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sábado, 7 de dezembro de 2019

Jaime Rocha - Poesia com sabor a maresia e à vida dos dramas dos pescadores da Nazaré, sua terra natal


Jorge Trabulo Marques - Jornalista e investigador 
 

O poeta, Jaime Rocha, convidado de A Cooperativa, na Rua da Emenda,  em Lisboa, para ler e falar da sua obra poética, em 5 Dezembro às 19h,  em “Quinta com Poesia”,  reconheceu que, as dramáticas narrativas do  escritor Raul Brandão, em  “Os Pescadores, exerceram uma grande influência nos seus poemas: sim, porque, melhor de que ninguém retratou a vida dura e difícil dos pescadores, quer da Nazaré, quer de outras praias portuguesas, desde  Caminha até Sagres, passando pela Foz do Douro, que era a terra de Raul Brandão,  dos naufrágios que espalhavam o luto e a dor.

Sendo,  pois,  Jaime Rocha, natural da Nazaré, terra  bem conhecida  pelas tragédias  marítimas,   filho  das  gentes que ao longo dos  tempos, sempre viveram com os olhos postos no oceano  e da sua dependência, em cujas  areias da praia  foram vertidas muitas lágrimas,  dos frágeis barcos de pesca que partiam e   não voltavam, tragados por vagas alterosas e traiçoeiras, ou dos que voltavam com menos homens a bordo e com os olhos banhados de sal e de lágrimas, naturalmente que a sua sensibilidade de poeta não podia ficar indiferente a tais dramas e vidas ceifadas – E foi justamente também do que falou à assistência que o  foi ouvir e aplaudir. 

“De quem é o mar”…Poesia aos Pescadores da Nazaré  das narrativas  Raul Brandão
A dramatologia ajudam-nos a criar um movimento poético…



Poesia dos  dramas dos Pescadores da Nazaré




O lado urbano:  a força da cidade tem uma força, uma perigosidade, uma ruína, tem uma morte, diferente da morte do mar da  Nazaré, o peso é diferente. E eu fui utilizando muito essa dualidade: Sou da cidade, posso fazer um poema sobre a cidade, sobre os becos, sobre as ruínas, sobre o lixo! Sobre os animais! Sobre as figuras!... E, de repente, está o mar: entra o oceano!  Entram as rochas!... Os rochedos!  Entram as algas , as areias!... E há um cruzamento…Só que na minha poesia, eu escrevo com uma dramatologia, crio um cenário…

Continuar dramatologia dentro da poesia, porque, cheguei a uma certa altura, em que as minhas palavras poéticas não chegavam: tive que pôr figuras: o pedreiro, o escultor, o pintor, o homem da montanha !... São figuras que nós dominamos; são figuras do dia a dia. E, ao trazê-los, ao coloca-los dentro da poesia , crio uma dramatologia que estas figuras veem coisas que o poeta não vê



Um cão esburaca a terra com as patas.
 Encontra naqueles gestos uma felicidade
inesperada,  como se não quisesse acreditar
na ausência do dono.

A mulher avista um barco com uma vela,
 sem remos, sem palavras, sem bandeiras,
 apenas uma mancha fantasma na água
a passar  junto ao horizonte, _

Ninguém grita, ninguém se despe ao cair
da noite. O destino fechou-se dentro
de si mesmo.

O cão espreguiça-se e corre a anunciar
Um tronco de madeira
Que uma onda deita para a praia.

JORNAL DE LETRAS Entrevista a Jaime Rocha a propósito do seu novo livro, Preparação para a Noite 


29-09-2017 -  São múltiplos e um só. E neles confluem o poético, o narrativo e o trágico. Nada mais natural, já que a escrita de Jaime Rocha, 68 anos, corre sempre entre três margens, a poesia, a ficção e o teatro. E a sua “poética é circular”, diz ao JL.

O seu novo livro, Preparação para a Noite, edição Relógio d’Água (72 pp, 14 euros), meia centena de poemas inéditos, escritos nos últimos dois anos, fecha precisamente uma “circunferência”, ligando –se ao inicial Do Extermínio, de 1995, em que ele assume ter encontrado a sua voz própria. É também um regresso à “cidade”, depois de ter deambulado por muitas paisagens – a Tetralogia da Assombração, A Loucura Branca, Anotação do Mal ou A Rapariga sem Carne, entre outros títulos – e memórias, como é o caso do recente romance Escola de Náufragos, em que volta ao mundo da sua infância, na Nazaré, onde nasceu.


 O escritor, poeta, dramaturgo e jornalista continua, por outro lado, a escrever os seus monólogos do homem contemporâneo, Ortof. E está a preparar a dramaturgia de O Construtor, peça que escreveu em 1998 e que só agora vai ser representada em outubro, na Quinta da Regaleira, em Sintra. É um espetáculo do Teatro Musgo, com encenação de Paulo Campos dos Reis. Mais pormenores em https://visao.sapo.pt/jornaldeletras/letras/2017-09-27-Jaime-Rocha-Poesia-Circular/

Jaime Rocha nasceu em 1949, na Nazaré, Portugal. Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa. Viveu em França nos últimos anos da ditadura. Publicou o seu primeiro livro, “Melânquico” (poesia), em 1970. Tem editadas várias obras no domínio da poesia, da ficção e do teatro, na editora Relógio d’Água, Lisboa. Na poesia destaca-se “Os Que Vão Morrer”, 2000, “Zona de Caça”, 2002, “Do Extermínio”, 2003, “Lacrimatória”, 2005, “Necrophilia”, 2010, “Lâmina”, 2014 e “Preparação para a Noite”, 2017. Na prosa, os romances “A Loucura Branca”, 1990, “Os Dias de Um Excursionista”, 1996, “Anotação do Mal”, 2007, “A Rapariga Sem Carne”, 2012 e “Escola de Náufragos”, 2016. No teatro, destaca-se “O Construtor” e “O Terceiro Andar”, 1998, “Seis Mulheres Sob Escuta”, 1999, “Casa de Pássaros” e “O Jogo da Salamandra”, 2001, “Homem Branco-Homem Negro”, 2005, “O Mal de Ortov”, 2009 e “O Regresso de Ortov”, 2013.


Vencedor de prémios tais como: Grande Prémio APE de Teatro, 1998, com a peça “O Terceiro Andar”; Prémio Eixo Atlântico de Textos Dramáticos, 1999, com a peça “Seis Mulheres Sob Escuta”; Grande Prémio de Teatro SPA/Novo Grupo, 2004, com a peça “Homem Branco Homem Negro”; a peça “O Construtor” foi seleccionada para o Prémio Europeu de Teatro, 1994, Berlim; Prémio de Ficção do Pen Clube, 2008 e Prémio Ciranda, 2008, com o romance “Anotação do Mal”; Prémio de Poesia do Pen Clube, 2011, com o livro de poemas “Necrophilia”. http://palavracomum.com/jaime-rocha-o-olhar-do-poeta-e-o-primeiro-e-o-ultimo-possivel/






quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Diálogo com sem abrigo – Cabo-Verdiana 33 anos dormindo na rua entre homens - O que se espera de uma mãe-solteira de três filhos? - Já foi violentada e espancada – Porventura, mais uma candidata a ter um parto com dor e sem apoio - A Sara Furtado, mãe do Bebé abandonado, tem 22 - Qualquer delas com vidas parecidas pelas noites frias das ruas da amargura


Jorge Trabulo Marques - Jornalista e foto-jornalista  - Veja o vídeo da entrevista


Estas imagens, foram por mim  registadas  numa noite fria e chuvosa de Janeiro do corrente ano  e publicada neste site no dia 1 de Fevereiro: que será feito dela?  - Mas foi em finais de Janeiro que a registei num esconso debaixo de um prédio da Avenida Almirante Reis   - Pelos vistos, do sem-abrigo só se lembram quando há casos como o da Sara Furtado, que, vendo-se  numa vida de privações e de abandono,  sem abrigo, se viu forçada a  abandonar o seu bébé num caixote do lixo - 

Não é de aprovar o seu gesto mas também achamos que não é de a condenar atrás das grades: as cadeias não recuperam - Quando repórter da Rádio Comercial, fiz várias entrevistas a reclusos no interior de várias cadeias e até passei um Natal em Pinheiro da Cruz, cujos registos gravados ainda conservo  e todos me afirmaram que as cadeias são mais escolas do crime e de aprendizagem, onde, por vezes, se organizam assaltos com ramificações externas de que de espaços de recuperação e de regeneração.

A foto e o vídeo que aqui reedito foi  publicado,  neste site, no dia 1 de Fevereiro   


com estas palavras: LISBOA - EM DIÁLOGO COM OS SEM-ABRIGO E SEM RACISMO - EM NOITE FRIA E CHUVOSA DE INVERNO, - A LIBERALIZAÇÃO DO ARRENDAMENTO URBANO AGRAVOU OS PROBLEMAS SOCIAIS -  E  a hipocrisia de certa  caridade é um bom negócios para alguns espertos encherem os bolsos 

A karina,de origem cabo-verdiana mas nascida em Portugal, tem 33 anos, é mãe de três filhos, que estão a cargo da avó, um dia foi espancada e quase a iam matando. 
ESTA NOTÍCIA NÃO NOS SURPREENDEU  - Conhecemos bem essa realidade, a que já várias vezes no referimos  – Pois também fomos um sem-abrigo aos 11 anos, em Lisboa
A criança recém-nascida que a 5 de novembro foi encontrada num ecoponto junto à discoteca lisboeta Lux, e que será filha de Sara Furtado, uma jovem cabo-verdiana sem-abrigo, é cabo-verdiana. É o que embaixador de Cabo Verde, Eurico Correia Monteiro, garante ao DN, em resposta a várias perguntas que o jornal endereçou esta sexta-feira à representação diplomática do país em Lisboa.https://www.dn.pt/pais/bebe-abandonado-no-lixo-e-cidadao-cabo-verdiano-diz-embaixada-11544659.html
Jorge Trabulo Marques - Jornalista - Informação e análise  -  O racismo tem mais a ver com a condição social  de que com a cor da pele - Os ricos discriminam os pobres, sejam negros, brancos ou amarelos: Muitos dos principais dirigentes africanos, também não têm o menor respeito para com os cidadãos do seu pais . Eusébio era negro mas todo o mundo o admirava e até o idolatrava - É,  por via do culto do egoísmo, que cada vez o fosso entre ricos e pobres é cada vez maior  Fosso entre ricos e pobres está a aumentar

 Em Lisboa e Porto, assim como no litoral algarvio, dificilmente se aluga um quatro por menos de 3OO euros mensais . Os grandes centros urbanos de Portugal, são aliciantes  para os turistas endinheirados, o maná dos possuidores dos  vistos Golden, que são os  grandes senhores  dos principais negócios e ramos de atividade e  cada vez mais difícil para os portugueses e africanos que aqui residam ou  queiram arranjar algum emprego e alugar um quarto ou arrendar uma casa



A karina,de origem cabo-verdiana mas nascida em Portugal, tem 33 anos, é mãe de três filhos, que estão a cargo da avó, um dia foi espancada e quase a iam matando. 

O Victor foi toxicodependente, durante 15 anos, foi um sem-abrigo; chegou a estar preso, depois a reinserção social arranjou-lhe uma casa, em virtude de problemas de saúde - Precisa de continuar a tomar comprimidos está recuperado, desde há 22 anos. Tenho o meu espaço onde posso dormir e estar descansado e onde posso dar algum conforto àqueles que dormem na rua: estou a dar forças! Estou aqui a dar uma palavra de alento

O Manuel, 73 anos, há 11 anos que dorme na rua. Está reformado mas o dinheiro que recebe da reforma não lhe dá para pagar um quarto - Diz que há centenas de casas fechadas, de rendas económicas, mas que não são dadas aos sem-abrigo, porque hã muita gente a encher os bolsos à custa dos sem-abrigo.

Os albergues não tem condições: estão cheios de percevejos, de pulgas e de piolhos! Não têm condições nenhumas para o ser humano.

“Eu tenho entrada, seja em que albergue for, mas prefiro estar aqui de que num albergue! Porque, à minha pala, os que estão lã no albergue, ainda ganham dinheiro e não ganham tão pouco como isso


A HIPOCRISIA DISFARÇADA DO APOIO À CARIDADE POR INSTITUIÇÕES PRIVADAS 

Muitas das organizações privadas, a pretexto de prestarem apoios sociais, no fundo é mais um ardil Para sacarem grossos fundos comunitários ou dos próprios países. Tal como sucede com as ofertas de arroz asiático nos países africanos: oferecem uma fatia de pão para irem buscar um salpicão.

“Pedem roupa usada para ajudar países de terceiro mundo. Mas dinheiro da venda não chega a África. Voluntários dizem que aprendem a pedir nas ruas

Estão no meio da rua, à saída do supermercado, frente a uma igreja ou ao lado de um ecoponto. São caixas enormes onde qualquer pessoa pode deixar roupa usada, que já não faz falta e ocupa as gavetas lá de casa. https://tvi24.iol.pt/sociedade/roupa-usada/roupa-suja-o-negocio-da-caridade


O FENÓMENO PERVERSO DO LIBERALISMO  SELVAGEM 

A liberalização do arrendamento urbano,  veio agravar os problemas de habitação:  se um sem-abrigo, mesmo com uma reforma de 300 euros mais 50 de ajuda social, nem assim consegue ter meios para alugar um quarto agora imagine-se quais as dificuldades por que passa a quem se confine a ordenado mínimo

“Muitos de nós, que vivemos na rua, durante muitos anos, poucas pessoas, se importam connosco! Até nos viram a cara!  - De vez em quando há uma associação que traz duas sandes de fome e um iogurte: uma delas untada com manteiga e a outra com um fatia de fiambre, em que se vê o sol

Ajudamo-nos mutuamente uns aos outros: eu, há 15 anos atrás, ajudaram-me; hoje em  dia tenho o meu apartamento Estou aqui a dar-lhe o meu apoio: continuam a ser os meus amigos e a minha família

Imagem de televisão - 2012
Mas quem é que é capaz de pôr rédea na ganancia dos senhorios? - Com leis que estão literalmente ao seu lado  nos prazos e nas exorbitâncias de aumentos?-   "Tenho de aceitar um aumento de 300% da renda"?...03/12/2012 - 

 Em Lisboa e Porto, assim como no litoral algarvio, dificilmente se aluga um quatro por menos de 3OO euros mensais . Os grandes centros urbanos de Portugal, são aliciantes  para os turistas endinheirados


QUEM IMIGRA PARA Cabo Verde, dificilmente vai para trabalhos duros e vergar a mola  - Cabo verde é o pais dos PALOP com  mais população fora do que dentro - Aquele  com mais altas taxas de emigração — as estimativas apontam para um milhão na diáspora.

DORMIR DEBAIXO PONTE NÃO É ASSIM TÃO MAU QUANTO ISSO....


A reforma do arrendamento e a liberalização gradual das rendas antigas dinamizou o mercado de arrendamento? - Bem pelo contrário? Sem dúvida, o maior ataque às famílias portuguesas por um governo de estrangeiristas - A maior parte dos seus membros nascidos   nas antigas colónias e com mentalidade colonial - 

SENHORIOS FICARAM COM A FACA E COM O QUEIJO NAS MÃOS - NOTICIAS PÓS A LIBERALIZAÇÃO DO ARRENDAMENTO URBANO

 "255 mil contratos de arrendamento anteriores a 1990 serão revistos. O aumento das rendas irá, assim, afetar cerca de um milhão de famílias. O «Diário Económico» faz notar que as rendas antigas deverão subir, na prática, a partir de março de 2013, se o senhorio enviar uma carta ao inquilino nesse sentido já em novembro e caso o segundo apresente uma contra-proposta dentro do prazo legal aceite pelo proprietário"TVI.