que não se dava ainda o devido
O ano passado,
foram lidos e cantados poemas de João de Deus, pelos familiares, mais diretos VINDE E SEDE BEM-VINDOS – Respeitando as recomendações
sanitárias
Vinde, e sede bem-vindos às portas hospitaleiras da
minha aldeia,à amplidão dos grandes espaços, aos silenciosos
caminhos e atalhos,
trilhos milenares, que vos hão-de levar ao
reino misterioso
das Quebradas e dos Tambores, vasto planalto sulcado
por cerros morros, semeado por negros penedos,
rasgado por rudes penhascos,
ladeado por muralhas de ladeiras escalvadas,
denegridos flancos muito agrestes, muito abruptos,
coroados por esfíngicos bustos, desnudadas fragas,
hercúleos titãs, figuras míticas e trágicas,
há muito divinizadas por homens de outrora
e pelos olhares sagrados dos seus deuses
que, em rituais bárbaros, os adoravam e invocavam!
Vinde Ver estes antigos sacrários! Vinde Visitá-los!