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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

As Festas da Amendoeira em Flor, em Vila Nova de Foz Côa, são muito mais do que um momento de animação- .Diz São Constâncio Representam uma ligação à paisagem, à agricultura e à identidade da nossa terra.



As Festas da Amendoeira em Flor, em Vila Nova de Foz Côa, são muito mais do que um momento de animação- .Diz São Constâncio  Representam uma ligação à paisagem, à agricultura e à identidade da nossa terra.

Todos os anos, as festas atraem visitantes, trazem movimento ao concelho e ajudam a dar vida ao comércio, ao alojamento e aos produtos locais, como a amêndoa, o vinho, o azeite e o artesanato. Acima de tudo, reforçam o orgulho de quem aqui vive e não raras vezes transportam-nos para as festas da nossa infância.

Porém, é impossível ignorar a realidade do interior onde a população é cada vez menor, a restauração é limitada e a produção de amêndoa já não tem a expressão de outros tempos. Se não houver cuidado, a festa corre o risco de se tornar apenas simbólica, uma bonita imagem sem ligação ao que já existiu. Para que a tradição tenha futuro, é preciso usá-la como ponto de partida para recuperar a base produtiva, valorizando a amêndoa como produto económico, criando condições para os agricultores e incentivando a plantação e manutenção das amendoeiras. Mesmo em pequena escala, transformar localmente a amêndoa pode fazer a diferença, sobretudo se envolver jovens e novos produtores.

Num país onde muitas festas acabam por ser parecidas umas com as outras, a nossa “Festa” tem o desafio de manter aquilo que a torna única. A sua força não está em copiar modelos, mas em assumir a sua verdade: a paisagem, a memória agrícola e as pessoas. Reconhecer as fragilidades do território não é um problema, pelo contrário, pode ser o ponto de partida para uma festa mais honesta, mais consciente e mais ligada à comunidade. Quando agricultores, habitantes, escolas e jovens participam ativamente, a festa deixa de ser apenas um evento e passa a ser um compromisso com o futuro.

Mesmo que hoje haja menos amendoais, é importante contar a história, o que existiu, o que ainda existe e o que pode voltar a existir. Durante a festa, pode haver um momento de conversa ou debate onde se fale abertamente sobre metas de plantação, número de produtores e desafios futuros.a

Concertos genéricos e bancas iguais às de outras festas não deixam marca. Em vez disso, vale mais apostar em projetos locais, música tradicional, gastronomia ligada à amêndoa e aos produtos do concelho, e artesanato com identidade própria.

A festa não deve ser o fim, mas o momento visível de um trabalho invisível feito todo o ano!!

Recordo-me, não sei se com toda a exatidão necessária, de uma lenda que li na escola e que contava que um rei mouro, ao casar com uma princesa nórdica triste por não ver neve, mandou plantar milhares de amendoeiras. Quando floriram, os campos brancos pareceram-lhe neve, devolvendo-lhe a alegria. Verdadeira ou não, a lenda ajudou a fixar a amendoeira como símbolo de cuidado. É também símbolo de renovação já que é das primeiras a abrir.

A amêndoa foi durante séculos um alimento essencial em zonas rurais e a base de doces tradicionais, quem não conhece os tradicionais doces de amêndoa das Mós? Hoje apesar de todo o seu potencial não tem sido valorizada.

A Festa da Amendoeira em Flor em Foz Côa que teve a sua primeira edição em 1980 e realiza-se desde então, celebra um dos tesouros do Concelho, e tenta a cada ano transformar-se num evento cada vez marcante. https://amendoeiraemflor.pt/

 

 

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