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sexta-feira, 27 de março de 2026

Agripina Costa Marques- 1929 -2023 - Meu Tributo à saudosa poetiza´que dedicou um belo poema. às minhas aventuras em pirogas - Esposa do poeta António Ramos Rosa –1924-2013 -

                                                             


Jorge Trabulo Marques  - Jornalista - Entrevista um ano antes de partir para a eternidade e a leitura d o poema que dedidou ao meu espírito aventuras nas travessias em pirogas solitárias no Golfo da Guiné


                 

Meu Tributo à saudosa poetiza Agripina Costa Marques- 1929 -2023 - Dedicou-me um belo poema. Esposa do poeta António Ramos Rosa –1924-2013 - Ambos meus bons amigos, que muitas vezes me deram o prazer de me receber em sua casa – Ambos admiravam o espirito das minhas ousadas aventuras marítimas nas frágeis pirogas no Golfo da Guiné - Recordo hoje o de Agripina Costa Marques,




Piroga usada na travessia de S. Tomé ao Principe
É na ampla latitude em que te encontras:
Tu que na vida és ávido.
Tua exigência extrema não tem comum medida
com esquemas intermédios;
não pode acomodar-se à vida por metade.
Tudo ou nada. E a vida se te impõe
em intensidade e risco, na vertigem do abismo:
porque tocas o abismo quando o fruis
em inultrapassável densidade;
quando já nada pode separar-te
dos soltos elementos; a voz da tua voz.
Um só furor; a mesma plenitude.
Uma só descoberta: quanto em ti próprio és
toda a potência cósmica em desmesura.
Na dimensão do excesso a vida em ti se cumpre.
Mareante nostálgico da aventura ancestral,

em gesta solitária ( e os rudimentares aprestos
que te bastam em teu despojamento
superando-te ante adversas forças)
ao recriares em ti o “mundo novo”
buscas ainda do instante o último limite.
Agripina Costa Marques
12.08.94

Agripina Costa Marques: costuma dizer-se, que, por detrás de um grande homem, está uma grande mulher – Foi justamente o que se passou com este apaixonado casal - António Ramos Rosa, era, na verdade, um poeta de corpo inteiro – Uma simples palavra, que ouvisse pronunciar e de que gostava, era o bastante para arrancar dali um poema. Pude testemunhar essa espontânea inspiração. Tendo-me confiado, vários dos seus originais manuscritos para os passar a letra de imprensa, assim como me ter oferecido seis poemas para o projeto de um livro, que acompanharia fotos minhas, com textos de Oliveira Marques e Lídia Jorge, que ainda não cheguei a editar, por culpa de uma editora que me reteve o projeto seis anos, tendo acabado por lho retirar.
Agripina Costa Marques – Sem dúvida, uma mulher de grande sensibilidade, que não ficava atrás da sensibilidade poética do seu querido marido, mas, que, de algum modo, se deixou eclipsar para que ele pudesse ainda mais brilhar. Possuidora de uma bela voz, tendo mesmo gravado alguns fados de Coimbra, acompanhada à guitarra de Carlos Paredes - Não chegaram a ser editados mas deixados unicamente em cassete.
Também ela autora de belos poemas, entre os quais, Ciclos, Fragmentos, Idades, que, segundo, já foi sublinhado, se inscrevem justamente na categoria desses livros que, pela sua rareza, reinventa a literatura e a poesia.
De seu nome completo, Agripina Jacinta Costa Marques Ramos Rosa, Nasceu em Lisboa, em Julho de 1929 Passou os últimos anos da sua vida na Residência Faria Mantero, no Restelo, propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.
Faleceu aos 94 anos:, trabalhou como tradutora para as Publicações Europa-América e dirigiu o sector de exportações e importações numa empresa sedeada na mesma cidade. Revela-se nos anos noventa do século passado como poeta. A sua primeira obra Rotações (1991), tem como coautores Carlos Poças Falcão e António Ramos Rosa, seu companheiro de vida desde 1963. Seguem-se O Centro Inteiro (1993), em colaboração com António Magalhães e Ramos Rosa. No mesmo ano a escritora publicou ainda Instantes. Permanência (1993; com 2ª ed. em 2004) dando corpo a uma obra literária que passa por Diário Intermitente (1996), Ciclos, Fragmentos, Idades (1998), Sonhos (2000, com 2ª ed. em 2001) e Morada Recôndita (2012).


António Ramos Rosa - "Destacado poeta e crítico português nascido em Faro em 1924. Foi militante do MUD (Movimento de União Democrática) e conheceu a prisão política. Trabalhou como tradutor e professor, tendo sido um dos diretores de revistas literárias como Árvore e Cassiopeia. O seu primeiro livro de poesia, O Grito Claro, foi publicado em 1958. A sua obra poética ultrapassa os cinquenta títulos. É ainda autor de ensaios, entre os quais se salienta A Poesia Moderna e a Interrogação do Real (1979-1980). Em 1988 foi distinguido com o Prémio Pessoa. Faleceu em setembro de 2013.



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