Jorge Trabulo Marques - Jornalista - e antigo navegador solitário em canoas


Que atormentou e sepultou o mais luxuoso navio do mundo - o lendário Titanic.
- Porém, eu, náufrago, sobrevivente
em atribulados mares de outras paragens,
por natural associação às longas horas
que por mim foram vividas,
ainda diviso, debaixo da treva e do assombro da ímpia noite sideral
o perfil do luxuoso e imponente navio
que, sulcando o mar em imprudente marcha veloz, vai embater e raspar
sofre duro rombo a estibordo, e, desamparado,
.
Ouço os vossos soluços e claramente vos revejo e situo ó almas perdidas!
É noite de Lua Nova! Noite mais propensa 
As eternas constelações aparentemente fixas,

Eu, que sozinho voguei sob noites equatoriais povoadas de assombro e trevas
Distingo o perfil inconfundível de esbelto e moderno navio - O seu vulto!
Através dele o casco e as linhas aprimoradas que lentamente se afundam e suspiram,
que lentamente soçobram e asfixiam, que lentamente mergulham, vergam e se revolvem
na líquida massa negra azulada, movediça, ondulada e informe,
coalhada de pedaços de gelo do mesmo icebergue, que depois de lhe deferir
duro golpe fatal, ali mesmo o vai sepultar!... Com idêntica crueldade e gélido brilho
ao que espelham as mortuárias águas!... O mesmo que é reflectido
do sideral firmamento, no qual as estrelas continuam silenciosas mas rutilam.

Vejo-o e distingo-o, como se aquela noite de tragédia
se fixasse no éter para sempre,
perpetuada na atmosfera vítrea da amortalhada imensidade!
Espelhada no rosto dos astros - No calendário programado
dos grandes naufrágios do mar ! - Afrontosa crueldade
marítima, cuja hora idêntica ainda hoje perpassa
clarissima pela minha mente,
tantas vezes a vivi e a revivo
desde a infância na memória!

Completam-se hoje 113 anos que o navio Titanic se afundou. O navio na noite de 14 de Abril de 1912 chocou contra um ‘iceberg’ e desapareceu na madrugada do dia 15. Estavam a bordo 2207 pessoas onde apenas 706 sobreviveram
O Titanic media 270 metros de comprimento, 53 de altura e um peso de quase 50.000 toneladas, capaz de navegar a uma velocidade máxima de 22,5 nós, a cerca de 25 quilômetros por hora. Foi capitaneado por Edward Smith, um experiente marinheiro da White Star que já havia pilotado o Olympic, um navio similar ao Titanic.
Na noite de 14 de abril o navio é “rasgado” a estibordo por um bloco de gelo. No dia 15, desaparece. - Os destroços do Titanic foram encontrados em Setembro de 1985 pela expedição franco-americana chefiada por Robert Ballard, a 3797 metros de profundidade.
Passei por essa terrível experiência, na minha travessia, a bordo de uma minúscula e frágil piroga de S. Tomé à Ilha do Príncipe, na noite em que , ao adormecer a canoa me precipitou na amalgama de uma rodopiante negra massa líquida.
Só que, no ponto onde fui largado, quer os ventos como as correntes, em vez de me levarem para a Oeste, puxavam-me para Norte. Vendo que já havia canoas que se aproximavam de mim para se apoderarem do meus mantimentos, nao tive outra alternativa, senão navegar nessa direção, com vista a regressar a S. Tomé e tentar a travessia noutra oportunidade, sob pena de ser roubado, dadas as extremas carências que então ali se observavam, naquela que então era a ilha mais abandonado do mundo, com apenas uma ligação anual com o resto da Guiné Equatorial,
Nesse medo dia, e em plena noite, as condições climatéricas agravaram-se: um tornado, vindo do sul, fez-me alijar da maior parte dos alimentos e água potável, perder o remo principal e um leme, que lhe havia adaptado, além de outros objectos, deixando-me a canoa,praticamente desgovernado .Na manhã seguinte, improvisei um remo, com pedaços da cobertura e de um barrote, mesmo assim, era-me extremamente difícil navegar
O que então se passou, desde aquela horrível noite, é inimaginável para quem nunca tenha vivido tão difícil provação - Parcialmente já foi descrito neste site, através dos registos que pude fazer para um gravador e de várias fotografias, graças a um contentor de plástico onde pude salvaguardar o diário gravado e os registos fotográficos. 


































