Jorge Trabulo Marques - Peregrino da Luz
Novo Ano 2026 - Mensagem de gratidão a S. Tomé e Príncipe, à Guiné Equatorial e à Nigéria - Países que marcaram para sempre a minha vida na aventura marítima. Mas seja de Cósmicas e Fraternas Bênçãos, de Tranquilidade e Prosperidade, tanto no meu país, em Portugal, como em toda a Humanidade - Paz na Terra e não aos promotores da Guerra
Sejamos crentes ou agnósticos, acreditemos em Deus ou no Karma, a ética moral é um código a qualquer pessoa pode obedecer. Precisamos de qualidades humanas, como os escrúpulos, a compaixão e a humildade. Devido à nossa fragilidade e fraqueza humanas inatas, estas qualidades só são acessíveis através de um grande desenvolvimento individual, num meio social propício, de modo a que se possa criar um mundo mais humano”– In “O Caminho Para A Serenidade – Dalai Lama
A beleza natural de São Tomé e Príncipe é meio caminho andado para ser-se poeta – e estas ilhas têm grandes poetas: desde um Costa Alegre, a Francisco José Tenreiro, passando por Francisco Stockler, Alda do Espírito Santo, Conceição Lima, a Olinda Beja, entre outros, são nomes de elevada craveira, que atestam uma extraordinária literatura poética
Recordo momentos de alegria e convívio: as comemorações, em 12 de Julho de 2015, há 10 anos, sob a Presidência de Manuel Pinto da Costa, a grande figura carismática de STP, um dos principais dinamizadores e fundaores do MLSTP, atualmente atravessando alguns problemas de saúde, ao qual dirijo o meu renovado abraço e votos das suas melhoras - Brinde a que também se associou o então Presidente de Cabo Verde, Jorge Fonseca.
Além disso, estou-lhe também profundamente grato pelo gesto amigo e cordial, com que me distinguiu, ao proporcionar-me o alojamento numa das vivendas do Palácio do Povo, no meu reencontro com S. Tomé, com o fim de me associar às comemorações dos 40 anos da Independência, bem como apresentar a exposição das minhas aventuras marítimas, assim como poder continuar o estudo das gravuras que julgo ter descoberto, em Anambô
Muito obrigado, Caro Presidente (sim, enquanto viver continuará a ser genuína imagem de uma Nação!)
Obrigado, Manuel Pinto da Costa, por todos estes gestos, tão amáveis e significativos, com um abraço caloroso e desejos das maiores felicidades e de que a saúde nunca lhe falte, para que continue a ser a Voz e a Mais Credível Referência para o bem-estar e progresso do Povo de S. Tomé e Príncipe - E os votos de que, tal como diz, “ o diálogo construtivo, nunca será uma causa perdida”
Jorge Marques com o Embaixador Tito Mba Ada |
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| No regime de Francisco Macias Nguema |

Fui preso nas masmorras do Odiondo regime de Francisco Macias Nguema – Ele “era conhecido por ordenar a execução de famílias e aldeias inteiras, forçou dezenas de milhares de cidadãos a fugir com medo de perseguição e proteger sua segurança pessoal. Intelectuais e profissionais qualificados eram um alvo específico (…)No final de seu governo, quase toda a classe educada do país foi executada ou forçada ao exílio. Entre os métodos de tortura utilizados estavam . "O balanço" (amarre o prisioneiro pelos pés e mantenha-o pendurado enquanto é espancado. Dada a brutalidade desses métodos, muitos prisioneiros morreram sofrendo com eles. Grande parte dos mortos durante a ditadura de Macías passou pela prisão”(…) A ilha de Fernando Pó, renomeada como "Isla Macías Nguema"

SOU UMA DAS ANTIGAS MANCHETES DO JORNAL NIGERIAN CHRONICLE - De Calabar - Uma dando a notica de quando aportei de canoa, numa praia de Calabar, na Nigéria,, após 13 dias desde S. Tomé à Nigéria - Em Março de 1975, -tive que fugir de canoa para evitar ser massacrado por um grupo de colonos por divulgar, na revista angolana Semana Ilustrada, de que era corespondente, as manifestações pró-independência. e as imagens do massacre do Batepá, de 3 de Fev de 1953, bem como de entrevistas a sobreviventes.-

Embaixador da Nigéria em Lisboa
Haruna Musa,
Sou jornalista e autor de várias travessias em pequenas pirogas primitivas, nos mares do Golfo da Guiné, em 1970 e 1975: a primeira de S. Tomé à Ilha do Príncipe, em 3 dias, depois de S. Tomé à Nigéria, em 13 dias, em Março de 1975 – E depois a tentativa de travessia oceânica, que resultaria num naufrágio de 38 dias, tendo acabado por acostar na Ilha de Bioko
E tenho uma dívida de gratidão para com o seu país: dado o carinho e o humanismo como foi tratado: quer pelos pescadores na praia onde acostei, em Calabar, quer depois no hospital onde fui assistido, cuja noticia foi manchete no jornal de Calabar, cuja imagem recordo neste email. E também pelas próprias autoridades
Depois de ter sido repatriado para Portugal, voltei a S- Tomé para tentar a travessia oceânica, tendo acabado por acostar na Ilha de Bioko, antiga Ilha de Fernão do Pó, em 27 de Novembro de 1975, onde, então, me deparei com uma grande afronta: fui preso na prisão Black Beach, por me julgarem espião. Felizmente. Lá fui libertado, no mesmo dia em que já caminha para a forca, graças a uma mensagem que levava do MLSTP para ler quando chegasse ao Brasil.
Depois de ter apresentado a minha exposição, no Padrão dos Descobrimentos, em Lisboa, sob o título SOBREVIVER NO MAR DOS TORNADOS de 10 de Abril a 10 de Março de 1979, e, posteriormente, além de outros locais, no Centro Cultural Português, em S. Tomé, em finais de Julho de 2015, conforme documento no meu blogue
https://canoasdomar.blogspot.
https://canoasdomar.blogspot.
Em resumo, direi que sou autor de várias travessias em pequenas pirogas primitivas, nos mares do Golfo da Guiné, por força de muitos treinos, sempre que me era possível, de praia em praia, nas frágeis canoas dos corajosos pescadores de São Tomé, aos quais desejo aqui expressar um abraço de reconhecimento e de admiração, não apenas pela dureza e risco das suas vidas, em que se expõem, sempre que partem para o mar, como também pelos ensinamentos que me prestaram, já que foram eles os meus melhores mestres.
Larguei à meia-noite, clandestinamente, pois sabia que se pedisse autorização esta me seria recusada, dada a perigosidade da viagem, levando comigo apenas uma rudimentar bússola para me orientar. No regresso de avião a São Tomé, fui preso pela PIDE, por suspeita de me querer ir juntar ao movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe, no Gabão, o que não era o caso. Levei três dias e enfrentei dois tornados. À segunda noite adormeci e voltei-me com a canoa em pleno alto mar. Esta era minúscula e vivi um verdadeiro drama para me salvar, debatendo-me como extrema dificuldade no meio do sorvedouro denegrido das águas.
Regressado a São Tomé, ainda no mesmo ano, e já com São Tomé e Príncipe independente, tentei empreender a travessia ao Brasil, com o propósito de reforçar a minha tese, evocar a rota da escravatura através da grande corrente equatorial e contribuir para a moralização de futuros náufragos, à semelhança de Alan Bombard. Segundo este investigador e navegador solitário, a maioria das vítimas morre por inação, mais por perda de confiança e desespero, do que propriamente por falta de recursos, que o próprio mar pode oferecer. Era justamente o que eu também pretendia demonstrar. Navegando num meio tão primitivo e precário, levando apenas alimentos para uma parte do percurso e servindo-me, unicamente, de uma simples bússola, sem qualquer meio de comunicar com o exterior, tinha, pois, como intenção, colocar-me nas mesmas condições que muitos milhares de seres humanos que, todos os anos, ficam completamente desprotegidos e entregues a si próprios. Porém, quis o destino que fosse mesmo esta a situação que acabasse por viver.









