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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

AZEREDO PERDIGÃO, O QUE ME REVELOU – O HOMEM QUE CONDUZIU 37 ANOS OS DESTINOS DA FUNDAÇÃO GULBENKIAN – DEPOIS DELE- BALLET EXTINTO E PALACETE EM PARIS, VENDIDO

 Jorge Trabulo Marques - Jornalista  - 














Além do texto, também a voz  - O  excerto do único registo gravado  do português mais notável da Fundação Gulbenkian  - Foi o seu próprio neto, Miguel de Azeredo Perdigão, que me  confirmou não ter conhecimento de outro registo gravado, tendo constituído para ele um momento muito emocionante, voltar a ouvir a voz de uma pessoa que lhe era tão querida

"EU NÃO SOU VELHO, SOU ANTIGO!... QUE É UMA COISA DIFERENTE". -
Quem sabe fazer a distinção, entre o que é velho e  antigo, entre velharias e antiguidades, são precisamente os homens que têm gosto pela arte.  

José Henrique de Azeredo Perdigão, no seu tempo, foi um deles. E, certamente, não teve rival. Era um homem simples, culto, afável e comunicativo. Aliás, as grandes figuras são generosas e despidas de vaidade. Ele era um desses extraordinários exemplos. 
O seu diálogo infundia um prazer especial. É justamente a impressão que ainda hoje tenho, sempre que reouço a  entrevista que me deu a hora e o prazer de conceder,  parecendo-me que ainda  o estou a rever  atrás da sua enorme secretária, pejada de dossiers e de papéis. Com uma transbordante jovialidade, rara para a sua idade. Já lá vão uns bons anos. 



.José de Azeredo Perdigão - Os Grandes Portugueses




O Dr. Azeredo Perdigão, daquele foi o braço direito do milionário Calouste Gulbenkian, desde que escolheu Portugal para seu retiro, devido à guerra que grassava além dos
Pirenéus, personalidade que soube sempre manter uma vida simples, discreta, mas muito intensa e trabalhosa, longe da comunicação social e também um respeitoso distanciamento dos sucessivos governos que conheceu. 

  A entrevista, que me deu a honra e o prazer de me conceder, senão a única mas das raras  em sua vida, ficou a dever-se ao excelente relacionamento que mantinha com o Arquiteto Sommer Ribeiro, que, além de Diretor do Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian, ali desempenhava importantes funções.– E porquê este raro privilégio? – Nomeadamente, pelo meu papel na divulgação das atividades culturais desta instituição, através da Rádio Comercial RDP, na qual era repórter.


Quando me acompanhou ao seu escritório, o que inicialmente estava previsto eram apenas umas breves declarações, sobre o papel da Fundação nos novos países de expressão portuguesa, e o que pensava sobre as comemorações dos descobrimentos – De facto, não se podia exigir mais de quem se apresentava por detrás de uma enorme secretária toda ela coberta de papéis e com ares de que todo o tempo lhe era pouco, tanto mais que não tardaria a completar 91 anos de idade . Porém, para minha agradável surpresa, o diálogo evoluiu naturalmente
–E mesmo para além do que ficou registado no gravador.  O que é editado em vídeo ( e  transcrito para texto) é apenas um excerto da longa e interessante  entrevista que aqui tenho a honra de apresentar, se bem que os temas que ali me levaram não estejam incluídos neste registo: não por serem menos importantes mas para não tornar o vídeo demasiado long

JOSÉ AZEREDO PERDIGÃO, O HOMEM QUE FEZ MAIS PELA CULTURA EM PORTUGAL DE QUE TODOS OS GOVERNANTES, DEPOIS QUE ELE MORREU

A Fundação Calouste Gulbenkian. GOZA DE PRESTÍGIO INTERNACIONAL, SENDO CONSIDERADA UMA DAS MAIS IMPORTANTES A NÍVEL MUNDIAL NO SEU GÉNERO


Tive o privilégio - o grande prazer de entrevistar - algumas das mais importantes figuras da vida nacional, em vários domínios, guardo em cassete(cerca de 300) parte dessas entrevistas. José Azeredo Perdigão, foi uma dessas figuras. Recebeu-me no seu gabinete. E, aquilo que inicialmente estava previsto apenas para uma curta declaração, transformar-se-ia numa longa e interessante entrevista - Parte da qual vou aqui transcrever - Pois, o seu magnífico exemplo, julgo que se insere perfeitamente neste site de Os Templos do Sol - Ele que ajudou a fundar - e foi seu primeiro administrador - um dos maiores Templos da Cultura em Portugal..

NA SENDA DOS TEMPLOS DO SOL E DOS RAIOS DE LUZ DAQUELES QUE CRIARAM OS MAIS BELOS TEMPLOS DA TERRA - DESDE OS PRIMÓRDIOS DA HUMANIDADE AOS NOSSOS DIAS - JOSÉ AZEREDO PERDIGÃO É UM DESSES RAROS ESPÍRITOS 



 
Da extensa entrevista, que me concedeu, apenas breves minutos foram transmitidos na Rádio Comercial, onde era repórter. Veja   como ele conheceu Calouste Gulbenkian e o que ele pensava sobre o futuro da mais importante fundação de Portugal - Hoje, bem diferente do que foi: extinguiram a Companhia de ballet e venderam o Palacete de Paris, uma das maravilhas arquitectónicas, que fora a residência de Gulbenkian - possivelmente para eventual jogada financeira.


"EU NÃO SOU VELHO, SOU ANTIGO!... QUE É UMA COISA DIFERENTE"
(...) JTM - Uma vida ligada à fundação, a muita coisa, a muita actividade: valeu a pena o que fez? 

JAP - Se eu pudesse ou tivesse a possibilidade de retornar a viver, eu faria as mesmas coisas mas com menos erros, evitando os erros com a experiência que a vida me deu.
São tantas as coisas que eu desejaria fazer e não posso fazer, mas não quero mostrar-me excessivamente ambicioso ou excessivamente ingrato com a sorte que o destino me deu, porque me permitiu realizar algumas coisas que outros não tiveram a sorte de o fazer.
Eu tenho na realidade de agradecer, digamos, a Deus, o dar-me capacidade e os meios de eu poder ser útil ao meu semelhante durante os anos de vida longos que eu já tenho.

JTM - Vai fazer 91 anos em 19 de Setembro. Aqui à frente de uma secretária com muitos papéis, muitas coisas, muitos livros! Ainda a escrever com essa acuidade mental!...Com essa garra?... Com essa força?!... Como é que explica, essa sua força, essa sua longevidade! Mercê de alguma disciplina interior?...como é que explica tudo isso?...

(...) JTM - Uma vida ligada à fundação, a muita coisa, a muita atividade: valeu a pena o que fez? 

JAP - Se eu pudesse ou tivesse a possibilidade de retornar a viver, eu faria as mesmas coisas mas com menos erros, evitando os erros com a experiência que a vida me deu.
São tantas as coisas que eu desejaria fazer e não posso fazer, mas não quero mostrar-me excessivamente ambicioso ou excessivamente ingrato com a sorte que o destino me deu, porque me permitiu realizar algumas coisas que outros não tiveram a sorte de o fazer.
Eu tenho na realidade de agradecer, digamos, a Deus, o dar-me capacidade e os meios de eu poder ser útil ao meu semelhante durante os anos de vida longos que eu já tenho.

JTM - Vai fazer 91 anos em 19 de Setembro. Aqui à frente de uma secretária com muitos papéis, muitas coisas, muitos livros! Ainda a escrever com essa acuidade mental!...Com essa garra?... Com essa força?!... Como é que explica, essa sua força, essa sua longevidade! Mercê de alguma disciplina interior?...como é que explica tudo isso?...

JAP - Eu não posso explicar a longevidade, que não depende de mim... Agora o que eu procuro é não praticar atos que possam direta ou indiretamente reduzir-me o tempo de vida. Sou uma pessoa disciplinada... mas nem por isso, por ser disciplinado, deixo de fazer tudo aquilo que me agrada e tudo aquilo que devo realizar



JTM - Mas... desculpe-me a pergunta: deve-se também a alguma dieta especial ou aquele sono, enfim, àquelas horas de se deitar sempre em determinado período ou isso tem a ver com uma força espiritual interior?

JAP - Sou um indisciplinado! mas simplesmente tenho uma disciplina interior, sim, mas na vida, na maneira de ser, na maneira de me conduzir, eu não posso ter disciplina, não posso ter programas; as circunstâncias é que me dominam, as circunstâncias é que me forçam e as circunstâncias é que me orientam!

JTM - A nível de dieta: pratica alguma dieta especial?
JAP - Não pratico dieta nenhuma especial! Eu sou uma pessoa normal, modesta, simples... Tenho uma vida simples!... Simplesmente trabalhosa!

JTM - E a nível de desporto: chegou a praticar algum desporto?


JAP - Quando jovem pratiquei vários desportos... até joguei futebol!... Fiz esgrima...Montei a cavalo... Ainda hoje, se tivesse tempo, por exemplo de montar a cavalo, ainda hoje montava a cavalo. Me sentia com forças de montar a cavalo!
JTM - Isso é realmente espantoso!... Porque, há pessoas, que aos sessenta ou setenta anos, ficam velhas!... Envelhecem!..
JAP - Bem vê... eu costumo dizer quando me perguntam a idade que tenho – eu não digo a idade que tenho, porque não quero gabar-me da idade que tenho – eu não sou velho!... Eu sou antigo! que é uma coisa diferente!...Faço uma distinção entre a antiguidade e a velhice: eu pertenço à categoria dos antigos!.. E não à categoria dos velhos!

.DEZ HORAS POR DIA A TRABALHAR, QUE NÃO DÁ PARA LER TODA A CORRESPONDÊNCIA QUE RECEBE.


JTM - Ser velho, é digamos, é ser velho em espírito! É já não fazer coisas... é deixar passar o tempo!...
JAP - Pois é... Eu não!... Eu continuo a trabalhar em média dez horas por dia..
JTM - Neste momento, está a escrever algum livro?
JAP - Não tenho tempo para escrever livros...O tempo falta-me até para responder às cartas que me escrevem.
JTM - Cartas?!...
JAP - Sim!... Eu recebo centenas de cartas por mês!
JTM - E responde a todas a essas cartas?!...
JAP - Não respondo a todas mas respondo à maior parte..
JTM - Nesta altura, a sua maior atenção vai para essa toda correspondência e, naturalmente, aqui para a Administração da Fundação?
JAP - É a Administração da Fundação Gulbenkian que, no fundo, me absorve toda a minha atividade... tudo se centraliza na Fundação Gulbenkian... Hoje a minha vida é esta cadeira, onde estou sentado e todas as atividades que emergem dos despachos que eu dou e das relações com o Conselho de Administração que eu presido

JTM - -Digamos, tem sido uma vida inteiramente votada à Fundação!.. Ou pelos menos substancialmente votada à Fundação.
JAP - Não!... Antes da Fundação eu tive outra vida, que foi da advocacia.
JTM - Quero-me referir desde que entrou para a Fundação.
JAP - Exclusivamente dedicado à Fundação Gulbenkian. Mesmo pelos estatutos da Fundação...Pelo testamento do Sr. Calouste Gulbenkian, eu não posso exercer qualquer outra atividade lucrativa, além da Presidência da Fundação Gulbenkian... Razão porque eu cancelei a minha inscrição como advogado. Hoje sou advogado honorário mas sem exercer qualquer atividade profissional

CALOUSTE GULBENKIAN - UM HUMANISTA E UM AMIGO DE PORTUGAL
JTM - Conheceu esse grande homem!...O fundador desta Fundação: uma palavra para esse homem... Nunca é por demais sublinhá-lo. 

JAP - É um homem que eu conheci como meu cliente... Convivi com ele durante o tempo em que aqui esteve até falecer. Eu considero-o uma pessoa superior, em todos os sentidos! Na inteligência!.. Na da ação! Mesmo na generosidade!.. Porque, o facto de ele ter constituído esta Fundação, é uma prova do seu espírito humanista!... Ele era, sem dúvida, um humanista!

JTM – Um amigo de Portugal!..

JAP - Sim!... Muito!... Ele simpatizou com Portugal... Ele veio para aqui para estar, simplesmente, uma semana ou duas semanas em período de repouso... e foi ficando... Foi prolongando... E aqui esteve uns poucos de anos até morrer... Porque acabou por morrer em Portugal... A prova evidente que o nosso meio, o meio social, o meio político e económico lhe agradavam!... Ele sentia-se bem aqui, assim...

JTM - Adotou o país como pátria sua!


JAP - Sim, adotou o país... É difícil saber qual era a pátria dele... Porque ele era arménio de raça...Nasceu na Turquia!... Tinha o seu domicílio em Paris e estava naturalizado inglês. Por isso, já vê que é difícil dizer-lhe a pátria dele...Veio viver para Portugal... Suponho eu, com a intenção de poder repousar... Foi no período da guerra, não é verdade...em que a França foi ocupada... A França foi ocupada e depois foi dividida em França livre e França ocupada... O governo de Pétain veio paraVichy e ele entendeu que devia ir para Vichy . Esteve em Vichy algum tempo ... Havia naturalmente dificuldades em Vishy...Estavam em guerra... e pensou em vir para um país, no sul da Europa, que estivesse em paz... E escolheu Portugal. E veio, digamos, para um período de férias!... E, afinal, interessou-se por nós... Achou-se bem... Foi bem acolhido!... Foi bem acompanhado por bons médicos. Porque foi uma das coisas muito importantes, a confiança que ele tinha nos médicos... Porque ele preocupava-se muito com a sua saúde... Ele teve aqui médicos muito bons.. Quero citar um nome que é Fernando do Fonseca , já falecido e que foi realmente uma das figuras notáveis da medicina portuguesa, um dos médicos do Sr. Calouste Gulbenkian(não foi único!), mas foi um deles.... Foi um conjunto de circunstâncias... A paz pública! Que nós gozávamos aqui em Portugal... isso encantava-o!

JTM - O Sr. Dr. conheceu-o no principio da sua vida aqui?...

JAP Imediatamente... Se não foi no próprio dia, foi um dos dois dias imediatos...
JTM - Foi consigo que ele tratou a criação da Fundação?..

JAP - Foi comigo que ele tratou a criação da Fundação Gulbenkian... Não admira... pois era o seu advogado... Era o seu consultor jurídico... E, consequentemente, ele necessitava de um consultor jurídico para criar um Fundação em Portugal...

"O RISCO DA FUNDAÇÃO ACABAR EM CONSEQUÊNCIA DE UMA CARÊNCIA DE MEIOS FINANCEIROS, NÃO EXISTE"

JTM - Quando o projeto apareceu era um projeto menos ambicioso ou que foi galgando, foi tornando-se forte com o tempo?...

JAP - Eu estou convencido que no espírito dele a Fundação talvez não tivesse a dimensão que ela tem hoje!... Eu pergunto a mim próprio se porventura me tivessem perguntado quando a Fundação foi constituída, se ele teria o desenvolvimento e a dimensão que hoje tem, eu diria que não.
Os fundos.... Naturalmente, que, à primeira vista, com estas despesas todas, faz-nos criar aquela dúvida ou pelo menos a interrogação: será que os fundos darão para que a Fundação possa viver muitos anos?... Ou eles terão seu limite?

Uma das minhas preocupações foi precisamente assegurar a continuidade, digamos assim, a perenidade da própria Fundação... Esse risco de a Fundação acabar em consequência de uma carência de meios financeiros não existe.


JTM - Portanto, é questão que não se põe no seu espírito!.. Esse risco não existe!...
JAP – Porque a Fundação está bem assegurada!... A Fundação tem realmente um património que garante a sua sobrevivência...

JTM . Para muito!... Muito tempo!...

JAP - Por muito tempo...nunca se sabe... Nada é eterno!... E sobretudo nós não podemos prever como evoluem os investimentos que ele tem... A sua fortuna...Como evoluem esses investimentos. Onde é que as coisas em que ele investiu podem realmente ser produtivas ou deixar de ser produtivas... ou extinguirem-se mesmo.. É um contingente na vida moderna, que nós não podemos ter a certeza de sobreviver física e economicamente...

JTM - O importante é sublinhar o que se fez!...que foi imenso! Que foi bastante...em vários domínios: na cultura, na ciência, na saúde e noutros sectores de atividade. E, Portugal, teria naturalmente enfrentado algumas dificuldades se não fosse o apoio da Fundação?

JAP - É evidente que a Fundação da Gulbenkian tem ajudado a resolver alguns problemas da vida nacional... Mas, se a Fundação não existisse, os governos encontrariam outros meios para resolver essas dificuldades... É claro que a Fundação Gulbenkian tem feito muito... Mas, não quer dizer que, se a Fundação não existisse, não encontrasse para os mesmos problemas, soluções, talvez até soluções melhores

(Nestas duas imagens  -  o autor da entrevista)


(.....) Nunca pensei em que a Fundação Gulbenkian se substituísse ao Governo, nem se imiscuísse na governação pública. A Fundação Gulbenkian tem tido sempre uma independência total do Governo, uma independência colaborante, mas nunca uma dependência.

Na mesma entrevista (igualmente gravada) foram ainda colocadas questões sobre o apoios da Fundação aos novos países de expressão portuguesa e as comemorações dos descobrimentos, entre outros temas. Em of contou-me que a Fundação Gulbenkian chegara a emprestar dinheiro ao governo de Oliveira Salazar para evitar a banca rota.





Dir-se-ia que a sua vida estava intrinsecamente ligada ao crescimento e à morte das plantas e das flores. Cuidavam dos jardins com o mesmo carinho e esmero como se sentissem parte da mesma casa e do mesmo património. Até os patos os reconheciam e grasnavam, quando passavam junto dos lagos. - Creio que, desde o mais humilde servidor, jardineiro, contínuo, vigilante, escriturário, músico ou artista, consultores jurídicos, económicos ou culturais, Directores do Museu e Centro de Arte Moderna, das Bibliotecas, Orquestra e do Ballet, aos mais destacados corpos gerentes da sua administração, ao seu Presidente, se sentiriam unidos na mesma grande família, verdadeiramente irmanada e empenhada em honrar os propósitos do grande patriarca Calouste Sarkis Gulbenkian 
Extinguiram a Companhia de Ballet (Fundação Gulbenkian extingue Ballet) e venderam uma das maravilhas da Fundação Gulbenkian, em Paris - Autênticos crimes Lesa-Património, Lesa-Humanidade


Setembro do16 - Homenagem a Azeredo Perdigão A 19 de Setembro assinalam-se os 120 anos de nascimento de José de Azeredo Perdigão, que presidiu à Fundação Calouste Gulbenkian desde a sua criação, em 1956, até à data da sua morte, em 1993. A inauguração de um novo busto no edifício da Coleção Moderna, uma conferência, com a participação de dois antigos presidentes da República, e um concerto com o Coro e Orquestra Gulbenkian, são alguns dos momentos da homenagem preparada pela Fundação ao seu primeiro presidente. https://gulbenkian.pt/wp-content/uploads/2016/05/NL_FCG179web.pdf



VENDERAM O PALACETE, QUE FOI A RESIDÊNCIA DE CALOUSTE GULBENKIAN - DESCONSIDERANDO A SUA MEMÓRIA 


- Argumentam os mesmos  do desaparecimento o Ballet Gulbenkian que a venda do histórico imóvel, serviu para cobrir a abertura de instalações mais modernas e ao lado de outras do mesmo género, mas onde a concorrência é bem maior e cujo local jamais poderá superar a importância da mais bela obra arquitetónica, situada no 51 Avenue d'Iéna 75116 Paris, France coração do histórico Paris, onde desde há quase meio século, esteve instalado o Centro Cultural da Fundação Gulbenkian - Agora, que fizeram a negociata, e cometeram a suprema barbaridade, andam por lá, pelas ditas novas instalações, armados em velhas e azougadas carpideiras, com badaladas exposições em “Memória do sítio“


ABANDONOU-SE O CENTRO ARTÍSTICO INFANTIL – ONDE AS CRIANÇAS APRENDIAM A ARTE PARA DAR LUGAR A UMA CAFETARIA DE LUXO

Antes existia lá um centro artístico infantil, onde as crianças aprendiam os primeiros rudimentos artísticos, agora encontra-se lá instalada mais uma cafetaria, onde uma chávena de chá lhe custa 2 euros, ou seja – Ao oportunismo liberal consumista, onde poder extrair lucro, nada escassa- Para disfarçar, puseram à dita Cafetaria- geladaria, o nome pomposo de Centro Interpretativo  Gonçalo Ribeiro Teles

Fica sitiado unto à entrada lateral para a “Fundação, pela Av. Marquês Sá da Bandeira, no local onde antes funcionara o Centro Artístico Infantil (conhecido por “Centrinho”), desocupado há mais de dez anos, está a nascer um novo projeto que alia um centro de informação multimédia sobre o Jardim, dirigido a todos os públicos, a um espaço de lazer onde os visitantes poderão deliciar-se com um gelado no verão ou uma bebida quente no inverno. O horário de funcionamento deste novo equipamento acompanha o do Jardim: das 10h às 19h. Jardim com centro interpretativo e nova esplanada



Os jardins da Fundação Gulbenkian foram concebidos por bons mestres: os arquitetos paisagistas António Viana Barreto e Gonçalo Ribeiro Teles. E creio que, pelo menos enquanto o Dr. Azeredo Perdigão foi presidente, houve o cuidado de ser fiel à sua conceção naturalista – mas também humanista – dos seus autores. E essa harmonia foi mantida, porque havia os chamados jardineiros da casa. E agora já não há.
 

António Ramos Rosa - Era um dos frequentadores dos jardins da Gulbenkiam, pelo menos enquanto morou na Rua do Bocage - Numa das imagens, sentado num banco  em profunda reflexão, tranquilamente e como que abstraído do mundo e, noutra oportunidade,  junto a um dos velhos eucaliptos.
.

Estar Só é Estar no Íntimo do Mundo
Por vezes cada objecto se ilumina
do que no passar é pausa íntima
entre sons minuciosos que inclinam
a atenção para uma cavidade mínima
E estar assim tão breve e tão profundo
como no silêncio de uma plantaé estar no fundo do tempo ou no seu ápice
ou na alvura de um sono que nos dá
a cintilante substância do sítio
O mundo inteiro assim cabe num limbo
e é como um eco límpido e uma folha de sombra
que no vagar ondeia entre minúsculas luzes
E é astro imediato de um lúcido sono
fluvial e um núbil eclipse
em que estar só é estar no íntimo do mundo


António Ramos Rosa

LUGARES ÚNICOS E ÍNTIMOS DO MUNDO, TENDEM A DESAPARECER - 

Pois bem,
dos tais jardineiros que por lá cresciam e envelheciam, como que seguindo o mesmo curso das plantas em cada estação do ano, apenas encontrei um deles, que não deixou de me falar das saudades, que lhe vinham ao pensamento de outros tempos, de um outro espírito do lugar e camaradagem:

José Henrique de Azeredo Perdigão

 Viseu - 19 de Setembro de 1896 — Lisboa, 10 de Setembro de 1993
Funcionário n.º 1 da Fundação Calouste Gulbenkian e seu presidente vitalício entre 1955 e 1993, ano em que faleceu com 97 anos.

Natural da Casa do Miradouro, em Viseu (19 de Setembro de 1896) filho de José Cardoso Perdigão e de sua mulher Raquel de Azeredo, licenciou-se em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, e pós-graduou-se em Ciências Jurídicas, pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. No ano de 1919 estabeleceu-se como advogado em Lisboa e, a 26 de Julho de 1920, casou pela primeira vez com Alice Raquel Xavier Dantas da Silva, da qual teve um filho e uma filha. Foi um dos advogados mais solicitados do seu tempo em Portugal. Participou em alguns dos maiores processos civis, criminais e comerciais, ganhou fama de implacável e era pago a peso de ouro.

Democrata republicano participou na fundação, com Raul Proença, Jaime Cortesão, Aquilino Ribeiro, Raul Brandão, Faria de Vasconcelos e outros, a revista Seara Nova, onde publicou diversos estudos e comentários sobre economia. Além de exercer a advocacia, deu aulas e regeu cadeiras em várias universidades, publicou numerosos trabalhos. Exerceu funções públicas como conservador do Registo Predial, fez parte do Conselho Superior Judiciário, pertenceu ao Conselho de Administração do Banco Nacional Ultramarino e de outras empresas, foi presidente da Assembleia-Geral do Banco Fonsecas, Santos & Viana e da Sacor, e presidente da Assembleia-Geral e do Conselho de Auditoria do Banco de Portugal. Em 1942 conheceu o milionário e filantropo Calouste Gulbenkian (que escolheu Portugal como refúgio durante a Segunda Guerra Mundial), que impressionou, sendo contratado como seu assessor jurídico. Em 1948 Gulbenkian decidiu fazer o seu testamento, para dar destino à sua fabulosa colecção de arte, e a sua confiança em Azeredo Perdigão foi decisiva para a criação da futura fundação em Portugal, que negociou as condições mais favoráveis com o governo português. A 8 de Julho de 1949 falecia a sua primeira mulher Alice Raquel Xavier Dantas da Silva. Calouste Gulbenkian morreu em 1955 e, após uma batalha jurídica entre com Cyril Radcliffe, o advogado inglês do milionário, Azeredo Perdigão venceu e foram aprovados os estatutos da Fundação Gulbenkian, a 18 de Julho de 1956, com sede em Portugal. Azeredo Perdigão não queria a interferência de Salazar na fundação e consegui essa independência, pois o Presidente do Conselho, que não gostava das suas opiniões políticas, também não duvidava do seu patriotismo e acreditava que ele defendia os interesses nacionais. Azeredo Perdigão foi nomeado presidente vitalício da Fundação Calouste Gulbenkian e, desde então, abandonou a sua actividade de advogado para se dedicar inteiramente à fundação, sendo nessa ocasião homenageado pela Ordem dos Advogados Portugueses.José de Azeredo Perdigão 

José Henrique de Azeredo Perdigão
Licenciado em Direito pela Faculdade de Direito de Lisboa e pós-graduado em Ciências Jurídicas pela Universidade de Coimbra. Foi doutor honoris causa em Direito pelas Universidades de Coimbra, do Porto, Nova de Lisboa, Baía, Rio de Janeiro e São Paulo, em Artes pelo Royal College of Arts de Londres, em Ciências Humanas pela Universidade de Southeastern (EUA), em Humanidades pela Universidade de Sophia (Japão) e em Arquitectura pela Universidade Técnica de Lisboa.

(…) Foi sócio de mérito da Academia Nacional de Belas-Artes e da Academia Portuguesa de História, entre outras instituições. Foi governador da Fondation Européenne de la Culture.  -Chanceler das Ordens de Mérito Civil, foram-lhe atribuídas numerosíssimas condecorações nacionais e estrangeiras, entre elas as grã-cruzes portuguesas da Ordem da Torre e Espada, da Ordem de Cristo, da Ordem do Infante D. Henrique e da Ordem do Mérito. Foi membro do Conselho de Estado. Azeredo Perdigão


O QUE SE DIZ SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DE JOSÉ AZEREDO PERDIGÃO E DAS ADMINISTRAÇÕES QUE LHE SEGUIRAM 

"Os grandes vultos de Azeredo e Madalena Perdigão foram os motores de uma instituição com um prestígio e dignidade notáveis. O amor pelas pessoas e pela cultura de Azeredo Perdigão obrigava a preços muito económicos nos concertos, Perdigão se visse pessoas à porta do grande auditório sem bilhete, muitas vezes jovens sem dinheiro, dizia aos porteiros: “deixem entrar toda a gente, não fica ninguém à porta na Fundação Gulbenkian”. Longe estão os dias de Azeredo Perdigão, longe está a elegância e a qualidade do homem que fez da instituição o verdadeiro ministério da cultura de Portugal. Hoje em dia a administração da Gulbenkian decide acabar com um património, que já não é pertença de uma instituição mas universal, de um dia para o outro, sem reflexão pública, de forma autoritária e como se tratasse de uma empresa que se quer deslocalizar. O respeito pelo público e pelos artistas foi o primeiro património a desaparecer o que se seguirá?" Gulbenkian - memória - Crítico.

"A Fundação tem recrutado para a sua Administração gente oriunda da vida política e "banqueiros" (melhor seria dizer gestores bancários): Isabel Mota, Teresa Gouveia, Marçal Grilo, André Gonçalves Pereira, Artur Santos Silva, Diogo Lucena, Rui Vilar. Nenhum destes gestores tem a menor sensibilidade ou currículo académico na área cultural." Gulbenkian- uma nota - Crítico

(...)o Ballet Gulbenkian já não pertence a 9 membros de um conselho de Administração, pela sua história já é um património Português e Mundial. Pelo facto de uma Fundação ser privada não lhe assiste o direito moral para a destruição gratuita de algo que é de todos. Existem limites para a barbárie Ballet Gulbenkian - Contrariar o Medo De Existir - Crítico


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

RONALDO FEZ 28 ANOS - PARABÉNS: ESTÁ UM HOMENZINHO- AINDA ONTEM ERA UM RAPAZ -



Cristiano Ronaldo, completou 28 anos -Bela idade e bela experiência profissional. Por vezes um pouco na cava mas lá vai indo à flor da vaga. Experimentando momentos gloriosos e também outros menos saborosos. Mas não há motivos para desanimar. Pela frente ainda há muito futebol a jogar e vitórias para conquistar. Não venho fazer futurismos, deixo isso à sua inspiração. haverá luas mais benfazejas e outras não.  .O importante é que  a garra e habilidade e a inspiração que lhe é reconhecida, nunca lhe faltem nas pernas, nos braços e ânimo e alegria no coração -  Desta vez comemora o seu aniversário em Portugal - a  sua amada Ilha da Madeira, fica ao largo, algures incrustada como pérola verde no Atlântico - Está cá para para o jogo da selecção nacional -  Para envergar uma camisola negra, que é a cor dos corvos  - Já anda tudo pervertido - Para substituir o verde e ao vermelho, só o pardo. Sinais dos tempos - Que o mau gosto do estilismo soturno e frustrado, da fauna que passa as noites nas discotecas fumacentas e barulhentas, financiada pelo poder, faz questão de mostrar - Espero que não seja a cor para ficar muito tempo - Bom, mas estas linhas são dedicadas a ídolo Ronaldo, a quem dou os meus parabéns e faço sinceros votos dos melhores êxitos.

Tal como dissemos nas nossa previsões para 2013

ANO 2013: (...)José Mourinho e Cristiano vão trocar de ares...  



 CRISTIANO RONALDO 

 Cristiano Ronaldo, o mais famoso filho da Ilha da Madeira,  vai mudar de ares? - Berlusconi têm-o na mira dos seus sonhos mas espero que não cometa essa asneira. O único país onde poderá brilhar e manter-se ao seu nível é em Inglaterra - Mais tarde ou mais cedo, lá voltará  


Clamoroso: Ronaldo contestato dai tifosi del Real e Berlusconi sogna di portarlo al Milan

Il malumore serpeggia da un mese esatto. Prima qualche sibilo isolato di disapprovazione, adesso veri e propri fischi ad ogni errore. Una situazione che sta creando imbarazzo tanto al Real Madrid che allo stesso giocatore, costretti ad ammettere- dopo averlo negato - che qualche problema traCristiano Ronaldo e il mondo 'blanco' esiste e il portoghese soffre questa strisciante contestazione. Difficile capire se si tratti di un malessere destinato a sfociare in un clamoroso divorzio, come ha scritto senza troppi giri la stampa catalana. Però Mourinho per primo ha capito che così non si può andare avanti e ha preso posizione per evitare che gli spifferi diventino tempesta e i molti estimatori di Ronaldo in giro per il mondo possano cominciare a sognare di strappare il giocatore al Real.

Clamoroso: Ronaldo contestato dai tifosi del Real e ... - Panorama






(actualização)Cristiano Ronaldo declarou que «a crítica sobre assuntos que não têm a ver com futebol é que dói». O internacional português foi entrevistado pela edição espanhola da GQ, na qual passou por alguns aspetos mais privados. «A crítica é parte do nosso negócio, temos de viver com ela, mas o que mais dói é a crítica por assuntos que nada têm a ver com futebol», declarou RonaldoRonaldo: «Crítica a assuntos extrafutebol é que dói».



Este vídeo foi dedicado a Cristiano Ronaldo no dia do seu aniversário - mas, por erro na conta, apagado - Reeditamo-lo em ,20/11/2011  - Cristiano, nasceu a 5 de Fevereiro, a uma terça-feira, de 1985, sob a influência total da Lua-cheia, segundo decanato, signo aquário. 

O avançado do Real 


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Cancro mata três pessoas por hora em Portugal - Governo fecha serviços de cancro e corta medicamentos - Só a Banca não sofre de moléstias e goza de boa saúde - Mas resigne-se: se não quer ficar esquecido, faça a doação do seu corpo ao artista alemão Gunther Von Hagens, que ele transforma-o depois de morto numa estátua viva



 É notícia de manchete do Jornal de Noticias, no dia mundial da luta contra o cancro -"25 mil mortes por ano, 70 por dia, três por hora. As taxas de sobrevivência em alguns cancros até estão a aumentar, mas o número de novos casos é tão grande que a mortalidade não consegue recuar." Cancro mata três pessoas por hora em Portugal


Cancro mata três pessoas por hora em Portugal

E porque será que o cancro mata tanta gente em Portugal?- Minha mãe morreu de cancro; eu todos os anos vou às consultas de risco familiar. Se assim não fosse, já me tinha passado para outro lado - A interrogação é uma mas as respostas podem ser as mais variadas. A qualidade de vida é uma delas - Só que a qualidade de vida dos portugueses, cada vez está pela hora da morte.O desemprego pende sob milhares de lares  e a falta de tecto, com as novas leis do arrendamento urbano, veio dar a machada final - Nunca os ricos foram tão ricos e os pobres tão pobres. Quando, a era de Passos e Portas, se eclipsar, nenhuma memória positiva vai  perdurar- Enquanto milhões, são destinados a uma banca desumana e usuária, quem sofre é o pagode, que vai ter que pagar a factura - As taxas nos hospitais estão incomportáveis, ao nível do privado, e, pior do que isso, as comparticipações para os medicamentos fundamentais, já deram o que tinham a dar: agora, é cortar, cortar, porque,  vida dos desgraçados, não vale nada, comparada com a dos que gozam de salários milionários, boa cama e comida farta.

VÁ LÁ QUE AINDA HÁ QUEM SE DIVIRTA COM A MORTE - E FAÇA DELA A SUA ARTE - E ATÉ O PRAZER DOS QUE NÃO QUEREM PERDER O VÍCIO DEPOIS DE DAREM O BADAGAIO

 
 











Que tal? - Se é um inveterado jogador da sueca ou de futebol - e sabendo que vai morrer de morte prematura, garantindo-lhe  que o punham eternamente a jogar as cartas ou futebol, aceitaria que o artista alemão,Gunther von Hagens – o plasticizasse?

DURAR MAIS UNS MESES? - MAS QUE ESTORVO,QUE CHATICE!  - OS MEDICAMENTOS SÃO CAROS! - NÃO É ASSIM, SENHOR MINISTRO?

 "Racionamento de medicamentos de cancro e sida "Nunca direi uma estupidez dessa natureza" CM - 28-09-12

Pergunta de governante: "Será que mais dois meses de vida, independentemente da qualidade de vida, justificam uma terapêutica de 50 mil, 100 mil ou 200 mil euros?", foi a questão levantada ontem por Miguel Oliveira da Silva e que deu origem a acesas discussões. Esta manhã, o responsável defendeu a sua posição. "Tratou-se de uma pergunta e não uma afirmação. Nunca direi uma estupidez dessa natureza", garantiu. -CM  Sim, alguma vez ele podia dizer um tal disparate? 

"No sector do medicamento e para baixar a despesa pública, o governante referiu que vai reduzir administrativamente em 12% o preço dos medicamentos hospitalares, caso "não consiga acordo" com a indústria. A Apifarma, associação que representa as farmacêuticas, "não aceita" cortes administrativos, salientando que "podem colocar em risco o acesso dos doentes à medicação". - Como não aceitaram, quem vai pagar são os utentes.
Governo -  vai fechar serviços de cancro
"O governo vai fechar pequenas unidades de tratamento de oncologia e alterar a comparticipação dos medicamentos, anunciou ontem o ministro da Saúde, Paulo Macedo, no Parlamento.Governo vai fechar serviços de cancro 

MUNDO CRUEL LIBERALISMO SELVAGEM QUE SÓ ENXERGA CIFRÕES - OS VELHOS JÁ NÃO TÊM DIREITO À VIDA

De facto,  até para os mortos, o tempo vai mau - Depois de muito penar, depois do  mais supremo sacrifício ou expiação, a morte   encarrega-se de os esquecer. E, mesmo para os que gozam de saúde,  a morte pode ser o instante, o momento presente - Basta que a terra estremeça de forma dramática e desastrosa  - Sem se dar com isso.   O tecto - e nem todos os têm - desaba e cai-nos em cima. Deus nos livre de tal cenário. É um segredo que nem os desuses o sabem. Só talvez as forças dos abismos, pois os deuses são etéreos e, ao que parece, distraem-se lá  pelas alturas. A morte é algo em que os novos não perdem tempo; acham que a morte é sempre com os outros. Nem pensar numa coisa dessas. Mas também se enganam; não viram o que agora sucedeu a mais de duas  centenas de jovens numa discoteca brasileira? - Coitadas das famílias: vi na televisão a  Presidente Dilma, comovida . Fez-me também comover, pois pareceram-me que não eram lágrimas fingidas. No entanto, que dor imensa não será a dos país que perderam os seus queridos filhos, ainda tão jovens?!... 

Pois é, a morte quando quer entrar em casa de alguém, não pede licença. A morte não é só aquela que caminha no cortejo fúnebre para o cemitério ou das imagens que todos os dias nos chegam através dos telejornais. A morte também é industrial. Sem ela não viviam os cangalheiros, a medicina, que se aproxima dos vivos, quando estes sentem que estão com os pés à cova ou que esta os pode chamar.. A morte também é amiga de dirigentes políticos que acham que os velhos não têm direito a ser assistidos e querem que a morte os console. A morte  também agrada  aos banqueiros e grandes capitalistas, pois acham que a vida deles está sempre bem salvaguarda – sabem que nem o Diabo os quer. Mas principalmente, porque, sabendo que os operários são carne para canhão, facilmente descartáveis e que  à menor birra os podem chutar,  entendem que basta-lhes umas meras migalhas  para que a morte faça o resto.  
ALMAS SEM ABRIGO QUE, CERTAMENTE, NEM DEPOIS DE MORTOS, OS CÉUS OU OS INFERNOS OS RECEBEM

Sim, a morte está no  rosto dos desesperados que passam fome e não têm onde dormir, senão nos cantos das ruas. Ontem, por volta da meia-noite, lembrei-me da imagem da morte: ao passar pela Gare do Oriente, vi muitos corpos embrulhados em trapos ou cartões deitados na frieza do cimento nos átrios subterrâneos desta emblemática estação de Lisboa. Um frio de arrepiar, autêntica câmara de frigorífico em ponto grande. Para que o cenário fosse mais condizente, só faltavam lá os gavetões das  câmaras mortuárias e umas velas.  Não havia por lá sítio, fora do chão, que não estivesse cheio de almas sem abrigo. Disse-me o vigilante que  vêm ali a dormir muitos reformados que têm magras pensões de duzentos euros, com as quais  não podem pagar um quarto . E, como vão teimam, por enquanto, em  resistir, lá vão arrastando a vida com olhos de morte. 

Então, este ano, com os despejos em força, devido à barbaridade da nova lei do arrendamento urbano, não haverá dia algum em que uns quantos não  ponham termo à sua penosa e desesperada existência. O ano passado  - dizem as estatísticas - batemos os recordes. Este ano vai ser a triplicar, bem pior – Todavia, somos bons alunos da Europa de Merkel.  Confessou ainda o dito vigilante, que  os seus tecto, só podem permanecer durante a noite: é proibido ficar lá estendido durante o dia. Toca a girar: Passos e Portas, acham que isso pode afectar a imagem da nação a quem nos visitar pelas ditas portas do oriente. - E assim vai a vida sem futuro para milhões de portugueses, aos quais não restam outras alternativas, que não sejam as de ir servir de criados, ou aos novos ricos dos países que colonizamos – Olha ele? para a cultura que lá deixámos! Ou para uma Europa dominada pelos mesmos abutres que nos exploram aqui a pele – Quanto ao mercado chinês? – Só não vê quem não quer: qual a rua da cidade onde não haja uma frutaria ou loja chinesas?!... Eles, Catroga e Mexia, estão todos  bem: o nosso comércio e as nossas fábricas de calçado e vestuário,  é que está tudo arrumado –E também os portugueses e as suas aldeias, estão em vias de extinção -