As Festas da Amendoeira em Flor, em Vila Nova de Foz Côa, são muito mais do que um momento de animação- .Diz São Constâncio Representam uma ligação à paisagem, à agricultura e à identidade da nossa terra.
Todos os anos, as festas atraem visitantes, trazem movimento ao concelho e
ajudam a dar vida ao comércio, ao alojamento e aos produtos locais, como a
amêndoa, o vinho, o azeite e o artesanato. Acima de tudo, reforçam o orgulho de
quem aqui vive e não raras vezes transportam-nos para as festas da nossa
infância.
Porém, é impossível ignorar a realidade do interior onde a população é cada
vez menor, a restauração é limitada e a produção de amêndoa já não tem a
expressão de outros tempos. Se não houver cuidado, a festa corre o risco de se
tornar apenas simbólica, uma bonita imagem sem ligação ao que já existiu. Para
que a tradição tenha futuro, é preciso usá-la como ponto de partida para
recuperar a base produtiva, valorizando a amêndoa como produto económico,
criando condições para os agricultores e incentivando a plantação e manutenção
das amendoeiras. Mesmo em pequena escala, transformar localmente a amêndoa pode
fazer a diferença, sobretudo se envolver jovens e novos produtores.
Num país onde muitas festas acabam por ser parecidas umas com as outras, a
nossa “Festa” tem o desafio de manter aquilo que a torna única. A sua força não
está em copiar modelos, mas em assumir a sua verdade: a paisagem, a memória
agrícola e as pessoas. Reconhecer as fragilidades do território não é um
problema, pelo contrário, pode ser o ponto de partida para uma festa mais
honesta, mais consciente e mais ligada à comunidade. Quando agricultores,
habitantes, escolas e jovens participam ativamente, a festa deixa de ser apenas
um evento e passa a ser um compromisso com o futuro.
Mesmo que hoje haja menos amendoais, é importante contar a história, o que
existiu, o que ainda existe e o que pode voltar a existir. Durante a festa,
pode haver um momento de conversa ou debate onde se fale abertamente sobre
metas de plantação, número de produtores e desafios futuros.a
Concertos genéricos e bancas iguais às de outras festas não deixam marca.
Em vez disso, vale mais apostar em projetos locais, música tradicional,
gastronomia ligada à amêndoa e aos produtos do concelho, e artesanato com
identidade própria.
A festa não deve ser o fim, mas o momento visível de um trabalho invisível feito todo o ano!!
Recordo-me, não sei se com toda a exatidão necessária, de uma lenda que li
na escola e que contava que um rei mouro, ao casar com uma princesa nórdica
triste por não ver neve, mandou plantar milhares de amendoeiras. Quando
floriram, os campos brancos pareceram-lhe neve, devolvendo-lhe a alegria.
Verdadeira ou não, a lenda ajudou a fixar a amendoeira como símbolo de cuidado.
É também símbolo de renovação já que é das primeiras a abrir.
A amêndoa foi durante séculos um alimento essencial em zonas rurais e a base
de doces tradicionais, quem não conhece os tradicionais doces de amêndoa das
Mós? Hoje apesar de todo o seu potencial não tem sido valorizada.
A Festa da Amendoeira em Flor em Foz Côa que teve a sua primeira edição em 1980 e realiza-se desde então, celebra um dos tesouros do Concelho, e tenta a cada ano transformar-se num evento cada vez marcante. https://amendoeiraemflor.pt/
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